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maio16

#ForaTemer: um movimento necessário

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A hora é essa de sairmos da frente do computador e reagirmos nas ruas contra as notícias ruins impostas por Michel Temer e subordinados

Depois de 19 meses de bombardeios e jogos político-jurídicos, o governo Dilma caiu e a direita assumida, representada pela pessoa de Michel Temer e seus ministros, assumiu o poder, de maneira não democrática. Diante de tudo o que eles prometeram fazer e já estão fazendo, tornou-se um imperativo sairmos do estado de indignação impotente no Facebook e colocarmos nas ruas o movimento #ForaTemer.

As promessas já eram sombrias nas semanas anteriores ao fatídico 12 de maio de 2016: cortes de direitos trabalhistas e programas sociais, privatizações em massa, política econômica de arrocho, fim do licenciamento ambiental para obras públicas e privadas, entre outras medidas de dificultação e degradação da vida dos trabalhadores.

E só no primeiro dia diversas más notícias marcaram a inauguração do governo ilegítimo de Temer: extinção dos ministérios da Cultura e das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos; suspensão de novas bolsas-permanência nas universidades públicas; ministério exclusivamente de homens brancos; aparente fim da organização Humaniza Redes, de Direitos Humanos; entre outras que não lembro neste momento.

Houve protestos contra o governo usurpador em locais como a Esplanada dos Ministérios e a Avenida Paulista (São Paulo), mas não chegaram a ser tão massivos, e alguns deles sofreram repressão. Enquanto isso, uma grande parte da esquerda – ou melhor, aquilo que eu chamo de “esquerda branca classemediana de Facebook” – se entregou à resignação, a um clima quase generalizado de derrotismo e à velha indignação impotente nas redes sociais.

E não faltaram pessoas de esquerda incidindo naquilo que a direita reacionária adora fazer desde sempre: considerar a si mesmos como arautos do bem e da esperança e os adversários políticos como representantes do mal e da destruição. Uma postura que, além de bastante imatura, só aumenta a nebulosidade do clima político e quebra o equilíbrio entre razão e emoção, tão necessário para a esquerda conquistar o apoio de quem irá sofrer as consequências da política temeriana.

Mais e mais medidas antipopulares são esperadas para os próximos dias, semanas e meses. Diante delas, ficamos numa posição que nos tira qualquer conforto e conveniência individual: ou vamos para as ruas ressuscitar o fracassado #NãoVaiTerGolpe, convertendo-o no #ForaTemer e aceitando correr o risco da repressão policial, ou vamos sofrer cada vez mais com as políticas conservadoras e neoliberais de Michel Temer e subordinados e definhar diante das más notícias que pululam nas telas de computadores, aparelhos móveis e televisores.

Não temos tempo a perder. Há muita coisa em jogo de que não podemos abrir mão em troca da segurança do lar, incluindo a vida de milhões de brasileiros que correm o risco de cair na pobreza ou na miséria, ou serem assassinados por criminosos beneficiários da ausência de uma política nacional de Direitos Humanos, ou se suicidarem por diversos motivos possíveis.

Também precisamos reivindicar das duas uma: ou #VoltaDilma, para ela terminar seu mandato em 31 de dezembro de 2018 conforme ordena a Constituição, ou #EleiçõesGeraisJá, para que os brasileiros decidam por si mesmos seu destino e a forma como sairá da atual crise política e econômica.

A hora é essa de voltarmos às ruas e dizer: #ForaMichelTemer! Queremos nossa democracia de volta! Que nossos votos voltem a ter um mínimo de valor e a direita antidemocrática seja colocada em seu devido lugar. Saiamos do marasmo de lamentar as notícias ruins nas redes sociais e vamos às ruas, apoiando-nos uns nos outros para perdermos o eventual medo da repressão.

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4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Newton

maio 15 2016 Responder

Hehehe, Gramsci fez seu trabalho direitinho.

Nathalie

maio 15 2016 Responder

acho q a esquerda é o meio onde mais se discutem questões democráticas, ao passo q a direita prefere ter a democracia como um amuleto da sorte. a esquerda abre muito mais espaço pra mulheres, negros e artistas do q a direita, e é justamente convidando os excluídos para o debate q a democracia acontece. agora, o q o blog tá insistindo em mostrar é q só debater as péssimas ideias d governo q os golpistas implantaram (digo q é golpe pq o temer só colocou politicos opositores aos projetos q o levaram a ganhar as eleições junto da dilma, ou seja, ele traiu seus eleitores e agradou os eleitores dos outros candidatos) é necessário agir, sair pras ruas, e não só reclamar nas redes.

Esther

maio 13 2016 Responder

“E não faltaram pessoas de esquerda incidindo naquilo que a direita reacionária adora fazer desde sempre: considerar a si mesmos como arautos do bem e da esperança e os adversários políticos como representantes do mal e da destruição.”

Engraçado, porque é exatamente isso que você faz na maioria dos seus textos. Relata a Esquerda como a única guardiã dos Direitos Humanos, das liberdades democráticas e da cidadania, enquanto mostra a Direita (ou os opositores da Esquerda, nem todos eles direitistas), como um bando de reacionários intolerantes e opressores, defensores do autoritarismo e da violência.

    Gustavo, anarquista bizarro

    maio 14 2016 Responder

    Não adianta muito argumentar contra o anacronismo do conceito “direita X esquerda”. Nem aqui nem em lugar algum. O triste é que este blog é de um representante das Cieência HUmanas, onde, supostamente, deveria haver um maior esclarecimento sobre a evolução sociológica da humanidade. Os profissionais da área de humanas, com gloriosas exceções, não estão cumprindo a sua função adequadamente.

    Há muito tempo já que este blog tem colocado todo mundo que não compartilha 100% das opiniões sustentadas pelos “formadores de opinião de esquerda” como “reacionários de direita com racismo, homofobia e machismo profundamente enraizados no caráter”. Chamar as passeatas pelo afastamento da Dilma de “Marcha dos Coxinhas”, como se todos lá fossem “bolsonaretes” foi de um grotesco além da imaginação.

    Se hoje nós temos uma pessoa como o Temer no comando, muito da responsabilidade disso vem dos próprios “formadores de opinião de esquerda”. Se hoje nós temos Bolsonaros e Malafaias, muito da culpa é da dita “esquerda”. As coisas vão piorar e muito, vamos ter um retrocesso social completamente lamentável e evitável. As próximas eleições para deputados, governadores e presidente serão um show de horrores do conservadorismo.

    Parabéns aos que se autointitulam “disquerda”. Vocês trabalharam perfeitamente a favor do PP, PFL, Malufs, Bolsonaros e Malafaias.

    Coitado do povo que votará nesses tipos para defender Deus e a família sem perceber a armadilha onde estão caindo. Coitado daqueles que têm consciência do absurdo que é este maniqueísmo facebuquiano infantil que se tornou a guerrinha direita X esquerda.

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