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Joe, o espantalho “comunista totalitário”
Conheçam Joe, o espantalho

Conheçam Joe, o espantalho

Joe, o espantalho, é um personagem extremamente comum nos discursos de conservadores – inclusos aqueles que se dizem “liberais” por defenderem capitalismo, privatizações e Estado mínimo mas são adeptos ferrenhos do conservadorismo político, social e moral. Ele é aquilo que muitos deles dizem que todo mundo da esquerda no Brasil é: um defensor apaixonado de uma forma exagerada de stalinismo – ou, como preferem falar, um “comunista totalitário”.

Segundo os conservadores, Joe – ou seja, todo “esquerdista” e petista – defende que o Brasil passe a ser governado por um regime ditatorial totalitário, em que o Estado deterá o controle total e absoluto sobre os meios de produção, a economia inteira e também a conduta moral, cultural e social de cada indivíduo.

Nessa “ditadura comunista”, não há como os trabalhadores assumirem os meios de produção, diferentemente do que o comunismo de Marx e Engels defende, uma vez que o Estado controla tudo. Há menos espaço ainda para que empresários o façam. Estes, aliás, seriam mortos, presos ou exilados nesse regime.

O Estado que o boneco dos conservadores defende dita que não deve haver nenhuma liberdade de expressão, num exagero da defesa empreendida pela esquerda à responsabilização penal de autores de discursos de ódio por apologia e incitação à discriminação, à intolerância e à violência. Além disso, os comportamentos em geral são estritamente regulados: o que e onde comprar e consumir, quem amar, que hábitos adotar, como e em que trabalhar, no que crer etc.

Os donos de Joe não entram em consenso se o que ele defende é um golpe a estabelecer propositalmente esse regime superditatorial ou uma tentativa de aplicar a utopia do Manifesto Comunista – pequeno livro que a maioria deles se recusa a sequer ler e entender – mas, no final das contas, resultar, como fruto de um fracasso degenerador, na tal “ditadura comunista”.

Além disso, segundo muitos deles, Joe é do PT, defende incondicionalmente o PT e acredita que este é um partido comunista revolucionário. E não uma associação política que abandonou qualquer perspectiva de esquerda, abraçou o capitalismo, adotou nacionalmente políticas conservadoras e se deixou contaminar pela cultura do uso do poder para prover benefícios privados, ora pelas políticas de priorização das grandes empresas e seus donos em detrimento do povo, ora pela corrupção explícita.

E aliás, o espantalho sonha, em desejo intenso, que o PT irá se tornar um dia o Partido do livro 1984, de George Orwell. Ele leu esse livro e gostou das ideias e práticas da cruel agremiação que, por meio do Grande Irmão, governa o fictício mega-Estado totalitário da Oceania.

Segundo os conservadores – me arrisco em crer que a maioria deles – argumentam, Joe representa cada pessoa de esquerda no Brasil. Condensa e reduz toda a diversidade de pensamentos, crenças, ideologias, visões de mundo, utopias, discordâncias etc. ao mais monolítico e indivisível “comunismo totalitário” importado da União Soviética stalinista de 1924 a 53. Ou seja, cada anarquista, socialdemocrata, socialista democrático etc. é para eles um “defensor da ditadura comunista”, por mais antiditadura e anti-Estado que seja.

No final das contas, Joe é simplesmente um espantalho. É o filho de uma muito comum falácia do espantalho – o argumento no qual se atribui ao lado criticado defeitos e pontos fracos que na verdade ele não tem, por mentira intencional ou por ignorância sobre o que esse lado realmente é e pensa.

