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jan16

A praga da poluição sonora dos ônibus na cidade de São Paulo
Muitos dos ônibus da cidade de São Paulo emitem um verdadeiro terror auditivo para quem está nas calçadas das ruas por onde passam

Muitos dos ônibus da cidade de São Paulo emitem um verdadeiro terror auditivo para quem está nas calçadas das ruas por onde passam

Algo que tem chamado minha atenção, negativamente falando, nesta minha passagem de férias pela cidade de São Paulo é a poluição sonora dos ônibus municipais. Mesmo em bairros da periferia muito distantes do centro, como no extremo leste, muitos desses veículos – em especial um notável número daqueles com motores traseiros – espalham um verdadeiro terror auditivo para quem está nas calçadas das ruas e avenidas por onde eles passam.

Os motores desses veículos – inclusos alguns fabricados e postos em circulação há menos de três anos – roncam um som atordoante, que a longo prazo, mediante exposição frequente a barulhos automotivos, pode comprometer a audição e a qualidade da vida das pessoas.

O barulho desses ônibus se soma ao dos caminhões e também dos carros e motos de motoristas e pilotos atrevidos que fazem questão de forçar-lhes o motor a roncar alto – afinal, estão usufruindo de um instrumento de prestígio e exercício de poder masculino, o carro requintado ou a motocicleta cara e potente, e querem se mostrar “poderosos”.

Esse tipo de poluição se soma à atmosférica como uma das mais graves poluições da Pauliceia atualmente. E reflete a ausência, na cidade, de uma política pública de controle da poluição sonora no transporte.

Há leis municipais que moderam os sons em estabelecimentos privados e restringem o uso de aparelhos sonoros dentro dos ônibus. Mas nenhum regulamento municipal ou estadual disciplina como deveria o limite dos ruídos dos motores dos ônibus, caminhões, carros, motos, trens e metrôs etc.

Eu soube, numa rápida pesquisa, que são autorizados na cidade, pela SPTrans (empresa de transporte urbano que gerencia os ônibus municipais), os seguintes limites de intensidade sonora nos ônibus municipais: 84,9 decibéis (dB) para ruído interno de todos os ônibus, 92dB para ruído externo de ônibus com motor dianteiro e inaceitáveis 98dB para ruído externo de ônibus com motor traseiro ou no meio.

São limites bem superiores à faixa de segurança do ouvido humano, de 80dB – a exposição frequente a sons acima desse limite pode a longo prazo danificar a audição humana – e enormemente acima do nível máximo de exposição constante recomendado pela OMS, de 50dB. E nisso as eventuais fiscalizações de ônibus barulhentos são demasiadamente tolerantes, e nada tem sido feito para penalizar consórcios de transporte coletivo cujos veículos ultrapassam esses já altos níveis de ruído oficialmente aceitos.

Fica evidente, com isso, que a população paulistana tem a necessidade urgente de, fazendo coro a pessoas como o vereador Andrea Matarazzo, exigir da prefeitura de São Paulo uma política de controle e redução da poluição sonora de veículos automotores. Essa é uma demanda ambiental essencial para que se melhore, um pouco que seja, a qualidade de vida de quem mora e/ou trabalha na cidade ou a visita.

imagrs

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Newton

janeiro 27 2016 Responder

Hehehe, não é à toa que o apelido de São Paulo é “Paulicéia Desvairada”.

Ônibus elétricos/híbridos ou então os chamados Trans seriam muito bem vindos.

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