01

maio15

Grupos manifestantes de direita: a versão político-ideológica das igrejas evangélicas corruptas
Exemplo de incitação fanática de grupo de "politização" antipetista de direita

Exemplo de incitação fanática de grupo de “politização” antipetista de direita

Desde a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, grupos militantes de direita têm aparecido no Brasil, declarando como suposta missão o “combate à corrupção e ao mau governo” e adotando como método os incessantes ataques online e offline ao PT, a Dilma e a Lula. Têm figurado como verdadeiras versões político-ideológicas das igrejas evangélicas corruptas, promovendo de forma muito similar a elas a “fé” com ódio, o fanatismo, a intolerância e também a exploração financeira de seus seguidores.

Têm sido bastante evidentes as semelhanças entre esses coletivos e as igrejas pastoreadas por sacerdotes estelionatários e odientos. De um lado, as denominações pentecostais abusivas incitam na mentalidade de seus fiéis a religiosidade fanática e desprovida de ética e a intolerância contra homossexuais, mulheres feministas, pessoas trans e minorias religiosas não cristãs, assim como lhes cobram dízimos extorsivos.

Do outro, os grupos de “politização patriótica” têm incitado em seus seguidores um ódio arrebatadoramente semelhante contra o PT, membros e simpatizantes do partido e pessoas adeptas de visões de mundo de esquerda em geral. Colocam o Partido “dos Trabalhadores” como o “grande Satã”, o “inimigo nacional” a ser combatido – com violência, se for considerado “necessário”. E tacham pessoas de esquerda de “comunistas” e, portanto, “maléficas”, promovendo contra elas uma intolerância similar à pregada contra petistas.

Sua maior bandeira tem sido o impeachment de Dilma, demandado mesmo sem a existência de provas criminais que atestem o envolvimento atual da presidenta em escândalos de corrupção e/ou outros crimes de responsabilidade. Com o fim de se defender tal causa, incitam uma rasgante fúria coletiva contra ela e o PT, mesmo que para isso algumas denúncias contra ambos sejam inventadas e outras sejam criadas a partir de distorções de notícias reais.

Esse enfrentamento contra Dilma e o PT tem sido motivo de uma forte e constante incitação ao fanatismo cheio de ódio. A linguagem e os termos que algumas páginas desses grupos têm usado são propositais, de modo a inflamar emoções bélicas, militarizadas, como se preparassem seus leitores para uma violenta “cruzada” contra o governo, os petistas e o que ainda há de esquerda no Brasil.

Isso tem sido feito de maneira bem similar às pregações nas quais alguns pastores criam em seus fiéis um “instinto de guerra” para que enfrentem, por exemplo, Satanás, os homossexuais e os afrorreligiosos.

Além disso, esses “movimentos” têm apelado para alguma forma de tirar dinheiro de seus seguidores. Não tem havido simplesmente pedidos de doações ou comercialização de produtos com fins declarados de manter as atividades e prover renda aos integrantes de tais grupos. Mas sim vendas e pedidos de dinheiro carregados de mensagens beligerantes.

Deixam a entender que uma doação de 50 reais ou a compra de um “kit do impeachment” de 175 reais seriam uma “grande contribuição” para “a guerra do bem contra o mal” e a reunião das forças que irão “derrotar o Grande Satã PT” e impedir que “o comunismo” “destrua suas vidas”, para termos alguns exemplos. O apelo à emoção e a incitação ao fanatismo são semelhantes ao que pastores mal-intencionados promovem quando pedem dízimos elevados.

E é impossível esquecer algumas outras semelhanças. Tal como igrejas corruptas, esses coletivos têm seus diabos (o PT e o “comunismo”), seu salvador (a direita liberal-conservadora ou as forças armadas), sua mitologia maniqueísta (a “ascensão do mal” com a eleição de Lula em 2002 e a “destruição do Brasil” com o PT no poder desde 2003) e sua “batalha final” (a direita organizada e seus rebanhos vs. o PT e a esquerda), entre outros aspectos religiosos.

Essas semelhanças evidenciam que a militância fanatizante de direita deve receber, dos movimentos sociais e da militância de esquerda, a mesma atenção opositora que as igrejas pentecostais corruptas já recebem. Tal como o fanatismo e intolerância religiosos são uma ameaça aos Direitos Humanos e às liberdades individuais e coletivas no Brasil, os grupos de “politização” antipetista fanática têm-se desenhado como um perigo vivo para a democracia no país.

imagrs

1 comentário(s). Venha deixar o seu também.

luiz carlos

abril 7 2016 Responder

Sou pastor e percebi isso.Alguns membros que tem contato com esse tipo de grupo religioso até se afastaram de nosso meio .Esses grupos são muito alimentados pela midia e por pastores e lideres que desejam o poder politico e precisam tirar o PT porque querem o seu lugar.Eles usam o púlpito para promover a repulsa ao PT e apoiar uma visão conservadora,mas o povo que ouve tais discursos é em sua maioria ingênuo,mas alguns membros que são mais ” espertos” querem participar tendo uma “boquinha” se eventualmente o futuro canditato alcançar o poder.Entretanto o
mesmo parece acontecer muito em pessoas que apoiam ou apoiaram o PT no passado e fizeram do mesmo um tipo de religião.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo