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fev16

O que aconteceu com o movimento ambientalista brasileiro?

movimento-ambientalista

Diante de fatos indignantes relativos à degradação do meio ambiente no Brasil, como o crime ambiental das mineradoras Vale e BHP em Mariana/MG e no Rio Doce e a pior política “ambiental” federal desde a redemocratização, pudemos perceber a apatia e impotência, quando não o simples silêncio, do movimento ambientalista. Nos perguntamos diante disso: o que será que aconteceu com o ambientalismo brasileiro, que o deixou tão fraco e inaudível como está hoje?

Desde pelo menos 2012, com a sanção da nova e desmantelada versão do Código Florestal e o início das obras da Usina de Belo Monte, o movimento parece ter perdido toda aquela força que tinha entre os anos 80 e a década de 2000. Deixamos de ver aquelas fortes manifestações pró-sustentabilidade que marcaram época em momentos como a Rio-92 e os protestos #PareBeloMonte, mesmo nestes tempos em que um ambientalismo forte tem sido ainda mais requerido da sociedade civil.

De um movimento atuante, conquistador de diversas vitórias – como o Artigo 225 da Constituição Federal, a sanção e manutenção de uma das legislações ambientais mais fortes do mundo, a incorporação da Educação Ambiental nessa mesma legislação e a redução significativa no desmatamento da Amazônia -, decaiu-se para algo que é menos do que uma pálida sombra daquilo que foi outrora.

Os tantos movimentos ambientalistas locais não se fazem mais presentes, em sua maioria, nos meios de comunicação. ONGs com décadas de atuação não migraram para as redes sociais e praticamente não podem mais ser contatadas. Organizações internacionais como Greenpeace e WWF têm perdido credibilidade por causa de problemas como a seletividade e hierarquização de causas, a insistência no conservacionismo despolitizado e a institucional falta de respeito aos Direitos Animais.

Na imprensa e nas redes sociais, quase tudo o que se vê de temática ambiental são más notícias, relatórios institucionais alarmantes de entidades como UNEP e IPCC e, no máximo, ações individuais de inovação tecnológica e social. Uma exceção boa foi o acordo na COP-21 de Paris, sobre como os Estados procurarão reduzir as emissões de gases-estufa e tentarão salvar o mundo da piora das mudanças climáticas. Acabaram-se aquelas potentes e bem repercutidas ações do velho ativismo ecológico. Além disso, têm sido lançados muito menos livros com temática (socio)ambiental na década atual do que na passada.

A impressão que tenho é que o ambientalismo da virada do milênio não soube se renovar, chamar a adesão da população através da internet, redefinir suas causas, adotar devidamente intersecções com as lutas sociais contemporâneas – feminismo, movimento negro, movimento LGBT, veganismo, campesinato, direitos indígenas, sem-tetos e sem-terras, defensores da democratização da gestão urbana etc. Perdeu o bonde das mudanças socioculturais trazidas pelo século 21.

Além disso, grande parte dos ambientalistas outrora tão atuantes se deixou cooptar pelo Estado e por partidos. Passaram a atuar nas burocracias do poder público, encarregados de fracas e pouco democráticas políticas ambientais. E perderam seu antigo poder militante e reivindicatório.

Neste tempo em que os ecossistemas e cidades no Brasil demandam mais ambientalismo, mas notam lamentadamente a apatia do ecologismo como movimento, sintamo-nos convocados a reconstruir e renovar a luta ambientalista. Pesquisemos e pensemos no que deu errado, que fracassos foram tão fortes a ponto de fazer a maioria dos ecologistas de outrora caírem na obscuridade, e tomemos isso como lição para que os eventuais erros não sejam mais repetidos e o movimento renasça, forte o suficiente para fazer com que o(a) próximo(a) presidente faça o que Dilma Rousseff não está fazendo – levar o meio ambiente a sério e adotar uma política ambiental digna de ser assim chamada.

 

Obs.: Se você discorda de que o ambientalismo brasileiro tenha decaído e acredita que há sim hoje ONGs muito atuantes dando continuidade ao ecologismo das décadas passadas, por favor, responda (respeitosamente) a este texto.

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Jorge Lemos

fevereiro 3 2016 Responder

Estão todos no facebook, muito ocupados perseguindo quem quer doar algum bichinho de estimação, ou protestando contra os testes de medicamentos em animais (enquanto tomam tranquilamente sua aspirina), para se preocupar com coisas “sem importância” como a tragédia de Mariana, que com certeza é uma invenção da mídia golpista.

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