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Como a forma como reacionários dizem defender a “prosperidade” é uma multiplicadora de pobreza, miséria e falta de perspectivas
Está vendo esse dinheiro? Os "liberal-reacionários" não querem deixar que você ganhe

Está vendo esse dinheiro? Os “liberal-reacionários” querem dificultar o caminho que você segue para (tentar) ganhá-lo

Por meio de um neoliberalismo fundamentalista, defendem diversas políticas que desempoderam e empobrecem social e economicamente a maioria da população

É relativamente comum pessoas autodeclaradas de direita – em especial aquelas que chamo de “liberal-reacionárias” – defenderem a impulsão da economia brasileira, de modo que o país enfim alcance a prosperidade permanente e assim se torne um país rico, tanto ou mais que as nações da Europa Ocidental. Mas o problema é que a forma de estimulação econômica (e desestímulo social) que defendem, longe de tornar o Brasil próspero, multiplica a miséria, a pobreza e a carência de oportunidades e perspectivas de futuro no país. Em outras palavras, tenta “trazer prosperidade” tornando ela mesma inviável.

O dicionário português Priberam define o termo prosperidade como “Qualidade ou estado do que é próspero; situação favorável; estado de abundância, acumulação de bens materiais”. Já a palavra próspero é conceituada como “Que se desenvolve bem; que favorece ou ajuda; que tem êxito; que tem riquezas ou bens materiais; que foi favorecido pela sorte”. Guardemos essas definições para entender por que os liberal-reacionários são contra a prosperidade.

Em se tratando de economia, os formadores de opinião de direita brasileiros, em sua maior parte, são enfáticos em defender a desregulamentação total ou quase total do mercado e a redução radical, ou mesmo extinção, do papel social e econômico do Estado. É um dos princípios do neoliberalismo, uma espécie de liberalismo econômico radical que, apesar de incluir “liberal” em seu nome, flerta com o conservadorismo social e político e maximiza os privilégios de quem tem mais poder econômico e político.

O problema é que o neoliberalismo puro implica, por exemplo, a revogação de políticas públicas sociais e de fomento ao empreendedorismo. Mesmo programas que favorecem a abertura de micro e pequenas empresas, como o Bolsa Família e a concessão de créditos a juros baixos por meio de bancos públicos, seriam cancelados, em nome do Estado mínimo desejado por muitos reacionários.

Aliás, mesmo que nomes do próprio neoliberalismo, como Milton Friedman com sua proposta do imposto de renda negativo, não sejam tão radicais na defesa da diminuição do papel do Estado, é comum a direita fundamentalista de mercado defender o fim do Bolsa Família, programa em parte inspirado na medida sugerida por Friedman. Muitos defendem a pura e crua meritocracia, na qual todo indivíduo, por mais privado de bens básicos e condições de empreendimento e sufocado por discriminações que seja, é obrigado a cavar seu caminho de “vencer na vida”.

Outra defesa comum nos meios reacionários é a revogação dos direitos trabalhistas. Consideram que esses direitos são considerados uma interferência “negativa” do Estado na economia. E baseiam-se na crença de que profissionais liberais e empresários podem viver bem sem contar com a maior parte dos direitos que protegem os assalariados não terceirizados.

Isso sem falar na oposição ferrenha a políticas afirmativas que mitiguem as desigualdades raciais e de gênero nas universidades e no mercado de trabalho. Costuma-se justificar essa repulsa a medidas como as cotas raciais e sociais com argumentos falaciosos – que não cabe a este artigo responder –, como o de que qualquer medida estatal que ajude minorias políticas na ascensão social se basearia na premissa de que estas seriam “menos capazes” do que homens brancos economicamente privilegiados.

Some-se aqui a revogação do papel social do Estado, o consequente cancelamento de políticas afirmativas e de combate às desigualdades históricas, o fim dos programas de renda mínima, o desmonte de direitos trabalhistas e a falta de estímulo e proteção aos pequenos empresários. E o que tende a acontecer como consequência está longe do fomento à prosperidade econômica nacional.

Nada será além do empobrecimento da maioria da população, relegada a trabalhos precarizados e sem perspectiva de ascensão social, e a piora da concentração de renda. Ou seja, pobres ainda mais numerosos e mais pobres, e ricos ainda mais ricos e raros.

E definitivamente, prosperidade, em seu sentido de população com mais bens materiais e oportunidades de ascensão social, não é uma palavra compatível com isso. Não dá para chamar de próspera uma sociedade cuja grande maioria, daqueles abaixo da linha de miséria até a classe média, está empobrecendo, vivenciando uma piora gradativa de suas condições de vida e sofrendo com mais e mais privações.

Nesse contexto, aquilo que a maioria da direita brasileira defende como “solução para um Brasil mais próspero” é um vetor de empobrecimento massivo e, portanto, o maior esmagador das chances do país de prosperar economicamente. Só é defendido para assegurar a perpetuação dos privilégios de quem já tem amplos poderes de dominar a população, apropriar-se das riquezas do país e concentrá-las em poucas mãos. Então duvidemos quando reacionários adeptos do neoliberalismo disserem que “defendem” um Brasil de economia potente e invejável.

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Newton

maio 21 2016 Responder

A injustiça na distribuição da renda é causada pelas regulamentações, interferências e os gastos governamentais. Não precisamos de nenhum governo-babá para dizer-nos o que fazer, sem a interferência do estado a prosperidade vem mais rápido.

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