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nov17

10 maneiras de você ajudar a melhorar estes tempos de crise política e intolerância
Construa seu mundo melhor

Imagem: melhorcomdeus.com.br

Obs.: Este artigo não dirige indiretas a nenhuma página social dedicada a retrucar a direita, mas sim a indivíduos que têm tido a atitude descrita a seguir.

Muito se diz que estamos em tempos sombrios, que o pessimismo reina, que o povo está sem forças para reagir aos demandos do governo Temer e de sua base aliada.

Nesse contexto, a maioria das pessoas está desanimada e apática com tudo que tem acontecido. Já não consegue mais manifestar de maneira ativa e politizada sua indignação.

Ao mesmo tempo, a intolerância reina soberana nos dois lados do espectro político. De um lado, a direita abusa dos discursos de ódio e das incitações a crimes violentos e cria um culto a políticos que sonham em se tornar ditadores. E do outro, a esquerda xinga e critica destrutivamente os “coxinhas” “massas de manobra” e os “pobres de direita”, sem o mínimo de interesse aparente de dialogar, conscientizá-los e conquistar-lhes o apoio para um eventual projeto progressista, democrático e cidadão de sociedade.

E aí muitos perguntam: o que fazer? Como reagir, ainda que individualmente, a esses tempos de derrotismo cívico e hostilidades mútuas e tomar uma atitude que se distinga da violenta desordem que se instaurou?

Tenho a satisfação de lhe dizer que existem sim pelo menos dez maneiras de fazer a sua parte para ajudar a recarregar as energias das outras pessoas e diminuir o incêndio político e ético-moral que o Brasil está sofrendo. E o melhor: várias delas podem produzir um efeito cascata virtuoso e influenciar outras pessoas a adotarem os mesmos comportamentos.

Conheça-as (ou relembre-as), e veja as luzes da esperança ressurgirem no horizonte.

 

Conheça as dez maneiras

Comece a mudar o mundo por você

Imagem: patypegorin.net

1. Inicie a partir de si mesmo a mudança que deseja para o Brasil e o mundo

Já dizia Gandhi: “Seja a mudança que você deseja para o mundo.” Pois agora é uma oportunidade muito forte de colocar esse conselho em prática.

Se você deseja o fim da onda de intolerância mútua, desgarre-se dela. Policie seu comportamento e busque ser mais tolerante, diplomático e dialogador com quem tem crenças político-ideológicas diferentes de você – exceto se estiver lidando, por exemplo, com neofascistas (com a devida atenção ao conceito histórico de fascismo), neonazistas, racistas, misóginos, xenófobos e outros criminosos de ódio ativos.

Se sonha com uma esquerda combativa e propositiva, comece a falar mais de luta e propostas, divulgue eventos e mobilizações de movimentos sociais e políticos progressistas, abandone o costume de se restringir a ficar falando mal da direita.

Se quer que o povo se liberte do desânimo cidadão, comece a postar ou compartilhar nas redes sociais palavras de alento e esperança pelo futuro e como é possível resgatar os velhos sonhos numa época como a atual.

Se quer que a corrente se reverta, comece por remar contra ela e converse com outras pessoas para que comecem a adotar o mesmo rumo.

 

2. Toque as pessoas próximas pelo bom exemplo

Com a medida individual anterior, você estará começando a seguir o segundo conselho deste artigo: tocar as pessoas próximas de você sendo um bom exemplo, um modelo de comportamento a ser seguido.

Faça o experimento de adotar uma conduta que destoe da onda de intolerância, desânimo e instinto reativo. Ou seja, busque ser tolerante, animado pelo futuro – ainda que a fonte de ânimo seja unicamente você mesmo e seu discreto poder de influência – e propositivo.

Mas tenha consciência de que essa atitude demanda paciência. Dificilmente seus contatos nas redes sociais mudarão de comportamento sob a influência de seu exemplo em poucos dias. E pense que buscar ser uma pessoa de conduta exemplar é uma medida que você toma associada às outras nove.

 

3. Desarme-se do impulso de querer insultar quem discorda de você

No processo de iniciar a partir de você a mudança que deseja para a sociedade, você precisará, entre outras medidas, controlar aquele tentador impulso instintivo de agir com grosseria contra quem traz posicionamentos políticos de direita que não sejam de ódio a minorias, como a defesa de privatizações, o apoio ao MBL ou ao prefeito de São Paulo João Doria e o desejo de censura ideológica às artes e ao ensino.

