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jan16

Quer conhecer defensores da corrupção? Procure direitistas que “militam contra a corrupção” e os governistas fanáticos
Ser contra a corrupção apenas dos inimigos políticos e se omitir perante os crimes cometidos por aliados é uma posição a favor da corrupção, por mais que se negue

Ser contra a corrupção apenas dos inimigos políticos e se omitir perante os crimes cometidos por aliados é uma posição a favor da corrupção, por mais que se negue

Muito se fala que qualquer um é contra a corrupção, que não existem pessoas que a defendam – até por serem crimes tanto a corrupção quanto sua apologia explícita. Mas acredite: coletivos e indivíduos que aceitam e defendem a corrupção – no sentido de (ab)uso do poder político para benefícios privados – existem, mesmo que façam isso de maneira sutil.

Se você procura por essas pessoas e entidades absurdas, sugiro que procure dois tipos: primeiro, os direitistas que, individualmente ou agremiados, dizem fazer militância “contra a corrupção” e, segundo, os defensores incondicionais e acríticos dos governos federais do PT.

Os grupos e indivíduos mencionados são ao mesmo tempo a favor e “contra” a corrupção. Repudiam apenas os desvios de verbas, abusos de poder e atuações defensoras e resguardadoras de privilégios por parte de seus opositores. Ao mesmo tempo, protegem com omissão ou até mesmo defesa cúmplice – do tipo que não nega, só tenta minimizar e relativizar, o crime denunciado – seus aliados ou correligionários envolvidos nos mesmos tipos de posturas.

E é interessante perceber que são esses dois tipos os maiores responsáveis pelo clima de baixaria e briga de torcidas organizadas no qual o cenário político brasileiro foi transformado nestas primeiras duas décadas do século 21. Fingem estar defendendo “mudanças” e “um Brasil melhor”, mas esse pretexto encobre o propósito escuso de pôr em prática projetos pessoais e concorrentes de poder pelo poder.

Do lado da direita assumida, vocifera-se o tempo todo contra a “corrupção do PT” e considera-se o partido “a raiz de todo o mal” em se tratando do uso do poder político e administrativo para benefícios pessoais no Brasil. Mas espertamente poupa-se de críticas os aliados, aqueles de partidos como o PSDB, o DEM, o PMDB, o PP, o PR etc., assim como teocratas evangélicos, ruralistas e militaristas, por mais que haja gente nessas categorias fazendo a festa com o dinheiro público e os privilégios com que contam. Sequer pedidos de esclarecimentos ou advertências são feitos. Pelo contrário, chega-se às vezes a defender os acusados por meio da suavização dos delitos cometidos.

E do lado governista, a postura é muito parecida, com muito em comum com os direitistas declarados, só que com polo invertido. As alegações de que só o outro lado (havendo foco em denúncias contra o PSDB) é corrupto, o acobertamento de aliados (dessa vez petistas, incluindo pessoas já presas) e a defesa relativizadora dos crimes destes são similares ao que os seus inimigos políticos fazem.

Estamos diante de duas facções políticas que, por mais que se odeiem e queiram a desgraça uma da outra, têm em comum a defesa desavergonhada, embora não escancarada, da atitude de promover corrupção e proteger seus comparsas partidários. Isso nos faz repensar se realmente não existem pessoas que se posicionam a favor desse tipo de crime.

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Newton

janeiro 21 2016 Responder

Aqui no Brasil, esses rótulos “direita e esquerda” não fazem sentido, pois neste país só existe uma orientação política: quem pode mais rouba mais.

A oposição só quer derrotar a situação para tomar o seu lugar e poder roubar também.

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