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abr16

Por que o provável futuro Governo Temer já nascerá fadado a cair
O governo de Michel Temer tem tudo para implodir na insustentabilidade social e política

O governo de Michel Temer parecia ter tudo para implodir na insustentabilidade social e política

Atualização (21/12/2017): Este artigo falhou miseravelmente em sua tentativa de prever uma queda rápida para o governo Temer. Superestimei, na época, o poder das esquerdas brasileiras de organizar protestos e greves gerais e mobilizar a população direta ou indiretamente prejudicada pelo legado sombrio de Temer e equipe.

Até o momento desta atualização, as esquerdas não têm conseguido pressionar o Congresso a derrubar nenhum projeto de lei ou emenda constitucional do governo ilegítimo, nem a deixar prosseguirem investigações contra os membros do Poder Executivo.

Absurdamente o princípio da ação e reação está sendo contrariado ao longo desses anos de governo ilegítimo de direita. Os três poderes “pintam e bordam” e fazem o que querem, inclusive com o dinheiro público, mas as esquerdas, os movimentos sociais e o povo como um todo (ou, pelo menos, sua parcela não conservadora) estão simplesmente imobilizados, apáticos, alienados perante tantos desmandos, e estão levando uma desesperançosa surra atrás da outra.

Este artigo permanecerá no ar como um registro histórico das esperanças que parte da população brasileira nutria pelas esquerdas nas primeiras semanas do famigerado Governo Temer.

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Optar pela brutalização do capitalismo e do conservadorismo e pela rejeição da modernização moral vai custar caro para Michel Temer e aliados

Obs.: Este artigo, apesar de falar estrategicamente da “necessidade” de modernização do capitalismo, não é apologista do status quo capitalista. Visa, na verdade, mostrar como a direita e elite brasileiras estão rejeitando as chances e lições que teriam, se fossem minimamente inteligentes, para manter seus ganhos a longo prazo e o controle ideológico da população. É um aviso à esquerda para aproveitar a chance que ouro, que se avizinha, de se aproveitar da estupidificação da direita e derrubá-la.

É pouco provável que Dilma Rousseff consiga reverter seu afastamento pelo Senado em maio. Mas um outro fato tem ficado cada vez mais certo de acontecer: a queda prematura também do iminente governo conservador de Michel Temer. As notícias que têm antecedido a consolidação do impeachment da atual presidenta, de medidas opressoras sendo prometidas uma atrás da outra para serem aplicadas numa só pancada, tanto mostram que a direita não aprendeu nada com a modernidade capitalista como podem despertar no povo a chama da revolta generalizada que, mesmo que não seja propriamente uma revolução anticapitalista, irá colapsar o novo mandato nascido do impeachment.

A rápida sucessão de um grande número de notícias ruins, sobre as nuvens pesadas que se avizinham no horizonte após o quase certo afastamento de Dilma nesse mês de maio, revelam uma direita conservadora sedenta de sufocar a grande maioria da população e trazer lucros rápidos para os grandes empresários. É nessa recusa de modernizar a moral política e empresarial que reside também a dinamite que poderá implodir essa direita hoje em ascensão, assim como possibilitar ao povo voltar a sonhar com dias melhores, mesmo que venha a reivindicar apenas novas eleições ao invés de uma ordem sociopolítica e econômica inteiramente nova.

De uma só vez Michel Temer e seus aliados conservadores querem surrar a população com a supressão massiva de direitos trabalhistas, ambientais, civis e políticos e o roubo do patrimônio público e estatal mediante privatizações. Estão mostrando uma estúpida rejeição à modernização e flexibilização do capitalismo e à noção de que foi essa atualização que viabilizou a sobrevivência do sistema vigente após a Grande Depressão dos anos 30 e a queda do nazi-fascismo nos anos 40.

Não aprenderam nada com as lições dadas pelos próprios presidentes petistas. Lula soube, por meio do lulismo, induzir o povo a sonhar com a possibilidade da redenção individual por meio do capitalismo, conciliado com políticas sociais e a tentativa de costurar a harmonia entre as diferentes classes socioeconômicas. E também manteve a maior parte da esquerda sob controle, desmobilizada, desmotivada e desacostumada de ver na derrubada do capitalismo a única chance de redenção da maioria da população.

Dilma, por sua vez, trouxe políticas de desenvolvimentismo predatório, arrocho econômico e conservadorismo socioambiental de maneira gradual, a conta-gotas. Fez isso de modo que a população não fosse acometida pela revolta resultante da perda abrupta de direitos em massa.

Eles, que poderiam ter sido vistos como aliados importantes – e até tentaram sê-lo, devotadamente – na manutenção, modernização e perpetuação do capitalismo brasileiro, foram encarados, ao invés, como inimigos mortais pela direita, mesmo esta sendo capitalista “até o talo”.

Os conservadores brasileiros, inclusos aqueles que se acham “liberais” apenas por defenderem livre mercado, Estado mínimo e privatizações, recusam, de maneira irracional, a modernização estratégica do capitalismo. Rejeitam diversas estratégias adotadas pelos Estados dos países desenvolvidos e pelas grandes corporações dessas nações, para se adaptar às mudanças da sociedade ocidental dos séculos 20 e 21 e tentar tornar o marxismo revolucionário algo anacrônico e desconectado dos novos tempos.

Entre elas estão: o investimento em direitos trabalhistas, de modo a garantir o bem-estar no trabalho e aumentar a produtividade de maneira inteligente; a expansão do mercado consumidor da maioria dos produtos e serviços e a diminuição da concentração de renda, com a inclusão social e o aumento da renda média; os investimentos em saúde e educação públicas, de modo a formar trabalhadores bem instruídos, saudáveis e produtivos; a viabilização de uma taxa razoável de mobilidade social ascendente; a responsabilidade socioambiental como maneira de melhorar a reputação das empresas e fazer parecer que o capitalismo pode ser ético; as políticas sociais e de geração de emprego como maneira de manter os trabalhadores na ilusão de sonhar com a possibilidade de prosperar no capitalismo e não precisar se libertar dele; a hipnose coletiva por meio das idealizações nacionalistas e do “coletivismo individualista” do “patriotismo” capitalista; e a manutenção da imagem do sistema capitalista, por meio das políticas públicas e da responsabilidade socioambiental, como viabilizador de sonhos de prosperidade individual e da mitológica busca pela felicidade.

Pelo contrário, o que a direita brasileira tem pretendido fazer, com todas as notícias derivadas do projeto de poder de Michel Temer pós-impeachment de Dilma, é acabar com o antigo “capitalismo manso” da Era Lula, que sucumbiu à crise econômica e à inabilidade político-administrativa de Dilma e equipe. É implantar, no lugar, um sistema cruel, opressor óbvio, esmagador de sonhos, multiplicador de miséria e inviabilizador mesmo das ilusões capitalistas da classe média e média-baixa de ascensão à elite rica.

E não percebe, do alto de sua intransigência antidemocrática, que esse capitalismo selvagem de Estado mínimo, mesmo que faça os lucros das grandes empresas aumentar momentaneamente, é insustentável a longo prazo. Vai exaurir os recursos naturais com rapidez, fazer a produtividade do trabalhador despencar, encolher o poder aquisitivo da maioria do mercado consumidor, plantar a infelicidade generalizada e, finalmente, acender revoltas populares – ainda mais se as políticas sociais da era petista realmente forem revogadas.

E daí essa direita irá pagar caro, por fazer as teorias marxistas e a ideias de revolução e “primavera brasileira” fazerem sentido mais do que nunca. Cairá em não muito tempo, por mais que tente resistir por meio da repressão militar e da tentativa de domar ideologicamente a população por meio da grande mídia e da doutrinação política por parte dos grupos “liberais”. Sua recusa em aceitar e respeitar a democracia, somada à imprudência social e à supressão de direitos em massa, vai fazer com que nada, nem mesmo as mais cruéis tentativas de criminalização e repressão, pare o povo em sua insurgência.

Quando penso nessa possibilidade, vislumbro o quanto a direita brasileira é alcoólatra. Ela busca o prazer fácil, imediato e forte na bebida alcoólica chamada neoliberalismo, e não vislumbra que essa droga pode viciar e prejudicar severamente sua saúde e integridade física. Entre a chance de renovação e perpetuação, através da modernização moral, e a estupidificação e autofagia por meio da radicalização reacionária e irracionalista, ela optou pela última.

Assim sendo, essa será a chance de ouro que a esquerda terá. Poderá, em tal momento de arrocho abrupto de direitos e embrutecimento do capitalismo e da direita, fazer algo que há tempos não conseguia: unificar-se em torno de uma causa única e principal, que, neste momento, é a derrubada do quase certo futuro governo mão-de-ferro de Michel Temer. Também será a chance de conquistar os corações e mentes da população em torno da ideia da insustentabilidade de um sistema tão cruel e da necessidade de derrubá-lo por questão não de ideologia, mas de sobrevivência e integridade física e psicológica.

imagrs

4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Tiago

maio 3 2016 Responder

O capitalismo não se adaptou para “continuar iludindo os pobres”. O capitalismo se adapta por que esta é a sua essência.
Sabe a ciencia, aquele negócio que os marxistas, assim como os demais religiosos dogmáticos, odeiam? Pois é. O capitalismo, mais especificamente o liberalismo é o único sistema que pode ser chamado de científico, justamente por que tem a capacidade de aprender com seus erros e seguir se adaptando. Ao contrário do marxismo, onde qualquer crítico é automaticamente taxado de revisionista e mandando para o paredão. E seus fracassos sao atribuídos ao imperialismo americano, o embargo econômico, a CIA ou qualquer outro bode expiatório.

    Robson Fernando de Souza

    maio 3 2016 Responder

    “O capitalismo, mais especificamente o liberalismo é o único sistema que pode ser chamado de científico, justamente por que tem a capacidade de aprender com seus erros e seguir se adaptando.”
    Você pode provar que essa “ciência capitalista” faz sentido, ao invés de ser tão pseudocientífica quanto, por exemplo, o criacionismo?
    Sobre o liberalismo, ele não é uma ciência, mas sim uma corrente política.

    “Ao contrário do marxismo, onde qualquer crítico é automaticamente taxado de revisionista e mandando para o paredão.”
    http://consciencia.blog.br/2014/01/falacia-de-reducao-a-ditadura-socialista.html

Haroldo

maio 1 2016 Responder

só pra acrescentar uma informação: aprovação a michel temer é de 11%
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/197763/Aprova%C3%A7%C3%A3o-de-Michel-Temer-%C3%A9-de-11-diz-Ibope.htm

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