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Liberar o armamento civil é uma solução válida e eficaz para a criminalidade?

Devemos liberar o porte de armas para civis no Brasil?

Minha colaboração para o debate sobre o armamento civil: ele diminuirá ou aumentará ainda mais a violência no Brasil?

Você defende a liberação do porte de armas de fogo para civis – ou, como muitos e talvez você dizem, “cidadãos de bem”?

Se sim, provavelmente acredita que essa medida vai diminuir a violência por causar medo nos criminosos. Afinal isso os fará pensar duas vezes antes de ir assaltar, estuprar, sequestrar, matar etc. alguém que esteja armado(a), e a consequência disso será uma sociedade mais segura e com menos crimes, certo?

Se você tem essa crença, recomendo que continue lendo. É importante você conhecer as implicações e consequências dessa reivindicação, assim como entender melhor como o crime pode ser efetivamente combatido e prevenido em sociedades como a brasileira.

 

Meu entendimento sobre a proposta do armamento civil

Imagem que manifesta a crença, dos defensores do armamento de civis, de que cidadãos armados farão os bandidos terem medo

Imagem que manifesta a crença, dos defensores do armamento de civis, de que cidadãos armados farão os bandidos terem medo

Pelo que pude compreender dos objetivos de revogar o Estatuto do Desarmamento e permitir aos cidadãos comuns o uso de armas em casa e nas ruas, o mais importante “instrumento” da medida, além da própria arma, é o medo. A intenção é, assim como permitir ao cidadão se defender e abortar o crime antes que ele se consume, fazer os bandidos sentirem na pele o elevado temor que hoje são as suas vítimas (e as potenciais futuras vítimas) que têm quando estão na rua.

É proporcionar uma realidade em que a segurança – ou melhor, a sensação de segurança – advenha do medo dos criminosos de atacar inocentes, já que poderão ser retaliados à bala e, com isso, gravemente feridos ou mortos.

E a partir daí, eles não veriam mais saída no crime, e teriam que partir para o trabalho honesto, ou, em caso de fracasso de encontrar emprego, na mendicância amistosa – ou seja, que não representa risco à segurança da pessoa a quem o mendigo pede esmola.

Mas será que esse pensamento é realmente sustentado pela realidade dos fatos? Isso vai realmente tornar a sociedade mais pacífica e segura?

Reagir com arma de fogo a ataques criminosos é seguro?

Será mesmo que armado você mata ou morre, e desarmado você morre?

Acredito que haja muita confiança, por parte dos defensores do armamento civil, na possibilidade de haver um imenso crescimento do número de reações bem-sucedidas a assaltos, nas quais a vítima reagente saia ilesa. E também no fato de que esse desejado aumento quantitativo imponha aos criminosos o medo de cometer crimes e atentar contra a vida de inocentes.

Mas será que realmente é verossímil que isso aconteça? Vejamos:

  • A Folha de S. Paulo, em 2009, realizou um levantamento de 56 casos de latrocínio (assalto seguido de morte) na Grande São Paulo (capital e região metropolitana) ocorridos em 2008. Desse número, 75% desses crimes foram resultantes de reação da vítima.
  • Em 2013, na capital paulista, um levantamento da Veja São Paulo revelou que, de 45 boletins de ocorrência de latrocínio entre janeiro e o início de junho daquele ano, em 25 deles foi registrado que a vítima tentou reagir e foi morta por isso.
  • No Rio Grande do Sul, no primeiro semestre de 2016 foram registrados 89 latrocínios, segundo a Secretaria de Segurança Pública daquele estado. Desses delitos, o delegado Emerson Wendt, chefe da Polícia Civil, apontou que “em 73% dos casos do primeiro semestre, a vítima esboçou algum tipo de atitude interpretada pelos criminosos como reação”.
  • No estado do Rio de Janeiro, foi apontado pelo jornal O Dia, a partir da ocorrência de mortes de vítimas em assaltos entre janeiro de abril de 2016, que os policiais militares, incluindo os que estão de folga, correm um risco 125 vezes maior de serem assassinados nesse tipo de crime do que cidadãos comuns.
    Comentando essa estatística, o vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, professor Renato Lima, revelou que os dois fatores decisivos para esse perigo extremo são a maior suscetibilidade de policiais em folga a andarem armados e reagirem a tentativas de roubo e o risco de serem identificados como policiais.
  • O delegado Jorge Lordello, em entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, relatou que 90% das vítimas que reagem a assaltos à mão armada são baleadas, morrendo ou não por causa disso.
  • As polícias civis e militares e secretarias estaduais de segurança pública de todo o Brasil são unânimes: ninguém deve reagir a assaltos, pois correrá um risco imensamente maior de ser morto pelo ladrão do que se não esboçar reação ou movimentos bruscos.

