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fev16

O capitalismo está ficando ainda mais cruel e enganador, e não estamos conseguindo reagir à altura

nova-onda-direitista

Algo pode ser percebido nestas primeiras décadas do século 21: o capitalismo está ficando mais cruel e inescrupuloso do que já era. Tem conseguido iludir consciências com mais primor, ao mesmo tempo em que vem recrudescendo suas maneiras de explorar seres humanos e não humanos e o meio ambiente.

Por um lado, a irresponsabilidade ética das grandes empresas tem sido a postura dominante, sendo os mais gritantes exemplos as corporações do ramo de internet, telecomunicações, informática e eletro-eletrônicos. Condições de trabalho cada vez mais precárias e com menos direitos assegurados. Falta de escrúpulos em obter matérias-primas de origem escrava ou semiescrava. Obsolescência programada em alta e impune.

Imposição de vigilância via internet e eletro-eletrônicos. Colheita e uso indiscriminado de dados pessoais dos usuários e clientes sem consentimento verdadeiro e com interesses comerciais e políticos. Participação ativa ou cumplicidade em crimes ambientais impunes. Oligopólios se multiplicando em cada vez mais ramos da economia.

Subordinação dos Estados aos interesses dessas corporações, com enfraquecimento de suas funções de regular a atividade empresarial contra crimes e outros abusos e assegurar direitos. Lucros mais e mais altos sem contrapartidas de melhoramento ético das condições de vida dos funcionários e dos fornecedores. E vão se multiplicando os sintomas de endurecimento do capitalismo no mundo.

Pelo outro, tem havido um forte esforço ideológico de arrebanhar mais e mais pessoas a aderirem, conscientemente ou enganadas, à “Matrix” do capital. Think tanks e veículos de mídia de direita conquistam mais e mais jovens de classe média e de baixa renda para o fundamentalismo de livre mercado e o conservadorismo sociopolítico.

Empresas se mascaram de descoladas, “idealistas”, juvenis, apoiadoras de um mundo melhor, e oferecem regalias como mesas de sinuca, happy hours, bicicletas emprestadas e ambiente de trabalho descontraído, a troco da supressão de direitos como a jornada de trabalho fixa respeitada, a hora extra e as férias remuneradas.

As corporações convencem a juventude de hoje de que ela é “a geração que veio para mudar o mundo”, enquanto a mergulha numa submissão ainda mais leal à ordem vigente do que gerações anteriores foram.

Diante de tudo isso, a esquerda, na maioria dos países, não consegue reagir à altura. Poucos partidos fortes de caráter socialista são lançados. Os movimentos de trabalhadores parecem ter perdido muito de sua antiga força. A maioria dos coletivos críticos ao tradicional sistema político representativo eleitoral e partidário não conseguem oferecer alternativas de sistema que venham a construir uma democracia mais direta e livre do império do capital.

Muito se critica, pouco se consegue propor, agir e fazer (mea culpa de minha parte neste artigo), vide redes sociais com muitas pessoas mergulhadas numa indignação impotente diante de tudo que tem acontecido. Na onda de criticar o regime político partidário mas nada propor no lugar, a direita vem triunfando e também engolindo partidos e personalidades políticas que no passado eram de esquerda ou centro-esquerda. E o capitalismo neoliberal reina imponente, com o fracasso das previsões de que iria começar a ruir com a crise internacional iniciada em 2007.

É hora de a esquerda, no Brasil e em muitos outros países, fazer uma autocrítica: no que está errando? Por que não consegue conquistar as massas e peitar os poderes da direita? Como fazer para as críticas à cultura de submissão juvenil ao capitalismo do século 21 serem ouvidas e lidas pela maioria das pessoas? – entre outras perguntas que valem ser feitas de nós mesmos para nós mesmos. Precisamos acordar e materializar nossas ideias no mundo, antes que a direita neoliberal triunfe cada vez mais, o capitalismo se torne ainda mais cínico e cruel e ambos arruínem ainda mais vidas do que já arruínam hoje.

imagrs

5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Newton

fevereiro 17 2016 Responder

No socialismo existe sim a igualdade: todos são pobres.

    Alan

    fevereiro 20 2016 Responder

    Comentário desrespeitoso contra outro comentador apagado. Respeite aquelas pessoas que pensam diferente de você, sejam elas de direita ou de esquerda, e não estão trazendo discursos de ódio. RFS

Arthur

fevereiro 16 2016 Responder

O Estado te consome mais de 70% do seu salário em imposto, você precisa trabalhar quase 160 dias para pagar o governo. Mas é o patrão que te explora. Parabéns! Gospe no prato que você come.

Tiago

fevereiro 16 2016 Responder

Olha, posso falar por experiência pessoal. Até concordo com alguns posicionamentos da esquerda, mas é complicado você apoiar alguém que diz que vai te fuzilar quando chegar ao poder. Se vocês se concentrassem mais em, por exemplo, explicar a diferença entre propriedade privada e propriedade pessoal, ao invés de chamar todo mundo de classe-média-fascista-ignorante, talvez mais pessoas perceberiam que no fundo elas concordam com seus ideais.
Claro que vocês não vão convencer aqueles manés que acreditam nas bobagens do instituto misses. E nem é esse o ponto. Para mim a luta entre esquerda e direita será eterna e a sociedade em que vivemos será sempre a resultante do embate dessas duas forças.

    Newton

    fevereiro 17 2016 Responder

    As empresas agem mal porque são desonestas, não porque são capitalistas. Aliás, o capitalismo é o sistema que mais favorece a prosperidade pessoal. No Brasil somente o sistema financeiro é capitalista, o sistema social é socialista. Não faz sentido afirmar que o Brasil é majoritariamente capitalista.

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