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set15

O medo do “golpe” e de “fazer o jogo da direita” engessa a esquerda brasileira e a impede de se levantar

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Alerta de texto polêmico

A esquerda, em sua maioria, está com medo. O pavor de ver Dilma sofrer impeachment ou ser obrigada a renunciar – ou, para os governistas ou os mais amedrontados, “sofrer um golpe” – diante de numerosos protestos “coxinhas” a imobiliza. Isso a tal ponto que ela se vê incapaz de sair às ruas, como ia até o ano passado, e ao menos exigir por ultimato que Dilma pare de continuar se endireitando e tornando a direita cada vez mais poderosa. Só quando superar esse medo e perder a vergonha de declarar “Fora, Dilma e direita” quando necessário, é que poderemos vê-la ressuscitar como uma fênix e se reerguer de modo a voltar a ser uma força política minimamente poderosa no Brasil.

Não há nenhuma evidência de que Dilma possa, em seu último mandato, rever sua política de concessões à direita e ataques aos direitos humanos, trabalhistas e ambientais. Seu governo no poder não difere em praticamente nada de um governo do PSDB, em se tratando de políticas econômicas, antissociais e antitrabalhistas. Mas nada disso parece convincente para uma esquerda amedrontada.

Esta continua recolhida no canto, com muito medo. Teme que qualquer palavreado enérgico que dirija a Dilma e ao PT pareça um endosso à direita oposicionista adepta do “Fora Dilma”. Causa-lhe pavor também ir às ruas e ser vista como se estivesse fazendo “o jogo da direita (oposicionista)” e coro aos “coxinhas” que vão para as ruas fazer carnaval com o falso objetivo de “lutar contra a corrupção”. Suas palavras contra o estado de coisas vigente restringem-se a súplicas enfraquecidas ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso – o mesmo que tem votado diversos projetos de lei e emendas constitucionais antipopulares e opressores.

Vale perceber, aliás, que parte da esquerda já não apoia mais Dilma, e a critica em tudo aquilo que ela e seu governo controlado de fato pelo PMDB e pelo capital promovem de prejudicial para a população trabalhadora. Mas essa crítica tem se restringido, na grande maioria das vezes, em postagens nas redes sociais – raramente em protestos, por menores que sejam, nas ruas.

Essa esquerda disposta a exigir a renúncia de Dilma por estelionato eleitoral tem permanecido fraca. Pelo menos pelo que parece, ainda é numericamente menor do que aquela parcela da esquerda, acredito eu que majoritária, que está com medo de criticar pesadamente o governo federal, romper com ele e passar a reivindicar, entre outras bandeiras, o fim do traidor e estelionatário governo Dilma.

Ainda se crê muito que o rompimento com o PT iria aumentar os poderes do PMDB, do PSDB e do capital, muito embora estes já estejam suficientemente poderosos para controlar os passos do governo Dilma e torná-lo incapaz de governar para o povo. Continua-se acreditando que o PT, por mais moribundo e inepto que esteja, ainda é aquilo que há de “menos ruim” fora da direita assumida, e que sua saída do poder representaria “a perdição” para o povo.

Isso sem falar na persistência da cooptação pelega de muitos movimentos sociais e sindicatos, que ainda parecem achar que o governo Dilma de 2015 é tão “centro-esquerda” quanto o de Lula de 2010. Esse ramo governista tem sido essencial para preservar o mito do “mal menor” e manter a maior parte da esquerda com medo de se declarar anti-Dilma.

E muitas vezes tem agido de forma verbalmente violenta para dissuadir da perda do temor quem passa a perceber que não há mais solução para o PT voltar a ser o “partido dos trabalhadores” e Dilma substituir a política de concessões à direita pelo cumprimento de seu programa de governo progressista da campanha eleitoral de 2014.

Com essa parcela majoritária amedrontada e a minoria corajosa incapaz de reunir forças para ir às ruas, é prudente dizer que a esquerda está sob controle, acorrentada por esse misto de medo e desunião, desempoderada, enfraquecida. Que me perdoem o termo militarista, está fora de “combate”.

Enquanto isso, a direita, seja ela peemedebista, oposicionista ou da “base aliada”, faz a festa. Comanda Dilma como uma marionete, dita quase todos os dias que o povo – em especial as minorias políticas – “deve” ter seus direitos revogados, promove a devastação de ecossistemas e o genocídio de povos indígenas, paralisa as políticas sociais federais, impera cada vez mais cortes em programas sociais e investimentos básicos em educação e convoca novos “Carnacoxinhas” nas ruas.