O que nós podemos concluir, diante de todos esses casos, é que, caso as pessoas comecem a andar armadas numa realidade em que o Estatuto do Desarmamento tenha sido revogado, elas correrão um risco gigantescamente maior de se tornarem vítimas fatais ou serem gravemente feridas.

Pelo visto, se correm um risco tão grande reagindo sem estar armadas, a reação com arma de fogo será ainda mais inconsequente e passível de acabar em tragédia. O bandido verá um risco muito maior de ser morto em caso de reação da vítima, o que nos faz concluir que ele será ainda mais implacável perante movimentos bruscos dos assaltados.

Nem os próprios policiais militares, treinados durante anos em quartéis militares para saberem atirar e lidar com bandidos, gozam de segurança plena. Andarem armados fora do serviço e terem essa profissão, ao invés de fazer os criminosos os temerem, tornam os policiais muito mais suscetíveis a morrer em latrocínios.

O que tende a acontecer, nesse futuro armamentista que eu considero distópico, é que os assaltantes estarão muito mais prontos para matar e morrer, e terão ainda menos misericórdia e hesitação em assassinar suas vítimas.

Afinal, cada vez mais pessoas inocentes, movidas pela ilusão de que a arma lhes deu mais poder contra bandidos, reagirão – na grande maioria das vezes de forma completamente destreinada e sem nenhuma destreza e habilidade com o manuseio ágil da arma.

Em outras palavras, armar os “cidadãos de bem” implicará fazê-los morrer violentamente muito mais do que já morrem hoje.

 

Um ainda mais onipresente império do medo

Uma sociedade com medo: o armamento civil só piorará isso

Considerando essa probabilidade quase certa de explosão do número de assassinatos no Brasil depois que os cidadãos comuns adquirirem armas e andarem com elas nas ruas, vislumbro um império do medo ainda mais poderoso do que aquele que existe hoje.

As pessoas terão ainda mais medo de sair às ruas, armadas ou não. A sociedade viverá muito mais dominada por esse sentimento, já que a probabilidade de inocentes morrerem de latrocínios explodirá.

E falando nisso, se formos observarmos a essência da cultura do armamento civil, tão desejada pelos defensores do mesmo, relembraremos que ela se baseia, acima de tudo, no medo.

Só que, no final das contas, não será o medo dos bandidos de serem feridos ou mortos por valentes “cidadãos de bem”. Mas sim o dos próprios cidadãos de serem abordados por eles.

O que os fará andar armados na rua será o medo de serem assaltados a qualquer momento. E considerando as estatísticas que apresentei e as tendências de aumento da criminalidade pós-revogação do Estatuto do Desarmamento, a arma na bolsa ou cintura e o medo serão elementos de um ciclo vicioso, no qual o temor de ser roubado e morrer de violência será cada vez maior.

Nesse contexto, os outrora defensores não fanáticos do armamento dos civis tenderão a se perguntar: por que, ao invés de paz e segurança, estamos vivendo com muito mais medo e perigo?

E é essa paz que precisamos debater hoje, antes que medidas pautadas em achismo pessoal, falácias argumentativas, conversão de exceções em “regra”, sentimento de vingança e demagogia política, como revogar o Estatuto do Desarmamento, inviabilizem-na por completo.

 

A busca da paz como objetivo do Estado

O que as pessoas querem é paz. E não conseguirão isso submetidas a uma ameaça cujas causas não são combatidas

A História da humanidade tem provado, a cada ano, que não existe paz verdadeira quando se tem uma ameaça a ela pairando. Quando uma sociedade é assombrada por essa ameaça, ela sente medo e não tem mais nenhuma sensação de paz e segurança.

