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maio17

#DesaceleraSP: a necessidade de uma oposição popular ao projeto de cidade de João Doria e seus aliados
Acelera, São Paulo, até bater

“Acelera, São Paulo”: um projeto urbano sombrio

“Acelera, São Paulo!” – dizia João Doria Junior em sua campanha para prefeito de São Paulo, em 2016.

Muitos apoiaram entusiasmados a ideia de que São Paulo “precisa de desenvolvimento acelerado”, que “precisa crescer mais”, que isso viria “melhorar” a vida dos paulistanos.

Esse apoio desconhecia – e ainda hoje desconhece – aspectos bem sinistros desse projeto de cidade “acelerada”.

Convido você a conhecer esse lado sombrio do #AceleraSP, e descobrir a necessidade de se criar um projeto urbano opositor: o #DesaceleraSP – o qual também quero muito que você vislumbre neste artigo.

 

O lado sombrio do #AceleraSP

Acelera São Paulo, trollface

Muitos que votaram em Fernando Haddad no ano passado – e tiveram a infelicidade de vê-lo perder já no primeiro turno – sabem que votaram a favor de uma cidade voltada para as pessoas, não para os carros e o dinheiro.

Quando foram às urnas, sabiam que estavam tentando impedir o triunfo de um modelo urbano oposto: o da cidade cinzenta que insiste em construir prédios atrás de prédios, privatiza aquilo que é público, “cresce” na medida do aumento do número de carros e prédios nas avenidas e da poluição no ar, diminui o direito de ir e vir de quem não tem ou não usa carro. Votaram contra a “São Paulo acelerada” de Doria.

Enfim, o que o projeto de Doria realmente quer para São Paulo – e, caso ele aceite se candidatar a presidente em 2018, para todas as cidades do Brasil? O que o #AceleraSP reserva para a Terra da Garoa?

Pudemos ver, nesses primeiros meses de mandato, Doria já colocando as unhas para fora ao realizar ou prometer:

Fica claro o que a São Paulo “acelerada” está sendo: uma cidade mais triste, cinza, insalubre, poluída, desumanizada, desconfortável, antidemocrática, descompromissada com o meio ambiente e o bem-estar humano, vendida para as empresas e os lobbies automobilístico e petrolífero.

 

Os perigos da cidade grande “acelerada”

São Paulo mais cinza com João Doria

Arte de Toni D’Agostinho

Além de todos esses retrocessos, precisamos pensar também sobre a proposta em si de radicalizar em São Paulo a cultura da “aceleração”.

Peço a você que pense naquilo que lembra uma cidade “acelerada”, no sentido desenvolvimentista capitalista defendido por João Doria e outros entusiastas da cidade neoliberal dos sonhos deles.

Pensou?

Acredito que tenha pensado em elementos como:

  • Mais prédios;
  • Mais carros;
  • Mais poluição;
  • Mais correria;
  • Mais engarrafamentos;
  • Mais estresse;
  • Mais trabalho;
  • Mais helicópteros voando;
  • Mais criminalidade;
  • Mais empregos precarizados;
  • Mais desmatamento;
  • Mais propaganda nas ruas;
  • Mais demolições de prédios antigos;
  • Mais letreiros luminosos;
  • Mais luzes artificiais;
  • Mais problemas de saúde física e mental;
  • Mais doenças e epidemias;
  • Menos áreas verdes íntegras e bem conservadas;
  • Menos áreas florestais;
  • Menos bicicletas;
  • Menos sossego;
  • Menos tranquilidade;
  • Menos tempo livre;
  • Menos lazer;
  • Menos estrelas no céu, por causa da poluição luminosa;
  • Menos áreas pacatas de vida simples no território municipal;
  • Menos patrimônio histórico e ambiental preservado;
  • Menos tempo para meditar e descansar;
  • Menos condições de passear a pé pela cidade;
  • Menos democracia;
  • Menos prazeres;
  • Menos alegria;
  • Menos cultura popular;
  • Menos cores vivas (fora os letreiros luminosos das empresas e anúncios);
  • entre outros.

Digamos que esse será o resultado da cidade “desenvolvida” e “acelerada” defendida em planos tipicamente capitalistas, que privilegiam o lucro das empresas e fazem pouco caso da qualidade de vida das pessoas.

 

Desacelera, São Paulo!

Manifestação Valeu, Haddad, em outubro/2016

Manifestação “Valeu, Haddad” em outubro de 2016. Está na hora de quem apoiou Haddad formar a oposição popular #DesaceleraSP

Diante desse sombrio quadro de “realizações” e promessas pendentes de João Doria, fica muito clara a necessidade de se erguer uma oposição popular, que enfrente esse plano de retrocessos urbanísticos, ambientais e gerenciais. Uma oposição que diga, sem nenhum medo: Desacelera, São Paulo!

Precisamos dessa força, que busque resgatar aqueles sonhos tão abundantes entre 2013 e 2014, de uma cidade mais humana, democrática, sustentável, verde, viva, cultural, diversificada.

Isso implica tanto defender a restauração do melhor que o mandato de Haddad trouxe para São Paulo como reivindicar a reversão dos retrocessos impostos por Doria. E, sobretudo, lançar uma ou mais candidaturas a prefeito e vereador em 2020 que tragam de volta os sonhos de uma cidade melhor.

Seria um movimento a envolver todos aqueles que estão sendo direta ou indiretamente prejudicados pelas políticas cinzentas de Doria:

  • Pessoas que estão com a saúde ameaçada pela poluição e pela “aceleração” da cidade;
  • Ciclistas que têm contado com cada vez menos ciclofaixas e ciclovias;
  • Artistas desassistidos pela prefeitura tucana;
  • Usuários dos parques em processo de precarização e pré-privatização;
  • Pessoas que perderam opções de lazer depois do começo do mandato de Doria;
  • Passageiros de ônibus negligenciados pela carência de uma política sólida de transporte público municipal;
  • Cobradores de ônibus ameaçados de perder seus empregos;
  • entre outros cidadãos cujos direitos e empregos estão em xeque por causa do mandato do “gestor”.

Então, que o projeto oposicionista #DesaceleraSP seja debatido e defendido, por quem está perdendo seus direitos nesse mandato de Doria.

 

Considerações finais

Desacelera, São Paulo! #desaceleraSP

São Paulo precisa desacelerar e dar a volta no caminho de caos urbano no qual o mandato de Doria colocou a cidade. Esse processo precisa começar a partir de um movimento organizado de oposição, que até o momento ainda não veio à existência.

#DesaceleraSP poderia ser a hashtag, para se opor ao nefasto projeto #AceleraSP, que tem acinzentado, enfeiado e adoecido uma cidade que parecia estar começando a sonhar com dias melhores na época de Haddad.

Então, aos cidadãos de São Paulo, eu faço essa carinhosa sugestão, para que a democracia urbana, o verde, a gestão realmente pública e popular e a esperança por um futuro colorido venham à cidade e afastem a fumaça do retrocesso e do aceleracionismo capitalista e privatista.

 

O que acha das transformações que João Doria está (ou não) causando em São Paulo? E da proposta de uma oposição #DesaceleraSP? Comente logo abaixo.

Você deseja mostrar para outras pessoas o quanto é necessário criar-se essa oposição popular a Doria? Compartilhe este artigo.

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4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Valderi Felizado da Silva

julho 25 2017 Responder

Muitos que votaram em Hadsad? Quem cara pálida? O povo sofrido aqui de Itaquera, Guaianases e São Miguel Paulista – conhece? – deram um verdadeiro chute na bunda do candidato dos socialistas de Iphone. Não precisamos de “especialistas” dizer o que nós precisamos e queremos, como se estivéssemos em uma jaula estatal. Não queremos vocês. Já não bastam as urnas para dizer isso?

José Vignoli

Maio 15 2017 Responder

agora que vi que tá mal escrito a ultima parte do meu comentário anterior, acho que eu tava editando e não vi..

Engarrafamento é um acontecimento infeliz, mas, ou se dificulta a compra de carros e arrebenta com a indústria automobilística ou incentiva o povo a usar carros, desregulamentando o uso dos mesmos e diminuindo as limitações no trânsito

José Vignoli

Maio 12 2017 Responder

gosto de ler os artigos deste autor, mesmo que eu discorde de quase tudo, mas, acho interessante a argumentação apresentada e vou fazer algumas considerações:

Eu trabalhava em uma gráfica na época que Kassab era prefeito de São Paulo, então surgiu o Cidade Limpa que proibiu os Outdoors entre outras medidas, quebrou várias gráficas que tinham como principal renda a confecção de Banners e Outdoors, vários profissionais especializados em Serigrafia ficaram desempregados e tiveram que mudar de profissão; a esquerda paulistana nunca reclamou desse golpe contra os trabalhadores de gráfica em são paulo…

Quanto aos cobradores, hoje a maioria só existe para eventuais passageiros que usam dinheiro e para intimidar passageiros que tentam pular catraca, nas vans os motoristas também cobram e se deixarem de fazer isso para contratar mais cobradores será necessário aumentar a tarifa e creio que a população não suportaria tal decisão

Engarrafamento é um acontecimento infeliz, mas, ou se dificulta a compra de carros e arrebenta com a indústria automobilística, mas, vc tem cidades com menos engarrafamentos ou incentiva o povo a usar carros, desregulamentando o uso dos mesmos e diminuindo as limitações no trânsito

Newton

Maio 11 2017 Responder

Na questão das privatizações:

Apesar dos altos impostos, das regulamentações, da burocracia e das barreiras contra importações, não existem no Brasil empresas estatais monopolistas fabricantes de TV’s, geladeiras, micro-ondas, celulares, carros, móveis e imóveis. Por outro lado, serviços como esgoto, polícia, água e coleta de lixo são prestados por estatais monopolistas protegidas contra qualquer concorrência. (No caso do lixo, o serviço é geralmente feito por empresas privadas, que obtêm uma concessão monopolista dos governos locais).

E então vem a pergunta: entre estes dois arranjos, qual é aquele ao qual os pobres conseguem ter acesso?

Alguém consegue imaginar a Coca-Cola gastando milhões para fazer propaganda pedindo para as pessoas beberem menos Coca-Cola? Pois é isso que as estatais monopolistas do fornecimento de água fazem, gastando milhões com suas campanhas pedindo para que as pessoas economizem água! “Mas se empresas privadas fornecessem água, empresários gananciosos iriam cobrar o quanto quisessem e os pobres não teriam acesso à água”. Enquanto os “defensores dos pobres” ficam com estas divagações, os pobres vão tendo acesso à Coca-Cola e não à água.

E quanto a “cobrar o quanto quisessem”, o monopólio estatal do fornecimento de água já chegou a um nível tão absurdo que, em São Paulo, é mais barato comprar água de um caminhão-pipa do que do encanamento da Sabesp. Isso mesmo: o uso de um caminhão-pipa, o pagamento do motorista, da gasolina e do pedágio, e a compra da água em alguma fonte próxima — tudo isso sai mais barato do que o transporte por canos. E não podemos ignorar o custo extra do mercado negro, pois, como a Sabesp possui o privilégio monopolístico no fornecimento de água, é ilegal concorrer com ela na venda de água para imóveis. No entanto, ainda assim, centenas de imóveis em São Paulo enchem suas caixas d’água todas as noites com caminhões-pipa em vez de comprarem a água da Sabesp pelo encanamento.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo