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6 lições que os leitores homens precisam ler sobre machismo e cultura do estupro

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É melhor assumir a responsabilidade no combate ao machismo seu e da sociedade do que tentar justificar machismo com ideologia ou se pintar como exceção “não machista”

Atualizado em 28/05/2016 à 00h41

Aviso de conteúdo traumático: este artigo aborda estupro e machismo. Leitura não recomendável para mulheres com traumas severos de violência sexual.

Uma menina de 16 anos foi barbaramente estuprada no Rio de Janeiro por nada menos que 33 homens, a mando do ex-namorado dela, recentemente. É de se esperar – e exigir – que os homens que têm um pingo de consciência se indignem com esse crime e com todos os demais envolvendo violência contra a mulher. Como parte do grande mutirão que mulheres feministas e homens aliados têm feito nas redes sociais e em blogs para desmascarar a cultura de estupro e machismo em que vivemos, venho ter uma conversa de homem para homem com meus leitores homens cisgêneros.

Quero falar com vocês, sobre seis questões sobre as quais vale pensarmos, e muito, sobre a responsabilidade da categoria “homens cis” por toda a violência que mulheres sofrem há milênios, em especial sobre como encaramos o estupro e a misoginia por trás desse tipo de crime.

 

1. Os estupradores não são monstros, doentes, nada disso. São, na maioria das vezes, homens comuns e saudáveis

Não é psicopatia, monstruosidade, herança genética, desequilíbrio mental, o que faz os estupradores estuprarem. São o machismo e a misoginia que permeiam a cultura na qual somos educados e socializados. O machismo cultural “ensina” o homem a ser insensível, dominador, metido a poderoso, violento, agressivo contra as mulheres.

De um homem misógino acostumado com ser insensível, dominador, metido a poderoso, violento e agressivo, não é de surpreender que ele veja no estupro uma forma “tolerável” de exercer poder sobre as mulheres, desde sua companheira dentro de casa até a transeunte desconhecida na rua. Que ele considere o ato de estuprar algo “aceitável” e mesmo “recomendável em alguns casos”.

Afinal de contas, o que esperar quando um rapaz cresce:
– achando pornografia “o máximo”;
– tratando mulheres como coisas sexuais;
– aprendendo a sentir prazer com mulheres sofrendo e sendo agredidas no ato “sexual”;
– achando graça quando “humoristas” e “pick up artists” tratam violência sexual, preconceito machista e ódio às mulheres como piada;
– compartilhando crenças e comportamentos misóginos na mesa do bar ou na rodada do game online;
– sendo ensinado cotidianamente que a mulher que gosta de sexo, veste roupas curtas, sai sozinha de casa, é insubmissa e não tem um parceiro sexual único “merece” ser violentada, e que seus violentadores têm uma responsabilidade “menor” por causa das características da vítima;
– “aprendendo” que o homem é “superior” à mulher e tem o “direito natural” de dominá-la e puni-la se ela “sair da linha”;
– sendo induzido pelos comerciais de cerveja que a mulher se iguala à bebida alcoólica como “objeto de se consumir e obter deleite”;
entre outras maneiras de socialização machista e misógina? Que trate mulheres com respeito, as reconheça como dignas do mesmo respeito que os homens e tenha certeza de que é incondicionalmente errado ser violento contra elas, definitivamente não é.

Muito pelo contrário, o homem vai crescer e “amadurecer” sendo acostumado a considerar “corretos” os valores, crenças e comportamentos que o converterão em potencial estuprador. E nenhum desses requer ser psicopata ou desequilibrado.

 

2. Admitamos: todos temos dentro de nós um pouco (ou muito) de machistas e potenciais agressores e estupradores. A questão é se aceitaremos ou expurgaremos de nós essa semente do mal

Como foi dito acima, cada um de nós – inclusos eu, você, nossos pais (caso você tenha pai), nossos irmãos, nossos parentes homens, nossos amigos, nossos ídolos do esporte e do cinema etc. – foi “ensinado” pela cultura vigente a ter desprezo pela dignidade das mulheres, odiar o pouco de liberdade que elas duramente conquistaram, classificá-las em objetos sexuais e “barangas”, considerar os valores ditos “femininos” maus e negativos, tolerar e “justificar” muitos casos de violência misógina, relativizar a maioria dos estupros. Toda essa deseducação, se o homem não pensar, interceptar e extirpar de si a tempo, tenderá a se converter em banalização e aceitação do machismo, da misoginia e do estupro.