No caso do armamento civil, a ameaça continuará existindo, só que ainda mais forte do que hoje. Por tabela, o medo generalizado também será agravado. Ou seja, nada de paz.

Até porque a causa da ameaça temida não é eliminada quando o Estado autoriza que os governados se armem. E algo cada vez mais provado é que a desigualdade social acentuada, na qual a riqueza e opulência de uma pequena minoria se contrasta com a pobreza, a miséria e a privação de direitos e de qualidade de vida da grande maioria, é um dos fatores que multiplicam a criminalidade num país.

Um exemplo é referente às constatações do seminário A redução da maioridade penal em debate: contexto social, juventude e sistema prisional, realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2015 (grifos meus):

A técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea Enid Rocha iniciou o debate discutindo a relação entre a desigualdade social e a violência e pôs em foco a questão do preconceito racial como um dos fatores para a entrada dos jovens no conflito com a lei. “Quando pensamos neste adolescente, percebemos que a sua identidade é formada pela vulnerabilidade social e pela violência”.

De acordo com a sua pesquisa, sem escola, sem trabalho ou com inserção laboral precária, os jovens ficam mais desprotegidos e mais expostos, por exemplo, à cooptação pelo crime organizado (51% dos jovens que cumpriam medida socioeducativa de privação de liberdade não estudavam e 49% não trabalhavam).

Um segundo estudo foi apresentado pelo pesquisador do Ipea Daniel Cerqueira. A nota técnica Redução da Idade de Imputabilidade Penal, Educação e Criminalidade destaca que não existem, na literatura internacional, evidências de que o endurecimento das leis reduz a situação da violência de um país. Na mesma pesquisa, Cerqueira revelou que a chance de um jovem de 21 anos de idade e com até sete anos de estudo morrer por homicídio é 5,7 vezes maior do que a de outro com mais de sete anos de estudo.

A pesquisa intitulada Violência e desigualdade social, de 2002, por sua vez, assim relata em sua conclusão (grifos meus):

Os dados sugerem que a desigualdade no acesso a direitos alimenta a violência. As comunidades mais afetadas pela violência têm em comum uma superposição de carências. Os poucos elementos de proteção contra os efeitos da violência advêm da própria coletividade que, a despeito das condições muito adversas, em que a incivilidade e o desrespeito mútuo prosperam, resistem e mantém no dia-a-dia relações mais próximas e de mais cooperação com seus vizinhos do que moradores de outras regiões da cidade. O limite dessa resistência parece estar nos atos de violência que possivelmente são percebidos como ameaçando a própria sobrevivência. Nesses casos, eles se abstêm. Os moradores dos três distritos, de modo geral, parecem resistir mais às iniqüidades que outros moradores da cidade. A continuidade dessas carências, e desse parco acesso a direitos, parece decorrer muito mais da baixa capacidade de resposta do poder público do que da capacidade ou disposição desses moradores de agir coletivamente.

A discussão sobre a violência e sua relação com a manutenção (crescimento) da desigualdade teria que incorporar o papel que a falta de resposta do poder público desempenha na manutenção dos altos índices de violência. Não se trata aqui de pensar apenas o papel dos agentes encarregados de aplicar as leis mas de todos aqueles setores que deveriam garantir que a população tenha uma vida digna. Os dados apresentados reforçam que violência e insegurança caminham junto com pouca qualidade de vida, com ausência de política habitacional, com a implementação deficitária de serviços que podem provocar mais competição entre a população que se deseja, em tese, atender e proteger.

Mesmo a partir de um ponto de vista mais valorizador do crescimento econômico capitalista, aparecem estudos que revelam que a solução para a queda na violência será fruto apenas de políticas públicas e privadas estruturais. Um exemplo é o artigo Desemprego e violência em Brasília, de 2005, que conclui:

[…] a redução das taxas de violência, de crimes de diversas naturezas, do emprego de crianças passa, necessariamente pela aceleração da economia e pela redução das taxas de desemprego. Com isso, as soluções deverão aparecer e constar do ideário de governantes, empresários e cidadãos conscientes.

Em suma, tudo passa pelo Estado brasileiro assumir o compromisso e objetivo de semear a paz pública e a segurança na sociedade. E isso passa não só por desmilitarizar e aprimorar as polícias, mas também pela implementação de políticas estruturais que façam com que cada vez menos pessoas vejam motivos para cometer crimes.

Ou seja, não é simplesmente aumentar a velocidade do para-brisa para enxugar a água da chuva que cai, mas sim fazer a chuva parar.

 

Considerações finais

Uma sociedade armada é mais violenta

A reivindicação de abolir o Estatuto do Desarmamento e armar os “cidadãos de bem”, longe de resolver as causas da violência e prevenir que pessoas em situação de vulnerabilidade social, por motivos diversos, se tornem criminosas, tenta apenas enxugar o gelo da criminalidade.

E o pior é que esse enxugamento tende a só aumentar a água que sai desse gelo e deixar a toalha encharcada demais. Ou seja, além de não prevenir o surgimento de bandidos, os torna ainda mais perigosos, numa realidade em que a probabilidade maior de reação a assaltos fará com que eles matem mais inocentes.

E sobretudo, quando a defesa do armamento de civis se nega a reivindicar políticas estruturais, ela está deixando claro que não lhe interessa que o Estado objetive promover a paz, mas sim que proporcione uma ordem pública permeada de medo por todos os lados.

Essa sociedade sem paz, cheia de temor e fustigada por uma epidemia muito forte de assassinatos, que os anti-desarmamento estão reivindicando, será o nosso futuro, se você insistir nessa ideia sem analisá-la racionalmente e seus aliados políticos a fazerem prevalecer.

Com isso, se você quer realmente viver com segurança numa sociedade pacífica, ouça menos os apelos emocionais e falaciosos de quem defende o “direito do cidadão de bem” de andar armado, e mais as estatísticas e os estudos sérios de segurança pública e Sociologia do Crime.

Quem tenta apontar para você o armamento civil como “solução” para a criminalidade nada mais está do que manipulando você para crer em soluções fáceis e simples para problemas sociais complexos. E está fazendo isso com fins maliciosos e interesses políticos pessoais, que em nada têm a ver com o seu bem-estar. Portanto, eu sugiro: seja mais cético(a) perante pessoas desse tipo.

 

Leia mais sobre o tema:

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10 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Runnerba

novembro 4 2016 Responder

Interessante como TODAS AS ESTATÍSTICAS INTERNACIONAIS SÃO O CONTRARIO DO CITADO NO TEXTO. Será que o Brasil é tão diferente assim? Amigos, se os bandidos tem o “direito” de nos atacar, temos o direito de nos defender, DIREITOS IGUAIS. Armas são meios MUITO EFICAZES de autodefesa, se não fossem, não existiriam seguranças ARMADOS E ONIPRESENTES EM TODAS AS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS, na GOLOBO, nas prefeituras, nas indústrias, etc, etc. DESARMEM TODOS OS BANDIDOS E CONVERSAMOS SOBRE DESARMAMENTO DAS VÍTIMAS.

    Robson Fernando de Souza

    novembro 4 2016 Responder

    “Interessante como TODAS AS ESTATÍSTICAS INTERNACIONAIS SÃO O CONTRARIO DO CITADO NO TEXTO.”

    Você pode citar pelo menos três delas? Caso não cite, estará usando de falácia de apelo à autoridade anônima, ou seja, um argumento completamente inválido.

felipão

outubro 22 2016 Responder

não quero ter arma e não acho que revogar o estatuto vai aumentar ou diminuir a criminalidade, isso se faz com políticas de estado sérias… o bandido vai ter acesso a arma com estatuto ou sem…
Mas quero ter o direito de tê-la, simples assim!

Luciana

setembro 27 2016 Responder

Boa tarde!
Eu sou Estudante de Direito e EXTREMAMENTE CONTRA a revogação do Estatuto do desarmamento!
Eu sou moradora da Cidade do Rio de Janeiro,uma das Cidades mais violentas do Brasil e tenho a convicção de que pôr armas nas mãos de Civis não é a solução!
Como todos acompanham,estamos com um Governo de Estado falido devido aos desvios de verbas e dinheiro Público praticados durante a Gestão do Sr Sérgio Cabral e com esta Gestão completamente falha do Sr Pezão-Dorneles e um Estado omisso contribui diretamente para o aumento da violência urbana.
[Trecho de ódio aos pobres apagado. Estava bom até começar a regurgitar preconceito contra a população das favelas. Este blog não tolera preconceito, nem comentadores preconceituosos, esteja avisada. RFS]

Mas as pessoas parecem não estar satisfeitas e querem mais!Querem abastecer as indústrias de armas quando até o Presidente Barack Obama dos USA já cogitou mudar a lei e desarmar a população devido ao aumento de casos de civis baleando civis.E aqui nós vamos andar para trás???
Por quê?

