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Sobre o argumento do “iPhone do esquerdista”
Pérola de direita que usa o malfadado "argumento do iPhone" contra alguém que (supostamente) critica o capitalismo

Pérola de direita que usa o malfadado “argumento do iPhone” contra alguém que (supostamente) critica o capitalismo

Há anos é usado o argumento de que pessoas de esquerda que possuem objetos típicos de pessoas de classes socioeconômicas privilegiadas, como o celular iPhone, são “hipócritas” e “não têm moral” para criticar o capitalismo. Essa tentativa de desqualificar a argumentação da esquerda, conhecida como “argumento do iPhone”, nada mais é do que uma descarada falácia. Em outros termos, um argumento que já nasce inválido e falha em defender que a direita capitalista “tem razão”.

Esse é um “argumento” natimorto. Surge como uma falácia de desqualificação pessoal, tradicionalmente conhecida como ad hominem, mista com apelo à hipocrisia (conhecida, por sua vez, pela expressão latina tu quoque). Nasceu sem o mínimo de intenção de refutar as alegações anticapitalistas usadas por pessoas de esquerda.

Sua linha de raciocínio consiste em alegar que “se o anticapitalista tem um celular caro (como o iPhone mais recente), ele está se beneficiando do capitalismo, o qual é o único sistema econômico que pode dar aos ‘esforçados’ a chance de ter um celular sofisticado e requintado. Portanto, uma vez que ele teve ganhos graças ao capitalismo, não faz sentido criticar esse sistema, e caso faça essa crítica, está sendo hipócrita e contrariando seus (supostos) próprios argumentos”.

Condiciona que apenas pessoas que não se beneficiam diretamente com o capitalismo teriam moral para criticá-lo. Tacha pessoas da classe média para cima como “obrigadas” a aceitar o capitalismo – ou defendendo-o ou mantendo-se “neutras”.

Esse pensamento não leva em consideração que o capitalismo é um sistema onipresente no mundo hoje em dia e impõe sucessivamente novas necessidades a serem satisfeitas com novos itens tecnológicos. E não reconhece que ser de esquerda não é fazer voto de pobreza, doar seus bens privados de maior valor financeiro e desligar-se da sociedade capitalista. A renúncia material não é algo inerente a ideologias de esquerda.

Ou seja, além de ataque pessoal e apelo à hipocrisia, o “argumento do iPhone” também é uma falácia do espantalho – que consiste em atribuir falsas fraquezas ao ponto de vista adversário e criticar esse ponto de vista com base nesses detalhes falsos. Pressupõe erradamente que a esquerda estaria defendendo a redistribuição igualitária (e às vezes comunitária) não dos meios de produção (vide o marxismo), mas sim de bens domésticos.

Outra pressuposição espantalhosa é que a esquerda seria contra a obtenção de bens de consumo tecnológicos, como o celular smartphone, o tablet, o carro e o computador pessoal. Distorce por completo que o que a esquerda atual defende é ou a universalização democrática das condições socioeconômicas de as pessoas comprarem tais itens (ou ao menos versões funcionais sem luxo), tornados necessários no contexto social e tecnológico de hoje, ou – no caso das correntes mais utópicas – a abolição de tais necessidades tecnológicas, por meio da ascensão de modelos pós-industriais e ecoamigáveis de sociedade e cultura.

Em outras palavras, nada inerente às correntes de esquerda (exceto talvez algumas vertentes ambientalistas) censura que colunistas e parlamentares adeptos de ideias progressistas possuam objetos produzidos por empresas de tecnologia. Ninguém que tenha esses bens pode ser moralmente privado de defender o fim do capitalismo ou uma hipotética (tentativa de) reforma democrático-humanitária do mesmo. Nenhum argumento real opositor do capitalismo se torna inválido porque seu autor usa algo que o sistema tornou necessário para ele.

