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fev17

Respostas de esperança para 10 justificativas do desânimo e pessimismo com o clima político atual

otimismo X pessimismo

Você tem sentido desânimo e pessimismo pelo momento político nacional e global?

Sente o medo do futuro esmagar os sonhos de outrora?

Pois a hora agora é de sentir um alívio no seu coração.

Neste artigo, com o intuito de semear a esperança no futuro e a das pessoas na sua capacidade própria de reviver seu espírito cidadão e transformador do mundo, respondo a dez alegações que percebo serem bastante comuns para justificar aqueles sentimentos tão negativos na época de hoje.

Convido você a ler as respostas a cada uma delas. Certamente este artigo fará você sorrir e sentir um alento que há tempos não sentia.

 

Por que você está desanimado(a), pessimista e com medo? Respondendo às alegações que sustentam esses sentimentos

E que nunca nos falta a esperança de dias melhores

1. “Porque direitistas radicais estão ganhando as eleições ou tendo chances elevadas de serem eleitos, enquanto as esquerdas foram quase completamente varridas do poder por meio do voto.”

Esse fato, que a tantos têm desanimado, deveria ser não um motivo de baixar a cabeça e aceitar esperar pelo pior, mas sim de reavaliar as posturas e atuações da esquerda e discutir como podemos reconstruir o quadro esquerdista de partidos e candidatos, emancipado da dependência do PT.

Acredite, isso passa fundamentalmente por nós revermos nossas atitudes enquanto indivíduos engajados na luta por um país e mundo melhores. O estado de coisas atual tem muito a ver com a maneira com que nós mesmos, individual e coletivamente, temos lidado com os fenômenos sociopolíticos dos últimos anos e respondido a eles.

Afinal, nós fazemos parte da sociedade, e nossas ações e omissões se somam às de milhões de outras pessoas nas transformações sociopolíticas que se vivencia.

Quais posturas individuais merecem nossa autocrítica? Essa pergunta você poderá responder fazendo um balanço sobre como você tem atuado, digamos, desde o primeiro mandato de Dilma Rousseff.

E o que precisamos melhorar? Para responder a essa, você precisará pensar: como você pode atuar de forma mais influente e eficaz em prol das pautas que defende?

Essas perguntas demandam respostas individualizadas, que variam de pessoa para pessoa. Experimente, depois de respondê-las, conversar com seus parceiros de luta política mais próximos e amigáveis sobre o que você refletiu.

 

2. “Porque a esquerda como um todo está capenga e decadente, cheia de rachas e brigas internas, incapaz de mobilizar uma greve geral que seja, e não se esforça em fazer uma autocrítica e se reconstruir.”

A esquerda precisa urgentemente iniciar um processo de autocrítica e reconstrução. Promover isso é um desafio para cada um(a) de nós, e a ele precisamos responder não com desânimo e pessimismo, mas sim com uma vontade vívida de ter de volta aquela esquerda combativa, resistente e sonhadora.

É muito importante revelar: não devemos esperar passivamente que os outros comecem a fazer essa autocrítica. Comece você mesmo(a) a fazê-la.

Promova-a:

  • No âmbito individual: pergunte-se o que deixou de fazer, no que errou, quando se omitiu em algo e em que pode melhorar como pessoa engajada;
  • E no coletivo: dialogue em seu movimento social sobre quais erros e omissões ele tem cometido nos últimos anos, como consertar desavenças internas e externas e como proceder em situações de emergência, em casos como o impeachment de Dilma e um hipotético projeto de lei ou emenda constitucional que endureça o golpe de 2016.

Você perceberá que tem muito mais poder para contribuir para a reconstrução das esquerdas do que acredita ter. E que um número crescente de pessoas e movimentos autoinspirados fazendo a devida autoavaliação promoverá uma reação em cadeia que, no final das contas, dará uma injeção de vitalidade e reanimação para a esquerda como um todo.

 

3. “Porque tantas mobilizações (protestos, ocupações, greves etc.) nos últimos anos parecem não ter dado em nada. Temos acumulado derrota atrás de derrota.”

Perceba que duas palavras-chave estão por trás de cada ato de mobilização que fracassou: desunião e pouca adesão.

É praticamente certo que, se as esquerdas brasileiras estivessem unidas em torno de pautas em comum, como a renúncia de Michel Temer, as Diretas-Já pós-Temer e a restauração da ordem democrática, certamente conseguiríamos proezas como uma ou mais greves gerais implacáveis e protestos nacionais que, somados, teriam milhões de aderentes.