Leiam o Código Penal Brasileiro!!!

A paz é a solução e não a guerra!!!

Seguir o exemplo deixado por líderes como Jesus e Gandhi é mil vezes melhor do que seguir Hitler;Mussoline e tantos outros!

Luciano

setembro 18 2016 Responder

Enquanto isso os bandidos continuam armados, poderosos rindo de nossas caras. Dizem que bandido não se intimida com policia más não tem peito de aço e muito menos cabeça de ferro os noticiários e videos na internet mostram isso claramente e francamente eu também acho que o cidadão tem o direito de se defender pois o cidadão trabalha paga seus impostos ai vem um bando de parasitas meter a mão em tudo que ele conquistou com muita luta e ele é obrigado a baixar a cabeça e mesmo assim os bandidos o matam só pelo prazer de ver o corpo cair ao chão e depois vão em algum bailão da vida cheirar cocaína, se divertir com as mulheres, lembrar da cara do cidadão assassinado e dar altas gargalhadas… lamentável.

Newton

agosto 19 2016 Responder

Existe uma falha na análise das estatísticas: a chance da vítima morrer ao reagir é alta, mas isso ocorre justamente porque o criminoso tem certeza que a vítima está desarmada.
Se as armas são permitidas, o assaltante irá pensar duas vezes antes de agir, pois a chance de ser morto agora é real e presente.
A maior utilidade do armamento não é matar, mas sim, intimidar. E é justamente isso que ocorre, por exemplo, nos EUA, onde apesar de haver permissão de armamento, o número de assassinatos é muito menor do que em países onde as armas são proibidas.
Os policiais são vítimas aqui não por estarem armados, mas por serem policiais, muitas vezes alvos de vingança por parte de criminosos.

    Robson Fernando de Souza

    agosto 19 2016 Responder

    Newton, peço que leia o artigo totalmente. E se possível, as matérias e estudos linkados, que incluem o perigo que os próprios policiais, assim identificados ou não pelos ladrões, passam ao serem assaltados fora do serviço.

      Newton

      agosto 21 2016 Responder

      Com 56.337 homicídios ocorridos em 2012, o país registrou 29 mortes violentas a cada 100 mil habitantes, número quase cinco vezes maior do que o índice mundial (6,2).

      As estatísticas foram contabilizadas pelo Observatório de Homicídios pertencente ao Instituto Igarapé, do Rio de Janeiro. Não se trata de nenhuma novidade, uma vez que, ano após ano, o Brasil quebra consecutivos recordes de criminalidade violenta, entre elas os homicídios.

      Concomitantemente, continua circulando a informação de que 120 mil vidas teriam sido “salvas” pelo advento do chamado Estatuto do Desarmamento, o qual foi aprovado em dezembro de 2003 em uma conturbada votação que ocorreu em plena vigência do “mensalão”, recurso por meio do qual o poder executivo pagava propina ao Congresso em troca da aprovação de projetos de lei de seu interesse.

      De acordo com essa tese, graças ao Estatuto do Desarmamento a crescente “epidemia” de homicídios teria sido reduzida, o que na prática resultaria em vidas poupadas.

      Seria mesmo esse o caso? Como “prever” taxas de homicídios? Essa metodologia de projeção de crimes é utilizada em mais algum lugar do mundo para se medir eficiência em Segurança Pública? Seria possível comprovar a causalidade entre a restrição de armas legais e a queda dos homicídios?

      Quase 5 anos atrás, os shoppings começaram adotar seguranças armados depois de um surto de roubos à lojas, em especial joalherias. Como não poderia deixar de ser, os desarmamentistas, profetas do caos, começaram a gritaria de que isso geraria tiroteios e mortes.

      Um desses profetas de araque foi o “especialista” em segurança pública José Vicente, que inclusive participa das audiências públicas sobre o PL 3722.