E foi nessa invalidade que o “argumento do iPhone” morreu logicamente ao nascer. Com isso, todo indivíduo de direita que tentar alegar que “você não pode ser esquerdista se tiver um iPhone” está revelando que não aceita debater racional e argumentativamente aquilo no que crê. Em sua tentativa de censurar a pessoa, ele evidencia que suas crenças não podem ser defendidas por meio da razão, do debate, do confronto de ideias, mas sim apenas pela força – mesmo que essa força seja simplesmente tentar forçar a invalidez de um argumento opositor que refuta bem-sucedidamente um ou mais dogmas neoliberais.

imagrs

46 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Ronaldo

outubro 25 2016 Responder

A utopia da esquerda, os maus ensinamentos de Marx, digo maus porque são todos frutos de falsificação com intenção de doutrinar mentes iludidas. E assim são seus maus ensinamentos, eu posso ter uma chácara em Atibaia, mas o povo tem que continuar passando fome pra eu me manter neste reinado. A verdade é que nenhum líder esquerdista compartilha nada de seus bens pessoais com pessoas que realmente precisam de apoio, nenhuma filosofia esquerdista ensina o desenvolvimento pessoal para que as pessoas não dependam do estado, somente pregam uma filosofia onde o indivíduo que não é um afortunado da liderança tem que passar fome pra manter o reinado da liderança.
As respostas e os argumentos são diversos dos dois lados, mas a verdade é que não se viu em lugar nenhum do mundo o socialismo funcionando de forma plena e justa, então porque funcionaria na América Latina com tantos problemas a serem resolvidos? Ninguém tem as respostas para esta pergunta por ela ser muito complexa, e é justamente esta complexidade que torna o comunismo/socialismo uma utopia impossível aos nossos tempos ou a qualquer tempo que seja, a história já mostra o total fracasso.
Diante de tantos argumentos justificadores dos dois lados não posso deixar de lançar um argumento também: “Errar é humano e insistir no erro é uma tremenda burrice!”

Joao

julho 28 2016 Responder

E pro autor do texto que disse:

Outra pressuposição espantalhosa é que a esquerda seria contra a obtenção de bens de consumo tecnológicos, como o celular smartphone, o tablet, o carro e o computador pessoal. Distorce por completo que o que a esquerda atual defende é ou a universalização democrática das condições socioeconômicas de as pessoas comprarem tais itens (ou ao menos versões funcionais sem luxo), tornados necessários no contexto social e tecnológico de hoje, ou – no caso das correntes mais utópicas – a abolição de tais necessidades tecnológicas, por meio da ascensão de modelos pós-industriais e ecoamigáveis de sociedade e cultura.

Vm cá meu amigo. Esses coisas sao produzidas como? como voces dizem q querem q o bem do capitalismo cheguem a todos, sendo q vcs combatem os principios dele? ta meio contraditorio isso aí explica direitin.

Joao

julho 28 2016 Responder

Anne como voce explica o fato de sociedades tribais (que existem até hoje) que tentam viver em prol da comunidade estao anos luz atrasados tecnologicamente? Enquanto voce lê esse texto meu eles estao ainda com arcos e flechas.Nem mesmo entre elas existe igualdade. Eles também produzem bens desnecessários, tem escravos, lutam entre si e com outras tribos Só que de modo menos tecnologico (sem contar o fato de que a expectativa de vida é baixa, comparado com países desenvolvidos e ate mesmo alguns não).

Pessoas que vivem dentro do capitalismo sao presas e nao podem pelo menos tentar viver em outro país ou tribo? (ainda mais essas que tem money p comprar iphone). E o fetichismo pela mercadoria fica como? Ah mais socialista nao faz voto de pobreza. Ah vá, e usar tudo do bom e do melhor e ficar teorizando coisas que nunca deram certo na pratica, sendo consumista tanto quanto os capitalistas q tanto julgam é valido? Socialista usar iphone por estar num mundo capitalista faz tanto sentido quanto um vegan comer churrasco numa festa de aniversario só pelo fato de estar na festa.

João

maio 4 2016 Responder

Tecnologia pode até ser criada sem o capitalismo… mas os produtos são criados pelo capitalismo. Não entendeu? Imagine que um governo desenvolve uma tecnologia nova de comunicação, um celular. Esse celular somente será de uso da população caso haja interesse capitalista. Do contrário será sempre um brinquedo caro do governo. Era o que acontecia com todas as grandes pesquisas soviéticas. Então, para de mimimi. Se você vivesse em um mundo socialista/comunista, você não teria iPhone a não ser que antes da revolução, a sociedade fosse capitalista. De qualquer forma, futuros luxos de consumo não aconteceriam. O padrão de vida estagnaria(na melhor das hipóteses).

    Robson Fernando de Souza

    maio 4 2016 Responder

    “mas os produtos são criados pelo capitalismo.” – Pergunto a você: com que objetivo “os produtos são criados pelo capitalismo”?

