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A falácia do rótulo: a que leva a crer que o nazismo é “de esquerda” e o PT é “comunista”
perola-partidos-sociais

Exemplo de falácia do rótulo

Uma falácia costuma aparecer em discussões com reacionários: o argumento de que o nazismo alemão era “de esquerda” porque o Partido Nazista se chamava oficialmente “Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães” e o PT brasileiro é “comunista” por, entre outros motivos, se chamar “Partido dos Trabalhadores”. Essa é a chamada falácia do rótulo, que consiste em levar ao pé da letra o nome ou apelido de instituições, agremiações e pessoas, achando que elas sempre são aquilo que seu nome diz que são e desconsiderando a possibilidade de estarem mentindo ou terem mudado de posição política.

Esssa falácia costuma ter pelo menos dois usos muito comuns, já mencionados: dizer que o Partido Nazista era “de esquerda” e “marxista” por causa de seu nome oficial e crer que o PT é “comunista” e/ou nunca deixará de ser de esquerda por causa do significado de sua sigla. Não considera, por exemplo, que o nazismo é frontalmente contrário a diversos princípios e objetivos da esquerda comunista/socialista do século 20, como a derrubada do capitalismo, a cessão da propriedade dos meios de produção aos trabalhadores e a abolição das classes sociais. Essa ideologia, aliás, foi responsável pela perseguição e assassinato dos alemães de esquerda que não procuraram exílio, incluindo socialistas e comunistas, na década de 1930.

Também não leva em consideração que o PT empreende hoje, no governo federal, políticas claramente de direita, como privatizações, resguardo ferrenho da propriedade privada de pessoas ricas, garantia de lucros crescentes aos bancos privados, consentimento das mais cruéis repressões promovidas pela polícia militar contra protestos em diversos estados, congelamento da reforma agrária e da demarcação de terras indígenas, incentivo ao consumo (até 2014), redistribuição de renda baseada na ideia de imposto de renda negativo de Milton Friedman etc. E o governo de Dilma não pensa em nenhuma “guinada à esquerda”, tendo inclusive vetado a auditoria fiscal da dívida pública.

Também há o uso desse tipo de falácia por ultraconservadores para dizer, por exemplo, que o PSDB, por se chamar Partido da Social-Democracia Brasileira, é de esquerda e nunca deixou de ser socialdemocrata; que todo e qualquer partido que tem “social” no nome é socialista de esquerda, mesmo o Partido Social Cristão (PSC), que tem muitos teocratas conservadores em seus quadros; que o golpe militar de 1964 foi uma “revolução” porque, entre outros motivos, seus simpatizantes a chamam de “Revolução de Março” etc.

Apesar de ser tão usada, a falácia do rótulo é seletiva. Seus adeptos não a usam, por exemplo, para crer que a Coreia do Norte seria atualmente uma “democracia popular” por seu nome oficial ser “República Democrática Popular da Coreia”. Pelo contrário, nunca deixaram de crer que aquele país é uma ditadura dinástica baseada numa ideologia supostamente derivada do comunismo.

Nem a utilizam, para dar outro exemplo, para aceitar a crença de que, nos Estados Unidos, o Partido Democrata, que oscila entre o centro e a centro-esquerda, seria mais democrático do que o Partido Republicano, que passeia entre a centro-direita e a direita, por seu nome ser o único dos dois partidos que menciona a democracia.

Fica claro por que isso é uma falácia. Não considera que não é sempre que o nome do partido, Estado ou agremiação revela sua verdadeira posição político-ideológica. Às vezes é usado para a mentira, para acobertar a real postura ideológica do denominado, como nos casos do Partido Nazista e da Coreia do Norte. Lembremos isso àquele colega de direita, ou àquele governista que ainda acha que o PCdoB é um partido comunista, toda vez que ele trouxer esse tipo desconexo de argumento.

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11 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Sérgio Correia

julho 10 2016 Responder

Tem razão. O Nazismo não é Comunismo: é uma aberração política, cultural e econômica tão grande e criminosa quanto ele. O Nazismo significa o Estado, com mão de ferro, absorvendo e controlando a tudo e a todos, guiado e comandado por psicopatas. Significa acreditar que uma raça possa ser superior a outras e, ainda, que outras possam ser mais aceitáveis, mas nunca iguais aos “arianos”. Significa ter que eliminar os adversários políticos (alguma semelhança com o Comunismo?) e os ditos “impuros”, para expandir o seu Império. Entre os dois, mudam as motivações e mudam os discursos, mas a essência é a mesma: por em prática teorias absurdas, criar uma casta de líderes com poderes ilimitados, dominar a população comum e expandir seus impérios, sem considerar fronteiras.

      Sérgio Correia

      julho 10 2016 Responder

      1 – NÃO HOUVE COMUNISMO ATÉ HOJE
      De fato, nenhuma das nações tidas como comunistas vivenciaram (e nunca vivenciarão) uma experiência puramente comunista, na exata dimensão que Marx idealizou. No entanto, todas elas iniciaram suas ações de tomada do poder de duas formas: a primeira, e mais comum, foi declarar-se abertamente marxista e provocar a revolução; a segunda foi não se declarar abertamente marxista, mas tomar ações alinhadas ao marxismo, após a revolução e à tomada do poder.
      Na realidade, a não existência do comunismo puro, conforme Marx imaginava, não poderia mesmo acontecer fora do campo teórico, pois trata-se de uma teoria falha e incompleta, com muitos pontos obscuros que não oferecem soluções claras para as diversas questões práticas que surgiriam a partir da obra inacabada de Marx. Realmente, trata-se de uma “utopia”, no exato sentido da palavra, como algo que está apenas no campo da imaginação, onde tudo acontece de maneira perfeita e ideal, onde há justiça social, igualdade, fraternidade, etc.
      É muito cômodo para os defensores do comunismo dizer que o que foi realizado na prática não condiz com as teorias originais, mas cada novo ditador que apareceu, até hoje, usou esse mesmo argumento para justificar o que chamo de “adaptações consideradas necessárias”, que resultaram em fracasso. Foi assim com Lênin, com Stalin, com Mao Tse-tung, com Fidel Castro, até chegar a Hugo Chaves. Todos achavam que tinham a solução, mas o que fizeram foi transformar seus países em grandes “laboratórios” de ciência política e, ao final das contas, usá-los como fontes de enriquecimento ilícito.
      2 – COMUNISTAS MATANDO COMUNISTAS
      Muito interessante essa tese de que na ex-URSS os assassinado foram, na verdade, os próprios comunistas. Interessante, mas questionável, considerando que todos os que eram exilados ou assassinados eram opositores do regime implantado. Fica aqui mais uma evidência de vitimização dos que hoje defendem a utopia comunista.
      Vamos aos números aproximados de pessoas mortas pelos regimes de esquerda pelo mundo:
      a) URSS: 20.000.000
      b) CHINA: 65.000.000
      c) CORÉIA DO NORTE: 2.000.000
      d) CAMBOJA: 2.000.000
      e) VIETNÃ: 1.000.000
      f) LESTE EUROPEU: 1.000.000
      g) ÁFRICA: 1.700.000
      h) AFEGANISTÃO: 1.500.000
      i) AMÉRICA LATINA: 150.000
      Querer comparar os números acima com a situação de violência no Brasil é, no mínimo, uma piada. Querer colocar essas mortes na conta do capitalismo é uma piada ainda maior. Desde 1985 este país vem sendo governado por gente de esquerda, ou que se diz de esquerda (não venham dizer que o FHC e o Sarney não são de esquerda. Basta olhar o que eles escreveram e o seu currículo), e os números da violência só aumentaram. Leis que beneficiam os criminosos, corrupção generalizada, aparelhamento da máquina pública, impunidade, distorções sociais, pouquíssimo investimento em infraestrutura… tudo isso somado aos crimes transnacionais, como o tráfico de drogas e armas, formam um “caldo” perfeito para a violência. A Venezuela, que tem um regime de esquerda, tem a segunda maior taxa percentual de assassinatos no mundo, somente perdendo para Honduras.
      3 – COLOCA NA CONTA DO CAPITALISMO
      O que vocês parecem não querer entender é que a estrutura do mundo em que vivemos é baseada no capitalismo. Não estou dizendo que isso é uma maravilha, mas o mundo funciona assim, pelo menos até hoje. Nenhum país consegue sobreviver isoladamente dentro de uma estrutura como essas. Nem mesmo a Coréia do Norte é totalmente isolada em termos macroeconômicos: ela comercializa com outros países, assim como qualquer outro país teria que fazer para sobreviver, mesmo se vivesse essa “utopia”.
      Portanto, fica muito fácil dizer que tudo de ruim que acontece no mundo é por culpa do capitalismo… ou vocês acham que se o mundo vivesse integralmente a utopia comunista não haveria violência, nem pobreza, nem maldade, nem corrupção? A não ser se o mundo fosse habitado apenas por anjos.

