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fev17

Como a esperança que moverá o futuro surgirá de onde (e quem) você menos espera
Esperança no futuro, nascer do sol

Foto: autoria desconhecida

Você tem sentido um desânimo, uma desesperança pelo futuro que nos espera?

O clima político no Brasil e no mundo como um todo lhe traz pessimismo e medo?

Se sim, saiba que há esperança, apesar de, à primeira vista, não parecer.

E o melhor de tudo é que provavelmente essa esperança poderá surgir de onde (ou de quem) você menos espera que apareça.

Saiba onde ela está dormindo, e como você mesmo(a) pode acordá-la e contribuir decisivamente para que os “tempos sombrios”, que tanto se tem lamentado, deem lugar à bonança.

 

Onde encontrar a esperança

Energia, aura, chama violeta

Imagem: autoria desconhecida

Por inacreditável que pareça, a esperança por um futuro melhor está, ainda que adormecida, dentro de você!

Irá entender por quê. Vou explicar com prazer.

Se você se considera de esquerda e repudia a onda de radicalismo de direita que tem assolado o mundo e o Brasil, então o estado atual da humanidade não lhe agrada.

Por mais que esteja pessimista e temeroso(a), você continua desejando um futuro melhor para os seres humanos, o meio ambiente do planeta e, se for vegan, para os animais não humanos também.

Isso mesmo que, no momento, esse futuro melhor seja simplesmente uma realidade em que o reacionarismo fanático que tem se alastrado seja controlado tal como um incêndio de grandes proporções. Um estado de coisas no qual a atual sede de muitos por governos autoritários e perseguição política contra a esquerda e as minorias políticas pare, e a democracia volte a respirar ar puro.

Pessoas que adotam um posicionamento de esquerda, teoricamente falando, fazem questão de intervir no mundo, de modo a ajudá-lo a se tornar um lugar melhor, por uma ou mais das seguintes maneiras:

  • Realizar trabalhos voluntários em entidades filantrópicas;
  • Doar ou contribuir para partidos, movimentos sociais e/ou sindicatos;
  • Ser membro ativo de um ou mais desses três;
  • Expressar-se politicamente, em blog, vlog ou discursos ao vivo, de modo a influenciar outras pessoas a também desejarem e construírem um mundo mais humanitário, justo e sustentável;
  • Ensinar os valores da democracia, dos Direitos Humanos, da tolerância etc. em sala de aula;
  • Usar as redes sociais para compartilhar conscientização sociopolítica escrita ou gravada por outras pessoas;
  • Participar ativamente de greves, ocupações, protestos, panfletagens e outras formas de mobilização – muito mais do que simplesmente não ir ao trabalho ou à escola ou universidade;
  • Defender e praticar o voto consciente em candidatos que defendem e promovem os Direitos Humanos, a redistribuição de renda, a justiça social, a sustentabilidade ambiental, o avanço da democratização etc.;
  • Entre outras.

Ou seja, ao tomar uma ou mais dessas ações, você já está ajudando a coletividade a construir um futuro melhor para todos. A partir do momento em que você age e, respeitando-se os intervalos e descansos, não para mais, você já se torna parte da esperança.

A não ser que, de alguns meses para cá, você tenha parado de atuar.

 

Como resgatar essa esperança que se perdeu dentro de você

Pergunte-se

Para você (re)colocar em prática a esperança que você representa para o mundo, é preciso perguntar-se:

  • Por que ela se apagou parcial ou totalmente dentro de mim (você)?
  • Como isso aconteceu?
  • O que eu deixei de fazer depois que ela diminuiu?

Uma vez que as respostas são estritamente individuais – ou seja, cada pessoa teve seu próprio conjunto de motivos para desanimar -, só você poderá respondê-las devidamente.

Depois de prover respostas a essas perguntas, você precisará então se perguntar:

  • O que precisa acontecer para que minhas esperanças ressurjam?

Provavelmente, a primeira resposta a aparecer será as boas notícias começarem a aparecer, e mudarem o humor das pessoas coletivamente.

Se foi isso mesmo que você pensou, então reflita:

  • Como eu mesmo(a) posso criar boas notícias para o mundo?

Se estiver com dificuldades para ter uma ideia do que pode fazer para abastecer a sociedade com boas novas, então trago algumas sugestões a seguir.

 

Como trazer de volta as boas notícias para o mundo (e para você mesma[o])?

Construindo um mundo melhor

Tenho o prazer de listar algumas maneiras que sugiro que você adote uma ou mais:

  • Dialogar com aqueles conhecidos e familiares que nem abraçaram a esquerda, nem se tornaram fanaticamente reacionárias e fechadas à possibilidade de repensar suas crenças, de modo a fazê-las concluir, com reflexão – não com ideias impostas e “injetadas” de fora para dentro -, que um futuro melhor definitivamente não será encontrado nas ideias dos conservadores radicais e defensores da intolerância;
  • Estudar métodos de diálogo conscientizador, que influenciem quem não tem a mente fechada para diálogos políticos;
  • Estudar como e por que muitas pessoas deixam de ser apolíticas, liberais ou moderadamente conservadoras para se tornar intolerantes e extremistas em suas posições políticas;
  • Compartilhar conteúdos de apologia e incitação à tolerância e à empatia, não atrelados a correntes político-ideológicas específicas. A isenção política desse conteúdo será necessária para se mostrar, por exemplo, que é possível ao mesmo tempo ser de direita e ter compaixão, alteridade e respeito por quem é e pensa diferente;
  • Exercitar você mesmo(a) a tolerância. Percebo que o clima atual de hostilidades mútuas é alimentado por ambos os lados – ainda que a intolerância seja mais frequente, intensa e violenta na direita radical. Ou seja, se a esquerda tivesse mais empatia, vontade de compreender o outro (que no fundo queira dialogar e ser compreendido) e afeição ao diálogo diplomático, e não se restringisse a esperar que essas virtudes aflorassem magicamente entre os direitistas, o outro lado certamente “deporia as armas” e aceitaria um debate mais humano. Obs.: Isso não é um conselho para tolerar machismo, racismo, heterossexismo, elitismo, gordofobia, xenofobia etc.;
  • Promover a tolerância e a amizade dentro da esquerda. Se essa vertente político-ideológica não tem conseguido grandes resultados nos últimos anos, um dos motivos é a desunião dentro dela própria. Brigas internas e a má vontade de dialogar e encontrar pautas em comum pipocam por todo lado. Obs: Isso não significa deixar de repreender machistas, racistas, transfóbicos, elitistas etc. na esquerda;
  • Se você for cristã(o) ou tiver simpatia pelo lado humanitário do cristianismo, compartilhar mensagens bíblicas de Jesus Cristo ligadas à tolerância, ao amor ao próximo e a outras virtudes que fazem falta hoje entre os próprios cristãos, assim como textos escritos por pensadores cristãos que preguem esses valores;
  • Estudar como falar com o coração das pessoas, entender e trabalhar as emoções delas. Uma sugestão que eu dou é a leitura do livro Comunicação não violenta, de Marshall Rosenberg;
  • Procurar ajuda profissional psicológica. O estado de coisas do mundo dialoga diretamente com nossa saúde mental e emocional. O auxílio da(o) psicóloga(o) será muito útil, quando não estritamente necessário, tanto para você recuperar a saúde como para aprender a lidar melhor com a realidade ao seu redor;
  • Buscar as boas notícias onde elas estão acontecendo. Percebo que, na maioria dos casos, o problema não é que não está havendo bons acontecimentos, mas sim que eles estão sendo subnoticiados e ofuscados em favor dos ruins;
  • Escrever, gravar ou compartilhar conteúdo didático básico para que seus contatos das redes sociais passem a entender melhor as reivindicações da esquerda. Acredito que as manifestações de analfabetismo político diminuiriam muito se se difundisse o costume de compartilhar regularmente conteúdo educativo que ensine Direitos Humanos, valores democráticos, as verdadeiras reivindicações dos movimentos sociais e das diferentes correntes ideológicas não extremistas de esquerda e direita etc.;
  • Compartilhar conteúdo que desmonte mitos frequentes no senso comum sobre esses temas, pelo mesmo motivo da sugestão acima;
  • Compartilhar conteúdos de páginas e sites que preguem e tragam a felicidade, o respeito às diferenças, a esperança, as boas notícias, as mensagens positivas e outros valores e ações virtuosos, ou criá-los.

 

Você é a esperança, e pode ajudar outras pessoas a serem-na também

Chirrut Îmwe, guerreiro da esperança

Chirrut Îmwe, guerreiro da esperança. Imagem: Lucasfilm, Walt Disney Studios Motion Pictures

Essas ações sugeridas construirão, pouco a pouco, no trabalho de formiguinha, a cultura da esperança, da tolerância, do respeito, da cidadania, do senso democrático e da felicidade. E posso dizer com fé que, ao adotar algumas delas, você mesmo(a) começará a se sentir bem melhor.

Seu estado de espírito terá muitas feridas saradas. O sentimento de desânimo e letargia dará lugar ao de satisfação por fazer sua parte – sem que você precise esperar que os outros também comecem a fazer as suas.

E com certeza, depois que você (re)começar a plantar as sementes do bem no mundo, ele será melhor do que era antes desse plantio. Isso já será uma notícia maravilhosa.

Para lhe dar esse ânimo, antes de concluir o texto, trago uma mensagem do guerreiro Chirrut Îmwe, do filme Star Wars: Rogue One:

“Eu sou um com a Força, e a Força está comigo.”

A você eu digo: nossa Força é a esperança e a ação por um mundo melhor. Assim sendo, eu desejo muito que você seja um(a) com ela, e ela esteja com você.

imagrs

6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

lucia costa

março 30 2017 Responder

Gostei do blog. Aproveito para partilhar esse link sobre o ano de 2017, o ano de Saturno!
Aline explica o que isso significa, também.
https://www.youtube.com/watch?v=YD0i3yAejAE&feature=youtu.be

Newton

março 5 2017 Responder

Toda essa sensação de mal-estar é consequência do maior mal que já acometeu a humanidade em todos os tempos: o coletivismo.

A principal e mais marcante característica do ser humano, e o que inclusive o distingue das formas de vida menos evoluídas, é o fato de cada indivíduo ser único, não existem duas pessoas iguais, e qualquer coisa que vá contra esse princípio básico é um atentado à própria essência do ser humano.

Políticas e ações coletivistas classificam e catalogam os seres humanos, e frequentemente cometem o erro crasso de considerarem todos as pessoas que compartilham características físicas ou intelectuais semelhantes como estritamente iguais, isto é, pensam, desejam e almejam as mesmas coisas. Destes conceitos coletivistas advém males como racismo e a intolerância. Esta é a causa do mal estar, ou melhor, da sensação de inadaptação ao mundo que aflige as pessoas.

Eugenia Veimen

fevereiro 22 2017 Responder

Bravo, Robson!!!!
Texto simples e ao mesmo tempo profundíssimo. Claro como a água. Eu concordo absolutamente com cada uma das suas palavras. Sempre pensei e senti exatamente isso tudo o que você escreveu.
O universo é dinâmico, a vida é dinâmica, tudo é um ciclo, e neste momento estamos vivendo um ciclo sombrio, mas é exatamente assim, exatamente por isso é que brota a luz, como uma maneira de corregir, de reparar, de resolver o caos. E sempre, sempre mesmo, as transformações de um ciclo sombrio para outro evoluído começa com alguém aqui, outro lá, em alguma parte do mundo fazendo algo útil como o que foi sugerido por você.
Afinal, “da lama nasce a flor de lótus”.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 25 2017 Responder

    Gratidão, Eugenia! =D abção!

Elaine

fevereiro 20 2017 Responder

Perfeito,ótimo texto!
Estamos precisando mais disso, atitudes claras e consciente. Menos afetação e rancor, mais esperança e amor.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 21 2017 Responder

    Gratidão, Elaine ^^ Abs!

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