Todos nós somos machistas e potencialmente violentos. A questão é se queremos ser assim ou nos esforçaremos em desconstruir e diminuir cada vez mais esse machismo.

E não será de muita ajuda você dizer que “não é machista”. Por mais que você ache inaceitáveis muitos dos valores e costumes de preconceito e violência contra a mulher, haverá, mesmo que alojados em seu inconsciente, por exemplo, aquela falta de boa vontade de dividir as tarefas de casa com sua mãe ou sua companheira, aquele olhar torto para mulheres que querem ser sexualmente livres e se vestir como bem querem, aquela atração por vídeos pornô em que mulheres são subjugadas e exploradas, aquele impulso de considerar a violência contra mulheres bêbadas ou drogadas “menos inaceitável” do que contra mulheres sóbrias etc.

Cabe a você interceptar, desconstruir e eliminar cada um desses comportamentos de machismo remanescente. Só assim você poderá se considerar legitimamente respeitador das mulheres.

 

3. Vamos deixar de lado o impulso de dizer “eu não me incluo nisso” e “nem todo homem…”. Somos todos, sem exceção, parte do universo de homens “educados” pela sociedade a serem machistas e violentos.

Como dito acima, não existem homens zero por cento machistas numa cultura e sociedade que é machista até o talo. Mesmo aqueles que fantasiosamente se dizem “homens feministas” (e esnobam as críticas das mulheres que não acreditam que homens podem ser propriamente feministas) têm um pouco, ou muito, de machistas dentro de si.

Além disso, mesmo que você seja veementemente contra o estupro e tenha considerado bárbaro e inaceitável o ataque que a menina sofreu dos 33 criminosos, isso por si só não significa uma libertação total da influência da cultura de estupro. Você precisará de mais do que isso para realmente ter uma atitude proativamente contra esse tipo de crime: conversar com seus amigos homens sobre o machismo que eles perpetuam, chamar a atenção daquele amigo metido a engraçadinho que compartilhou a apologia ao estupro dita por aquele “humorista” da moda, repreender quem relativiza estupro e defende estupradores, desconstruir o que resta de machismo dentro de você mesmo.

 

4. Parlamentares e governantes militaristas nada têm a contribuir para o fim da cultura do estupro

Obs.: Não estou me posicionando aqui em relação ao ódio que levou muitas mulheres a defenderem a morte de estupradores e outros agressores e o porte de armas para matá-los.

Medidas defendidas por políticos adeptos de ideias militaristas em nada influenciam para combater a causa da cultura do estupro – o machismo que permeia a cultura. Muito pelo contrário, muitos deles costumam ser flagrados em atitudes machistas e mesmo apologias ao crime misógino.

Fazer a polícia e a Justiça condenarem estupradores à castração, à mutilação, à prisão perpétua, à tortura ou à morte não evitará o surgimento de mais estupradores a partir do meio machista em que vivem. É a mesma lógica de outros crimes: penas cruéis podem até fazer com que o criminoso condenado tenha medo de cometer novos crimes, mas não irá fazer com que outros homens socializados no crime, no ódio e no preconceito passem a considerar seu próximo, principalmente mulheres, digno de respeito e empatia.

Desconfie de propostas violentas e “fáceis” vindas da chamada “bancada da bala”. Não só elas são inócuas e demagógicas, como também vêm de homens machistas até o talo.

 

5. O combate à cultura do estupro também passa por nossa atitude sociocultural

Não devemos simplesmente esperar pelas feministas e pela lei para que a cultura do estupro seja desmontada e combatida. Precisamos fazer nossa parte – afinal, nós pertencemos à categoria “homens cis”, propagadora de valores odiosos e cometedora de violências diversas contra as mulheres.

Não devemos nos posicionar como se não fizéssemos parte do sistema. Pelo contrário, assumamos nossa responsabilidade de homens. Eliminemos nosso papel social de propagadores e perpetuadores de valores e crenças machistas e misóginos. Influenciemos outros homens, como nossos amigos, a também repensarem o sistema de crenças machista e patriarcal, que os orientou a vida inteira a serem preconceituosos, agressivos, violentos, tarados e sem caráter contra a maioria das mulheres. Repreendamos aqueles caras que tentarem relativizar estupro e defender os estupradores.

E sobretudo, respeitemos o lugar de fala das feministas. Quando elas falarem, nos restrinjamos a ouvi-las e entendê-las.

 

6. Ter empatia e respeito pelas mulheres não é condicionado a posições ideológicas

Falo isso porque, no ENEM de 2015, houve uma vergonhosa reação de grande parte da direita brasileira contra a questão que mencionava Simone de Beauvoir e o tema da redação, sobre a persistência da violência contra a mulher no Brasil. Na época, ficou parecendo que empatia e respeito pelas mulheres eram “coisa de esquerdista”, e não uma obrigação ética de todo homem, da esquerda à direita.

Ao contrário do que misóginos da extrema-direita militarista e fundamentalista religiosa deixaram a entender, respeito à dignidade da mulher não é algo simplesmente “de esquerda”. Independe de ideologia.

Se você tenta justificar seu machismo por ser conservador, você não está “exercendo seu direitismo” com isso, mas simplesmente mostrando-se um homem sem caráter que tenta se esconder por trás da ideologia. Então, da mesma forma que ser de direita não faz você (espero eu) ser racista convicto e eliminador das liberdade individuais alheias, não deixe que convençam você de que esse atributo é carta branca para ser mau contra mulheres.

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27 comentário(s). Venha deixar o seu também.

danilo

julho 29 2016 Responder

Eric, todo mundo é algo em potencial mas estupro é um crime que não nem um porcento de mulheres estupradoras, é um dos crimes que mais envolve machismo.

Eric

junho 13 2016 Responder

Que ridículo esse discurso de “estuprador em potencial”. Em potencial é tudo que tem capacidade, condições, possibilidades de vir a ser, de concretizar, de realizar. Mas não significa que será, que se concretizará, que se realizará. Portanto, todos os seres humanos (homens e mulheres) podem ser profetas em potencial, esquartejadores em potencial, santos em potencial, assassinos em série em potencial, presidentes em potencial, sacerdotes em potencial, corruptos em potencial, altruístas em potencial, humanistas em potencial, covardes em potencial, etc., etc. Óbvio que a sociedade é machista, racista, elitista, xenófoba, homofóbica. Mas isso não justifica que façamos generalizações tolas baseadas em subjetivismos bobos do tipo “todo homem é machista porque a sociedade é machista”. Seria o mesmo que dizer que todo branco é racista, todo hétero é homofóbico, todo sulista odeia nordestino, todo rico odeia pobre, todo judeu odeia palestino e assim por diante. Seria o mesmo que dizer que todas as pessoas (homens e mulheres) são preconceituosas porque a sociedade é preconceituosa. A sociedade resulta das forças que a hegemoniza e que a define ideologicamente e culturalmente, mas não significa que todos os indivíduos estão sujeitos a reproduzir estes mesmos valores, impostos verticalmente. Há também a contra-cultura e a contra-hegemonia produzida pelos indivíduos (homens e mulheres). Por isso, a luta contra todas as formas de preconceito e discriminação só pode ser a luta de todos (homens e mulheres). PS: sou de esquerda, socialista, existencialista e humanista!

José Filho

maio 30 2016 Responder

e se ela concordou e só denunciou porque divulgaram na internet?

    Robson Fernando de Souza

    maio 30 2016 Responder

    Mesmo se ela tivesse inicialmente concordado (o que não é verdade, visto que foi por vingança do ex-namorado), se partiu pra violência e o não consentimento em seguida, é estupro.

Esther

maio 29 2016 Responder

“Admitamos: todos temos dentro de nós um pouco (ou muito) de machistas e potenciais agressores e estupradores.”

Se acha que você é um estuprador em potencial, por favor, fale só por você meu caro. Meu avô não é um estuprador em potencial, meu irmão não é um estuprador em potencial, meus tios e primos não são estupradores em potencial. Todos os homens da minha família receberam uma coisa chamada “educação”, que os ensina a respeitar as mulheres (e não só as mulheres, diga-se de passagem) e, o mais importante, eles têm caráter.

Estupradores não são estupradores porque são homens. Estupradores são estupradores porque são CRIMINOSOS. E antes que você diga que eu sou um “omi cis hetero opressor”, quero deixar bem claro que sou mulher e lésbica. [Trecho apagado por ser ofensivo contra feministas e reproduzir machismo. RFS]. Me nego a dizer que todo homem é um estuprador em potencial, porque isso simplesmente não é verdade.

    Esther

    maio 29 2016 Responder

    Obrigado por censurar meu comentário. Assim você deixou bem claro qual é a “liberdade” defendida pela Esquerda: a liberdade de dizer apenas o que a Esquerda concorda que seja dito.