MysterionLL

abril 26 2016 Responder

Bem, vamos lá:

SOCIAL = Não é exclusivamente de esquerda ou de direita
SOCIALISMO = Esquerda
SOCIAL DEMOCRACIA = SOCIALISMO
NACIONAL SOCIALISMO = NAZISMO

Bom, não são só os rótulos do nome, mas as ideologias que os partidos defendem, como por exemplo, no nazismão “de extrema direita”, a economia era centralizada (esquerda), as massas eram doutrinadas (esquerda) e as liberdades individuais eram eliminadas (esquerda).

Ou seja, existiam aqueles que se nomeavam exatamente com o que pregavam, e o fato de ter algumas contradições com outros (ex: PSOL socialismo e liberdade, república democrática da coreia do norte) não faz com que o nome de outros partidos não digam realmente o que eles façam.

Quanto ao PSDB, o próprio Lula admitiu que PSDB é de esquerda (https://www.youtube.com/watch?v=-dfFlCradz0)

    Robson Fernando de Souza

    abril 28 2016 Responder

    Falou alguém que, além de não saber objetivamente o que é direita, se sentiu obrigado a criar seu próprio conceito de direita.

Newton

janeiro 21 2016 Responder

Teste de orientação política:

http://www.politicalcompass.org/test

Mario Duarte

janeiro 20 2016 Responder

Não se preocupe , o problema dos nomes dos partidos já começa a ser resolvido. Já existe o Partido Novo, logo vai ter o Partido da Liberdade, Partido Liberal Radical, Partido da Liberdade Absoluta, Partido Liberal Liberalizante. Pra começar tá bom ou quer mais. Rsrsrsrsrsrsrsr

Newton

janeiro 19 2016 Responder

As semelhanças do nazismo e do fascismo com o comunismo são auto-evidentes. E é muito fácil entender isso. Pensemos em ícones da direita: Winston Churchill, Ronald Reagan e Margareth Thatcher. Agora pensemos em ícones da esquerda: Lenin, Stalin e Mao Tse Tung. Por fim, respondamos a pergunta: as práticas e a atuação de Hitler se assemelham mais ao que foi realizado pelos citados ícones da direita ou pelos da esquerda?

Quanto à posição do PT…sugiro a leitura disponível na própria página do PT, e tirem suas próprias conclusões. Procurem por “Caderno de teses do 5º congresso do PT” e “Resgatando o petismo no PT”. No primeiro, leiam os itens 77, 126 e 163, e no segundo, os itens 65 e 76.

    Sidney

    janeiro 20 2016 Responder

    A partir do seu argumento podemos então concluir que G. Alckmin, B. Richa e A. Neves são ícones da esquerda!

      Newton

      janeiro 21 2016 Responder

      Não. Nem de longe. Mas também não são direitistas.

Newton

janeiro 19 2016 Responder

A batina não faz o padre, rs…nomes são apenas nomes.

Agora, se o PCdoB não é um partido comunista, que mude de nome então.

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