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maio15

Muito além do “Fora PT” e dos grandes escândalos: a corrupção deve ser enfrentada a partir dos cinco centavos a menos no troco
Dar um "basta" à corrupção implica necessariamente eliminarmos o corrupto que reside dentro de nós mesmos

Dar um “basta” à corrupção implica necessariamente eliminarmos o corrupto que reside dentro de nós mesmos

Durante os governos de Lula e Dilma, tem crescido a “indignação” dos antipetistas contra as “roubalheiras do PT”, a ponto de crer ou parecer crer que bastará tirar Dilma Rousseff do poder à força e clandestinizar o PT que o Brasil será “curado” de toda ou da maioria de sua corrupção. Perde-se o foco, nessa preocupação seletiva, do fato de que a corrupção é muito mais arraigada na sociedade brasileira do que o antipetismo prega, e começa muitas vezes em nós mesmos, a partir dos menores e menos valiosos bens surrupiados.

Enfrentar a corrupção vai muito além de simplesmente bater panelas na varanda e ostentar um cartaz escrito “Fora PT” nas ruas. Esse criminoso costume não é apenas coisa “deles”, dos “outros”, de quem pensa diferente de nós. Muitas vezes nós próprios incidimos em posturas corruptas.

Começa lá nos cinco centavos que deixamos de dar de troco aos nossos clientes. Ou no troco a mais que nós mesmos recebemos sem devolver quando somos nós os compradores. Ou nos rolos de papel higiênico que levamos embora da escola para uso domiciliar, por crermos que “vão trazer rolos novos de qualquer jeito, já que a escola é rica”.

Ou no tratamento abusivo de espaços e bens públicos como se fossem uma extensão de nossa propriedade privada, em situações como a depredação de lixeiras e banheiros de uso público, o furto daquela barra de metal que estava meio solta no banco da praça, ou mesmo o ato de perturbar o sossego alheio fazendo algazarra com nossos amigos quando estamos num ônibus ou trem como se estivéssemos sozinhos ou dentro dos nossos quartos.

Dessas pequenas ações corruptas, surgem indivíduos que reclamam da “corrupção do PT” mas, se fossem eleitos para algum mandato legislativo ou executivo, não hesitariam em reproduzir esse costume criminoso. Herdando muitas vezes uma educação baseada em forçar o indivíduo a ser moral mais pelo medo da punição do que pela consciência ética e fazê-lo desejar possuir muitos bens materiais, poder e autoridade, é improvável que se rejeite de forma tão enfática a perspectiva de usar o mandato político para proveito próprio.

Não é de surpreender, a partir daí, que antigos “cidadãos indignados” envolvidos em pequenas corrupções no passado amplifiquem sua atitude desonesta quando têm poder político nas mãos, dinheiro (público) fácil ao alcance e a proteção da impunidade. Para quem passou a vida violando a ética, não parece tão grave assim desviar um dinheiro aqui, superfaturar uma obra ali, cobrar propina lá, votar por um aumento exagerado da própria remuneração acolá, até que não veria nada de absurdo e severo em participar de esquemas bilionários de corrupção.

Não é coerente querermos um país cuja classe política será idônea, ilibada e super-honesta se nós próprios cometemos corrupções e nos negamos a rever essa postura. Não adianta muito querer que vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes sejam exemplos de ética e caráter humano se nós próprios não hesitamos em cometer diversas ações corruptas quando nos deparamos diante das oportunidades para tal. Em outras palavras, não há combate pleno à corrupção sem que nós mesmos admitamos e corrijamos nossa cumplicidade na cultura da desonestidade.

imagrs

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haroldo

maio 28 2015 Responder

eles acham que corrupção só existe no PT…haha

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