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dez15

Por que o voto em representantes e defensores dos interesses de grandes empresas ajuda a erodir a democracia

voto-capital

Algo muito comum num regime dito democrático representativo é votar em políticos que defendem abertamente os interesses de grandes empresas em detrimento do interesse público. São pessoas que vão além de ser financiadas por corporações e outros grupos de influência nas eleições: servem como representantes fiéis delas, mesmo que isso signifique rasgar os votos populares que receberam. É preciso constatar: cada voto dedicado a gente desse tipo é uma marretada nos pilares da democracia, e de golpe em golpe de marreta ela poderá desmoronar se isso não parar.

Insistir em votar em defensores declarados dos interesses de setores como as empresas petrolíferas privadas, as montadoras automobilísticas, as operadoras de telecomunicações, a grande imprensa, a indústria farmacêutica, as mineradoras, os fabricantes de armamento militar e policial (e também das armas traficadas para criminosos civis), os latifundiários, as prestadoras privadas de assistência à saúde etc. é votar contra os interesses e necessidades da população, mesmo os do próprio eleitor.

Isso fica evidente quando essas empresas atuam de maneira abusiva, antiética e destruidora. É o caso de mineradoras que poluem o meio ambiente – vide exemplos como a catástrofe ambiental de Mariana/MG e do Rio Doce, em novembro de 2015 –, empreiteiras que não se importam em desmatar florestas e bloquear rios para construir hidrelétricas – Belo Monte mandou lembranças –, operadoras privadas de saúde que influenciam desmanteladores do SUS, ruralistas que promovem ecocídios e genocídios indígenas, entre tantos outros.

Tais corporações não conseguiriam ir tão longe se não fossem seus representantes parlamentares. São esses indivíduos que desmantelam a legislação, inibindo penalidades para crimes ambientais de grande escala, flexibilizando a definição de trabalho escravo, afrouxando e desempoderando os órgãos de fiscalização, sucateando serviços públicos para forçar seus usuários a recorrer à “alternativa” privada etc. Se não estivessem agindo, os abusos de seus apoiadores tenderiam a ser devidamente punidos e desencorajados, nunca facilitados, e essas empresas se sentiriam muito mais obrigadas do que se sentem hoje a respeitar a integridade da vida humana e não humana, sob pena de ter suas atividades inviabilizadas ou proibidas de continuar.

E assim estão basicamente governando contra a população. Estão piorando sua qualidade de vida, acabando com seus direitos de cidadãos e convertendo-a em simples clientes/consumidores de serviços privatizados mergulhados numa vida degradada e desprovidos de poder político. O regime político deixa de ser na prática uma democracia e se torna uma corporocracia, uma espécie de oligarquia megaempresarial.

Manter o poder desses políticos é glorificar as vontades egoístas e corruptas de alguns indivíduos em detrimento da coletividade. É desmantelar o público pela glória e honra do privado de quem tem muito dinheiro.

E isso implica necessariamente a derrubada dos mais fundamentais valores da democracia: a prevalência das necessidades e vontades da maioria (aquelas que não prejudicam os direitos das minorias), o funcionamento do Estado como governo do povo pelo povo para o povo, a preservação da integridade dos direitos constitucionais – essenciais para o exercício do poder político democrático pelos cidadãos – e, sobretudo, a prevalência do bem público, a integridade e bem-estar do coletivo.

Isso mostra a importância de se refletir sobre a responsabilidade do ato de votar, por mais desempoderado que ele seja nos domínios do neoliberalismo. Dentro dos limites do modelo de “democracia liberal”, é praticamente impossível eliminar por completo o interesse empresarial escuso do universo político. Mas ainda assim é possível não o deixar conseguir a dominação total do poder público e a neutralização da resistência popular. Nesse contexto, é necessário pensar que conceder o voto a antidemocratas defensores dos interesses das grandes empresas é votar no desmantelamento do pouco que temos de democracia. E isso precisa ser divulgado para tocar as mentes e corações das pessoas.

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