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Você realmente é contra a corrupção e a impunidade? Saiba respondendo a 10 perguntas

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Até onde vai sua preocupação com esses flagelos da política brasileira? Aliás, você realmente se preocupa com isso, ou usa a corrupção apenas como pretexto para declara ódio ao PT?

Algo que parece unanimidade no Brasil é ser uma pessoa “indignada com a corrupção”. Com a Operação Lava Jato, o sentimento anticorrupcionista ficou em alta, com muitos se posicionando contra os “corruptos do PT”. Mas vale testar essa alegada postura ética: será que os “indignados” realmente são contra a corrupção e a impunidade na política?

Se você é uma dessas pessoas que, graças à eclosão da Lava Jato, se descobriu como um(a) “inimigo(a) dos corruptos”, convido você a responder às seguintes perguntas:

1. Você se posiciona contra a corrupção de todos os partidos? Ou só se indigna com a corrupção do PT? Ou só com os escândalos protagonizados pela oposição de direita ao PT?
– Se você respondeu “todos os partidos”, então tem um mínimo de consciência de que tanto membros do PT como da oposição a esse partido são envolvidos na lama da corrupção.
– Se você respondeu “só a corrupção do PT” ou “só a corrupção da direita antipetista”, então você não é contra a corrupção. Na verdade usa o pretexto seletivo do “combate aos corruptos” apenas para interesses político-partidários.

2. O que você acha de Eduardo Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção? Alguém que deve ter seu mandato cassado e ser preso já? Ou um “mal necessário”, por seu papel no impeachment de Dilma e na consolidação do conservadorismo no Congresso?
– Se você respondeu com a primeira opção, então tem alguma consciência de que os fins não justificam os meios e, portanto, o combate à corrupção deve ser sério e imparcial.
– Se respondeu com a segunda, então você não é contra a corrupção, já que aceita a atuação abusiva de um político veteranamente denunciado (com provas) por corrupção.

3. Contra quem você costuma compartilhar conteúdos de denúncia política nas redes sociais (considerando que você tenha esse costume)? Contra todos, doa a quem doer? Ou apenas contra um dos lados (petistas ou antipetistas), poupando o outro de críticas?
– Se você respondeu “contra todos”, então tem alguma consciência de que a corrupção deve ser combatida de maneira imparcial, sem interesses político-partidários por trás.
– Se respondeu “apenas contra um dos lados”, então você não é contra a corrupção, por tolerar parte dos crimes do tipo cometidos hoje em dia.

4. Você tem defendido punição contra quais políticos (e empresários) indiciados por corrupção? Contra todos, independentemente de partido? Ou só contra petistas e aliados? Ou só contra antipetistas e seus aliados?
– Se respondeu que é contra todos, então você tem alguma consciência de que ser contra a corrupção é ser contra todo e qualquer corrupto, independentemente do lado dele.
– Se respondeu que é contra apenas um dos lados, então você não é contra a corrupção, e coloca o interesse político privado acima da ética.

5. Qual sua opinião sobre a ausência de panelaços e protestos verde-amarelos contra Eduardo Cunha, Michel Temer e outros opositores do PT acusados de abusos e crimes diversos?
– Se você responde que não gosta dessa omissão e faria o possível para chamar os “cidadãos de bem” antipetistas para as ruas também contra esses políticos, você tem alguma consciência.
– Se você responde que “a missão (a aprovação do impeachment de Dilma) já foi cumprida” e acha isso bom o bastante para justificar essa ausência, então você não é contra a corrupção. Afinal, aceita que o pretexto do “combate à corrupção” seja usado para atender a interesses particulares de poder e sem efeitos reais positivos sobre a cultura de corrupção na política.

