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maio16

Apoiar o #ForaDilma foi questão de ideologia. Querer o #ForaTemer poderá ser questão de sobrevivência

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Milhões de brasileiros poderão se tornar vítimas da degradação da saúde mental, do aumento da violência nas cidades e no campo, do suicídio em situações de extremo desespero, da fome e das doenças de origem socioambiental

Dilma Rousseff está muito perto de ser afastada da presidência, caso o Senado acolha o processo de impeachment. E Michel Temer, já nesta semana, poderá assumir e impor contra a vontade popular uma sombria agenda política de arrochos socioeconômicos, privação de direitos, precarização dos serviços públicos e do trabalho assalariado e privatizações em massa. Com isso não é imprudente dizer que, se apoiar o #ForaDilma era uma questão de ideologia conservadora e influência midiática, amanhã defender o #ForaTemer e posteriores eleições gerais poderá ser, em última análise, questão de sobrevivência para um sem-número de pessoas.

Digo isso porque, pelo que tudo indica, dezenas de milhões de pessoas empobrecerão, por meio da tendência de queda da renda média, com a multiplicação dos trabalhos terceirizados e a diminuição do número de empregos regidos pela CLT; a piora da recessão por meio de uma política de sufocamento econômico para “recuperar” as contas públicas; a possível piora da inflação, caso as futuras medidas prenunciadas pela agenda “Uma ponte para o futuro” deem errado, o que tem uma chance razoável de acontecer; o avanço do desmantelamento da saúde e educação públicas, uma forma de empobrecimento social de quem não pode pagar por serviços privados desses gêneros; e, como tem sido ameaçado nesses últimos dias, o corte do Bolsa Família para milhões de beneficiários.

A parcela da classe média que apoiou o impeachment de Dilma também deverá sofrer com a queda de seu poder aquisitivo. Afinal, a economia tem tudo para piorar ainda mais com a radicalização das políticas de ajuste fiscal, e pode ter prejuízos sérios com a eventual represália do Mercosul, da Unasul e dos BRICS contra a posse não democrática de um governo ilegítimo e o rebaixamento da confiabilidade financeira internacional do país.

E muitos dos trabalhadores de classe média perderão o emprego ou fecharão o empreendimento, e serão obrigados a procurar por trabalhos de menor remuneração, como é comum de acontecer em crises. Mesmo os que não forem demitidos do emprego atual correrão o risco de perder direitos trabalhistas e qualidade de vida.

Considerando esse risco de muitas pessoas caírem para baixo da linha da pobreza ou da miséria absoluta e as comuns consequências de situações de crise econômica e opressão política na saúde mental das pessoas, é razoável alertar que se revoltar contra Michel Temer e seu governo conservador não será simplesmente uma questão de ser ou não de esquerda. Será algo essencial para o futuro de milhões de brasileiros. Mesmo a sobrevivência ou a integridade psicológica e psiquiátrica de muitos poderá depender da queda da sufocante e antipopular “Ponte para o futuro” prometida pelo iminente governo do PMDB.

Considerando a pouca força que os protestos contra o impeachment e contra o futuro governo Temer têm tido desde a aprovação da cassação de Dilma pela Câmara dos Deputados, infelizmente milhões de pessoas estão esperando passivamente Temer e sua equipe assumirem e aplicarem suas medidas de arrocho socioeconômico, privatização massiva e agravamento das desigualdades sociais.

Eu adoraria dizer para irmos à rua antes que Temer nos faça mal, mas a tendência, de fato, é a população só se revoltar e ir para a rua em situações de opressão insuportável, e provavelmente isso não tardará a acontecer. E quando esse auge do sufocamento imposto pelo novo governo chegar, farei questão de dizer: reagir contra isso é questão de vida ou morte para muita gente, já que o empobrecimento massivo, a fome, o crescimento da violência urbana, as doenças de origem social (locais sem saneamento básico, consumo de alimentos contaminados extraídos do lixo, epidemias de origem ambiental em comunidades pobres nascidas de desmatamento urbano etc.) e a radicalização da matança de indígenas e camponeses de fato levarão embora muitas vidas.

Então reajamos logo, antes que essas vidas sofram e sejam perdidas para um governo anti-humanista e não democrático. Voltemos a nos manifestar #ContraOGolpe, se quisermos que as nuvens pesadas que se avizinham no horizonte vão embora logo e deem lugar à esperança.

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2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Daniel

maio 12 2016 Responder

Banqueiros realmente entendem de economia desde que o mundo é mundo. O problema que essa tal economia é baseada em altas taxas de juros, para tirar o que a pessoa tem e não tem. Em uma crise com certeza eles terão muito lucro. Menos dinheiro circulando, maiores riscos, maiores taxas. Até eu que não sou um gênio sei disso.

Alex

maio 8 2016 Responder

Eu não entendo como esse pessoal da esquerda, a sua maioria se formação na área Econômica como o blogueiro, tem a pretensão de entender mais de Economia que Economistas, Banqueiros, Empresários e outros especialistas da área. São esses especialistas que afirmam que essas medias austeras são necessárias para recuperar o crescimento.

Se tiver a cabeça aberta, vou deixar alguns links de comentaristas sérios sobre o assunto:

http://www.empreendedoresweb.com.br/mudancas-na-economia-apos-a-saida-da-dilma/

http://www.parana-online.com.br/editoria/politica/news/948158/?noticia=ECONOMIA+TENDE+A+MELHORAR+SE+DILMA+SAIR+DIZEM+ESPECIALISTAS

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