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Sobre a inépcia da esquerda que insiste em acreditar no Congresso, comemora precipitadamente e não vai mais às ruas

cunha-esquerdistas

Editado em 03/07/15 às 08h53, com nota no final do texto

Com as comemorações precipitadas de quem ainda parece insistir em duvidar da desonestidade do presidente da Câmara, das bancadas BBB (Bíblia, Boi e Bala) e dos deputados que se vendem facilmente, percebemos o quanto grande parte da esquerda está sendo ingênua e, insisto em dizer, inepta. Comemoraram cedo demais a “rejeição” da redução da maioridade penal e do financiamento privado de campanhas eleitorais. Agiram como se Eduardo Cunha e seus “seguidores” não fossem capazes de fazer o que eventualmente fizeram – fazer nova manobra, comprar alguns votos decisivos e recolocar a proposta conservadora novamente em votação.

Insiste-se em dedicar confiança e fé aos votos do Congresso mais reacionário dos últimos 50 anos. Ainda se acredita que abaixo-assinados e e-mails vindos de uma pequena parcela do povo – os aspirantes a ciberativistas de esquerda de Facebook – podem sensibilizar deputados que se vendem fácil aos membros das BBB ou pertencem a essas bancadas.

Ainda se coloca fé de que menos de meia dúzia de deputados do PSOL, que sequer têm tido a coragem de criticar com contundência o governo Dilma – em grande parte culpado por tudo o que tem acontecido -, vão conseguir virar o jogo e sair vitoriosos contra os interesses de centenas de deputados reaças-conservadores que governam por interesses privados e enganam os autoarrogados “cidadãos de bem”. Em outras palavras, ainda se acredita que a maioria do Congresso leva a sério o atributo formal de democracia dado pela Constituição Federal ao regime político brasileiro.

Enquanto insistirmos em nem sequer tentarmos ir às ruas como fomos entre 2010 – quando os parlamentares aumentaram abusivamente seus próprios salários – e junho de 2013, e continuarmos nessa inépcia e inocência de acreditar que os votos de congressistas tão volúveis e corruptíveis valem alguma coisa, continuaremos assistindo impotentes a cada manobra de Cunha e vitória dos conservadores. O que estamos de fato esperando para pisarmos na rua de novo? Medo da PM?

Obs.: Incentivo a vocês, caso acreditem que o artigo tenha negligenciado alguma mobilização que já esteja em estruturação ou andamento, que lhe evidenciem eventuais erros e omissões. Eu gostaria muito que fossem (mais) divulgadas as eventuais ações da esquerda, que mostrem que a mobilização anticonservadora neste ano de 2015 está sendo mais do que indignação expressa no Facebook e em portais e blogs de esquerda. Também são bem vindos, nos comentários, convites a mobilizações.

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5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Marcel

julho 2 2015 Responder

Ontem eu perguntei se algum vegano abolicionista apóia a redução no grupo veganismo do facebook, visto que vejo muitas críticas de veganos à proposta. Eu sou vegano e disse que apoio várias pautas consideradas de esquerda (alta tributação para ricos, limites para a renda e/ou patrimônio, aborto até o período que não há senciência, casamento gay e qualquer liberdade individual que não colida com o direito alheio), mas apesar disso eu disse que apoiava a redução para crimes graves.
Alguns responderam com falácias ad hominem, e alguns poucos pareceram concordar em parte. Voce acho que alguém como eu sou um reacionário por ter essa opinião?

Camila

julho 2 2015 Responder

Robson, vc tá organizando algum protesto? Se não, não entendi a crítica. O que estás fazendo além do próprio ciberativismo que tanto crítica? Não te vejo militar nas ruas nem mesmo pelos animais. Ninguém precisa prever nada. O que pode haver são meras cogitações. O que aconteceu hj de madrugada, esse golpe, não é pra se comemorar. Mas na primeira votação onde a redução não foi aprovada, foi motivo pea se comemorar sim.

    Robson Fernando de Souza

    julho 2 2015 Responder

    Olá, Camila. Eu não sou organizador de protestos, mas me disponho a participar. Se vc não me viu em alguma ocasião, não significa que eu nunca vou à rua protestar.

    Sobre a primeira votação da redução da maioridade penal, a comemoração foi precipitada, já que já havia precedente de manobra, por parte do presidente da Câmara, pra reverter o resultado.

      Camila

      julho 2 2015 Responder

      Oi Robson. Continuo sem entender a crítica. Se ir às ruas tá no topo de prioridades de ação na sua opinião, o que te impede de tomar a iniciativa ao invés de ficar convenientemente fazendo o típico ciberativismo e criticando por trás de um computador? O que se comemorou na primeira votação, foi o resultado dela em si. O que aconteceu posteriormente, foi mais que uma manobra, foi um golpe. Ainda assim, terá o segundo turno. E mais duas votações no senado. Além da possibilidade do STF anular o resultado. Então você é que pode estar se precipitando.

        Robson Fernando de Souza

        julho 2 2015 Responder

        Digamos que eu (ainda) não me sinto com espírito de liderança suficiente pra convocar um protesto. Mas é possível que eu mude de ideia e, de repente, ajude a organizar no futuro mobilizações contra o que tem acontecido.

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