17

mar16

A diferença entre desmontar mitos e confeccionar e esmurrar espantalhos

Algo que ainda não ficou claro para algumas pessoas, que se encarregam de desmontar mitos que atuam contra suas crenças políticas, é que há uma distância e diferença enormes entre desmitificar um assunto e criar e socar espantalhos sobre ele. Tentam figurar como “caça-mitos”, mas nada mais conseguem ser do que criadores ou requentadores de falácias.

Pessoas que “refutam” mitos fakes incorrem na chamada falácia do espantalho, que consiste em imputar ao lado criticado uma fraqueza ou erro que na verdade não existe, e fazer a crítica a partir dessa inexistente característica negativa. Chama-se espantalho porque é comparada com uma situação imaginária em que uma pessoa confecciona um espantalho dizendo que ele é o adversário e, ao esmurrar o boneco, diz que está “na verdade” surrando esse oponente em pessoa, e não um mero espantalho, uma representação fictícia e falsa dele.

Na falsa desconstrução de mitos, o indivíduo falacioso atribui àqueles que pensam diferente dele crenças que na verdade não são comuns entre eles, ou mesmo nas quais ninguém realmente acredita. Coloca na boca ou mente do opositor algo que na verdade este não fala ou crê.

Quando um conservador diz, por exemplo, que nós de esquerda defendemos que a taxação de grandes fortunas é “a grande solução” para os problemas do Brasil, está distorcendo o que a maioria de nós realmente acha sobre tal medida. Não pensamos nisso como essa “panaceia” que vai mudar radicalmente o Brasil, mas sim como um meio de o Estado obter verbas para promover investimentos que, no atual contexto de gestão neoliberal-conservadora da economia, são inibidos ou inviabilizados. E sabemos que isso não será uma receita para acabar definitivamente com os problemas do país, mas sim um dos meios possíveis para diminuí-los.

Ou seja, apontar como um “mito esquerdista” a suposta crença de que “taxar grandes fortunas é a solução para os problemas do Brasil” não é refutar um mito, mas sim confeccionar e esmurrar um espantalho.

Devemos estar atentos aos “artesãos de espantalhos” de direita que juram estar “desmascarando mitos” de quem luta por um mundo melhor. O que eles fazem nada mais é do que transmitir uma falsa impressão do que pensamos e defendemos. Ou seja, aquele que se diz “caçador de mitos” pode estar nada mais do que criando seus próprios mitos.

imagrs

5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Lucy

setembro 16 2016 Responder

E esse espantalho sobre “a atual gestão liberal conservadora” citada?
Com todo o intervencionismo estatal q temos no Brasil? Hahahaha bata mais nesse boneco de palha!

    Robson Fernando de Souza

    setembro 17 2016 Responder

    O que me diz então sobre a política de desestatização empreendida ao longo do governo Dilma?
    E dos cortes em programas sociais e outros investimentos, mesmo básicos, no segundo mandato dela?
    E das PPPs?
    E sobre o mancomunamento dela com o agronegócio e os teocratas evangélicos, de modo que se teve uma das piores políticas de Direitos Humanos, reforma agrária, direitos indígenas e meio ambiente desde o fim da ditadura?
    E sobre a falta de boa vontade em lidar com temas relacionados a direitos civis e políticos?
    E sobre a tentativa de Dilma e do PT de apaziguar Eduardo Cunha e o PMDB em 2015, na tentativa de fazê-los não entrar com o processo de impeachment?
    E sobre a manutenção da não regulação da mídia, mantendo o oligopólio nos meios de comunicação e não fazendo quase nada no sentido de conceder espaços midiáticos ao protagonismo popular?

    Se isso não é uma guinada liberal-conservadora pra você, não sei mais o que seria.

Nathalie

março 18 2016 Responder

Também gostaria da opinião do blogueiro (não sei qual deles q escreveu o artigo), mas eu, modestamente, não ouvi NADA de comprometedor naquelas gravações. Ouvi ali um papo descontraído, fora das formalidades próprias do cargo dos investigados. Tenho só a desconfiança de que se trata de gravações ilegais, por serem ilícitas, feitas após o período autorizado pelo juiz. Já a nomeação do Lula como Ministro, vejo como um ato político inapropriado para o momento, mas que, dentro da lei, não tem impedimento algum. A lei das inegibilidades, que impede a posse dos agentes em cargo público, estabelece q só depois da sentença penal transitada em julgado ou após a decisão do colegiado de segunda instancia o cidadão não pode mais assumir cargo público. se o Lula não tem esta sentença penal ou a decisão colegiada em seu desfavor, não vejo problema em sua nomeação pro cargo de ministro.

    Robson Fernando de Souza

    março 18 2016 Responder

    Concordo com vc, Nathalie =)

Alex

março 18 2016 Responder

Não vai falar uma linha sobre a nomeação do Lula pra Ministro, as gravações que o Juiz Sérgio Moro divulgou e toda confusão resultante disso? Gostaria de saber sua opinião.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo