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maio16

O assassinato da menina no arrastão no Rio e a comoção seletiva racista da mídia e da sociedade perante crimes contra a vida

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A imprensa trata vidas de brancos com poder aquisitivo elevado como se valessem dezenas ou centenas de vezes mais do que a de negros pobres

O assassinato da menina Ana Beatriz, 17 anos, na zona norte do Rio de Janeiro, é sem dúvida motivo de indignação. E a família dela tem minha solidariedade e meu desejo de que os criminosos sejam presos e condenados o quanto antes. “Mas” algo precisa ser criticamente abordado nesse contexto. Não o inaceitável crime, mas sim a abordagem seletiva promovida pela mídia me relação a ele em detrimento de milhares de outros.

Se essa menina fosse negra e moradora da favela e tivesse sido assassinada por policiais, esse crime jamais teria tido a visibilidade que está tendo nos jornalões. Se o assassinato está chamando a atenção da sociedade, é porque ela era branca, de classe média e foi morta por bandidos civis.

Todos os dias jovens negros e negras da periferia são assassinados por policiais racistas e criminosos civis (narcotraficantes, assaltantes etc.), mas mesmo esse conjunto de assassinatos não recebe 10% da atenção da mídia ‘mainstream’, nem 10% da indignação da classe média a quem ela dirige seus noticiários.

Aliás, há muitos casos em que pessoas cujo racismo e pauperofobia as impedem de ter empatia não seletiva acusam os próprios jovens assassinados de terem sido criminosos. E compartilham boatos caluniosos contra eles, ofendendo gravemente as famílias e amigos dessas vítimas.

E da mesma maneira, atentados terroristas nos Estados Unidos e na Europa Ocidental têm um impacto imensamente maior para a imprensa de todo o mundo, inclusa a brasileira, do que aqueles que ocorrem no Oriente Médio, na África, na Ásia, na América Latina e na Oceania. Quando, por exemplo, três ingleses ou estadunidenses brancos são assassinados num atentado assumido pelo Estado Islâmico em Nova York, em Paris, em Madri ou em Londres, a comoção da imprensa ao redor do mundo é imensamente maior do que quando 300 afegãos, argelinos, chadianos, chineses, cazaques ou panamenhos são mortos em ocorrência também violenta por terroristas. A vida de euro-americanos brancos parece valer dezenas ou centenas de vezes mais do que a de negros africanos ou afrodescendentes, indígenas latino-americanos e asiáticos.

Não deixemos de prestar nossa indignação a cada crime que tira vidas ou priva pessoas inocentes de seus pertences e demandar providências que previnam e diminuam a violência – e não aumentem o número de criminosos, tal como as demandas raivosas pela radicalização da violência policial fazem ao fazer que a sociedade seja atormentada por criminosos civis e militares. Mas também não baixemos a guarda, quando a mídia considera alguns seres humanos mais dignos de direitos, solidariedade e compaixão que outros.

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2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

roberto

maio 24 2016 Responder

Nos ultimos anos dezenas de milhões de brasileiros deixaram a linha de pobreza. Mas a violencia continuam aumentando!

Revista Calibre

maio 11 2016 Responder

A esquerda é nojenta e asquerosa, por essa mania de usar cadáveres para defender seu ponto de vista racista e preconceituoso.

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