    “Esse celular somente será de uso da população caso haja interesse capitalista. Do contrário será sempre um brinquedo caro do governo.”
    1. Ou seja, você assume que os capitalistas e seus assistentes forjam a necessidade de uso daquele celular nas pessoas comuns, é isso?
    2. “Brinquedo caro do governo” = falsa dicotomia, falácia da redução à ditadura socialista: http://consciencia.blog.br/2014/01/falacia-de-reducao-a-ditadura-socialista.html

    “Então, para de mimimi. Se você vivesse em um mundo socialista/comunista, você não teria iPhone a não ser que antes da revolução, a sociedade fosse capitalista.” – E o iPhone é o único celular existente? (Além disso, por que eu teria tanto apego por um celular que o próprio capitalismo não me permite comprar, por causa do preço exageradamente alto, e que tem vida útil máxima de três anos – http://optclean.com.br/confirmado-apple-revela-que-iphone-tem-vida-util-limitada/ – enquanto meu Nokia 701 vai fazer quatro anos e ainda funciona bem)?
    Quem está de mimimi aqui, insistindo que eu devo “agradecer ao capitalismo pela existência do iPhone”, não sou eu.

    “De qualquer forma, futuros luxos de consumo não aconteceriam. O padrão de vida estagnaria(na melhor das hipóteses).” – Palavra de quem não quer conhecer nenhuma outra realidade além do capitalismo de luxos tecnológicos elitistas e desnecessários*.

    *A maioria da população, que pode contar com smartphones de 400 reais, fortemente funcionais e práticos, não precisa recorrer a um iPhone de 3 mil pra ter praticidade.

    Natan Oliveira

    outubro 31 2016 Responder

    “Só o capitalismo pode criar os produtos”… mas só quem pode fabricá-los são os escravos chineses, tailandeses e etc que recebem um salário pífio e tem condições de trabalho deploráveis.

    As pessoas acham que comprar celular é ser capitalista… ledo engano… Você, eu e a maioria das pessoas, sobrevivemos nesse sistema… Eu não sou dono do capital… eu não faço altos investimentos, logo eu não sou capitalista… eu sou uma pessoa que vive num ecossistema capitalista e só.

    O maior problema dos ‘anti-esquerda’ é repetir frase de efeito contra sem sequer parar para dar uma analisada. A esquerda, quando propõe impostos na renda e não no produto, quando propões auditoria de dívida pública, quando ela quer dar assistência social e etc, ela quer justiça social, que tratá poder de compra para as pessoas, que trará mais demanda ao comércio e vai trazer mais empregos e etc… Adoram citar os países nórdicos e EUA, Canadá… como exemplos a serem seguidos, mas lá, sonegar imposto de renda é crime dá cadeira… Aqui, muito IPTU de mansão é, praticamente o mesmo preço de uma casa na favela….Então, é uma coisa estranha, que fica no ar, sem respostas e muito achismo.

João

maio 4 2016 Responder

Divertido ver como essa esquerda festiva que curte os produtos da exploração dos trabalhadores e da mais valia se esforça em retóricas para justificar suas contradições.

Socialista de Iphone

maio 3 2016 Responder

“A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas.”
Karl Marx
“O fim material de toda a actividade humana é o consumo.”
William Henry Beveridge
“O consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção.”
Adam Smith
“O objetivo do consumidor não é possuir coisas, mas consumir cada vez mais e mais a fim de que com isso compensar o seu vácuo interior, a sua passividade, a sua solidão, o seu tédio e a sua ansiedade.”
Érico Veríssimo
“Vivemos numa sociedade consumista, numa sociedade de desejos, e não de projetos existenciais. Ninguém planeja ter amigos, ninguém planeja ser tolerante, superar fobias, ter um grande amor.”
Augusto Cury
“A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.”
George Orwell
“Eu me utilizo de todos os meios da Sociedade de consumo, penetro no Sistema, mas como um veneno.”
Raul Santos Seixas
“Esvazie seus bolsos filho, eles fizeram você pensar que o que você precisa é o que eles vendem, fizeram-te pensar que consumir é se rebelar.”
Zack de la Rocha
O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a.
Karl Marx

Precisa comentar?
O trabalhador só se sente a vontade no seu tempo de folga, porque o seu trabalho não é voluntário, é imposto, é trabalho forçado.
Karl Marx (Isso não seria liberalismo? A ideia de que imposto é roubo e fere o livre mercado?)

João

abril 9 2016 Responder

Olha o erro:
“E não reconhece que ser de esquerda não é […] desligar-se da sociedade capitalista”
Mas é!!! Ser de esquerda é desligar-se da sociedade capitalista, meu jovem.
Você quer os benefícios do capitalismo… mas pregando exatamente um sistema que acaba com a livre iniciativa.
A livre iniciativa criou toda tecnologia que possuímos hoje, do ar condicionado, celular até a comida que chega na sua casa (por meio das máquinas sensacionais do agronegócio)… Socialista gosta disso, tudo do capitalismo, sendo anticapitalista…
Faça-me um favor…
Veja os reflexos econômicos do que prega…
Simplesmente não dá!! A história prova isso.

    Robson Fernando de Souza

    abril 9 2016 Responder

    “Mas é!!! Ser de esquerda é desligar-se da sociedade capitalista, meu jovem.”
    Desligar de quais aspectos da sociedade capitalista?

    “Você quer os benefícios do capitalismo… mas pregando exatamente um sistema que acaba com a livre iniciativa.”
    Do capitalismo ou da produção industrial, que pode existir independente do capitalismo?

    “A livre iniciativa criou toda tecnologia que possuímos hoje, do ar condicionado, celular até a comida que chega na sua casa (por meio das máquinas sensacionais do agronegócio)… Socialista gosta disso, tudo do capitalismo, sendo anticapitalista…”
    1. “Livre iniciativa” chamada órgãos de Estado: espaciais, militares (infelizmente), centros de pesquisa etc.
    2. “Máquinas sensacionais do agronegócio” ou a agricultura familiar, responsável por 70% do que os brasileiros comem?

    “Socialista gosta disso, tudo do capitalismo, sendo anticapitalista…”
    Falácias múltiplas: distorção de fato, espantalho, equívoco etc. Gostamos de tecnologia, e tecnologia não é exclusividade do capitalismo.

    “Veja os reflexos econômicos do que prega…”
    Onde vc me viu defendendo o socialismo real de Cuba, URSS, China etc.?

    “Simplesmente não dá!! A história prova isso.”
    História que você tanto desconhece como tem má vontade em conhecer.

haroldo

setembro 26 2015 Responder

Robson, desculpa eu dizer, eu não sei se seria pedir demais para nós boicotarmos os smartphones
os smartphones que ficam obsoletos vão para o lixo? acho que traz problemas ambientais
além disso traz muito vicio, as pessoas viram escravas do celular
eu nunca usei smartphone e até hoje não uso nenhum tipo de celular
eu uso computador, mas computador tem uma vida util longa

    Newton

    setembro 26 2015 Responder

    Qualquer tipo de vício é negativo, o vício em smartphones é somente mais um. Devemos usar a tecnoligia a nosso favor, e nesse quesito, um smartphone é muito prático, engloba no mínimo as funções de telefone, câmera, filmadora e tocador de músicas e vídeos. Muito mais conveniente do que usar vários equipamentos separados.

      haroldo

      setembro 27 2015 Responder

      obrigado pela resposta

    Robson Fernando de Souza

    setembro 27 2015 Responder

    Oi, Haroldo. Acho que infelizmente, no contexto de necessidades individuais de hoje, é beeeem difícil a maioria das pessoas boicotar smartphones. Já faz pelo menos três anos, acho eu, que as necessidades em torno de um celular deixaram de ser simplesmente pra usá-lo como telefone móvel.
    Abs

Igor Sato de Freitas

setembro 23 2015 Responder

A questão é que se o mundo fosse socialista não existiria Iphone e por isso os direitas (eu) argumenta que é para você parar de usar iphone se quer uma sociedade esquerdista socialista. E antes que alguém afirme que isso é uma situação hipótetica a historia das empresas provam isso.

Benito

setembro 20 2015 Responder

Geralmente não me dou ao trabalho de argumentar com direitistas, aliás, somente uma vez resolvi questionar um autentico papagaio coxinha, mas não valeu a pena, pois o sabe tudo se embananou logo no inicio.

— Então gênio já que fala muito e diz que odeia esquerdistas, explica aí para nós leigos o seguinte:
O que é comunismo, o que é capitalismo e o que é socialismo?

Vermelho como um tomate o papagaio da direita disse-me:
— Olha isso eu não sei explicar e nem responder por que na verdade sou apolítico.

Antes de manda-lo para aquele lugar lembrei a ele que o produto que estava a usar era made in China

Ana

setembro 19 2015 Responder

Ah sim, achei que era uma crítica especificamente ao Iphone. Entendi, Robson.

Se você tiver tempo, dê uma olhada nesse debate, gostaria de ler sua opinião: https://www.youtube.com/watch?v=xkJAuA814sc

Obrigada pelo espaço de discussão.

Nathalie

setembro 19 2015 Responder

Eu só vou acreditar nesta história de livre comércio qdo todo mundo nascer igual e ter as mesmas oportunidades na vida e poderem competir com vocês e seus filhos em pé d igualdade, tipo, não precisando trabalhar antes dos 20, ter comida qdo chega em casa, ter água quente no chuveiro, ter tempo pra estudar, ter professores bons, aí sim, aí eu vou acreditar nesta felicidade chamada capitalismo, empreendedorismo.

Fernando

setembro 18 2015 Responder

Concordo com o texto.

O esquerdismo possui tanta estupidez incrustada à espera da zueira do rolê capitalista que parece perda de tempo.

Além disso, esse papinho de “socialista de iPhone” já tá tão manjado…

Fico no aguardo de uma crítica à parcela da esquerda que zoa o “liberal que estuda em federal” – porque né, a única coisa que ele pode fazer pagar imposto pros outros estudarem.

    Fernando

    setembro 18 2015 Responder

    Se bem que, cá entre nós, consumir bens produzidos em uma configuração que se quer extinguir (propriedade privada) é um tantinho hipócrita, não?

    Quero dizer, a comida que socialista come é em geral produzida por um capitalista gordo malvado de cartola e monóculo, e ao consumi-la o soça tá dando lucro pra esse mesmo homem impiedoso. Tem um erro aqui, não?

    Mas claro, não defendo que vocês parem de se aproveitar do capitalismo, porque matar gente de fome é com a gente do rolê foice-e-martelo.

      Fabiano

      setembro 18 2015 Responder

      Matar gente de fome: Passatempo predileto do Stalin.

Fabricio Gava

setembro 18 2015 Responder

Pense que o Iphone ou qualquer outro gadget que tem por aí só existe porque existe uma sociedade de consumo, o que não é bem um dos pilales dos movimentos de esquerda.
Se qualquer um “camarada” tem sonhos ou ambições de possuir algum apetrecho de vanguarda, a falácia está nele se dizer de esquerda.

    Fabiano

    setembro 18 2015 Responder

    EXATO! Não me importo que qualquer pessoa tenha um iPhone só não tente me convencer que é de esquerda e não há contradição nessa situação.

Tarantino

setembro 18 2015 Responder

O problema não seria comprar o IPhone, mas sim, o fato de que provavelmente tal aparelho nem existiria…

Sergio

setembro 17 2015 Responder

“Só com a competição e livre comércio é que possibilita o desenvolvimento de novas tecnologias e novos produtos”… oi??? Sério que existe gente afirmando isso? Sério mesmo?

    Tarantino

    setembro 18 2015 Responder

    Se não há competição, por exemplo, em um monopólio estatal, qual a razão de se investir em desenvolvimento e melhorias, visto que tais procedimentos custam caro e não acrescentariam receita?

      Anne

      setembro 18 2015 Responder

      “qual a razão de se investir em desenvolvimento e melhorias”?
      Qual foi a razão de homens e mulheres da idade das pedras investirem em desenvolvimento e melhorias? Simples! Melhorar suas vidas. A razão desse investimento deve ser de um ser humano para o outro e para ele próprio terem uma vida facilitada, beneficiada.

        Anne

        setembro 18 2015 Responder

        Ah. E usei o exemplo de homens e mulheres na idade das pedras porque, obviamente, naquele tempo não existia “acréscimo de receita”. Mais ainda assim, os procedimentos eram exercidos.

        Fernando

        setembro 18 2015 Responder

        A definição de comércio é justamente essa. E é da noção de comércio que advém a noção de competição. É tentador parar o argumento no ponto em que tu paraste para simular uma discordância reafirmando um truísmo – e tentar colar no outro a ideia de que ele é um zumbi que só pensa em competição -, mas isso seria uma grande desonestidade.

        Aceitando que o que tu disseste é uma verdade – a serviço de uma argumentação mal-intencionada -, resta-nos compreender o desenrolar do argumento. Assumindo que as pessoas investem em desenvolvimento e melhorias para melhorar suas vidas e as dos demais, devemos concluir que o comércio, compreendido em sentido amplo – ou seja, a atividade de produzir bens e trocá-los ao sabor da conveniência – é a forma mais expediente que a humanidade achou para melhorar suas vidas. E inclusive é assim que a sociedade é organizada – cada um faz uma coisa, e com o que ganha demanda várias outras.

        Se assim não fosse, se vivêssemos numa configuração de mera subsistência, onde cada um deve plantar sua própria comida, tratar sua própria água, costurar as próprias roupas, edificar a própria casa e até mesmo escrever os próprios livros que quiser ler (!!!), nossa vida seria certamente mais insalubre, curta e sem-graça, pois deixaríamos de nos aproveitar do conhecimento alheio para viver melhor.

        Numa configuração como a do comércio, pode ser que algumas pessoas tenham habilidades parecidas e se engajem na mesma atividade. Logo, o potencial de cada uma melhorar a própria vida através do comércio – o que se dá, obviamente, por intermédio do lucro – é limitado pelo potencial da outra. Assim, uma situação de competição é instaurada entre elas. Cada uma delas compete para atender melhor o público, para satisfazer a demanda deste. Com esse incentivo em mente, estas pessoas resolvem investir, com o fito de desenvolver e aprimorar a qualidade de seus produtos. Nesse processo, quem faz o melhor – sendo esse melhor definido pelos bilhões de pessoas que manifestam suas preferências de consumo interagindo na arena onde esses produtos são trocados, ou seja, no mercado -, ou seja, quem contribui mais pra melhorar a vida das pessoas, se dá melhor, e é com esse fito que as pessoas competem.

        Portanto, o investimento em desenvolvimento advém da necessidade de melhorar a vida, que desemboca no comércio, e seu cumprimento é potencializado quando existe competição.

        Fabiano

        setembro 18 2015 Responder

        Comentarista agressivo, grosseiro e desrespeitador de outros comentaristas banido por múltiplas dedicações de ofensa e abordagem desrespeitosa. Aviso que este blog não é uma arena de luta onde pessoas discordantes ajam como inimigas e tentem derrotar umas às outras. RFS

        Lucro e' bom

        abril 8 2016 Responder

        URSS, Cuba, Alemanha Orientlal, Coreia do Norte sao exemplos de paises, onde o desenvolvimento de tecnologias foi focado para beneficiar o povo… Capitalismo leva a democracia, que leva ao empreendedorismo, que leva ‘a evolucao dos metodos produtivos, que leva ao desenvolvimento tecnologico… Afinal, se observarmos as empresas que mais despontaram em tecnologia nas ultimas decadas vieram de paises capitalistas… Quanto ‘a difusao de bens de tecnologia, mesmo sem luxo, o capitalismo, atraves da competicao, ja fez isso… Hoje e’ possivel uma pessoa, sem ter muitos recursos, comprar um telefone celular… E a ideia de estatizar e’, no minimo, absurda… Alguem nao se lembra como era a telefonia no Brasil na epoca das estatais estaduais? Se socialismo fosse bom, esses paises citados acima estariam na vanguarda e nao falidos…

João

setembro 17 2015 Responder

Desculpe, mas não foi mencionado o fato de que num socialismo não existiria iPhone. Só com a competição e livre comércio é que possibilita o desenvolvimento de novas tecnologias e novos produtos, pois onde é estimulada as pesquisas e criação.

Band

setembro 17 2015 Responder

“Pra matar gente a esquerda é bem criativa de fato.”, mas pra emitir verbalmente palavras como “estúpido”/”estúpida”, “atrofiado”, “medíores” (sic), até que possuem certa carga agressiva na contra-argumentação, você percebeu? O que é que subjaz desta carga que veio em forma de palavras e por que é que veio esta carga e não outra com mais contato e consideração ao autor e neste espaço de discussão à idéia que lhe é oposta?

    Fabiano

    setembro 18 2015 Responder

    Já disse: Falta de saco!

    Tem algum argumento aí na cachola ou veio só filosofar mesmo?

Ana

setembro 17 2015 Responder

“Nenhum argumento real opositor do capitalismo se torna inválido porque seu autor usa algo que o sistema tornou necessário para ele.”
Penso que há uma falsa noção de não-autonomia dos indivíduos quando coloca-se o uso de tal objeto como advindo de uma necessidade imposta de fora. Não é o sistema que torna o Iphone necessário, muitas pessoas vivem muito bem sem ele (eu sou uma haha). Mas, se pra determinada pessoa ele é necessário, encaremos isso como uma necessidade genuína. Além do mais, mesmo as coisas não necessárias podem ser usufruídas sem culpa, pois: (e pra mim esse é o argumento central do texto) “A renúncia material não é algo inerente a ideologias de esquerda”. Não é o capitalismo que produz as coisas, são os trabalhadores.
O que você acha?

    Tarantino

    setembro 18 2015 Responder

    As indústrias produzem aquilo que as pessoas querem. Simples assim.

    Robson Fernando de Souza

    setembro 18 2015 Responder

    Olá, Ana. O iPhone é o exemplo dado pelos direitistas pra tentar desmoralizar pessoas de esquerda. A necessidade criada pelo capitalismo não é especificamente de iPhones, mas sim de smartphones de qualidade (leia-se velocidade do processador, capacidade de armazenamento, duração da carga da bateria, sistema operacional compatível com o máximo possível de APPs etc.). Está cada vez mais difícil alguém com um smartphone de geração antiga (ex.: um smartphone de 2008 da Nokia com o sistema operacional obsoleto Symbian) viver com a mesma qualidade de quem conta com um smartphone recente da Samsung com Whatsapp.

    Eu mesmo tenho vivido de boa com um Nokia de 2012 com Symbian, sem poder usar Whatsapp nesse aparelho. Mas receio que isso esteja tornando minha vida cada vez mais complicada, uma vez que estou privado (até que compre um smartphone novo e bom) de usar esse app de comunicação e não posso instalar a grande maioria dos apps hoje disponíveis no mercado.

    Além disso, perceba que temos hoje, na década de 2010, necessidades que 50 anos atrás não existiam naquele contexto cultural, como o próprio smartphone.

    Fabiano

    setembro 18 2015 Responder

    Os trabalhadores não produzem, os trabalhadores apenas montam! É necessária uma mente acima da média, empreendedorismo, vontade de arriscar, capital, marketing e etc. Vocês não entendem o conceito de meritocracia então é muito difícil que vocês entendam coisas complexas que levem empresas a se superarem para adquirir mercado. Vocês não vivem no mundo real. Se limitem à Humanas mesmo, melhor pra saúde de vocês.

    “A renúncia material não é algo inerente a ideologias de esquerda”: Óbvio, a ideologia de esquerda tem como epicentro a hipocrisia então essa afirmação pode ser verdadeira sim. É um Kim Jong Un usando mac enquanto o povo, literalmente, passa fome. São os Castros vivendo como barões enquanto o povo precisa FUGIR de lá. Aliás, alguém aí se importa com o que está acontecendo na Venezuela? Pra quê, né?

Fabiano

setembro 17 2015 Responder

Fabiano, estúpido é contrapor o capitalismo ao socialismo como se fossem dois extremos. O capitalismo promove competitividade e inovação, como você bem disse, e isso é ótimo para o desenvolvimento da humanidade. Contudo, o que a ESQUERDA ATUAL “defende é ou a universalização democrática das condições socioeconômicas de as pessoas comprarem tais itens (ou ao menos versões funcionais sem luxo), tornados necessários no contexto social e tecnológico de hoje”.

Sou socialista porque acredito na SOCIAL DEMOCRACIA, um sistema onde o capitalismo serve ao bem-estar da sociedade e não ao lucro. Por isso o capitalismo deve ser controlado pelo Estado (já que as empresas não tem noção de sua função social e não o fazem por conta própria), ou seja, para não esmagar quem tá na base do processo de produção, o pobre, o operário.

Em resumo, ambos os sistemas são maléficos se considerados isoladamente. O que o mundo precisa hoje é de um sistema híbrido. O mais próximo disso é a social democracia.

    Tarantino

    setembro 18 2015 Responder

    Ué, mas se o bem estar das pessoas advém do lucro…afinal, o que mantém os salários dos trabalhadores não é o lucro da empresa?

    Não tenho nada contra o lucro, mesmo porque, se o empreendimento der errado, vai tudo cair nas costas do empresário…pelo risco que se corre, não acho injusto que se ganhe muito, toda atividade de risco, como são os empreendimento privados no Brasil, gera mesmo lucros bons.

    Fabiano

    setembro 18 2015 Responder

    Comentarista agressivo, grosseiro e desrespeitador de outros comentaristas banido por múltiplas dedicações de ofensa e abordagem desrespeitosa. Aviso que este blog não é uma arena de luta onde pessoas discordantes ajam como inimigas e tentem derrotar umas às outras. RFS

Fabiano

setembro 17 2015 Responder

Texto estúpido. Argumentos estúpidos.

