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abr16

Wishful thinking: quando reacionários dizem que uma causa “está perdida”, é porque eles querem que ela seja perdida

Sua luta não é um fiasco

Há um costume relativamente comum entre reacionários opositores de causas como os Direitos Humanos, os Direitos Animais e o ambientalismo. É o de declarar que elas são “lutas perdidas”. Mas não é porque nós fomos de fato derrotados, mas sim porque eles querem e torcem por nossa derrota, e transformam falaciosamente desejo em fato consumado.

Essa é a chamada falácia do wishful thinking (pensamento de desejo). Consiste basicamente no indivíduo afirmar como fato, como verdade, algo que nada mais é do que um desejo seu. É o que acontece sempre que, por exemplo, um machista diz que o feminismo é “causa perdida”, um especista e churrasqueiro assumido afirma categoricamente que a luta dos veganos “é um fracasso”, ou um defensor do capitalismo fala que o ambientalismo “já foi derrotado” pelo progresso neoliberal ou desenvolvimentista.

Por mais que desejem e sonhem com a derrota da esquerda, ela não virá simplesmente porque seus autodeclarados inimigos assim querem. É ingenuidade acreditar que iremos nos curvar, em resignação e submissão, diante da vontade mimada de quem foi educado e socializado na crença de que há quem deva mandar e quem deva obedecer e acha que o mundo gira em torno de suas demandas.

Ao contrário do que pessoas assim dizem, a esquerda está muito longe de ser derrotada de vez. Por mais que se perca batalhas em época de avanço conservador e autoritário, nunca é eliminada de vez. Pelo contrário, ela tem a nobre propriedade da reinvenção, regeneração e reorganização. E se levanta com força mesmo depois de batalhas momentaneamente perdidas.

Por mais que churrasqueiros fanáticos digam “Vegans, sua luta é um fracasso”, nunca conseguirão transformar essa crença em verdade. Pelo contrário, o veganismo e a consciência pelos Direitos Animais estão crescendo cada vez mais, ganham respeito crescente e cada vez menos preconceito entre empresários e profissionais de saúde, a população adepta aumenta exponencialmente.

E os pecuaristas, granjeiros e empresários lacto-frigoríficos estão acuados. Sentem que seu negócio de explorar e matar animais pode desmoronar se não reagirem com mais mentiras prodanistas (defensoras dos produtos de origem animal) e especistas e malícia publicitária.

No feminismo, ainda que muitos machistas – de direita e de esquerda – insistam que a luta das mulheres está “fadada à derrota”, apenas o contrário tem se mostrado verdadeiro. A notoriedade do feminismo na internet e fora dela está em franca e rápida expansão, tendo hoje uma visibilidade e força que não tinha há apenas dez anos.

Os machistas e misóginos estão se sentindo ameaçados em suas posições de poder, daí reagirem com seu costumeiro ódio e acusações irracionais e hipócritas de “mimimi” e “vitimismo” dirigidas às feministas. Eles é que estão pressentindo que não falta muito para perder sua liberdade de serem mau-caráter e violento contra mulheres.

Já no campo ambientalista, é visível que está havendo uma crise do movimento, que tem perdido a força desde a década passada, ao longo dos governos de Lula e Dilma. Não consegue reagir com rigor perante crimes ambientais como a catástrofe do Rio Doce, o desmantelamento do Código Florestal e o avanço da Usina de Belo Monte rumo à conclusão.

Só que nada indica uma derrota definitiva do ambientalismo brasileiro. Há sim uma necessidade de reinvenção do mesmo, necessitando-se incorporar a interseccionalidade plena com bandeiras como o veganismo, o campesinato, as vanguardas agroecológicas e os movimentos defensores da democracia urbana. Mas daí para dizer que a década de 2010 trouxe um game over para a causa ambiental, há uma enorme diferença.

Ou seja, com todas essas evidências, a derrota das esquerdas e suas bandeiras só está na cabeça dos reacionários. Eles querem que percam o “jogo”, e apenas por isso dizem que “já era”, mesmo que isso seja fruto somente de um pensamento de desejo. Dá para entender essa postura, afinal, eles precisam se proteger psicologicamente dos fatos que os cercam e cerceiam cada vez mais sua autoarrogada liberdade de não terem ética. E aceitar isso seria peso demais para quem não gosta de pensar e ter empatia.

imagrs

4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Alex

abril 24 2016 Responder

As reportagens falam de Soja, não é vocês veganos que falam que 80% da Soja é pra alimentar gado? E se você acha que o veganismo está diminuindo o lucro dos pecuaristas, vamos analisar os lucros da JBS Friboi, a maior produtora de carne do Brasil, nos anos de 2014 e 2015 (os dados de 2016 ainda não foram divulgados):

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2014/11/lucro-da-jbs-dona-da-marca-friboi-cresce-5-vezes-no-3-trimestre.html

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/11/com-valor-recorde-lucro-liquido-da-jbs-triplica-no-3-trimestre.html

Newton

abril 24 2016 Responder

Creio que o vegetarianismo está se expandindo, pois até indústrias tradicionais no ramo frigorífico estão lançando produtos vegetarianos.

Alex

abril 24 2016 Responder

Cara, não se se o veganismo está crescendo muito mesmo (fora de seu círculo social) ou se vai acabar um dia, mas uma coisa eu sei: a pecuária vai bem obrigado, no mundo todo é um mercado forte que não está diminuindo apesar de tanta propaganda contra, e no Brasil é um dos poucos que não vê essa tanta falada crise.

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,nova-noticia,1845680

http://www.cartacapital.com.br/economia/nao-ha-crise-no-agronegocio-brasileiro-4750.html

http://www.noticiasaominuto.com.br/economia/200906/sem-crise-agronegocio-bate-recordes-e-cresce-no-brasil

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