Mas as brigas internas entre as vertentes ideológicas das esquerdas têm realçado demais o que pensam diferente e ofuscado severamente o que defendem e sonham parecido.

Antes de tudo, é preciso cada um(a) de nós fazer a autocrítica – e reitero que você pode começar a fazê-la desde já sem ter que esperar pelos outros – e, nesse processo, pensarmos:

  • Como eu (você) tive participação em momentos de brigas internas e/ou conflitos com outras vertentes de esquerda?
  • Alguma dessas desavenças, por não ter sido motivada por machismo e misoginia, racismo, transfobia, elitismo, gordofobia etc. do outro, poderia ter sido evitada?
  • Como posso fazer minha parte em prol de uma esquerda que se capacite a pôr de lado as diferenças ideológicas e se unir em torno de pautas comuns?

A mudança de que a esquerda precisa para se reanimar pode começar em você. Experimente.

 

4. “Porque hoje só temos Lula como única esperança de tirar o Brasil das mãos da direita em 2018. E ainda assim há uma probabilidade alta de ele ter a candidatura obliterada daqui para lá ou sofrer um golpe depois de eleito.”

Ao meu ver, se votar em Lula será necessário para reanimar as esquerdas e livrar o Brasil da eventual vitória de Jair Bolsonaro ou um candidato neoliberal, então que votemos nele. E nos esforcemos para que a candidatura dele não seja injustamente abatida por maquinações de opositores.

Depois de ele ser eleito, cobremos-lhe o cumprimento do programa de governo, façamos nossas reivindicações que aprofundem a democratização do Brasil, fiquemos de olho se ele não comete os mesmos erros dos mandatos anteriores e também exijamos que seu mandato empreenda políticas que debelem a atual onda de ódio, intolerância e espírito autoritário.

Enquanto isso, façamos individual e coletivamente a autocrítica que sugeri nas respostas anteriores e, a partir dela, reconstruamos tanto a estrutura e a luta das esquerdas como a alternativa radicalmente democrática ao sistema eleitoral partidário.

5. “Porque tenho muito medo de o golpe do PMDB ser radicalizado por um ‘novo AI-5’, tal como aconteceu em 1968, ou Bolsonaro ser eleito presidente em 2018 ou 2022.”

Ainda há muito o que acontecer antes de 2018 ou de o Governo Temer alegar a “necessidade” de endurecer o golpe. Não devemos dar como certo ou altamente provável que uma dessas possibilidades aconteça.

Nesse meio tempo, precisamos desviar um pouco a atenção daquilo que foge ao nosso controle e focar naquilo em que nossas atitudes e decisões têm influência direta. O melhor exemplo é a já mencionada autocrítica, que tem sido tão necessária para que a esquerda comece seu processo de recuperação e reerguimento.

 

6. “Porque a impressão que dá é que o Brasil retrocedeu vários anos ou mesmo décadas em termos de avanços sociais, Direitos Humanos e respeito à democracia.”

Eu pessoalmente prefiro dizer que muitos desses alegados avanços na democracia e na ordem social foram superficiais. Afinal, de 1985 para cá:

  • Não se tratou as feridas, traumas e sequelas deixados pela ditadura militar;
  • Em nenhum momento colocou-se em xeque o poder dos muito ricos, das oligarquias regionais, das grandes multinacionais e das igrejas-corporações;
  • A educação escolar pública e privada não deu avanços muito grandes rumo a uma pedagogia libertadora;
  • Nem a própria esquerda tomou a iniciativa de trazer à sociedade a educação conscientizadora que as escolas não trazem;
  • Muitos partidos e movimentos passaram a negligenciar os trabalhos de base, que haviam sido tão necessários para a Redemocratização, quando o certo seria torná-los um trabalho permanente.

Ao meu ver, é surpreendente que muitos na esquerda creiam que o que se viveu foram avanços sólidos cuja probabilidade de reversão era baixa, mesmo que não tenham implicado transformações nas estruturas do poder político, econômico e religioso no país.

Apenas nos Direitos Humanos é que pudemos vivenciar vitórias mais significativas. O racismo, o machismo, o heterossexismo, a transfobia etc. não foram completamente derrotados, mas atualmente os movimentos sociais das minorias políticas são muito mais fortes do que eram nos anos 80 e 90, e já não se pode mais ser preconceituoso sem que sofra algum tipo de repreensão social.