Enquanto chamam a todos nós de Joe – ou seja, de “defensores do mais totalitário e sanguinário comunismo” -, estamos na nossa, defendendo ideias muito distintas daquele stalinismo do século 20. Estamos aqui defendendo a consolidação e universalização dos Direitos Humanos, civis e políticos; o respeito pleno às diferenças e diversidades; a democratização da economia e sua submissão às necessidades humanas ao invés do lucro empresarial; a radicalização da democracia política; a equidade social; a sustentabilidade ambiental-social-econômica; a desconcentração de renda, riquezas, terras e meios de produção; o respeito à memória das vítimas das ditaduras, sejam elas de direita ou de esquerda; as mais diversas liberdades individuais, desde que elas não tolham os direitos alheios; a libertação da criatividade humana da servidão ao mundo do dinheiro e do consumo material; entre tantas outras bandeiras que nos faz ter nada a ver com o estereótipo ostentado pelo espantalho de estimação dos conservadores.

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6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Ricardo Ibn

janeiro 13 2016 Responder

Simples.

A esquerda não acredita que exista uma natureza humana. Porém, a repetição de certos comportamentos humanos em diferentes lugares ao longo do tempo é prova que sim… existe uma natureza humana.

Uma das verdades sobre o comportamento humano é essa: O poder corrompe.

Outra: O poder total corrompe totalmente.

Esquerdistas começam cheios de boas intenções.Isso é a mais pura verdade. Mas aí percebem que antes de mudar o mundo para melhor, é preciso conquistar o poder para mudar o mundo para melhor…

Então eles começam a lutar pelo pelo poder.

E eles ganham o poder

E aí pah! São corrompidos moralmente pelo poder… (Natureza humana)

E aí o sonho de mudar o mundo para melhor vira uma ditadura totalitária.

Aí… as próximas gerações dirão, com razão, que aquilo não é o que eles querem… que o ideal foi distorcido….

E aí começa tudo de novo…

É como diz o Eclesiastes: “Nada de novo debaixo do Sol.”

Newton

janeiro 12 2016 Responder

“Hoje o típico totalitário de esquerda não é mais um bandido em trajes de guerrilheiro, mas um afeminado hipersensível vestindo casaco de lã, cuja obsessão por sentimentos o tornam imune a argumentos racionais. O perigo de dar ao governo poder ilimitado para fazer o “bem,” assim como outras coisas, é ignorado ou desprezado pelo esquerdista, já que o simples pensamento de se conformar com um mundo imperfeito o incomoda. É por isso que a esquerda jamais aprenderá com a história: o passado é apenas um prólogo para a utopia vindoura, a qual será perfeita, justa e igualitária.

Os esquerdistas estão convencidos de que são do bem. Eles pouco se importam com os custos; eles se preocupam com a humanidade. Eles se preocupam tanto com a humanidade que desprezam os indivíduos (pergunte a qualquer esquerdista o que pensam as dezenas de milhões de mortos por socialistas confessos). Isso não significa que esquerdistas tenham um coração de pedra; na verdade eles tendem a ser hiper-sensíveis em relação aos melodramas que brotam de suas mentes. Além disso, o centrismo emocional inclui a ganância e a malícia, pois todo seu processo mental é focado em obter o poder efetivo, o qual eles crêem que será usado para o bem. Os fins justificam os meios.

Esquerdistas são militantes que amam tanto o próximo que estão dispostos a obrigar as pessoas a pagar a conta de qualquer causa que eles considerem oportunas. Salvar o planeta, mesmo que isso signifique fazer outras pessoas sofrerem (veja a malária e as DSTs; subsídios para o etanol e a fome mundial; a histeria do aquecimento global, etc.). Travar uma guerra sem fim e autodestrutiva contra a pobreza, enquanto empobrecem a nação. Ignorar a natureza humana, como se punir o comportamento produtivo e subsidiar a ociosidade não fosse danificar a economia ao longo de gerações. Estamos igualmente pobres, mas a esquerda se sente melhor por ter tentado.”

Newton

janeiro 12 2016 Responder

“Hoje o típico totalitário de esquerda não é mais um bandido em trajes de guerrilheiro, mas um afeminado hipersensível vestindo casaco de lã, cuja obsessão por sentimentos o tornam imune a argumentos racionais. O perigo de dar ao governo poder ilimitado para fazer o “bem,” assim como outras coisas, é ignorado ou desprezado pelo esquerdista, já que o simples pensamento de se conformar com um mundo imperfeito o incomoda. É por isso que a esquerda jamais aprenderá com a história: o passado é apenas um prólogo para a utopia vindoura, a qual será perfeita, justa e igualitária.

Os esquerdistas estão convencidos de que são do bem. Eles pouco se importam com os custos; eles se preocupam com a humanidade. Eles se preocupam tanto com a humanidade que desprezam os indivíduos (pergunte a qualquer esquerdista o que pensam as dezenas de milhões de mortos por socialistas confessos). Isso não significa que esquerdistas tenham um coração de pedra; na verdade eles tendem a ser hiper-sensíveis em relação aos melodramas que brotam de suas mentes. Além disso, o centrismo emocional inclui a ganância e a malícia, pois todo seu processo mental é focado em obter o poder efetivo, o qual eles crêem que será usado para o bem. Os fins justificam os meios.

Esquerdistas são militantes que amam tanto o próximo que estão dispostos a obrigar as pessoas a pagar a conta de qualquer causa que eles considerem oportunas. Salvar o planeta, mesmo que isso signifique fazer outras pessoas sofrerem (veja a malária e as DSTs; subsídios para o etanol e a fome mundial; a histeria do aquecimento global, etc.). Travar uma guerra sem fim e autodestrutiva contra a pobreza, enquanto empobrecem a nação. Ignorar a natureza humana, como se punir o comportamento produtivo e subsidiar a ociosidade não fosse danificar a economia ao longo de gerações. Estamos igualmente pobres, mas a esquerda se sente melhor por ter tentado.” (Kyle Becker)

Newton

janeiro 11 2016 Responder

“Segundo os conservadores, Joe – ou seja, todo “esquerdista” e petista – defende que o Brasil passe a ser governado por um regime ditatorial totalitário, em que o Estado deterá o controle total e absoluto sobre os meios de produção, a economia inteira e também a conduta moral, cultural e social de cada indivíduo.”

Lamento informar, mas isso já está acontecendo no Brasil.

Esther

janeiro 11 2016 Responder

Você gosta de se dizer defensor dos Direitos Humanos, pois então vamos ver se o Comunismo pregado por Marx é compatível com os Direitos Humanos?

“Neste sentido, os comunistas podem resumir sua teoria em uma fórmula única: a abolição da propriedade privada.” disse Karl Marx no Manifesto Comunista

E agora vamos ver o que dizem os Direitos Humanos sobre a propriedade privada:

Artigo 17 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

“1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.”

Portanto, o direito à propriedade é um dos Direitos Humanos, e inclui a propriedade privada, pois a DUDH diz “só ou em sociedade com outrem”

Além disso, o Manifesto Comunista também diz que “a classe proletária de cada país deverá LIQUIDAR sua própria burguesia”. Muita atenção para a palavra que Marx usou: liquidar. Vamos ver o que significa esta palavra?

Significado de Liquidar
v.t. Ajustar, apurar (contas), mediante o recebimento de créditos e pagamento de débitos: liquidar um negócio.
Resgatar um compromisso financeiro: liquidou a dívida.
Normalizar, resolver, esclarecer: liquidar uma situação equívoca.
****Fig. Matar: os soldados liquidaram o cangaceiro.**** Atenção aqui
V.i. Encerrar transações comerciais.
Vender a preços reduzidos, para acabar mais rapidamente com o estoque: a loja X está liquidando em agosto.

Portanto, Marx fala abertamente que a tomada do poder pelos comunistas será violenta, além de abolir o Direito Humano à propriedade.

Caio Julio Tavares

janeiro 11 2016 Responder

Então quer dizer que você leu e entendeu o “Manifesto Comunista”? E aí, gostou?

Sério que não existem mais estalinistas? E este aqui?
http://comunidadestalin.blogspot.com.br/
Deve ser o tal de Joe, né…

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