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“Tá com pena, leva pra casa”: como essa frase é falaciosa e barra a discussão séria do problema da criminalidade

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“Tá com pena, leva pra casa” é uma frase muito comum entre reacionários defensores do uso da violência policial e da penalidade excessiva como meios de combate ao crime. Traz em si diversos aspectos que, no final das contas, a fazem ser não um argumento, mas sim uma forma de calar o debate sério sobre as causas e soluções da criminalidade e manter tudo perigoso como está.

A frase em questão diz que os opositores de métodos punitivistas (baseados em punições duras, às vezes letais, que intimidem as pessoas a não cometer crimes por medo das mesmas) e cruéis de combate ao crime têm essa posição de contrariedade porque têm “pena dos bandidos”. E alega, numa falsa dicotomia, que, se não deseja a morte ou a tortura do criminoso, é “lógico” que defende que ele seja tratado com carinho e aconchego – daí a “sugestão” de que levem os criminosos para cuidar deles em casa.

Essa frase de efeito é falaciosa e não argumentativa porque:

– traz a falsa pressuposição de que a oposição ao punitivismo é justificada pela pura emoção da dó, e não por argumentos racionais;
– baseia-se na já citada falsa dicotomia de penas rígidas X misericórdia absoluta;
– serve como forma de calar os críticos da violência policial e da precariedade das cadeias, não levar a sério suas colocações e impor o punitivismo como único pensamento “racional” e justificável de combate ao crime;
– bloqueia o embate saudável de ideias que poderia ter como fruto a proposição de soluções muito mais eficazes de diminuir a violência.

Com isso, o apelo ao “leva pra casa” mais mantém a ordem de impunidade e ineficiência policial e penal do que serve na defesa de solução inteligente para a criminalidade.

Como resposta a essa frase falaciosa e silenciadora, sugiro que você diga ao usuário dela, diante do fechamento dele ao debate sério e racional, algo como “Ok, então você não quer discutir una solução para a violência, e com isso você vai continuar sob risco e sem paz”. Afinal, nada é mais favorável à perpetuação da violência nas cidades e no campo que interditar a discussão racional sobre o problema.

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Mauro

fevereiro 29 2016 Responder

Interessante seu ponto de vista. Você afirma que o “punitivismo” não é algo racional para combater o crime, cita a violência de policiais e a precariedade das cadeias. Muito bem, quanto à precariedade das cadeias, concordo na medida em que deveriam ser lugares onde os presos trabalhassem (e muito, igual a maioria que está de fora trabalha e nem por isso roubou nem matou ninguém) e não ficassem o dia inteiro de vadiagem. Em relação à violência policial, não vejo outra forma (irracional que sou) de mostrar aos bandidos que não são eles quem mandam. Qual seria a atitude racional nesse caso? E quanto à violência dos bandidos? por que ela não merece atenção? Os mais violentos serão mesmo os policiais?

Newton

janeiro 17 2016 Responder

Essa é uma frase comum proferida por idiotas, sejam reacionários ou não.

Obviamente sou contra a crueldade gratuita, mas seria muito bem vinda aqui a política de “law enforcement”. Os criminosos aqui no Brasil têm a certeza quase total da impunidade. E também pergunto: por que os ativistas dos “direitos humanos” se preocupam mais em defender os criminosos dos abusos, e raramente tomam partido das vítimas (pelo menos, quase não se vê notícias assim)? A mesma coisa digo das feministas; por que não dizem nada em relação aos estupros cometidos por muçulmanos na Europa?

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