Além disso, foram conquistadas cotas raciais e sociais, leis de combate à discriminação, secretarias governamentais voltadas aos Direitos Humanos. As minorias políticas hoje têm mais voz do que tinham poucas décadas atrás.

Há muito pelo que se lutar ainda e retrocessos a se evitar, mas não dá para dizer que nos DH as mudanças vivenciadas foram tão superficiais e facilmente reversíveis quanto nas questões da democracia, da cultura de paz e da diminuição das desigualdades sociais.

Além disso, lembremo-nos que toda ação enseja uma reação. Por mais que se revogue leis e políticas de proteção aos direitos das minorias, a soma de retrocessos irá resultar numa revolta social disseminada.

Enfim, para catalisar a indignação do povo perante os desmandos dos governos de direita no Brasil, é essencial que a esquerda se recupere, como já foi falado anteriormente.

E lembremo-nos que, se movimentos como o negro, o feminista, o LGBT e o ambientalista conseguiram avanços nas últimas décadas, não foi encastelando-se nas universidades e nos fóruns virtuais privados, mas sim fazendo trabalhos de base na internet e presencialmente nas comunidades.

Ou seja, além de promover a autocrítica de esquerda, você também pode contribuir para que os retrocessos sejam revertidos promovendo você mesmo(a), individualmente ou com seu coletivo, na medida do possível, trabalhos de conscientização, diálogo e acolhimento de pessoas necessitadas.

Entre elas, podem ser ajudadas por você mulheres vítimas de violência doméstica e relacionamentos abusivos, pessoas não héteros e/ou trans expulsas de casa, pessoas negras vítimas de racismo, indígenas expulsos de suas terras ancestrais etc.

 

7. “Porque as notícias boas pararam de aparecer, enquanto as ruins pipocam o tempo todo na mídia e nas redes sociais.”

Sobre essa preocupação, tenho duas revelações felizes a dar.

Primeiro, muita coisa positiva tem acontecido por aí. No artigo 10 motivos para você resgatar e renovar sua esperança no futuro, especificamente no motivo nº 6, listo diversas boas novas que têm colorido o mundo ao longo dos últimos meses. O problema é que elas estão sendo subnoticiadas e ofuscadas em favor dos maus acontecimentos.

E segundo, você pode começar a semear boas notícias no mundo. Saiba como a esperança do mundo pelo futuro pode surgir de você próprio(a) neste artigo recente.

Aliás, recomendo enfaticamente que você leia os dois artigos que cito logo acima. Eles certamente farão seu dia mais feliz e trarão um alívio e um bem-estar muito gostosos para o seu coração.

 

8. “Porque as pessoas estão mais intolerantes e fechadas ao diálogo do que poucos anos atrás.”

Algo que tenho notado é que a intolerância e a atitude radicalizada de rejeitar o diálogo não são exclusivas de quem aderiu aos discursos de extrema-direita. Pessoas de todas as vertentes ideológicas, entre anarquistas, comunistas, socialistas, socialdemocratas, liberais, neoliberais, conservadores, “libertários” de direita, religiosos fundamentalistas etc., têm incidido em discursos de aversão e agressão verbal a quem pensa diferente.

As hostilidades têm sido mútuas, tanto entre direita e esquerda como entre as vertentes internas da própria esquerda e dos movimentos sociais – embora a direita radical seja campeã na frequência, intensidade e violência de atos e declarações de intolerância.

Por tabela, provavelmente você também assimilou diversos comportamentos de intolerância e hostilização ao outro. Relembre-se dos momentos em que você:

  • Xingou conservadores e neoliberais;
  • Respondeu ódio ideológico com ódio ideológico;
  • Foi debater sem nenhuma boa vontade para escutar atentamente e entender o que o outro crê e defende;
  • Tratou a direita brasileira como uma confraria do mal;
  • Usou nomes depreciativos e descrições estereotipadas para se referir a correntes de esquerda diferentes da sua etc.

Faço aqui também uma mea culpa, uma vez que, entre 2014 e 2016, publiquei neste Consciencia.blog.br diversos artigos e coletâneas de pérolas apontando muitos dedos para quem reproduz discursos reacionários de direita. Aquelas postagens se expressavam de uma maneira que não favorecia nem um pouco o debate saudável e amigável com quem acredita(va) nos argumentos criticados.