Poderá ser trabalhoso conter aquele desejo eruptivo de responder com insultos e pragas, por exemplo, a comentários de apoio ao Escola Sem Partido ou “defensores da família tradicional”. Mas vale o esforço.

Se o outro lado vier xingando você, contenha-se e, ao invés de revidar com outro insulto, tente uma resposta inteligente, ou ignore, ou bloqueie o ofensor.

Pense que cada vez que você consegue deter a vontade de ser agressivo com um conservador é uma vitória. E várias vitórias do tipo acabam, pouco a pouco, consolidando em você o comportamento habitual da tolerância política.

E aí vamos para a atitude seguinte.

 

4. Estude e pratique a Comunicação Não Violenta

Uma postura que pode ser muito eficaz no diálogo com quem foi doutrinado para crenças políticas diferentes da sua é a Comunicação Não Violenta (CNV), aperfeiçoada pelo professor, psicólogo e mediador de conflitos estadunidense Marshall Rosenberg.

Rosenberg aborda a CNV e ensina como promovê-la no livro Comunicação Não Violenta, que pode ser encontrado em muitas livrarias físicas e virtuais no Brasil. Essa obra é de facílimo entendimento, e você perceberá que não é tão difícil promover um diálogo baseado em comunicar seus sentimentos e desejos e em ouvir empaticamente o outro, ainda que o diálogo não violento geralmente surja da iniciativa pacifista de apenas um dos lados.

Adquira e leia o livro de Rosenberg e treine a CNV, por exemplo, com aquele primo ou colega de direita que você nota não ter uma atitude fascista e fechada ao debate. Experimente ouvi-lo com empatia e promover um diálogo amistoso.

E quando sentir que está dominando a técnica da CNV, use-a para desarmar o espírito beligerante de outras pessoas que você queira tornar mais tolerantes.

 

5. Diminua – ou, se puder, elimine totalmente – o hábito de postar e compartilhar mensagens pessimistas ou que visam apenas atacar os seus opositores ideológicos

A partir do momento em que você decide remar contra a corrente de intolerância e derrotismo político, você começa a se esforçar na mudança ou abandono de determinados hábitos. Um deles é o de se restringir a postar ou compartilhar declarações pessimistas e/ou ataques verbalmente violentos a seus opositores ideológicos.

A melhor maneira de diminuir ou eliminar esse costume é substituí-lo parcial ou totalmente pela difusão de conteúdos propositivos, ou autocríticas de esquerda. Depois que você começa a postar textos, imagens ou vídeos que transmitem uma positividade cidadã ou têm o objetivo de conscientizar pessoas para livrá-las da manipulação política, seus contatos verão você se comportando diferente da tendência agressiva e sombria da maioria e poderão se inspirar no seu exemplo.

 

6. Escreva ou compartilhe, nas redes sociais, postagens que revelam as propostas que os movimentos sociais e políticos progressistas têm para a sociedade

Para colocar em prática a quinta atitude recomendada por este artigo, será estritamente necessário adotar a sexta. Como foi dito, você substituirá grande parte do conteúdo negativo que promovia por postagens propositivas.

Uma das opções de posts propositivos consiste justamente em textos que mostrem às pessoas o que as esquerdas têm a oferecer para a sociedade como um todo. Ou seja, a defesa ativa das pautas progressistas, de uma maneira que não seja meramente reativa às peripécias da direita.

Escreva ou compartilhe textos, imagens e vídeos que defendam, por exemplo, os Direitos Humanos, os Direitos Animais, a socialização dos meios de produção, a tarifa zero no transporte público e os seus meios de financiamento, a importância da reversão das privatizações, os direitos dos trabalhadores, a proteção ambiental, as políticas de equidade social, a libertarização da educação pública, a democracia direta…

Pois será assim, e não com simples e puro antidireitismo, que aquelas pessoas que têm andado ideologicamente desnorteadas e desiludidas se sentirão à vontade para se aliar com os movimentos progressistas.

 

7. Faça uma autocrítica de cunho individual e coletivo

Uma das maiores demandas para as esquerdas hoje é a realização de autocríticas honestas, sobre que erros cometeram nos últimos anos, por que perderam grande parte do poder que tinham até 2013 e o que podem fazer para se reerguer.

Se você é uma das tantas pessoas que vivem esperando pela sonhada hora da autocrítica dos movimentos progressistas, poderá você mesmo fazê-la.

Proponha o que pode melhorar nas esquerdas. Submeta suas queixas ao coletivo do qual você faz parte. Faça uma mea culpa sobre no que você pode ter se omitido ou falhado nesses últimos anos como progressista. Ajude, assim, as esquerdas a aprenderem com os erros e se levantarem dos tombos que levaram.

 

8. Lendo livros de Humanidades pertinentes às discussões do momento

Uma atitude individual de extrema importância num momento como o atual é reforçar o seu conhecimento sobre História, Política, Sociologia, Economia e outras áreas do conhecimento que dizem respeito à contemporaneidade nacional e internacional. Para isso, você precisará ler bastante livros.

Busque primar pela diversidade de autores. Não se restrinja a autores clássicos do marxismo e do anarquismo. Estude inclusive, se tiver tempo suficiente, aqueles teóricos de quem você discorda – liberais clássicos e modernos, conservadores, neoliberais e ultraliberais -, até para você poder adquirir plenas condições de encontrar furos, falácias e anacronismos nos argumentos de alguns deles e assim rebater seus argumentos.

A depender da leitura, aliás, você provavelmente poderá enxergar o cenário político e econômico atual com outros olhos, bem mais esperançosos de que os atuais “tempos sombrios” são passageiros e vão acabar mais cedo do que se imagina.

 

9. Dialogue empaticamente com quem pensa diferente e está genuinamente aberto a debater o que pensa

Aqui volto a reiterar a atitude de ler e treinar a CNV nos diálogos e debates com pessoas próximas que discordam de você. Depois de tê-la aprendido e dominado, experimente conversar amistosamente com elas.

Nessas conversas, escute-as empaticamente, tente entender o ponto de vista delas. E evite tentar persuadi-las a mudar de ideologia “de fora para dentro”.

Você passará a compreender muito melhor os porquês, por exemplo, de tantas pessoas acreditarem piamente que Jair Bolsonaro melhorará a segurança pública no Brasil, apoiarem “soluções” autoritárias e “fáceis” para problemas históricos complexos motivados por haver pouca democracia no Brasil, desprezarem a universalidade dos Direitos Humanos e aceitarem sem questionamento o discurso das privatizações.

E esse entendimento permitirá a você e aos movimentos progressistas pensar e descobrir como atuar em meio a essas pessoas e lhes mostrar que o caminho não é esse. Isso colocará um fim à era da pura reatividade antidireitista e iniciará a da conscientização dos cidadãos.

 

10. Discuta soluções democráticas, populares e progressistas com quem pensa parecido com você

Uma outra medida possível é você se chegar em quem tem posições político-ideológicas semelhantes ou próximas às suas e discutir soluções democráticas, populares e progressistas para os problemas políticos, sociais, ambientais e econômicos do país.

Promover debates internos desse tipo será uma excelente maneira de animar o clima nas esquerdas brasileiras, retirá-las do estado de dedicação quase total ao antidireitismo e reviver a antiga tradição de se elaborar propostas junto à população por um país melhor.

 

Bônus: Escreva um livro, blog ou coluna de site, ou grave um vlog, caso tenha as devidas habilidades e tempo livre

Você pode estender essa atitude (pro)positiva a uma mídia alternativa, seja ela de sua autoria ou uma colaboração em algum site já existente. Experimente reunir nela o pensamento de parte das esquerdas sobre como mudar a sociedade, vencer suas desigualdades, revolucionar a educação, socializar os meios de produção, salvar e proteger o meio ambiente, libertar os animais etc.

Divulgue, por meio desse trabalho, por exemplo, a importância da democracia e dos Direitos Humanos. Desmitifique crenças conservadoras de senso comum. Aborde a importância de não se deixar manipular pela mídia e por movimentos de direita. E assim se sucedem as possibilidades.

Seu trabalho será inestimável para a reconstrução das esquerdas e de seu poder de mudar o mundo para melhor.

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