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set15

Sobre a acusação de “ditadura do politicamente correto” a quem luta por respeito e ética

bullying-etica

É muito comum ver gente que, diante de protestos contra atitudes machistas, racistas, homofóbicas, transfóbicas, gordofóbicas, xenófobas, elitistas etc., gritam que se está tentando impor uma “ditadura do politicamente correto”. Reclamam que “agora tudo é preconceito!” e “não se pode fazer mais piadas!”. Mas não sabem que o que estão defendendo, ao promover esse protesto, não é a soberania da liberdade de expressão, mas sim a perpetuação do descaso com a ética e com o respeito às diferenças.

Quando apontam essa suposta “ditadura”, dizem que nela “nenhuma piada é tolerada”, “liberdade virou tabu” e “tudo é tratado como preconceito”, incidindo numa mistura de falácia do espantalho (atribuir pontos fracos à ideia ou pessoa criticada os quais na verdade não existem) com distorção de fatos. Nessa crítica falaciosa, tratam respeito como se fosse um fardo ou uma censura.

Parece-lhes que o satisfatório (corrijam-me se eu estiver promovendo falácia do espantalho, e, por favor, justifiquem a possível correção) seria se, por exemplo, os “humoristas politicamente incorretos” fossem moralmente liberados a incitar o bullying contra minorias políticas e promover múltiplos preconceitos, que machistas fossem autorizados a ofender mulheres em eventos artísticos e palestras, que sacerdotes “cristãos” (sic nas aspas) tivessem oficialmente o direito de promover discursos heterossexistas no púlpito de suas igrejas, que “piadas” de ódio (gordofóbico, racista, homo-lesbofóbico, transfóbico, misógino etc.) proferidas por bullies contra suas vítimas fossem tratadas com impunidade nas escolas etc.

Tratam a obrigação ética de respeitar o próximo e seus direitos como se fosse um fardo imposto por um regime político autoritário. Subestimam e desvalorizam o humor, “pensando” como se fosse impossível ou inviável fazer piadas “zoando” opressores ao invés de oprimidos. Convertem desrespeito, violação ética e discursos de ódio em “manifestações da liberdade”.

A essas pessoas que “repudiam” a tal “ditadura do politicamente correto”, permitam-me dirigir algumas perguntas:
– O que é uma ditadura?
– O que é, por outro lado, uma democracia amiga da liberdade?
– Respeitar as diferenças é uma imposição autoritária?
– “Usufrutos da liberdade” que desrespeitem as liberdades alheias devem ser tolerados? Por exemplo, é justo alguém ter a “liberdade” de ser machista e, com seu machismo, erodir a(s) liberdade(s) de uma mulher?
– Quais as diferenças entre o moralismo e a ética?
– Para quais pessoas seria preferível uma “democracia tolerante ao politicamente incorreto” a uma “ditadura do politicamente correto”?

Vale tentar responder a essas perguntas e, com elas, (re)pensar se o que realmente queremos, quando protestamos contra atos e falas preconceituosos, é impor uma “ditadura do politicamente correto”. Ou é, simplesmente, exigir que se respeite um dos princípios fundamentais da democracia: o reconhecimento e zelo à dignidade, às liberdades e aos direitos de quem é diferente de você.

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7 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Newton

setembro 18 2015 Responder

Caramba! O que será que o Tarantino escreveu que enfureceu tanto o autor do post?

Tarantino

setembro 18 2015 Responder

Resposta ao “e agora?”: este blog não tolera a defesa de preconceito e opressão, portanto esse segundo comentário também foi apagado. Defender crenças conservadoras é uma coisa, outra é defender explicitamente o preconceito como se fosse um direito.

Como você já é reincidente em violar as regras de comentários deste blog, então receio dizer que você não é mais bem vindo aqui e não será mais permitidos de comentar nos posts do Consciencia.blog.br. RFS

    Robson Fernando de Souza

    setembro 17 2015 Responder

    Marcio, achei repulsivo tudo nesse link – ou seja, tanto o acontecimento em si como a forma desrespeitosa e alienada que o blogueiro trata as ciências humanas. Esquece, do alto da arrogância dele, que toda a ciência moderna tem como alicerce a filosofia (Descartes, Bacon, Comte etc. podem ser considerados filósofos da ciência), inclusive o próprio positivismo (que ainda hoje compõe parte do pilar das ciências naturais e exatas e parece inspirar a repulsa dele pelo ofício de filósofos, historiadores e cientistas humano-sociais de estudar e pensar o mundo por métodos não “exatos” e não “positivos”).

    Eu acredito que o próprio Auguste Comte, pai-fundador do positivismo, ficaria irado com esse blogueiro “cético”, se estivesse vivo hoje e soubesse ler português. Ele defendia (ou dizia defender) o amor como um dos princípíos positivistas, e nada lembra menos o amor que Comte defendia do que essa postagem verborragenta do tal “cético”.

    Tarantino

    setembro 18 2015 Responder

    Esse site é um lixo.

    Tem uma pergunta que fiz há alguns anos, e ninguém em absoluto me respondeu concretamente. Eu afirmei que o sentimento chamado saudade não existia, e se por acaso existisse, que então alguém provasse essa existência.

    E agora?

José

setembro 13 2015 Responder

O politicamente correto é a ilusão de que se pode alterar a realidade apenas mudando o discurso.
O único respeito pela diferença que deve existir é a tolerância politica que um Estado de Direito Laico e Democrático deve garantir de forma às pessoas poderem viver a sua vida e fazerem as suas escolhas desde que não interfiram com a vida e escolhas de terceiros ao Estado compete apenas assegurar um mínimo de Ordem que permita uma convencia pacifica com a diferença.
Em relação ao discurso não compete ao Estado nem à Lei discipliná-lo a menos claro que este incentive à violência ou a prejuízo direto contra alguém. Tolerância de resto significa suportar e não permissividade. Suportamos exatamente aquilo que não gostamos da mesma forma que esperamos que os outros façam o mesmo em relação às coisas que possam não gostar em nós.
A piada o humor nada disso compete ao Estado aferir sendo matéria de gosto um discurso mesmo que seja de mau gosto é sempre legitimo e ninguém pode ser punido por opiniões a vitalidade de uma Democracia assenta em boa parte na crença de que o discurso impopular é fundamental para a livre expressão e qualquer limitação nesse direito colocaria em causa um valor fundamental como é a livre expressão que é muito mais importante do que os sentimentos de uma pessoa que tendo peso a mais não gosta de ouvir piadas acerca disso. Compete-lhe tolerar a menos claro que alguém ameace a sua segurança física, liberdade ou a descrimine injustamente fora isso é sempre censura exatamente o oposto do que deve ser uma Sociedade Livre.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo