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dez17

5 motivos para você não confiar no WhatsApp como fonte de informações e notícias
Celular com tela do WhatsApp

WhatsApp: saiba usá-lo para os fins certos – compartilhar notícias duvidosas não é um deles

Você costuma confiar nas informações de caráter público – notícias, textos, áudios etc. – que recebe via WhatsApp?

Acredita, via de regra, que as notícias e conselhos que esses conteúdos trazem são verdadeiros?

Suas opiniões político-ideológicas são influenciadas pelo que seus parentes e conhecidos compartilham em suas correntes e nos grupos de que você participa?

Então aconselho que repense essa postura diante desse aplicativo. Conheça, neste artigo, cinco razões que fazem do WhatsApp um aplicativo nada confiável em se tratando de conteúdos “informativos”.

 

1. É uma das redes mais abundantes em conteúdo falso na internet

boato de WhatsApp

Exemplo de boato que circulou no WhatsApp

O WhatsApp já está firmado, desde pelo menos alguns anos atrás, como uma das redes em que mais se espalha boatos, fake news, conteúdo pseudocientífico e textos apócrifos – ou seja, escritos de autoria anônima atribuídos falsamente a autores famosos.

Repare que são superfrequentes nessa rede as notícias e textos que têm todas ou várias das seguintes características:

  • Pedem por compartilhamento;
  • Apelam para as emoções do leitor;
  • Reportam “acontecimentos” excêntricos ou dicas pouco ou nada convencionais;
  • Não revelam suas fontes, ou “revelam” o nome do suposto portal de origem sem dizer o endereço da reportagem;
  • Apelam para entidades de renome reais, como a NASA e o Ministério da Saúde, ou totalmente inventadas;
  • Apelam para nomes reais ou forjados de profissionais da saúde para dar a impressão de informação “confiável”;
  • Contêm erros de ortografia, pontuação e gramática, às vezes abundantes;
  • Não são confirmados por nenhuma notícia em portais de notícia sérios – no máximo sendo repassados em sites e blogs com tradição de propagar notícias falsas;
  • Não revelam lugar e data do “acontecimento” nem os nomes dos supostos envolvidos – ou, se “revelam”, são nomes ou datas que depois se descobre serem aleatórios;
  • Referem-se a algo que teria acontecido, por exemplo, “ontem” ou ocorrerá “próximo dia 19”;
  • São carregados de uma extrema tendenciosidade ideológica;
  • Possuem um forte teor de calúnia e difamação contra a pessoa “denunciada”.

Note também que compartilhamentos que não possuem nenhuma dessas características são, via de regra, absurdamente raros em grupos familiares e de amigos.

Ou seja, a chance de aquela “notícia” ou a “dica do Dr. Fulano de Tal” serem totalmente falsas é extremamente elevada. Por via das dúvidas, não confie em nada, ou pelo menos cheque a procedência de cada informação que lhe parecer mais realística.

 

2. As informações “científicas” compartilhadas ali geralmente não têm nada a ver com conteúdo realmente científico

É fácil perceber que, sempre que um conteúdo alegadamente “científico” aparece, por exemplo, no grupo da família, ele nunca tem cara de ser uma divulgação científica séria.

Afinal, sempre ou quase sempre faltam informações como:

  • Dados identificadores do estudo científico supostamente usado como fonte: título, autores, periódico, número da edição, volume e páginas;
  • Link para essa fonte;
  • Detalhes básicos sobre a pesquisa que teria comprovado o conteúdo do compartilhamento, como o número de pessoas submetidas ao estudo e porcentagens relativas ao efeito do tratamento (ex.: 60% dos pesquisados foram curados da enxaqueca).

E sobram detalhes que derrubam a confiabilidade desse conteúdo, como:

  • O uso da autoridade do suposto autor como única fonte de “legitimidade” da “descoberta” noticiada;
  • Informações mirabolantes, como relatos de “cura milagrosa”;
  • Relatos de casos individuais que não foram estudados pela ciência, mas mesmo assim são expostos como “comprovação” de que a “informação” dada seria verdadeira – a chamada falácia de evidência anedótica;
  • Informações falsas sobre a autoria e as entidades que supostamente respaldam a “descoberta”.

E, é claro, quase nenhum desses compartilhamentos resiste a uma pesquisa que verifique se eles dizem a verdade ou são pura invenção.

 

3. O WhatsApp não foi planejado para ser um meio de se promover a ciência e o jornalismo

Antes de encarar essa rede como uma “fonte de conhecimento”, repare que ela não tem a estrutura de uma rede social feita para se propagar informações científicas e jornalísticas. O WhatsApp é um aplicativo mensageiro, tal como era o saudoso MSN Messenger, ou seja, algo voltado para comunicação direta entre as pessoas, não para divulgação de postagens.

Não possuindo essa natureza de meio informativo, não é de se esperar que cientistas e empresas de comunicação divulguem suas descobertas e notícias nessa rede. Ou seja, você muito dificilmente encontrará algo realmente confiável e verdadeiro nos compartilhamentos dos seus tios, primos e sobrinhos nos grupos de parentes.

Boato de WhatsApp

Um outro boato de WhatsApp mais falso do que nota de 3 reais

4. Esse aplicativo não foi desenhado para se divulgar conteúdo grande

Sendo um mensageiro, o WhatsApp não é uma rede feita para se divulgar “textões”, nem áudios muito grandes (exceto em se tratando de chamadas de voz). E como foi dito, por sua natureza, não é um meio usado por jornalistas e outros profissionais sérios para divulgar informações – até por não haver um sistema de postagens publicamente acessíveis tal como há no Facebook e no Instagram.

Portanto, desconfie sempre que usarem o Whats como um meio de propagar “notícias”, “textos para refletir” e “dicas importantes”. Por não terem aspectos de um conteúdo de qualidade nem estarem numa rede ou site feita para conteúdos confiáveis, a chance de aquilo ser balela é enorme.

 

5. É muito visado por pessoas mal intencionadas para propagar mentiras

O que mais tem no WhatsApp são pessoas mal intencionadas, muitas vezes realmente criminosas, se aproveitando da ingenuidade de quem o vê como um meio confiável de se obter aprendizado e informações públicas para enganar pessoas como você e seus familiares, parentes, amigos e colegas.

Gente assim usa muito a rede desse aplicativo para iniciar correntes que incorrem em delitos como:

  • Charlatanismo;
  • Estelionato;
  • Divulgação de pirâmides financeiras;
  • Calúnia e difamação;
  • Campanhas de assassinato de reputações;
  • Incitação e apologia a crimes como tortura, linchamento e assassinato;
  • Incentivo ao ódio político-ideológico;
  • Manipulação e coerção religiosa;
  • Preconceitos e ódios diversos, como racismo, misoginia, homofobia, transfobia, xenofobia, intolerância religiosa e ódio aos pobres.

Em casos como a manipulação religiosa, o fomento ao ódio político seletivo, a divulgação de pirâmides e a pregação de “receitas milagrosas” para determinadas doenças, ocasionalmente existe o interesse, mais ou menos detectável, de se ganhar dinheiro ou atrair arrecadação para uma determinada entidade enganando as pessoas com material falso e/ou criminoso.

 

Bônus: Tira de você tempo precioso que poderia ser investido em leitura de material confiável

Além de ser um meio rico em boatos e outros materiais falsos, o WhatsApp é um aplicativo dotado de toda uma estrutura que incentiva o seu uso frequente, às vezes até compulsivo, de modo que acaba suprimindo de você uma parte muito preciosa de seus momentos de socialização ou ociosos.

São horas em que você poderia estar, por exemplo, lendo livros, portais de notícias suficientemente confiáveis, sites de checagem de fatos e refutação de boatos e outros materiais que tragam informações realmente legítimas.

 

Considerações finais

Não espalhe boatos

Uma das melhores maneiras de não espalhar mais boatos é descartar todo conteúdo “informativo” que for compartilhado no WhatsApp e recorrer a mídias realmente confiáveis

Definitivamente o WhatsApp não é um meio em que se possa confiar para obter informações úteis, notícias verdadeiras e conteúdo cientificamente embasado. Ele não foi feito para se divulgar esse tipo de material.

Considerando isso, aconselho a você que seja mais cético em relação ao que vê na internet, em especial no Whats. Não acredite em tudo que vê pela frente – menos ainda em supostas informações que pedem por compartilhamento, incitam o ódio e o preconceito, manipulam as pessoas e trazem conteúdo que não é difícil de se desmascarar como mentiroso.

Não é o caso de abandonar totalmente o uso do WhatsApp, mas sim de adotar um uso mais racional, consciente e pé no chão desse aplicativo. Use-o especificamente para conversar. Descarte as correntes em forma de “notícias”, “dicas importantes” ou “textos bonitos” que circulam ali, obtendo material genuíno em sites e canais de vídeo respeitáveis.

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