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9 coisas que pessoas brancas não deveriam dizer sobre racismo
As pessoas negras estão de olho nas tentativas das pessoas brancas de negar atitudes racistas

As pessoas negras estão de olho nas tentativas das pessoas brancas de negar atitudes racistas

Tradução feita pelo site Não Aguento Quando, de original do Dailydot.com, com pequenas edições e correções. O Consciencia.blog.br compartilha o texto traduzido visando conscientizar pessoas brancas sobre racismo e atitudes equivocadas sobre como estas lidam com pessoas negras que se queixam de posturas racistas cometidas por elas.

Parece que, quando a conversa não é explícita – como quando pessoas brancas usam palavras como ‘macaco’ ou recusam serviços baseado na cor da pele –, trazer à tona o assunto do racismo coloca muitas pessoas na defensiva ou induz afirmações bravas que negam a sua existência. Essa é uma reação que muitas pessoas não brancas estão cansadas de receber de pessoas que têm privilégio racial, e não tem nenhuma ideia tangível do que é experimentar as injustiças sociais e institucionais de não ser branco.

Muitas pessoas de diferentes raças querem espaço para discutir essas questões dentro de uma cultura que amplifica vozes brancas – querem ter suas vozes ouvidas e respeitadas, mesmo que suas emoções venham de um lugar de dor.

Como pessoas que se beneficiam de um privilégio racial, brancos podem apoiar a lideranças de pessoas não brancas ao desafiar esses mitos naturalizados sobre racismo antes mesmo de entrar em uma discussão com o assunto, principalmente discussões com pessoas que não são brancas.

 

1. “Você que é racista por trazer a tona a raça da pessoa.”

Geralmente, quando uma pessoa que não é branca fala de racismo, existe alguma coisa problemática acontecendo. Seria ingênuo assumir que todas as pessoas que não são brancas simplesmente existem como oportunistas que usam toda e qualquer chance para fazer drama sobre o racismo. Se você está cansado de ouvir sobre racismo, o quão cansadas você imagina que pessoas não brancas estão de ter que viver rodeados pelo racismo?

 

2. Eu não vejo raça, somos todos seres humanos”.

Embora isso possa soar revolucionário, ser cego a cores é, na verdade, parte do problema. “Não ver cor” é simplesmente uma frase preguiçosa para deliberadamente ignorar os elementos do racismo que ainda existem e que precisam ser consertados – assim, reforça o privilégio de poder ignorar os efeitos negativos do racismo em primeiro lugar. Como o ditado diz: “você não pode consertar aquilo que você não pode ver”.

 

3. “Falar sobre o assunto usando termos como ‘pessoas brancas’ e ‘privilégio branco’ é racismo reverso”.

Então, sobre racismo reverso… isso não existe (assista para entender por quê). Não é segredo que é humanamente possível que uma pessoa não branca tenha preconceito contra pessoas brancas. Às vezes, isso é uma atitude que se desenvolve com o tempo porque sua experiência com o racismo fez com que chegassem a conclusão que não existem pessoas brancas “boas” no mundo. E embora seja importante haver uma cura nesses instantes – bem mais raros – de preconceitos, essa atitude não vem com uma sistema de benefícios e poder institucional que pessoas brancas têm. Essa é toda a diferença entre racismo e preconceito, porque, racismo, em seu cerne, está baseado em todo um sistema além da opinião individual.

 

4. “Você [não branco] claramente não sabe o que é racismo. De acordo com o dicionário Aurélio…”

Não faça isso. Dê um passo para trás dessa situação imaturizante e evite ser uma pessoa branca ditando como o racismo funciona para uma pessoa que tem experiências reais com ele. Como o dicionário define o assunto? É uma simplificação de um tópico que precisa de sua própria tese.

 

5. “Você [pessoa não branca] disse algo sobre pessoas brancas fazendo coisas racistas, então eu exijo que você explique isso pra mim agora”.

