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jun16

A imoralidade dos reacionários que defendem que a moral conservadora vai “pôr a sociedade na linha”
É frequente reacionários que se dizem seguidores da moral conservadora a violarem

É frequente reacionários que se dizem seguidores da moral conservadora a violarem

Reacionários dizem-se apaixonados pela moralidade trazida pelo conservadorismo, mas desrespeitam os ditames dela frequentemente

Muitos reacionários dizem que deveria assumir o poder um governo que impusesse a moral conservadora, para alegadamente “colocar a sociedade de volta na linha” e “recuperar a ordem e o respeito de antigamente”. Só que tem um problema nisso: essas pessoas não oferecem ou praticam uma moral digna de ser respeitada, levada a sério e avaliada com atenção.

Do que se pode observar do comportamento reacionário nas redes sociais e, às vezes, presencialmente, vislumbramos um universo inteiro de comportamentos que mesmo os livros de Educação Moral e Cívica da ditadura militar de 1964 a 1985 repudiariam.

Uma passada pelo conteúdo e pelos comentários de blogs e páginas sociais de direita nos revela comportamentos antiéticos e imorais como os seguintes:

– Autoritarismo ferrenho, desejo profundo e fanático de que a esquerda política e o livre pensamento sejam criminalizados;
– Ódio, preconceito e intolerância como presenças constantes, contra minorias políticas (mulheres, pessoas negras, pessoas não heterossexuais, pessoas trans, não cristãos, pessoas pobres, moradores ou migrantes do Norte e Nordeste etc.) e pessoas adeptas de pensamentos políticos contra o status quo (de esquerda, petistas, feministas, vegans, ambientalistas, antiproibicionistas das drogas, membros de sindicatos etc.);
– Apoio, consentimento ou indiferença ao cometimento de crimes diversos por autoridades políticas, religiosas e/ou militares conservadoras: racismo, intolerância religiosa, xenofobia, estupro, corrupção, tortura, homicídio, constrangimento ilegal, terrorismo, calúnia e difamação, apologia e incitação ao crime, lesão corporal e agressão, abuso de poder, formação de quadrilha, improbidade administrativa, crimes de responsabilidade, crimes ambientais, crimes contra a segurança nacional etc.;
– Hipocrisia ao cometer aquilo que dizem ser contrários;
– Violação da moral da religião que seguem, vide, no case de “cristãos”, a rejeição tácita aos ensinamentos de Jesus nos Evangelhos;
– Indiferença, relativização ou consentimento perante o cometimento de atos de corrupção e desonestidade, quando o transgressor da moral não é um opositor ideológico/partidário;
– Defesa da violência injusta, e às vezes até criminosa, como meio para alcançar diversos fins, como imposição de derrota a adversários políticos e o “combate” ao crime;
– Desprezo ou mesmo ódio à democracia, aos valores democráticos e às liberdades individuais alheias;
– Indiferença ou apoio a atos de abuso de poder por parte de superiores hierárquicos, como exploração trabalhista, perseguição política e ações autoritárias criminosas.

Quando se confirma a recorrência dessa conduta em redutos reacionários dentro e fora da internet, percebe-se que os adeptos do reacionarismo como convicção política definitivamente não são nenhum exemplo de conduta moral para a sociedade como um tudo. Muito sugerem que o conservadorismo seja imposto pelo Estado para “colocar as pessoas na linha”, mas elas mesmas andam a metros de distância dos trilhos onde deveriam estar.

Aliás, mesmo em se tratando de moral conservadora, os reacionários são assíduos desobedientes. Muito do que os manuais morais mais tradicionalistas dizem é descartado no dia-a-dia, mesmo por parte de gente que diz desejar a volta da Educação Moral e Cívica nas escolas de ensino básico.

Costumava-se ensinar que o conservadorismo porta ditames morais que “jamais deveriam ter sido abandonados”. Entre eles, estão o respeito devotado aos superiores hierárquicos – como os pais, tios e avós, professores e diretores escolares, patrões, policiais, magistrados, políticos, militares de alta patente, sacerdotes etc. -, a construção do caráter individual a partir da família, religião e trabalho, o respeito à propriedade alheia, o repúdio à corrupção enquanto prática imoral, o recato sexual, a rejeição da “vulgaridade”, a abstenção ou uso moderado de cigarro e bebidas alcoólicas, a evitação das drogas ilegais, o respeito aos valores virtuosos transmitidos pela tradição, o temor ao Deus judaico-cristão, o apego aos ensinamentos dos livros sagrados, a contribuição orgulhosa para o progresso do país etc.

Muitos dos reacionários que se dizem conservadores dizem que, se esse conjunto de regras fosse seguido por todos no Brasil, o país seria um lugar melhor e mais humano. Mas nem eles mesmos o seguem. Acusam a esquerda de se opor a essa moralidade, mas são eles mesmos quem a viola no dia-a-dia.

Vemos reacionários dizerem-se “defensores de um país desenvolvido, ordeiro e seguro”. Mas quando observamos as práticas deles, percebemos que eles desrespeitam o próprio ideal de moral nacional pelo qual dizem advogar. Parecem desconhecer que, se o indivíduo quer uma sociedade melhor, a mudança precisa começar a partir dele mesmo. Ou seja, não praticam a “ordem e progresso” que sonham em ver o Brasil trilhar.

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Newton

junho 5 2016 Responder

Concordo que a hipocrisia seja um dos grandes males da humanidade. A grande maioria é, independente da política ou ideologias, egoísta e hipócrita.
Mas convenhamos, a coisa hoje em dia está feia, não?
O ser humano está degradando-se rapidamente, tanto em termos morais como intelectuais. Relativiza-se tudo, e invertem-se totalmente os valores.

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