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O “movimento” #ForaPT tem realmente o objetivo de combater a corrupção e a política sem ética?

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Acredita-se muito, no senso comum político, que o “movimento” #ForaPT surgiu e se fortaleceu com o objetivo de “limpar” o quadro político brasileiro dos corruptos e de outros maus administradores e parlamentares. Mas será mesmo que o interesse de quem grita “Fora, PT!” é o altruísta combate à corrupção e à incompetência governamental?

A cronologia das ações de antipetistas ao longo deste ano de 2015 nos faz concluir que não. O objetivo dos aderentes ao discurso do impeachment contra Dilma não é varrer a corrupção doa a quem doer e defender a governança justa, competente, transparente e democrática.

Pelo contrário, é comum encontrar indícios de que o #ForaPT esconde, por trás de sua máscara de “politização” e de suas belas falas, desejos privados e antidemocráticos. Isso mesmo que tentem usar os dispositivos viabilizados pela democracia constitucional para cavar o caminho que demolirá o mandato de Dilma.

Um exemplo que eu posso já considerar clássico é o do PSDB, cujo programa partidário do final de setembro mostrou um partido sedento em derrubar Dilma para lhe tomar o lugar e suceder o PT em se tratando de conquistar e manter o “poder pelo poder”. Os tucanos mostram não ter nenhum projeto de nação, nem programa alternativo de governo, para oferecer.

Se houvesse realmente o interesse de “lutar contra a corrupção”, haveria pressões muito fortes contra diversos governos estaduais e prefeituras, que têm sido acusados de envolvimento com esquemas sujos, como é o caso do governo estadual de São Paulo, vide escândalo do Metrô. O mesmo governo, aliás, também tem sido fuzilado pelo desprezo à gestão dos recursos hídricos e à educação básica, como pode ser visto na crise dos mananciais e na ameaça de fechamento de mais de cem escolas públicas.

O caso do governo paulista é mencionado aqui, acima dos demais governos estaduais, porque se trata do governo não federal com o maior orçamento no Brasil, e Alckmin já vem sendo cada vez mais apontado como candidato “natural” à presidência da república em 2018. Mas não são menos dignos de protestos governos como os de Pernambuco, onde o PSB instalou uma verdadeira oligarquia mancomunada com grandes corporações locais e nacionais, e o do Paraná, permanentemente marcado pela cruel repressão a um protesto de professores em 29 de abril deste ano.

Apesar disso, esses governos têm tido como “resposta” o completo silêncio dos “paladinos anticorrupção” que exigem a queda de Dilma. Não se está interessado em combater focos locais de corrupção e má administração governamental.

Outro exemplo, que tem sido neste momento o mais clássico e emblemático de todos, é o do deputado Eduardo Cunha. Mesmo cada vez mais denunciado e encurralado por ter contas ilegais na Suíça e seu nome envolvido na Operação Lava-Jato, ele não tem sido apontado como exemplo negativo a ser responsabilizado e ter sua punição cobrada pelos “militantes contra a corrupção”.

O que tem sido apontado por alguns comentaristas políticos (como Pierre Lucena e Arnaldo Bloch), aliás, é que ele está sob proteção dos próprios que chamam Dilma de “corrupta” e “desgovernante”. Afinal, é praticamente o “comandante” do #ForaPT, conforme gente como Rachel Sheherazade deixa muito evidente.

O próprio fato de o “movimento” de direita anti-PT e anti-Dilma ter Cunha como cabeça evidencia que não há nenhuma intenção, por parte dessa proto-organização, de promover transparência e ética na política e cobrar a punição de todos os corruptos e maus governantes. Pelo contrário, o que se quer é disputar quase às tapas quem vai ficar com o poder depois que a fraca e ameaçada presidenta renunciar ou for cassada. E, em seguida, desfrutar das benesses pessoais de ter nas mãos o poder presidencial e ministerial, uma maioria parlamentar fiel e a aceitação pela opinião pública de dezenas de milhões de brasileiros.