      Passados 5 anos, o que aconteceu? Alguém se lembra da última vez que houve um roubo em shopping? Houve alguma morte? Tiroteio? Algum segurança armado matou algum cliente em uma discussão? Zero! Nada! Nem roubos, nem mortes. Mais armas e menos crimes

      As mulheres são as maiores vítimas do desarmamento. As tentativas de estupro são consumadas 32% das vezes, mas o índice cai para 3% quando a vítima está armada. A proteção adicional que uma arma de fogo oferece para uma mulher é enorme, impondo maiores custos às ações criminosas contra mulheres em geral.

      Com efeito, dados criminalísticos indicam que uma mulher armada adicional aumenta a segurança da população feminina a uma taxa maior do que um homem a mais armado aumenta a segurança da população masculina

      No Reino Unido, um dos países com maiores restrições ao armamento civil, a taxa de estupros per capita é 125% maior que nos EUA, país com maior número de armas por habitante do mundo. As mulheres americanas utilizam armas de fogo 200 mil vezes por ano para se defenderem de crimes sexuais.

      Com efeito, dados criminalísticos indicam que uma mulher armada adicional aumenta a segurança da população feminina a uma taxa maior do que um homem a mais armado aumenta a segurança da população masculina

      De fato, nos EUA, há 80 vezes mais emprego civil de armas de fogo para prevenir crimes do que mortes por armas de fogo, incluindo acidentes e suicídios. Estes, aliás, respondem por 61% destes óbitos. E se um suicida estiver determinado a morrer, não vai ser o controle de armas que o impedirá.

      Acidentes com armamento, aliás, são muito raros. O lobby desarmamentista fica feliz quando eles acontecem, fazendo grande alarde, mas dentre todos os acidentes fatais nos EUA, apenas 0,43% são causados por armas de fogo, embora haja 0,9 dessas ferramentas por habitante. Ainda que consideremos apenas as vítimas fatais menores de 14 anos, menos treinadas e mais propensas a brincar indevidamente com armas de fogo, o índice permanece baixo: 0,6% (fonte aqui).

      Ressalte-se que esses acidentes são causados principalmente por negligência dos pais em relação à segurança do armamento e pela ausência de familiarização da criança com tamanho poder de fogo. Por mitigar esses dois fatores, uma cultura mais armamentista reduz drasticamente a taxa de acidentes. Nela, os filhos aprendem desde cedo a respeitar esses poderosos instrumentos e os pais acatam e impõe normas tácitas e formais de segurança, incentivando o senso de responsabilidade moral das crianças.

      Talvez isso explique por que o Brasil tem quase o dobro de acidentes com armas de fogo per capita do que a Suíça, embora tenha 5,7 vezes menos armas por habitante. Instrução de tiro infantil é uma tradição suíça.

      Ainda assim, entre 2003 e 2012, as armas de fogo nas mãos da população brasileira (estimadas entre 10 e 16 milhões) causaram apenas 0,7% das mortes acidentais de menores de 12 anos no país. Embora cada uma dessas 353 mortes seja uma tragédia irreparável, uma arma tem 18 vezes menos chances de matar uma criança acidentalmente, no Brasil, do que uma piscina

      Mais do que com acidentes, a mídia progressista fica radiante quando ocorrem assassinatos em massa praticados com armas de fogo (mass shootings). Políticos não perdem a oportunidade de defender ainda mais o controle de armas após estes trágicos eventos. A população, comovida e em choque, se agarra a tais discursos demagógicos sem possuir a fundamentação econômica e estatística para perceber tamanhas falácias.

      Assassinos em massa têm como objetivo matar pessoas. Isto pode ser feito com armas brancas, armas de fogo caseiras, armas de fogo contrabandeadas, veneno no suprimento de água, sabotagem contra estruturas prediais, veículos pesados, gases tóxicos nos dutos de ar, seringas contaminadas, ou atentados com explosivos improvisados, algo muito mais comum no mundo que os mass shootings.

      O desarmamento apenas impedirá que os inocentes obtenham meios de defesa contra esses facínoras.

      A sociedade moderna protege quartéis, corporações, tribunais, prédios do governo e políticos com armamento pesado. Mas desampara as crianças com uma placa na porta da escola com os dizeres “proibido o porte de armas”. Não há registro de assassinos que tenham respeitado tais avisos.

