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maio15

A meia semana em que a direita deixou claro que não defende a educação, nem a democracia, nem a liberdade

coxinha-educacao

Todos talvez já saibam da brutal repressão promovida pela PM do governador tucano paranaense Beto Richa contra professores e outros servidores públicos do Paraná, no Centro Cívico de Curitiba, no último dia 29. E algumas pessoas já sabem que a “nova direita”, aquela que tanto tem dito “defender” educação, saúde, democracia e liberdade, dividiu-se entre o silêncio e o ódio aos docentes em resposta ao ocorrido. Foi (mais) uma amostra de que suas supostas bandeiras de defesa da educação e luta por liberdades democráticas são falsificadas e não valem sequer intenções.

Na meia semana que sucedeu a performance ditatorial da PMPR, uma parte das páginas de direita permaneceu sem dar um piu sobre o que havia acontecido. A outra dirigiu ataques contra os professores, acusando-os de “comunistas” ou “violentos” e “apoiados pelo black bloc e parabenizando os repressores.

Se alguém esperava ver páginas de direita defendendo a educação à sua maneira, quebrou a cara. Nada além de imagens vagas sobre o desejo de uma “educação melhor”, ou culpando o governo federal petista por iniquidades cometidas na educação pública por governos estaduais e prefeituras, figura nessas fanpages.

Isso foi uma demonstração bastante crua de como a direita incide na mentira quando diz defender a educação, a liberdade e a democracia. Quando aparece uma oportunidade de embandeirar as três causas, posicionam-se contra elas ou se omitem num ensurdecedor silêncio.

Nesse caso em questão, a educação foi “defendida” com omissão ou com apoio àqueles que calam a boca, com força bruta, dos que vão às ruas pedir pela sua valorização. A democracia e a liberdade, por sua vez, receberam como “apoio” a exaltação de uma polícia repressora que demostrou ódio às liberdades e direitos inerentes à democracia, ou um consentimento silencioso à repressão.

O caso dos professores paranaenses exemplifica como a direita brasileira, em especial aquela adepta assumida do reacionarismo, comete a proeza de “defender” uma bandeira rasgando-a e pisoteando-lhe os trapos, como esse texto e esse mostram. Esse momento foi um daqueles em que a direita desiste de manter sua máscara de democrata, pró-liberdades e pró-cidadã e revela, ao removê-la, uma face raivosa e babosa, de defensora do autoritarismo, do abate da ordem democrática às balas.

Novas ocasiões de cidadãos sendo violentamente reprimidos pela polícia comandada por governadores não petistas fatalmente farão a direita mostrar esse tipo de reação hostil aos direitos democráticos dos agredidos. E isso a fará perder suas condições de posar de boazinha para enganar cidadãos desavisados, convertê-los em “coxinhas” e arrebanhá-los em torno de seus escusos interesses.

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