      Felippe

      maio 30 2016 Responder

      Esther,

      Você pode imaginar que o termo “estupradores em potencial” significa algo como “tem uma alta propensão à estuprar uma mulher”, o que não é verdade.
      O termo “estupradores em potencial” aborda um grupo de indivíduos criados por uma cultura de objetificação do corpo da mulher. Claro, a conexão entre isso e o estupro pode não parecer clara a prima facie, mas o machismo da sociedade e a forma como a mesma vê as mulheres influenciam diretamente nos índices de estupro. Homens noruegueses não apresentam menor “atração” sexual por mulheres ou menores “índices de pedofilia” do que homens afegãos. No entanto, o Afeganistão (onde, não sei se é de seu conhecimento, mulheres são lixo e propriedade do marido) ultrapassa massivamente a Noruega em casos de estupro, absolutos e relativos.
      Enquanto o indivíduo pode ou não ser propenso à estupro devido à suas convicções éticas e pessoais, a análise antropológica sugere que a cultura favorece muito mais a hipótese de um homem aleatório ser propenso à objetificação (e ao estupro) do que a de um homem aleatório não ser propenso à objetificação (e ao estupro). De novo, essa teoria é suportada pela análise cultural e pela causalidade entre cultura de objetificação e casos de estupro. Isso justifica o o termo “cultura do estupro” para a cultura de objetificação, e justifica o termo “estupradores em potencial” para homens.

      Claro, isso não justifica uma política “misândrica” com base na premissa de “homens = estupradores”, é, afinal, uma generalização, particularidades podem surgir, mas a probabilidade destas é menor do que a probabilidade de propensão à objetificação. Esse tipo de generalização é utilizada na estatística a todo momento, é o que nos permite afirmar que o Brasil é “um país ignorante” baseado nos índices de analfabetismo, ou que a culinária francesa é do “queijo e do vinho” dada a popularidade desses dois alimentos entre chefs franceses.

Newton

maio 28 2016 Responder

1) Concordo com ressalvas; embora possam estimular AQUELES QUE JÁ POSSUEM propensão ao mal, a pornografia e o machismo não irão necessariamente fazer com que o homem seja um estuprador. Afirmar isso é generalizar, é como afirmar que todo indivíduo pobre vai apelar para o roubo devido à sua precária condição financeira.

2) Mais generalização: todos os homens são estupradores em potencial? Fisicamente, sim, mas o homem vai muito além disso.

3) Não, meu caro, eu não fui educado para ser violento e machista.

4) Estupradores não podem viver em sociedade. A prisão serve para proteger os inocentes. Não evita que surjam outros estupradores, aliás, nem é essa a sua função, mas neutraliza aqueles que já estupraram.

5) Não há cultura do estupro no Brasil, muito pelo contrário, tal ato é veementemente condenado pela sociedade, até mesmo entre os presidiários, considerados a escória da sociedade, o estuprador é sumariamente condenado à morte dentro dos presídios. Existem sim culturas em que o estupro é considerado um direito daqueles que combatem em nome de seu deus, e inclusive é aceito pela sociedade.

6) Concordo.

    Robson Fernando de Souza

    maio 29 2016 Responder

    1. O que seria essa “propensão ao mal”?
    2. Numa rua escura, qualquer homem que apareça no campo de visão de uma mulher é visto como uma ameaça. Esse é um dos motivos pelos quais se diz (e eu concordo) que todo homem é um estuprador em potencial. Além disso, todo homem é socializado, nos mais diversos lugares, em valores que o incitam a estuprar – e nesse caso, muitas vezes, precisa ouvir e ler feministas pra cair a ficha e perceber que muito que fazia até um tempo atrás era apoiar a cultura do estupro (mesmo sem saber).
    3. Não dentro de casa talvez, mas na escola, entre os amigos, na igreja, pela mídia etc. o machismo “educativo” é constante.
    5. O que você define como cultura do estupro? E quais tipos de estupro são veementemente condenados pela sociedade?

      Newton

      maio 29 2016 Responder

      1) Existem pessoas que têm prazer mórbido em impingir sofrimento a outros seres, sejam humanos ou animais. São desvios de comportamento, por exemplo, comandantes que sentem prazer prazer em assassinar inimigos, serial killers que gostam de torturar suas vítimas. O motivo de tais pessoas serem assim foge-me à compreensão, mas infelizmente, elas existem.

