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maio15

A direita brasileira consente e defende sutilmente a corrupção
É possível teorizar que, se houvesse um movimento anticorrupção de verdade, uma de suas frases de efeito seria "Fora direita!".

É possível teorizar que, se houvesse um movimento anticorrupção de verdade, uma de suas frases de efeito seria “Fora direita”

Desde o governo Lula, a direita liberal-conservadora brasileira posa de “denunciadora” e “lutadora” “contra a corrupção”, acusa o PT de ser “a raiz de todo o mal” e defende que os brasileiros vão à rua para gritar “Fora Dilma/PT” em prol do “fim da corrupção”. Mas esconde da população algo bastante inconveniente: em suas ações, ela consente e sutilmente defende a corrupção, sendo hipócrita, seletiva, interesseira e incoerente em todos os seus argumentos “anticorrupcionistas”.

Várias são as atitudes da direita brasileira que fazem dela, necessariamente, uma cúmplice, quando não comparsa, da cultura política da corrupção, e também uma impositora de obstáculos para o autêntico e profundo combate a esse tipo de tradição criminosa. Essas posturas e ações fazem essa parcela da classe política do país não ter qualquer moral para falar de corrupção e, longe de ser ou apresentar a solução, ser parte essencial, se não principal, do problema.

São as seguintes razões que fazem este texto expor a polêmica afirmação de seu título:

1. Muitos dos suspeitos e denunciados por corrupção são pertencentes a bancadas conservadoras e defensores figadais de bandeiras antipopulares e reacionárias

Nem a mídia “mainstream” se priva de denunciar, de vez em quando, o possível – e às vezes comprovado – envolvimento de parlamentares ruralistas, evangélicos teocratas, militaristas e aliados do grande empresariado em escândalos de corrupção.

Como exemplo, os pentecostais fundamentalistas, costumeiros ameaçadores da laicidade do Estado brasileiro e dos Direitos Humanos de diversas minorias políticas, costumam ter seus nomes atrelados a processos por crimes muito diversos, como essa notícia exemplifica. Situação similar envolve ruralistas, corriqueiros defensores da opressão no campo e da irresponsabilidade ambiental.

2. Quando parte dos seus companheiros de espectro ideológico são denunciados ou indiciados por corrupção (e/ou outros crimes), os direitistas que posam de “caça-corruptos” se calam.

Tem sido comum o uso de “dois pesos, duas medidas” quando parlamentares de direita “denunciam” escândalos de corrupção. Quando é o PT que tem membros seus envolvidos, promovem um amplificado estardalhaço. Mas quando há envolvimento de membros de partidos como PMDB, PSDB, PSB, PSD, PP, PTB etc., o silêncio é sepulcral, e a indignação tende a zero.

Exemplo clássico disso é Jair Bolsonaro, do PP, que costuma ser aclamado como um “anticorrupcionista” capaz de “enfrentar os corruptos do PT” mas se silencia perante o histórico sujo de colegas de partido, como Paulo Maluf.

3. Ela não luta contra a corrupção entre os seus, nem defende medidas que a combatam estruturalmente.

Essa falta de intenção de moralizar a política é evidente quando, além do mencionado silêncio perante crimes cometidos por colegas de ideologia, os direitistas se omitem e demonstram falta de interesse em defender medidas que combatam estruturalmente a possibilidade de membros dos três poderes serem corrompidos.

Alguns parlamentares, aliás, têm feito o contrário: reforçar vícios da estrutura política brasileira que favorecem a falta de transparência e as oportunidades de promover mandatos abusivos. Um exemplo notório disso é a contrarreforma política que gente como o conservador Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara Federal, tem se esforçado em aprovar e sancionar. Essa contrarreforma pretende, entre outras medidas, legitimar pela lei as doações empresariais para campanhas eleitorais.

4. A direita insiste que votemos em veteranos suspeitos de corrupção ou em fortes candidatos ao desvio de ética.

Em todos os anos eleitorais, a história se repete. Candidatos mal-intencionados são acolhidos por partidos conservadores e neoliberais, deles recebem suporte, defendem bandeiras genéricas ou claramente reacionárias e, no final das contas, são eleitos. E não tarda para que muitos deles sejam denunciados como suspeitos de corrupção.

Diante disso, a direita que os acolheu não mexe nem um palito para coibir esse tão recorrente acontecimento. Pelo contrário, a cada ano eleitoral ela nos apresenta novos ou veteranos candidatos suspeitos, esperando que uma população acrítica e despolitizada vote neles.

5. A direita militante, incluindo a mídia, protege suspeitos e acusados de corrupção que não são do PT.

Tem sido recorrente, com força maior hoje do que em outros anos, ver páginas e grupos militantes de direita e a mídia atacando o PT por ser um partido “cúmplice da corrupção”. Enquanto isso, dedicam um silêncio amigo para políticos não petistas acusados do mesmo envolvimento com mau uso do poder e do dinheiro público.

Graças a seu ativismo que distrai as pessoas para que fiquem de olho apenas nos membros do PT, políticos de outros partidos ficam livres da pressão pública e, assim, sentem-se “liberados” para cometer abusos e crimes diversos às escondidas, protegidos pelas espalhafatosas cortinas do “Fora PT”.

6. Diversos valores defendidos e/ou compartilhados pela direita liberal-conservadora têm afinidade com a atitude de corruptos.

Individualismo exacerbado, autoritarismo sociopolítico, defesa e proteção de privilégios, governo em prol exclusivamente dos mais poderosos, privatização e desleixo dedicados àquilo que é público, simpatia por sistemas político-econômicos pouco ou nada democráticos, hierarquias sociais e morais… São diversificados os valores caros à direita liberal-conservadora brasileira que favorecem uma atitude de abusividade e até criminalidade perante a coisa pública.

7. A direita consente ou mesmo defende diversas formas de desvio de ética e caráter, e a corrupção acaba sendo uma delas.

A corrupção se soma a diversas outras faltas éticas relacionadas ao desrespeito ao que é público. Revogação de direitos e liberdades, violações à Constituição (a pontos como o Estado Laico e a função social da propriedade), quebras de decoro parlamentar, discursos de ódio, degradação das condições de vida da maioria da população governada… Não faltam posturas que mostram como a direita governa e legisla contra a maior parte da sociedade, busca reforçar e restaurar privilégios e impede a prevalência da transparência.

Quando se percebe essa governança “vilã” exercida pela direita liberal-conservadora brasileira, não é de se estranhar que, dentre os interesses por ela defendidos, descubramos o de se apropriar de dinheiro e patrimônio públicos. Fica evidente por que ela tanto tenta desviar a atenção dos brasileiros perante quem está promovendo “roubalheira”: se houvesse uma campanha verdadeiramente combatente contra corrupção, a direita legislativa e executiva sofreria gigantescos desfalques, perderia uma parcela enorme de seu poder e sairia desmoralizada e desacreditada perante o povo.

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