Quem diz que socialista não pode usar iphone não é pelo fato de ser beneficiado por um sistema onde é possivel se juntar capital para comprá-lo, e sim pelo fato de que só no capitalismo existe a concorrência necessária para que as empresas busquem superar umas às outras. É mais do que óbvio, até pro cérebro atrofiado da esquerda que a inovação tecnológica veio através da competição. Isso implica numa palavra que causa urticária em vocês pelo fato de serem, no máximo, medíores: MERITOCRACIA. Não é à toa que todas essa inovações vieram do país que pra vocês é o demônio na terra, os EUA, o grande vilão do mundo. Socialismo e desenvolvimento não combinam de forma alguma, é por isso que não se vê nada sendo inventado dos países que resolveram implantar o atraso. Praticamente tudo que eu e vocês estamos usando para nos comunicarmos agora mesmo veio do malvadão USA.

Fiquem à vontade pra se abraçar e choramingar. O que falta na direita não é argumento, é saco pra lidar com pessoas que não conseguem fazer nada mais além enaltecer-se e pregar uma filosofia estúpida, que vai contra a natureza humana da competição e evolução. A maior inovação vinda de um pais que vocês adoram foram os gulags mesmo. Pra matar gente a esquerda é bem criativa de fato.

    Anne

    setembro 18 2015 Responder

    Concordo, em parte, que a inovação tecnológica vem através da competição. Mas não necessariamente. Por estarmos inseridos em um sistema que promove isso, todas as pessoas inseridas nesse sistema, portanto, estarão condicionadas a sobreviver diante do que tal modelo impõe. Entretanto, pessoas criam e inovam todos os dias e não é, repito, necessariamente, a competição a força propulsora disso. Por isso discordo que “só no Capitalismo existe a concorrência necessária para que as empresas busquem superar umas às outras”. Pessoas criam e inovam todos os dias, e no meio destas existe sim pessoas que criam e inovam porque acreditam no produto final desse exercício: Promover uma melhora social. E não ser melhor que outra pessoa. Isso é uma consequência.
    Steve Jobs, por exemplo, durante a criação do iPhone afirmou: “hoje, a Apple vai reinventar o telefone”. Observe, ele não disse “hoje vou criar um telefone que vai superar a Samsung”. Essa não foi a lógica dele. Ele investiu em uma inovação tecnológica para que pessoas se beneficiassem disso, ou seja: melhora social.
    Se essa fosse a força propulsora de todas as atividades que exercemos, o mundo seria muito melhor. Não creio que o sistema capitalista seja o mais adequado para isso.

      Fernando

      setembro 18 2015 Responder

      Do jeito que tu falas parece até que o Jobs foi uma espécie de monge que só fez o que fez por estar preocupado em melhorar a vida dos demais, e não alguém que enxergou uma oportunidade e investiu para obter lucro, que é no fim o que todo mundo busca.

      O incentivo é sempre autocentrado – sim, eu sei, é reconfortante abdicar da condição humana de seres egoístas para nos colocarmos como meras máquinas de fazer o bem sem obter uma lasca de benefício próprio que seja, mas não é salutar viver nesse tipo de ilusão -, de modo que quem age no mundo sempre age com o fito de obter mais satisfação, de melhorar a própria vida. Jobs foi bem sucedido em vender, fornecendo a milhões de pessoas o que elas queriam, em obter lucros e desbancar seus concorrentes. Tudo por interesse próprio.

      Portanto, essa história de “agir sempre em prol dos outros e nunca querer nada pra si” é só uma coisa que inventaram nas classes de Humanas pra engambelar os incautos.

      Fabiano

      setembro 18 2015 Responder

      Anne, você acha mesmo que o Jobs fez isso pelo bem da humanidade?

      A esquerda precisa entender que o que as empresas fazem para sobreviver e lucrar muitas vezes ajuda a humanidade como consequencia. A disputa Apple, Motorola, Samsung, Nokia é uma disputa meramente comercial mas que tem como resultado produtos melhores a preços melhores. Concorrência! Alguém aí é realmente burro a ponto de achar que as empresas estão inovando pensando no mundo? A verdade é, NÃO IMPORTA, ao pensar no mercado elas estão melhorando o mundo sim, apenas não é o objetivo principal.

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