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Capacitismo intelectual e psicofobia contra quem pensa diferente: um mal que não deveria ser admitido
Exemplo de capacitismo intelectual contra quem crê em astrologia

Exemplo de capacitismo intelectual contra quem crê em astrologia

Editado em 10/11/2015 às 18h51

Aparecem, de vez em quando, insinuações ou acusações explícitas de quem tem determinadas ideias tem “problemas mentais” ou “sofre” de algum tipo de transtorno psiquiátrico. Isso é uma forma de preconceito e não deve ser admitida.

Quando se trata de preconceito contra pessoas que têm algum tipo de deficiência ou necessidade especial, isso se chama capacitismo – chamando-se capacitismo intelectual quando a deficiência em questão é intelectual. E quando julga alguém que pensa diferente como se a pessoa tivesse alguma desordem, como depressão, autismo e transtorno obsessivo-compulsivo, e trata de maneira pejorativa e discriminatória quem realmente a tem, passa a ser algo chamado psicofobia.

O capacitismo intelectual ocorre, por exemplo, quando se chama de “deficiente mental” ou “oligofrênico” quem acredita em astrologia ou crê piamente nas “teorias políticas” cunhadas por reacionários formadores de opinião (vide imagens mostrando reacionários como pessoas com deficiência intelectual estereotipadas). E a psicofobia vem em ocasiões como chamar especistas de “esquizofrênicos” e usar indiscriminadamente o termo “psicopata” – já que psicopatia é um transtorno psiquiátrico – para designar quem dedica insensibilidade e nega empatia a minorias políticas sem ter um quadro clínico de psicopatia.

Esses dois preconceitos não são e nunca serão maneiras racionais e inteligentes de se refutar as crenças e ideias políticas alheias. Pelo contrário, é uma maneira covarde de ataque pessoal – a falácia de desqualificação pessoal, mais conhecida como ad hominem –, que, ao invés de refutar a ideia, ataca seu autor ou reprodutor, muitas vezes com violência verbal.

No contexto político brasileiro atual, isso deveria estar claro para todos, mas infelizmente não parece estar, já que, da esquerda mais libertária à direita mais reacionária, muita gente insiste em desqualificar como “deficientes intelectuais” e/ou pejorar como “transtornados” seus opositores. Posturas fanáticas e irracionais do outro lado, seja lá qual lado for, não são tratadas como aquilo que são – simplesmente fanáticas e irracionais –, mas sim frutos de deficiência cognitivo-intelectual ou desordem psiquiátrica.

Essa postura, aliás, acaba julgando que pessoas que realmente têm esse tipo de deficiência ou algum transtorno mental seriam essencialmente antiéticas, fanáticas, brutas, caóticas, violentas, insensíveis e tendentes à criminalidade. Como fica evidente nisso, é uma maneira tanto de pejorar pessoas que pensam diferente como de reafirmar, por meio de violência simbólica, que pessoas que realmente tenham tais condições “devem” ser discriminadas, “interditadas”, excluídas do convívio em sociedade.

Isso tem ajudado a acirrar os ânimos dos dois lados, fechá-los mutuamente ao diálogo ou debate e fomentar ainda mais o lamentável clima de intolerância política que paira hoje no Brasil mais do que em outras épocas da Nova República. Não tem convertido indivíduos de direita em indivíduos de esquerda, nem o contrário, mas sim feito pessoas de cada posição se fincarem ainda mais em sua postura ideológica, enxergarem o outro lado como monstruoso e bárbaro e imbuírem de fanatismo sua convicção política.

Ou seja, se você promove capacitismo e psicofobia ao tratar quem pensa e crê diferente de você, está sendo nada mais que preconceituoso, usando de violência e autoritarismo – mesmo que seja de esquerda – e perdendo a razão em sua postura política (ou filosófica, caso esteja, por exemplo, chamando pessoas que creem em signos de “deficientes mentais”). Portanto, reveja essa postura o quanto antes, porque ela não está fazendo bem a ninguém, não está tornando sua ideia “melhor” ou “superior” às dos outros e, pelo contrário, está desqualificando você como defensor(a) racional de suas ideias e crenças e endurecendo contra você quem tem crenças distintas das suas.

imagrs

4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Aspie Consciente

novembro 10 2015 Responder

Robson,

Este seu texto sobre capacitismo intelectual e psicofobia é muito bom. Sem dúvida um dos melhores deste blog.
Ainda assim, gostaria de chamar-lhe a atenção por uma coisa: seria mais apropriado substituir a palavra “doenças”, nas vezes em que ela ocorre no texto, por “condições” ou algo mais apropriado, visto q na medicina psiquiátrica e na psicologia se falam de “transtornos mentais” e não de “doenças mentais”, a não ser em poucos casos, e, além disso, as doenças são transmissíveis/contagiosas, em geral possuem a sua causa (etiologia) “conhecida do grande público” e podem ser controladas ou mesmo curadas, além de causarem alterações drásticas na homeostasia do organismo doente (ex. febre); ao passo que os transtornos mentais são incuráveis na maioria dos casos, NÃO se transmitem/NÃO são contagiosas e possuem, no geral, a sua causa “desconhecida” – e, claro, não causam alterações homeostásicas (transtorno bipolar tem febre como sintoma, por acaso?).
Eu estou acostumado a diferenciar transtornos de síndromes e doenças pq… Eu tenho Transtorno de Asperger, e gosto muito de pesquisar sobre outras condições parecidas com a minha, em especial as que se enquadram no Transtorno do Espectro Autista, do qual o Transtorno de Asperger faz parte. Aliás, gostaria de te propor um desafio: o q acha desses políticos q ofendem seus adversários chamando-os de autistas?
Se quiser, tem os seguintes links abaixo alertando sobre o uso de tais palavras.

http://www.infoescola.com/medicina/diferenca-entre-doenca-e-sindrome/

http://www2.uol.com.br/vyaestelar/doenca_transtorno_sindrome.htm

Aspie Consciente

    Robson Fernando de Souza

    novembro 10 2015 Responder

    Obrigado, Aspie Consciente. Fiz algumas alterações aqui e substituí devidamente o termo “doenças”.

    Quanto aos políticos psicofóbicos, repudio essa postura preconceituosa deles. E digo mais: eu mesmo já fui alvo de cyberbullying psicofóbico no passado (adolescência e juventude pós-adolescente), senti na pele o que é uma pessoa simplesmente imatura ser discriminada e chamada ofensiva e pejorativamente de “autista” – como se autismo fosse um “defeito” e uma “desqualidade”.

    Abs

Newton

novembro 8 2015 Responder

Não sou psiquiatra nem psicólogo, mas em minha leiga opinião, até instintivamente quase todos conseguem diferenciar atos insanos de atos racionais. Da mesma maneira, conseguimos rapidamente perceber, quando alguém está falando, se tal pessoa está sob influência de entorpecentes.

    Stella

    novembro 8 2015 Responder

    Só que é injusto com as pessoas com deficiência. E se, justamente, temos discernimento, que o usemos e paremos com este discurso.

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