Ou seja, aqueles que clamam pelo #ForaPT e pelo impeachment de Dilma não estão interessados num Brasil sem corrupção – até porque muitos deles próprios são corruptos e/ou apoiadores de corruptos. O que querem nada mais é do que tirar o PT do poder e colocar seu(s) “candidato(s)” preferido(s) no lugar. Não é a corrupção que os incomoda, mas sim a permanência, na cadeira presidencial, de alguém cujo partido odeiam.

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7 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Newton

outubro 12 2015 Responder

O objetivo é mesmo retirar o PT do poder.

Não existe atualmente no Brasil um partido político que preste. Tudo farinha do mesmo saco.

Porém, o desejo do povo é legítimo, pois aqueles que votaram na Dilma sentiram-se enganados, pois ela fez EXATAMENTE tudo que disse que não iria fazer. E como a Dilma é do PT…

Mudar de partido não irá limpar a corrupção. Isso o povo já sabe. O negócio é com o PT mesmo, que subestimou a inteligência dos seus eleitores.

    Robson Fernando de Souza

    outubro 15 2015 Responder

    Newton, até entendo esse ponto de vista (talvez vc discorde que eu entenda), mas não vejo lógica na galera antipetista, supostamente tendo consciência de que “mudar de partido não vai limpar a corrupção”, sendo negligente com governos estaduais e municipais tão ou mais abusivos do que o federal de Dilma e apoiando um ser como Eduardo Cunha. Aliás, acho que isso não é consciência política, mas sim paixão fanática induzida por formadores de opinião mal-intencionados.

      Fernando

      outubro 16 2015 Responder

      Cara, você fez algum estudo antes de escrever esse texto? Sabe se é com interesse político esse movimento? Li alguns de seus textos e a maioria são afirmações e opiniões sem nenhuma prova, fica difícil acreditar em um conteúdo assim. Acho que esse blog é só de opinião e jamais deveria se chamar “consciência”, pois é apenas a opinião de uma pessoa.

        Robson Fernando de Souza

        outubro 16 2015 Responder

        O que acha, ao invés de vir com “ad hominem” contra o blog, de tentar refutar os argumentos do texto?

          Rogério

          outubro 31 2015

          Muito bom, Róbson. Não votei em Dilma e acho o governo dela muito fraco. Mas a demência argumentativa e a hipocrisia dos que que se opõem a ela é tão grande que dá até vontade em votar no PT! :) Melhorem, pessoas. Tá ridículo!!!!

          Robson Fernando de Souza

          outubro 31 2015

          Valeu, Rogério =)

      Newton

      outubro 18 2015 Responder

      Robson, a verdade é muito simples: o povo está muito P da vida com a Dilma. Percebeu que o PT subestimou a inteligência da população. O PT pensou: “Ah, mas tudo bem, se o povão reclamar, pão e circo neles! ”
      Até hoje, todo partido, sem exceção, corrompeu-se e roubou, mas acontece que o PT gerou tamanho sentimento de revolta justamente por fazerem isso tão descaradamente e praticamente esfregando na cara da população: “Eu roubo mesmo, e não estou nem aí para vocês”.
      Paulo Maluf é um grandessíssimo safado? Claro que sim, mas pelo menos era, digamos, mais malandro, batia com uma mão e acariciava com a outra. Ele fez a maioria das obras mais importantes de SP na época. Obviamente, era de seu interesse, pois quanto mais obras, mais oportunidades de falcatruas. Ficou até o famoso slogan “Maluf rouba mas faz”
      Mas e o PT?
      “O PT rouba, finge que faz mas não faz, e ainda ri da sua cara”
      Esta não é uma opinião particular. É o sentimento da grande maioria das pessoas, pelo menos as que eu conheço, e pelo visto, da maioria dos brasileiros.
      Se o mesmo acontecesse com outro partido no governo, eu pensaria o mesmo. Acontece que quem está no poder é o PT, então os aplausos, ou as vaias, vão para ele.
      Não se trada de um problema partidário, mas sim, da reação natural e previsível de um povo que se sente subestimado, enganado, ludibriado e esfolado.
      O PT nunca teve um plano de governo, mas sim, um plano de poder.
      Simples assim.

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