Portanto, se você deseja uma realidade com cada vez menos intolerância e mais civilidade, comece por você próprio(a). Desconstrua suas próprias atitudes violentas. Busque aprender métodos de comunicação não violenta e escuta empática. Tente entender por que aqueles seus parentes e colegas adquiriram pensamentos e comportamentos tão agressivos, e como satisfazer pacificamente as necessidades psicológicas que eles tentam suprir com tais posturas violentas.

 

9. “Porque a situação política e econômica no Brasil e no mundo me deixou com depressão.”

De fato o estado de coisas atual tem favorecido muito o adoecimento mental de muitas pessoas. Temos visto nas redes sociais cada vez mais pessoas revelando ter depressão, síndrome do pânico, ansiedade generalizada, estresse crônico e outros transtornos mentais, assim como relatos de quem tem padecido com a fragilização emocional e a propensão acentuada ao sofrimento psicológico.

Se você é uma dessas pessoas, recomendo enfaticamente que procure ajuda profissional. Depressão, ansiedade, fragilidade emocional atípica e outros problemas do tipo não são algo que se pode tratar com conselhos ou tentativas de mudar de atitude sozinho(a). São casos para se buscar tratamento com bons psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e terapeutas holísticos.

 

10. “Porque a crise econômica me rendeu sérios prejuízos, e não há perspectiva de quando ela vai acabar.”

Muitas pessoas têm ficado abaladas menos pelo panorama sociopolítico atual do que pela crise econômica que começou a infectar o Brasil em 2015. O que lhes piora a preocupação é que governos como o de Michel Temer (no Brasil) e Donald Trump (nos Estados Unidos) têm empreendido políticas que só fragilizam ainda mais as economias nacionais e o mercado financeiro global e desamparam aquelas pessoas que têm sido as mais afetadas pelo declínio da economia.

Existem maneiras de diminuir ou superar as consequências da crise para você. Eu lhe sugiro:

  • Estudar, autodidaticamente ou por meio de cursos que você pode pagar, para adquirir novas habilidades de trabalho e obter as atualizações necessárias para ter um diferencial no mercado de trabalho;
  • Recorrer ao microempreendedorismo utilizando seus talentos e habilidades existentes, caso tenha sofrido demissão recentemente;
  • Ajustar seu orçamento de casa e do empreendimento, de modo que gastos supérfluos sejam evitados e se possa ter mais dinheiro para investir em soluções para robustecer sua empresa;
  • Ler relatos sobre empresas que conseguiram driblar a crise e prosperar mesmo em tempos difíceis, e inspirar-se neles.

 

Bônus: “Porque não há uma luz no fim do túnel.”

Se o túnel escuro parece não ter fim, uma solução metafórica é cavarmos um desvio para que a claridade lá fora seja alcançada por uma maneira diferente das convencionais.

Traduzindo numa linguagem mais clara: se a solução não está surgindo lá fora, devemos nós mesmos criá-la, debatê-la e aplicá-la. O espírito de luta que tem feito falta na esquerda pode surgir de você. A autocrítica das esquerdas pode ser iniciada por você mesmo(a). A onda de intolerância pode começar a enfraquecer graças aos seus esforços pessoais no sentido de desconstruir seus próprios comportamentos de agressividade e hostilidade.

De uma maneira ou de outra, a luz do sol fora da montanha que rodeia o túnel será alcançada – provavelmente de maneiras que hoje você nem imagina.

 

Considerações finais

Seja o espelho da mudança do mundo

Nós não somos, neste mundo, indivíduos meramente passivos, a quem nada resta além de esperar que os outros desenvolvam as soluções, os outros façam as boas notícias voltarem a surgir com força, os outros se esforcem para reerguer a esquerda brasileira e restaurar a ordem democrática.

Você tem muito mais força, como indivíduo e como membro de uma coletividade que também precisa de você, do que imagina.

Se o mundo não te agrada, experimente começar a mudá-lo por iniciativa sua. Não espere que outras pessoas comecem a agir e inspirar você. Seja você a pessoa exemplar que trará esperança para o mundo.

Não aguarde o mundo mudar de fora para dentro. Não se resigne diante da ausência de “boas vibrações” vindas do meio externo. Mude-o de dentro para fora.

Ao contrário do que possa parecer, o mundo tem jeito sim, e provavelmente você será a pessoa que vai dar esse jeito.

Para isso, como aconselhou Mahatma Gandhi, seja a mudança que você deseja ver no mundo.

 

Este artigo ajudou você a repensar uma ou mais crenças pessimistas e voltar a ter esperança no futuro? Compartilhe-o e comente logo abaixo.

Alternativamente, você discorda de alguma das respostas aos argumentos de desesperança? Comente logo abaixo o que você achou.

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3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Bruno dos Anjos

Abril 5 2017 Responder

Robson, recentemente, ocorreram várias mobilizações da esquerda em diversos lugares do Brasil, contra a terceirização, reforma da previdência, etc. Você acha que agora a esquerda vai acordar e voltar a ser bastante ativa e esperta?
Abraço!

    Robson Fernando de Souza

    Abril 5 2017 Responder

    Bruno, assim eu espero. Só que eu acho que ainda está tendo um intervalo grande demais entre as mobilizações, e elas ainda estão muito arregonas. Foram 16 dias entre os dias 15 e 31 de março, e 28 entre a mobilização de 31/03 e a paralisação geral de 28/04 – que ainda assim é de só um dia.
    Abs!

Newton

Março 5 2017 Responder

A afirmação de que democracia significa liberdade é um mito. Verdadeiramente, a democracia é o oposto da liberdade. Neste arranjo, todos devem se submeter às decisões governamentais; na verdade, o fato do governante ter sido eleito pala maioria apenas significa que tivemos o direito de escolher quem vai nos coagir.
Deixe de pagar seus impostos para ver o que acontece. Neste sentido, não existe diferença entre uma democracia e uma ditadura.
Bem disse Aristóteles: “A democracia ilimitada, assim como a oligarquia, é uma tirania espalhada por um grande número de pessoas.”
A democracia é também vista, muitas vezes, como andando de mãos dadas com a liberdade de expressão, mas, novamente, isto é um mito. Não há nada nos ideais da democracia que favoreça a liberdade de expressão. Os países democráticos têm todos os tipos de regras que limitam a liberdade de expressão. Na Holanda, é proibido insultar a rainha.
Nos Estados Unidos, a Primeira Emenda da Constituição garante a liberdade de expressão, mas ‘com exceção de obscenidade, difamação, incitação ao motim e palavras de luta, bem como o assédio, comunicações privilegiadas, segredos comerciais, material secreto, direitos autorais, patentes, conduta militar, comerciais tais como publicidade, e restrições de tempo, lugar e modo’. Um monte de exceções.
Obviamente, a verdade é que isto simplesmente não tem como funcionar. No final, os políticos sempre irão fazer as únicas coisas que eles realmente sabem fazer:

1. Desperdiçar enormes quantias de dinheiro em problemas que são ou insolúveis ou transitórios;

2. Criar novas leis e regulações;

3. Criar comissões para supervisionar a implantação das suas leis.

Não há realmente nada mais que eles possam fazer, como políticos. Eles não podem sequer pagar as contas de suas atividades, cuja fatura é enviada para os pagadores de impostos.

É possível ver as consequências desse sistema ao seu redor, diariamente. As principais são a burocracia, o parasitismo e o assistencialismo.

O estado assistencialista democrático estimula a irresponsabilidade e o comportamento antissocial. Em uma sociedade livre, as pessoas que se comportam mal, que não conseguem manter as suas promessas ou que agem sem preocupação com os outros, perdem a ajuda de amigos, da vizinhança e da família. No entanto, no atual arranjo, nosso estado assistencialista lhes diz: se ninguém mais quer ajudá-lo mais, nós ajudamos!

Assim, pessoas imprudentes e imediatistas são recompensadas por comportamentos antissociais. Como elas estão acostumadas que o governo lhes forneça tudo de que elas necessitam, elas desenvolvem a mentalidade dos aproveitadores, daqueles que não querem trabalhar para o seu próprio sustento. Para piorar a situação, legislações trabalhistas rígidas (assim como leis anti-discriminação) tornam difícil para os empregadores se livrarem de funcionários incompetentes. Da mesma forma, os regulamentos governamentais tornam quase impossível expulsar alunos ou despedir professores que se comportam mal ou têm mau desempenho.

Com tudo isso, fica difícil não ser pessimista. E isso é apenas a ponta do iceberg. Nada irá melhorar se continuarmos alimentando o dragão.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo