11

maio15

Por que não acredito no poder do ambientalismo não holístico de “salvar o planeta”

holismo

Uma das características essenciais que têm marcado o movimento ambientalista global é a visão holística de que tudo está conectado, inclusive causas ambientais com bandeiras sociais e valores éticos e espirituais. Mas ainda há uma parcela conservadora do ambientalismo que resiste em promover uma luta interdisciplinar e intersecional, crendo que bastam ações individuais e mudanças pontuais de comportamento pessoal, empresarial e governamental para “salvar o planeta”. O poder desse ecologismo não holista de conciliar as sociedades humanas com a integridade do meio ambiente é digno de descrença.

Esse ambientalismo unidimensional é aquele que insiste em denunciar desmatamentos e poluições sem lhes problematizar as causas econômicas, sociais, morais e políticas. Outra insistência sua é em acreditar que a emissão de comandos individuais, como “Não jogue lixo na rua nem no rio” ou “Economize energia”, é uma educação ambiental suficiente para fazer a diferença no mundo.

Essa vertente ecologista não tem a mínima condição de salvar a biosfera, inclusa a humanidade, de um possível colapso futuro. Isso se justifica pelo fato de que continuar podando folhas ao invés de cortar o mal pela raiz não funciona em sua tentativa de converter as sociedades modernas em sociedades sustentáveis.

É inviável, por exemplo, pedir por “desmatamento zero” sem que as causas e interesses e o contexto que estão por trás do desmatamento sejam devidamente problematizados e enfrentados. Menos eficaz ainda é exigir que as residências economizem água e energia enquanto há um agronegócio e setores industriais gastando dezenas de vezes mais esses recursos do que casas e apartamentos.

Também é inócuo demandar do consumidor moderação em suas compras, enquanto ele está sendo diuturnamente influenciado, pela publicidade das grandes empresas e pela coerção moral de sua cultura urbana, a comprar dois celulares novos por ano e roupas quase descartáveis e comer enormes bifes bovinos e muitas fatias de queijo animal todo dia.

Outra ineficácia a ser ressaltada é a inviabilidade de se tentar instruir para um comportamento sustentável e “ecoempático” um cristão que foi doutrinado por sua igreja a considerar a humanidade o centro da vida na Terra, enquanto essa moral antropocêntrica não for problematizada e desbancada em favor de uma interpretação cristã mais ecológica e humilde. Ou então a incapacidade de se induzir um ateu cientificista e racionalista a compreender as demandas ambientais sem que ele seja levado a pensar nos limites e falhas das filosofias antropocêntricas e não holísticas.

Fica evidente a necessidade de se promover um ambientalismo sempre holista, que observe não só a integridade da biosfera, mas também as demandas por equidade social, desconcentração de renda e riqueza, conscientização ética, desempoderamento da publicidade pró-consumista, religação espiritual (não obrigatoriamente místico-religiosa) do ser humano com a sua mãe Natureza, enfrentamento e derrubada de interesses político-econômicos tóxicos etc. Apenas movimentos ambientalistas holísticos e intersecionais têm a capacidade de mudar o mundo, mesmo que num prazo longo mas perseverante.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

kauê

julho 3 2015 Responder

perfeito artigo! Relaciono o texto com as atividades do famoso e cobiçado greenpeace que promove campanhas que não atingem as verdadeiras causas dos conflitos ambientais atuais. Nem ao menos da amazônia que possuem problemas complexos que nunca serão resolvidos com uma simples petição de desmatamento zero em um ambiente que possuem enormes interesses econômicos.

    Robson Fernando de Souza

    julho 4 2015 Responder

    Valeu, Kauê =) Abs!

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo