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dez15

A ingenuidade intrínseca aos “planos de desenvolvimento sustentável” que não questionam os pilares do capitalismo
Palpites sobre "desenvolvimento sustentável" que não questionam o capitalismo tendem a fracassar no intuito de promover a sustentabilidade social-econômica-ambiental. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

Palpites sobre “desenvolvimento sustentável” que não questionam o capitalismo tendem a fracassar no intuito de promover a sustentabilidade social-econômica-ambiental. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

Ingenuidade é uma palavra que define bem as opiniões de quem defende o “desenvolvimento sustentável” sem o questionamento dos fundamentos da economia capitalista. Isso se deve pela crença na possibilidade de haver sustentabilidade sem que paradigmas ideológicos como o crescimento ilimitado, o dinheiro como alma da sociedade, a urbanidade de classe média-alta como ideal de vida, o progresso como fim em si mesmo, a essencialidade das hierarquias sociais de dominantes sobre dominados, a busca do lucro crescente, o tratamento individual da acumulação de dinheiro e consumo de bens materiais como o sentido da vida etc. sejam derrubados.

Tomo como exemplo uma lista (ver imagem que ilustra este artigo) de propostas promotoras de “crescimento sustentável” elaborada por um indivíduo que se diz ambientalista. Para que esta crítica não resulte em constrangimento para essa pessoa, não a identifiquei aqui.

A tal lista, segundo intenciona seu criador, faria a economia brasileira se desenvolver e entrar numa inédita e duradoura era de prosperidade. Diz ele que é do que está ali listado que “o Brasil precisa para crescer com sustentabilidade”.

Mas não é encontrado nada que ao menos – mesmo na mais ingênua concessão reformista – tente controlar e deter os abusos do capitalismo. Senti falta de demandas como a aplicação de multas pesadas e outras sanções para empresas que promovem a obsolescência programada em seus produtos tecnológicos, a aplicação da Lei da Ficha Limpa para políticos condenados por crime ambiental ou financiados em sua campanha eleitoral por criminosos ambientais, a reforma agrária sistemática, o enrijecimento das penas para latifundiários condenados por crime ambiental e genocídio, a obrigatoriedade das certificações ISO14000 (gestão ambiental) para órgãos públicos e grandes empresas privadas etc.

Pelo contrário, achei ali palpites que atuam justamente na contramão de qualquer proposta realista e amadurecida de sustentabilidade econômica-social-ambiental. Entre eles, está a reivindicação de “investir pesado na industrialização do país, […] na agricultura e em todos os setores da economia que gerarem riqueza e empregos”.

Também considero um “gol contra ambiental” o desejo cru de “investir pesado em desenvolvimento, pesquisa e tecnologia”. Não se exige ali como contrapartida a delimitação, a esse investimento em pesquisa tecnocientifica, dos objetivos de eliminar desperdícios, dignificar as condições de vida dos operários da indústria, aprimorar o bem-estar e felicidade humanos, libertar a humanidade da superdependência de sistemas de alta tecnologia e grandes corporações, diminuir progressivamente o impacto ambiental das atividades humanas e abolir cada vez mais formas de exploração de animais não humanos vivos ou mortos.

E o mais importante: nada ali, nada mesmo, peita os fundamentos que movem o sistema econômico capitalista global centrado nos países do Norte. A pessoa não propõe a derrubada daquelas tradições econômicas, sociais e tecnológicas que, para continuar existindo, precisam infligir impactos ambientais ainda mais dolorosos do que o meio ambiente global pode aguentar a longo prazo, como o que foi mencionado no início deste texto – progresso como fim em si mesmo, dinheiro como alma da sociedade, crescimento econômico sem limites, sentido da vida individual baseado em ganhar dinheiro e consumir bens etc.

A partir disso reflito como as crenças de muitas pessoas como seria o tal do “desenvolvimento sustentável”, se fossem tornadas realidade, encaminhariam a humanidade e também toda a biosfera como a conhecemos a um armagedom ambiental em não muito tempo. É preciso, quando se percebe isso, que sonhar com um mundo ao mesmo tempo capitalista e sustentável é tão mítico quanto crer que o Papai Noel viaja de trenó do Polo Norte para trazer presentes a todas as crianças do mundo nas noites de 24 de dezembro. Em poucas palavras: sem cortar pela raiz o predatismo ambiental-social-econômico capitalista, nunca teremos a sonhada aurora da sustentabilidade perpétua.

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Nathalie

dezembro 29 2015 Responder

A grande maioria das pessoas, religiosas ou ateias, só reivindicam mudanças se isto for benéfico para si mesmas, ainda q signifique a destruição do resto do mundo, começando pelo consumismo desenfreado d produtos eletrônicos e alimentos q resulta em desperdício e degradação. em seguida, saem se dizendo ecológicas e cristãs.

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