6. Qual sua posição perante as pequenas corrupções cotidianas cometidas por milhões de pessoas, como subornar policiais rodoviários, apropriar-se de troco dado a mais, furar filas e fraudar a declaração do Imposto de Renda?
– Se você é contra isso e repreende quem tem esse tipo de conduta, então tem uma consciência contrária à corrupção, qualquer que seja a dimensão dela.
– Se você é conivente ou mesmo praticante de comportamentos desse tipo, então você não é contra a corrupção, já que está sendo você mesmo(a) um(a) corrupto(a) ou tolerando condutas abusivas.

7. O que você tem cobrado como solução de combate à corrupção?
– Se tem sido reforma política, cassação de todos os acusados de corrupção em mandato e outras medidas estruturais, você está no caminho certo.
– Se tem sido apenas o impeachment de Dilma e a ilegalização do PT, não demandando medidas estruturais, então você não é contra a corrupção. Afinal, está concordando com a perpetuação da cultura de corrupção e, de quebra, por interesses distantes da ética na política, exige que uma pessoa que não tem envolvimento comprovado com corrupção seja cassada por um crime que não cometeu.
– Se tem cobrado tanto a cassação de Dilma como a realização de reformas, é hora de repensar suas crenças políticas, já que o processo de impedimento contra ela nada tem a ver com corrupção e os deputados, senadores e empresários favoráveis à derrubada dela são contrários a uma reforma que lhes suprima privilégios e lhes ameace a impunidade.

8. Qual tem sido sua atitude perante a impunidade que tem beneficiado Eduardo Cunha e outros opositores do PT denunciados na Lava Jato?
– Se tem sido de indignação e vontade de protestar – seja nas redes sociais, seja nas ruas –, significa que você tem uma preocupação genuína com a impunidade na política brasileira.
– Se tem sido algo como “Que se dane, o que importa é que Dilma e o PT vão cair”, então você não é contra a impunidade política. Na verdade, usa o pretexto da “corrupção do PT” apenas por motivos de ódio ideológico ao partido.

9. Qual tem sido sua posição perante a abordagem seletiva, tendenciosa e ideologicamente interesseira que a grande mídia tem feito da corrupção no Brasil (denunciando apenas os escândalos que têm a participação de petistas e protegendo políticos e empresários de direita contrários ao PT) e do impeachment de Dilma (posicionando-se ativamente a favor, por motivos inválidos ou frágeis demais)?
– Se tem sido uma postura de indignação e não aceitação, você está entendendo um pouco da cultura de corrupção e impunidade política no Brasil.
– Se tem sido de não ligar para isso – afinal, o que importa é que denunciaram o PT até o fim –, então você não é realmente contra a cultura de corrupção e impunidade no Brasil. Usa-as apenas como pretextos para externalizar ódio ideológico ao PT.

10. O impeachment de Dilma Rousseff traz para você a esperança de dias melhores?
– Se não traz, é porque você entende que a cultura de corrupção e impunidade no Brasil vai além de uma única pessoa ou um único partido. E talvez saiba que a própria cassação dela é um artifício de perpetuação e fortalecimento da corrupção no país.
– Se traz, então você não tem noção sobre as dimensões da corrupção no Brasil, nem sobre os interesses de abusividade política e continuidade do cometimento de crimes por trás do processo de derrubada da presidenta.

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Newton

maio 1 2016 Responder

Concordo com suas afirmações, o combate à corrupção deve ser isento de partidarismo. Apenas algumas observações:

– O fato de Eduardo Cunha ser corrupto e réu não torna automaticamente Dilma inocente, esses dois fatos não têm relação entre si. Pode-se dizer que Eduardo Cunha não tem MORAL para julgar Dilma, mas isso não muda os fatos.
– O PT está implicado em maior número nos casos de corrupção não porque seja pior do que outros partidos, simplesmente porque a porcentagem de políticos envolvidos em corrupção são, coincidência ou não, membros de tal partido.

Haroldo

maio 1 2016 Responder

obrigado pelo trabalho, ótimo trabalho

Filho do Luís

maio 1 2016 Responder

Assim como esse, seus questionários são ótimos. Bom trabalho.

    Robson Fernando de Souza

    maio 1 2016 Responder

    Valeu =)

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