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Você, que se diz contra a corrupção, realmente defende a ética na política?

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Muita gente se diz “indignada com a corrupção”. Só que tem ficado cada vez mais evidente, nesta época de votações do impeachment de Dilma Rousseff e atenção seletiva e interesseira a escândalos de desvio de verba e abuso de poder político, que se declarar “contra a corrupção” não tem implicado em defender, de fato, a ética na política. Diante disso, pergunto a você que me lê: se você tem se declarado contrário à “corrupção do PT”, o que você tem feito para defender uma ordem política realmente ética, transparente e honesta?

Convido você a se perguntar isso porque muitas pessoas autodenominadas “indignadas” e “militantes” contra os “corruPTos” estão não combatendo a corrupção, mas sim conservando-a e agravando-a no país, desde os deputados e senadores que declararam intenção de votar no impedimento de Dilma até os mais crédulos “cidadãos de bem” de direita. Não tem parecido que sua intenção é um país politicamente respeitador da justiça e da seriedade.

Se você:

espalha boatos antipetistas e não os remove após contatos seus avisarem de que você compartilhou informação falsa;

– não revê ou repudia “pequenas corrupções” suas ou de outrem, como a propina para evitar multas de trânsito, a apropriação do troco dado a mais por engano, os pequenos furtos no local de trabalho ou estudo, o estacionamento em cima da calçada ou da ciclofaixa e a consulta a perfis caguetas de blitzes em redes sociais para dirigir impune depois de beber;

– desdenha de denúncias de corrupção contra opositores do PT, como o deputado Eduardo Cunha e políticos do PSDB, PSB, PP, PR, DEM, PSC etc., e dá importância esmagadoramente maior a desonestidades envolvendo petistas do que aquelas protagonizada por gente de outros partidos ou empresários;

– não liga para desmandos políticos (desvios de verba, obras inacabadas, incompetência e improbidade administrativa, nepotismo, autoritarismo etc.) de prefeitos, governadores, vereadores e deputados estaduais ou distritais em sua cidade e seu estado;

– defende ou relativiza a sonegação de impostos;

– não defende a democracia e seus valores, essenciais para a fiscalização das ações dos políticos;

– concorda que os interesses privados prevaleçam sobre os públicos;

– não defende reformas estruturais no sistema político e no Poder Judiciário;

– aceita que a política seja usada para o atendimento de interesses privados de políticos, empresários, latifundiários e outras pessoas com poder e dinheiro;

Então você não está defendendo o fim da corrupção e a prevalência da ética. Pelo contrário, seus esforços estão contribuindo para que o Brasil continue sendo um país injusto e com uma ordem política corrompida. E está consentindo que políticos corruptos usem a bandeira ideológica e partidária antipetista para obter ganhos pessoais, como a impunidade e o ganho de ainda mais poder.

Repense se você realmente é contra a corrupção ou é simplesmente contra o PT custe o que custar. Reflita também se você não está sendo alvo fácil de manipuladores – vide imprensa, formadores de opinião da internet e políticos influentes –, que estão vendendo a você o discurso de que a queda de Dilma e do PT visa o “combate à corrupção” e vai “salvar o Brasil”. Posturas de reflexão como essas são muito necessárias para você, enfim, se tornar uma pessoa politicamente ativa em prol de um Brasil de honestidade e ética na política.

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Sérgio Alberto Bastos

maio 19 2016 Responder

O político brasileiro é um reflexo da sociedade brasileira ou a sociedade brasileira é um reflexo dos seus políticos? Seriam irmãos siameses? Não sei, mas, fica claro que passamos por dias no Brasil onde um certo mal impera em cada canto e fere profundamente nossas vidas e nossa alma. É impossível pedir a qualquer político a sensibilidade e espiritualidade para tomarem medidas que invertam este curso, pelo simples fato que há muito estão doentes e com certeza loucos, e assim estão agindo. Acho que teve uma época onde todos tinham problemas, em várias ordens e tipos. Neste tempo os mais ricos buscavam pelo poder econômico, alimentar suas vaidades e mergulhavam na rotina da busca incessante pelo aumento de capital. Também, os mais pobres, tinham no trabalho honrado e no apego a família, a busca da felicidade no amor e nos pequenos prazeres. Agora, não tem como falar diferente, “a casa caiu”, o desprezo dos políticos pelo planejamento e pela eficiência trouxe o caos social. As palavras: educação, saúde e segurança são apenas efeitos pirotécnicos em seus discursos. Se fosse só dinheiro, a vontade que me rege, se pudesse, seria abarrotá-los, entretanto não é. O que passa pelo Congresso Nacional, imagina nas outras Câmaras, é uma pandemia de idiotice, mesquinharia, ignorância, mediocridade, egoísmo, cegueira, loucura e falta de compaixão/amor/empatia/respeito e falta a visão da missão, dos valores e da importância da figura de um político no sentido Macro e no sentido mais devastador que é o sofrimento e a morte constante e diária dos Brasileiros. Sérgio Alberto Bastos da Paixão

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