      2) Concordo que uma mulher sinta medo ao avistar um homem em uma rua escura, em qualquer conflito, o homem quase sempre leva vantagem fisicamente. Mas daí a considerar que todo homem é um estuprador a distância é grande. Mas entendo o ponto de vista das mulheres, não dá para saber quem é o sujeito que caminha em sua direção, na dúvida é melhor pensar o pior. Da mesma maneira que não vou pensar duas vezes em fugir se avistar dois sujeitos com capuzes escondendo o rosto caminhando em minha direção em alguma viela escura da periferia. Sei que vou ser chamado de preconceituoso (como já fui), mas prefiro não arriscar.

      3) Concordo, aí entra o discernimento proporcionado por uma educação de qualidade.

      5) O assunto é longo demais para um simples post, sugiro ler: http://www.heitordepaola.com/imprimir_materia.asp?id_materia=2648

        Robson Fernando de Souza

        maio 29 2016 Responder

        1. Então todo estuprador seria psicopata (o que se contradiz com o texto e a realidade)?

        2. Não é que todo homem seja estuprador, mas sim que é um estuprador em potencial (mesmo que não seja um estuprador de fato), quando uma mulher está sozinha na rua.

          Newton

          maio 31 2016

          1) Não possuo conhecimentos para responder, mas em geral a psicopatia está associada a um comportamento anti-social com descontrole comportamental e/ou baixa capacidade de sentir empatia e remorso.

          2) Posso responder por mim: se eu vejo uma mulher sozinha em uma rua escura, certamente vou oferecer-me para acompanhá-la até algum lugar mais seguro.

          Robson Fernando de Souza

          junho 1 2016

          1. Nesse caso, sugiro que vc busque esse conhecimento sobre o que é psicopatia de origem biológica e machismo de origem sociocultural.

          2. O problema é que a mulher na rua escura não pode discernir se o homem estranho que se aproxima é uma boa pessoa querendo ajudar ou um criminoso querendo violentá-la. É impossível ela confirmar nessa hora, sem conhecer você, que você é uma boa pessoa só porque você diz ser por aqui.

      Alex

      maio 29 2016 Responder

      “2. Numa rua escura, qualquer homem que apareça no campo de visão de uma mulher é visto como uma ameaça. Esse é um dos motivos pelos quais se diz (e eu concordo) que todo homem é um estuprador em potencial. Além disso, todo homem é socializado, nos mais diversos lugares, em valores que o incitam a estuprar – e nesse caso, muitas vezes, precisa ouvir e ler feministas pra cair a ficha e perceber que muito que fazia até um tempo atrás era apoiar a cultura do estupro (mesmo sem saber).”

      Da mesma maneira que se eu ver um negro vou temer que ele é assaltante, mas falar isso é racismo. Esse é o problema das ideologias de esquerda: dois pesos e duas medidas.

      Nenhum valor ensina estuprar, o estupro nunca é visto como um direito do homem e nem aceito pela sociedade.

      A masturbação, e consequentemente a pornografia, ajudam a evitar estupros: as pessoas que não se masturbam não realizam suas fantasias e sentem falta disso, buscam então satisfazer suas necessidades de outras maneiras e o estupro é uma delas.

      Os estupradores são monstros sim, principalmente nesse caso afinal eles eram traficantes também. Ou vai me dizer que traficantes são pessoas “do bem”.

        Robson Fernando de Souza

        maio 29 2016 Responder

        “Da mesma maneira que se eu ver um negro vou temer que ele é assaltante, mas falar isso é racismo. Esse é o problema das ideologias de esquerda: dois pesos e duas medidas.”
        Alex, aqui vc cometeu falsa analogia. Negros não são ensinados a serem ladrões. Homens, por outro lado, costumam ser ensinados e socializados a serem machistas e violentos.

        “Nenhum valor ensina estuprar, o estupro nunca é visto como um direito do homem e nem aceito pela sociedade.”
        Valores e crenças machistas não favorecem estupros então?

        “A masturbação, e consequentemente a pornografia, ajudam a evitar estupros: as pessoas que não se masturbam não realizam suas fantasias e sentem falta disso, buscam então satisfazer suas necessidades de outras maneiras e o estupro é uma delas.”
        Se vc ler sobre a maioria dos casos de estupro, perceberá que eles não são motivados por tesão fora de controle, mas sim por desejo de exercer poder e agredir a vítima. Os estupros cometidos por criminosos impotentes contra mulheres e por presidiários também misóginos contra homens nas cadeias são um bom exemplo disso.