A esquerda como um todo precisa superar esse medo, rejeitar o mito do “mal menor”, romper de vez com o PT, virar as costas para quem se rendeu/vendeu ao governismo e encarar um possível governo pós-petista de Michel Temer mais pela ótica da resistência do que pela do temor. Só assim ela voltará a sentir a liberdade de se carregar daquela indignação, que o medo do “golpe” represou ao longo deste ano de 2015, diante de tantas traições eleitorais, injustiças e opressões. Começará a recuperar as condições de voltar a representar e apresentar uma opção de projeto político para a população brasileira e, suficientemente forte, perder a vergonha de bradar em alto e bom som, sem medo, “Fora, Dilma e direita!”.

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4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Newton

setembro 26 2015 Responder

Acho estranho chamar de “golpe” coisas que estão já previstas na Constituição.

Victor Augusto

setembro 26 2015 Responder

Ahhh, e deixa eu falar uma coisa. Toda essa crise política vivida por ela, é porque o eleitorado que a reelegeu não esta se sentindo representado!!

Comparem aquelas marchas pró impeachment comandadas pelo Lobão e MBL – no anos passado -, com essas convocadas pelos mesmos movimentos liberais??? Há grandes diferenças, não??

Aquelas eram motivos de piada. Eram geralmente vazias! E pouco motivava a oposição – teve um episódio até em que o Aecio não foi, e deixou o Lobão sozinho na manifestação reclamando, hahaha -. Lembrem se que naquela época, a Dilma ainda não havia anunciado o Levy, não tinha anunciado o ajuste fiscal, e ainda possuía um pouquinho do discurso progressista e desenvolvimentista.

Agora vejam essas novas manifestações, depois de aplicadas as medidas do ajuste fiscal???!

Victor Augusto

setembro 26 2015 Responder

Eu já abandonei esse governo há muuito tempo.
Comecei a ficar bem atento, a partir do momento que a mulher nomeou Katia Abreu e Kassab para seus ministérios. Ali, já comecei a raciocinar um pouco e ver que tinha feito um pouquinho de merda, na hora em que fiz o ‘voto crítico’.
Mas beleza. Como a esperança é a última q morre, ainda dei uma chance pra ela. Queria ver como ia ser o restante do segundo mandato dela – já que só haviam dois meses q ela tinha sido reeleita -.

Não deu outra!
Ela desviou completamente de rota seu discurso. Se na campanha ela disse que faria a ‘regulamentação da mídia’, depois de reeleita disse que ‘é bom deixar, como está’. Se antes de campanha ela tinha dito que ‘não mexeria em direitos trabalhistas’, depois de reeleita mudou as regras do acesso aos mesmos. Se antes de campanha ela tinha descartado completamente algo próximo de um ajuste fiscal, depois de reeleita ela colocou um liberal estudante da Escola e Chicago pra fazer esse ‘ajuste’.
Foi em questão de 5, 6 meses – depois de reeleita -, que larguei mão desse governo. Percebi que fui feito de trouxa! Por isso, hoje não recomendo A NINGUÉM o ‘voto crítico’. Vejo que tenho culpa, em toda essa escalada de incoerência e de austeridade imposta pelo governo, em cima da população. Por isso acho que a úncia forma de me redimir com a sociedade brasileira, é fazendo oposição e rompendo em tudo, com esse governo!

A mim não interessa se o Aecio vai ocupar o lugar dela, se é o Temer, se é o Cunha, ou o FHC. A minha obrigação – como cidadão e eleitor -, é procurar corrigir um problema que fiz no ano passado. A minha obrigação, é fazer oposição a um governo que está afundando o país e está pouco se fudendo com a população! Se ela que tiver q cair – por um determinado impeachment -, que CAIA. As investigações levam a crer que ela cometeu crimes, enquanto comandava o executivo, mesmo.

Enfim, já rompi com esse governo! Até porque o governo já rompeu com muuitos eleitores que deram um voto de confiança a ele – como eu -. A Dilma mostrou toda sua faceta! Os únicos que se beneficiam desse governo dela, são mega empresários, banqueiros, ruralistas e alguns especuladores. Na contramão sem tetos, sem terras, índios, pobres, negros, gays, travestis, favelados, etc., estão sendo MASSACRADOS, diariamente.

Bruno

setembro 26 2015 Responder

“se você não me explicar algumas coisas, este conflito ideológico não acabará bem para nós dois” – Se você acha que isso “não acabará bem” pra mim se eu não cumprir sua “exigência”, então não há mais motivos pra você continuar comentando por aqui. Se você não tolera eu pensar diferente de você, então não é bem vindo a este blog. Bloqueado. RFS

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