Não ser branca não torna a pessoa um educador disponível para explicar justiça racial, especialmente se ela não tem relacionamento ou afinidade com quem está buscando o conhecimento. Na era da internet, se você não conhece alguém de uma comunidade em particular com quem conversar, você provavelmente pode encontrar essas vozes em blog, no Twitter, ou mesmo colunas e artigos de notícias, falando das coisas de uma maneira simples de entender. Ao invés de cansar as pessoas já cansadas de lidar com o racismo, tente se autoeducar antes de sair batendo na porta dos outros.

 

6. “Mas meu amigo [de tal raça] diz que era OK fazer [coisa problemática]”.

Ainda assim, não é a melhor ideia aplicar aquela relação com aquele seu um amigo para um grupo inteiro de pessoas, muitas das quais têm relações diferentes com certas palavras, ações e gestos. Você tocaria o cabelo de uma mulher negra que você não conhece porque sua amiga negra permite que você toque no dela?

 

7. “Pare de me atacar por ter privilégio só porque eu sou branco. É racista e ofensivo.”

Quando as pessoas criticam racismo e privilégio branco, elas estão falando de maneira geral sobre um sistema, e não sobre o individual. A não ser, é claro, que o indivíduo em questão mereça ser apontado como autor de atitudes racistas.

 

8. “Estou cansado de fingir que [tal raça] precisa de tratamento especial e programas de auxílio só porque não são brancos. Nós temos problemas também, sabem”.

Ter problemas na vida é parte inerente de ser humano. Mas é preciso humildade e empatia para tomar um tempo e espaço para autorreflexão e para realmente entender que para alguns de nós é muito mais fácil do que para outros – mesmo com nossas tentativas provisórias para garantir oportunidades iguais para todas.

 

9. [Inserir expressão de olhos marejados de culpa ou negação de privilégio branco].

Primeiramente, tudo bem ter emoções ou se se sentir realmente arrependido quando está claro que um sistema cruel foi perpetuado por alguma palavra ou expressão sua. Policiar as emoções alheias não é legal, e pessoas não brancas sabem melhor do que ninguém. Porém, geralmente, quando as lágrimas começam a cair, elas se relacionam com a rejeição completa da ideia de que ser branco garante privilégios e é considerado o normal em basicamente toda estrutura social e institucional. Assim, ao invés de se concentrar nas muitas, profundamente doloridas experiências das pessoas não brancas, a pessoa em questão acaba desviando a conversa e a tornando sobre ela mesma.

Isso não só desvia a culpa de uma maneira que é historicamente perigosa, como também reforça o próprio privilégio sendo interrogado: porque essas lágrimas brancas e esses sentimentos brancos são muitas vezes priorizados acima das lutas diárias de pessoas não brancas.

imagrs

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MySeoService

setembro 20 2015 Responder

gente, sem querer discordar, mas o fato de alguem ser mulato, nao e racismo. A expressao e usada para identificar alguem que e filho de alguem branco e alguem negro. Negar a parte branca da pessoa, e chama-la de negra nao seria o preconceito inverso? Assim como o termo mameluco e usado para identificar alguem que e filho de um indio e um branco. Existe tambem o termo cafuzo que e usado para identificar um filho de um negro com indio.

    Robson Fernando de Souza

    setembro 20 2015 Responder

    Existe uma origem muito problemática no uso do termo “mulato(a)” – vale dar uma pesquisada rápida sobre isso em blogs do movimento negro. Um deles é que o termo “mulato(a)” é usado pra diminuir ou negar a negritude.

    Além disso, existem pessoas brancas (de pele branca mesmo, e não negra clara, e autoidentificadas como brancas) cuja mãe ou pai é negra(o) e que têm características de ascendência africana, como nariz não “afilado” e cabelo crespo, nem por isso são chamadas de “mulatas”.

Zeca

setembro 4 2015 Responder

Puro besteirol, eu vejo vários movimentos nossos sendo racistas sim, não existe esse negócio de “racismo reverso”, racismo é racismo e ponto, independente de partir de um branco contra um negro ou de um negro contra um branco se chama racismo e não confundam quem apanha como sinônimo de vítima, se um branco vier me bater por eu ser negro e eu revidar e ele terminar “levando a pior”, eu ainda serei a vítima, não é por eu me defender que eu deixo de ser a vítima até porque eu não tenho obrigação de ser saco de pancada de nenhum racista, quem está errado é ele e não eu portanto eu sou a vítima. É verdade que no racismo, historicamente e é algo que acontece ainda hoje, nós negros temos “levado a pior” mas isso não significa que racismo seja somente quando parta de um branco contra um negro, se quisermos abolir mesmo o racismo devemos incluir todos, querer combater racismo por começar a dividir pessoas entre negros e brancos é já começar fracassando, tantos brancos quanto negros devem serem cobrados que não pratiquem racismo, coisa que hoje é difícil, até mesmo essa imagem de que racismo é um branco forte e opressor batendo num negro fraco que não tem forças pra se defender é um pensamento racista dos brancos que nos veem como inferiores, por isso sempre nos colocam como os “pobres coitados”, por isso o combate ao racismo muitas vezes já começa errando ao querer colocar isso como algo exclusivo de brancos contra negros até porque ataques racistas partidos de negros são uma forte forma de combustível para racistas brancos alimentarem seu ódio e continuarmos todos nós imersos neste ciclo, o verdadeiro combate ao preconceito deve-se combater independentemente de quem seja a vítima.

Glauber Rocha

agosto 12 2015 Responder

Bem que você poderia aplicar a famosa censura petista nesse Tarantino, né, Robson? Já deu ler tanta besteira! hahaha

    Tarantino

    agosto 12 2015 Responder

    Censura petista, né? Sei…

    Nada como uma opinião dessas para confirmar o que falo. Na falta e argumentos, mandar calar é mais fácil.
    Mas tudo bem, nenhuma novidade em se tratando de petistas.

Tarantino

agosto 11 2015 Responder

Só o título do post já diz tudo…pessoas brancas?

Onde muitos vêem “pretos e brancos” eu vejo somente seres humanos. A questão da cor para mim é irrelevante. Afinal, temos de ter uma cor, não?

Esse tipo de discussão fascista só põe lenha na fogueira e reacende ódios que já poderiam estar enterrados. Quer combater a discriminação? Pare de falar em racismo. Obviamente que o racismo e discriminação existem, mas não é relembrando a cada hora que vamos acabar com isso. Ferida em que se meeexe muito nunca sara.
Essas coisas omo cotas, tratamentos diferenciados, etc. vão na contra mão do combate às diferenças. Somente afirmam que tal ou qual classe de pessoas são incapazes.

Essa choradeira já encheu mesmo o saco.

    Carlos Soares

    agosto 12 2015 Responder

    É mesmo, sr. irritadinho? Deixando de falar de racismo, esquecer que vivemos num país racista é a solução milagrosa pra acabar com a desigualdade racial, né? Genial, trollzin, ideia genial.

      Tarantino

      agosto 13 2015 Responder

      “Como vamos acabar com o racismo? ”
      -Deixando de falar nisso.
      “Como asim?”
      -Eu não sou o homem negro, e você não é o homem branco; você é Mike Wallace e eu sou Morgan Freeman.

      (Mike Wallace, judeu, entrevistando Morgan Freeman )

        Carlos Soares

        agosto 16 2015 Responder

        Só parece que Morgan Freeman não entende ou não quer admitir que o sistema racista em que vivemos não enxerga um negro apenas como um homem, mas sim primariamente como um negro e usa isso como justificativa para lhe negar oportunidades e discriminar, ainda que de maneira velada.

        E usar esse diálogo de Freeman (figurinha carimbada de páginas reaças), um negro bem sucedido (o que infelizmente é excessão e não regra) como autoridade de seu argumento não o torna válido. O que mais se encontra são mulheres machistas, assim como existem homossexuais conformados com a homofobia e negros com o racismo. Afinal, é o sistema em que vivemos, ninguém está imune a reforçar preconceitos, nem mesmo quem os sofre…

          Tarantino

          agosto 24 2015

          Morgan Freeman é um negro bem sucedido? Claro, aliás acho até surpreendente que os EUA, um país reconhecidamente racista, seja o país onde há mais negros bem sucedidos do que em qualquer outro lugar no mundo…afinal, Barack Obama não pode ser chamado propriamente de “nórdico “.
          Em tempo: a sociedade negra americana é a 15a economia DO PLANETA.

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