        “Os estupradores são monstros sim, principalmente nesse caso afinal eles eram traficantes também. Ou vai me dizer que traficantes são pessoas “do bem”.”
        O que você define aqui como “monstros”?

          Chris

          junho 3 2016

          “Negros não são ensinados a serem ladrões. Homens, por outro lado, costumam ser ensinados e socializados a serem machistas e violentos.”

          Eu entendi o que ele quis dizer e posso citar um exemplo que aconteceu comigo. Eu sou homem e branco. Esses tempos, voltando pra casa, a rua estava deserta e uma mulher desceu do ônibus comigo e apertou o passo, se distanciando na minha frente, mas ambos indo na mesma direção. Então vem um negro na direção oposta. Ela reduziu o passo até ficar do meu lado, quase me segurou pelo braço.

          Os negros não são ensinados a serem ladrões, mas a sociedade os vê como. Me senti muito mal com a situação, porque sempre procuro olhar por outra perspectiva, e comecei a imaginar quantas vezes isso não acontece com aquele rapaz? E ele não estava mal vestido, andando com aquela pose de assaltante malandro. Nada. Ele estava vestindo roupa normal e andando normal, sem qualquer trejeito.

          Por esse motivo eu fico um pouco chateado quando falam que “todo homem é um estuprador em potencial”. Só que, andando nas ruas, percebo que a frase é verdadeira. É triste, mas é a realidade. Não é a toa que 1 mulher é estuprada a cada 11 minutos. Um crime a cada 11 minutos e ainda tentam culpar a vítima.

Filho do Luís

maio 27 2016 Responder

Muito bom esse texto. Vou refletir bastante sobre tudo o que foi dito e também tentar fazer a minha parte.

    Robson Fernando de Souza

    maio 27 2016 Responder

    Valeu =)

Filho do Luís

maio 27 2016 Responder

Alguma das leitoras ou leitores, ou até mesmo o próprio autor, poderiam me dizer se pornografia é ruim? O trecho no início do trecho que questionou rapazes que crescem achando pornografia “o máximo” dá a entender que ela ruim, certo? Alguém me explica por favor.

    Robson Fernando de Souza

    maio 27 2016 Responder

    Olá. A pornografia sempre é ruim. Ela é construídqa fundamentalmente na exploração sexual dos corpos das mulheres, e na indústria pornográfica ocorrem incontáveis crimes misóginos – estupros, extorsões, assassinatos, agressões físicas e psicológicas, cafetinagem etc.

      Filho do Luís

      maio 28 2016 Responder

      Entendi. Obrigado pela resposta.

      el.

      junho 14 2016 Responder

      Acho que o tema da pornografia merece uma dedicação maior por parte do autor do post, afinal este é um campo bastante amplo. Talvez a indústria pornográfica possa ser condenada por machismo, mas a pornografia, como um conceito e/ou forma de arte, não.

      Existem sites, como o XTube, onde homens e mulheres de todas as orientações sexuais e identidades de gênero, de todas as classes e etnias, postam vídeos íntimos deles próprios em atividades sexuais, e não fazem isso por dinheiro, mas por simples diversão.

      Me parece que, assim como existem pessoas que apreciam uma boa comida e pessoas que apreciam uma boa bebida, existem pessoas que apreciam a atividade sexual, e elas também devem ter liberdade para compartilhar esse gosto publicamente.

        Filho do Luís

        julho 3 2016 Responder

        Muito obrigado por me responder também el. Agradeço bastante.

    Nathalia

    maio 28 2016 Responder

    Oi. Li um texto há um tempo atrás que explica bem a problemática por trás da indústria pornográfica e traz dados no final que o complementam e corroboram. Espero que ajude. :)
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10154063540631996&set=a.10150111061876996.278990.623746995&type=3&theater&__mref=message

      Filho do Luís

      maio 28 2016 Responder

      Valeu Nathalia, ajudou sim. :)

    Newton

    maio 28 2016 Responder

    Filho do Luis:

    A pornografia existe simplesmente por uma demanda. Aliás, embora possa parecer loucura, condenar a pornografia vai contra a liberdade das mulheres diporem de seu próprio corpo…sim, existem mulheres que, apesar de não necessitarem financeiramente, exibem seus corpos ao público, basta ver quantas artistas ou pessoas ricas e conhecidas posam para revistas masculinas. A vaidade e o ego também contam.

      Filho do Luís

      maio 29 2016 Responder

      Obrigado por me responder também Newton. Vou avaliar cuidadosamente o seu argumento e os da Nathalia e do Robson.

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