      Entre 1977 e 1995, nos EUA, houve 16 mass shootings em escolas. Apenas um deles aconteceu em um estado que permitia a posse civil de armas de fogo. Neste episódio, 3 pessoas foram atingidas, uma fatalmente. Nos outros 15 eventos, dentre mortos e feridos, 118 pessoas foram alvejadas, o que resulta em uma média de quase 8 baixas por ataque

      Em relação a períodos anteriores, estados que passaram a permitir o armamento civil obtiveram uma redução de 69% no índice de vítimas fatais de mass shootings per capita.

      Civis armados são mais eficientes do que a polícia em impedir essas tragédias. Mass shootings interrompidos pela polícia possuem uma média de 14,29 vítimas fatais. Mas quando um civil armado detém o crime, esta média cai para apenas 2,33.

      A superioridade do armamento civil em relação aos serviços estatais de policiamento é simples de ser explicada. Civis possuem mais interesse do que a polícia na segurança própria, de seus entes queridos e de suas comunidades. Além disso, a vítima está, por definição, presente no local do crime, e poderá atuar imediatamente. Os policiais agirão apenas após algum tempo, se agirem.

      Com efeito, civis armados em legítima defesa conseguem capturar, matar, ferir ou afugentar criminosos em 75% dos confrontos. A taxa de sucesso da polícia é de 61%. Em 1981, na Califórnia, cidadãos armados mataram 126 bandidos em ação, contra 68 mortos pela polícia.
      Pode-se concluir que boa parte da eficiência do armamento civil resulta da divisão de trabalho entre a população geral e agentes profissionais de segurança.

      Se o governo visasse a segurança do povo, facilitaria ao máximo o armamento civil, inclusive isentando armas de impostos. Mas o objetivo estatal não é a nossa segurança e sim nosso controle. Controle de armas não diz respeito a armas, mas sim a pessoas. As armas continuam existindo nas mãos dos criminosos convencionais e do estado.

      Esta assimetria de poder é extremamente desvantajosa para o homem comum, mas o governo tenta convencê-lo de que ela é necessária para sua segurança.

        Willian

        setembro 15 2016 Responder

        É assim que se faz! Seu comentário (sendo ou não de sua autoria) é um deleite aos meus olhos! com fatos, estatísticas e educação. Pra combater a política da covardia temos que explicar o óbvio, e você o fez com maestria. Parabéns!

Pedro

agosto 18 2016 Responder

Não creio que cada cidadão ter arma acabaria com a criminalidade, mas acredito que é direito do indivíduo ter a chance de se defender, no mínimo dentro de sua própria casa e dentro de seu carro. Se ele acaba colocando a si mesmo numa situação de maior perigo, é uma escolha dele. Quanto a andar armado na rua, confesso que não tenho opinião formada. Talvez fosse necessário no mínimo testes psicológicos e permissão apenas para quem não tem histórico criminal.

Pior do que tá, não fica. Vale à pena testarmos a liberação das armas já que todas as outras ações para redução da criminalidade necessitam de mais presença do Estado e atuação dos políticos, algo que nunca acontecerá.

Mas fugindo da discussão sobre armas, vejo dois pontos importantes para aumento da criminalidade no Brasil:

1) A educação, óbvio. Mas principalmente a redução da figura disciplinar da escola. Não discutindo de quem deveria ser a obrigação de disciplinar, mas de fato os professores até início dos anos 90 eram figuras a serem respeitadas.

2) Direitos humanos. O avanço na área de direitos humanos, infelizmente tem seu dano colateral. Se antes o policial “apertava” quem ele achava que tinha envolvimento com o crime, hoje não o pode fazer mais. Também não entro na discussão se é bom ou ruim dar mais poder de ação ao policial.

O Estado falha na educação, na falta de oportunidade para as pessoas mais carentes. Mas a disciplina, a compreensão do certo e do errado e o medo das consequências é o que mudou no país. É realmente um absurdo o indivíduo ter que limitar o bairro onde vai morar e se empoleirar em condomínios por medo de acordar com uma arma de fogo na cara. Precisamos testar possíveis soluções mais pragmáticas para tentar reverter o que passamos hoje.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo