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jul15

Se você espera que dos programas policialescos venham soluções para a violência, desista de esperar
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Cidade Alerta, de Marcelo Rezende, um dos exemplos de programas policialescos que não têm servido para promover soluções para o problema que abordam – a insegurança pública

Fico pensando se as pessoas que assistem a programas policialescos (Cidade Alerta, Brasil Urgente etc.) esperam que deles saia a solução, ou as soluções, para a violência urbana. Se alguém tem essa esperança, eu preciso dizer: ela é vã.

Até hoje os programas desse gênero só têm-se preocupado em noticiar crimes contra a vida e prisões. Talvez com a exceção de um ou mais programas locais, não costumam divulgam soluções e iniciativas inteligentes para diminuir as estatísticas de violência, seja algum plano de segurança pública ou inovação policial*, seja políticas públicas de investimentos em educação criativa, cultura e lazer em comunidades muito assoladas pelo crime.

Acredito, inclusive, que não seja recomendável esses programas divulgarem estratégias policiais de combate ao crime. Penso que essa divulgação permitiria aos criminosos saber como a polícia age ou agirá e proteger-se e esquivar-se das operações dela.

Esses programas não visam, pelo que se pode perceber, influir no solucionamento inteligente da criminalidade. Salvo se passarem por alguma reformulação, restringem-se a mostrar à sociedade “como as cidades brasileiras são perigosas” e induzir demandas irracionais por “soluções” autoritárias e violentas. E estas – que incluem vociferações como a redução da maioridade penal, o recrudescimento da violência policial e também a pena de morte -, no final das contas, são comprovadamente ineficazes na diminuição das estatísticas criminais e na prevenção de crimes.

É de se pensar que, desse jeito, esses programas não têm uma função voltada a diminuir a insegurança pública. Tendem a estimular crenças falseáveis sobre as raízes sociais e possíveis soluções da criminalidade e demandas nada inteligentes e bem pensadas. Pelo contrário, podem atrapalhar as políticas antiviolência e fazer o crime nas cidades continuar um problema carente de cura.

Ou seja, não é deles que virá a esperança de uma sociedade mais pacífica e segura. A partir daí, sugiro que você se pergunte: “Por que estou assistindo a programas policialescos, que em nada contribuem para a paz?”

 

*Eu não creio que ações policiais, por mais estratégicas que sejam, sejam suficientes para diminuir os índices de criminalidade. Mas discutir isso fica para outra ocasião, uma vez que o foco deste texto é mostrar o caráter nada racionalmente propositivo dos programas policialescos.

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