Um preconceito gritante, mas pouco considerado – mesmo por suas próprias vítimas – e estudado, campeia no Brasil: a ateofobia, intolerância contra ateus – definida por Marcelo Druyan como “ódio, aversão ou discriminação de uma pessoa ou grupo de pessoas contra ateus e, consequentemente, contra o ateísmo”.
Desde declarações impunes de ódio no Twitter até desmembramentos violentos de famílias e amizades, a hostilidade ateofóbica acontece neste país com uma liberdade tão grande que os próprios ateus, que deveriam ser os primeiros a denunciá-la, permitem ser esculhambados e humilhados pelos religiosos que não aceitam o fato de existirem pessoas que não acreditam em nenhuma divindade.
Desde a patricinha crente que twita uma mensagem de ódio até a presidenta da República que desmoraliza a descrença ateísta, passando por formadores de opinião notórios, os preconceituosos agem à revelia de qualquer justiça, de qualquer sanção penal, de qualquer retaliação da opinião pública. Atuam das mais diversas formas: pela internet, pelos meios de comunicação convencionais, por brigas presenciais, por inanição político-eleitoral etc.
Abaixo categorizo os diversos veículos usados pela ateofobia, sendo esta direta ou indireta, para ofender, discriminar e marginalizar os ateus.
Preconceito online
Na internet, os ateofóbicos agem de maneiras variadas:
a) Nas redes sociais, descarregam ódio contra os descrentes com minidiscursos – geralmente do tamanho de um tweet – e hostilizam colegas ou desconhecidos em função de seu (não) credo – ex.: “seu ateu de m…”. Os discursos podem citar versículos bíblicos, declarar a superioridade moral dos cristãos perante os ateus, atribuir desqualidades sérias aos ofendidos, demonstrar decepção, indignação e outros sentimentos negativos de quem acabou de conhecer ou encontrar ateus ou simplesmente ser declarações dos tipos “eu odeio…”, “eu não suporto…”, “tenho nojo de…”, “ateus devem morrer” etc.
A chuva de ateofobia em redes como o Twitter é escancarada por perfis que militam contra o preconceito (o principal deles hoje no Twitter é @ateus_atentos, do presidente da ATEA Daniel Sottomaior) e pelo blog mezzo-de protesto, mezzo-satírico Sem deus no coração.
É de se perceber claramente que tais investidas de violência verbal são muito similares àquelas racistas, xenofóbicas ou antissemitas que rendem aos agressores a retaliação solidária de milhares de internautas mais várias denúncias às autoridades policiais ou ao Ministério Público. Quando uma @FlavinhaAmorim diz ter nojo da torcida negra do Flamengo, recebe uma saraivada massiva nacional de tweets como reação de uma população cada vez mais partidária da tolerância e do respeito. Mas quando um cristão fanático afirma sentir o mesmo nojo de quem “não acredita em Deus”, é quase certo que passe totalmente impune e não se torne alvo de nenhuma reação coletiva.
b) Por artigos de opinião, personalidades do quilate de um Frei Betto ou de um Cláudio Lembo (ver respostas ao artigo dele aqui e aqui), de quem muitos esperariam palavras calcadas na sabedoria, demonstram patente preconceito, atribuindo ao ateísmo desqualidades como ausência de valores e violência inerente (Frei Betto comparou o “ateísmo militante” à tortura promovida pelo DOPS durante a ditadura militar brasileira). Tentam convencer os leitores de seus textos de que ser ateu é intrinsecamente ruim, é prejudicial.
c) Por entrevistas dadas aos meios online de imprensa. Os entrevistados, se não declaram seu desrespeito aos ateus e ao direito de descrer à TV, fazem-no aos noticiários da internet. É através dos portais de notícia que gente da laia de Geraldo Alckmin diz que idosos ateus são pessoas tristes, ou que promotores de Justiça insinuam que ateus não contribuem para a recuperação de pessoas em situação de risco.
TV e rádio
Nos meios de comunicação em massa audiovisuais convencionais, a ateofobia é bandeira sacudida por apresentadores, jornalistas e outras personalidades admiradas pela população, ou então emana de pessoas entrevistadas, podendo ser desde um porteiro de condomínio até a presidenta da República. Eles fazem da câmera um palanque para declarações preconceituosas, para expor toda a sua ignorância, convertida em desde pena a repúdio, sobre o modus vivendi e o pensamento filosófico – o qual, exceto a própria descrença em deuses, é distante de qualquer unanimidade – dos ateus.
Seu preconceito se exacerba através de frases curtas discriminatórias (“Eu tenho pena de quem não tem fé, de quem não acredita em Deus”) ou arrogantes (“Deus existe, mesmo quando não se acredita nele”) ou discursos de ódio a durar vários minutos – nesse caso, tendo como maior exemplo o venenoso discurso dado por José Luiz Datena em 27 de julho de 2010, um dos únicos casos de ateofobia respondidos pelos ateus com denúncias à Justiça.
É até mais perigoso que o ódio exacerbado por internautas, porque vem de formadores de opinião diretos ou indiretos, possuidores de um lugar cativo na ainda muito prestigiada TV aberta. Para uma sociedade cuja maioria é religiosa e se submete a aceitar argumentos simplesmente por virem de autoridades, uma frase ou discurso vindo de Hebe, de Datena ou de Roberto Canázio pode lhes reforçar a crença, biblicamente fundada (Salmos 14:1), de que ateus “não prestam” e devem por isso ser tratados com marginalização, imposição religiosa e/ou repressão por sua descrença.
Outra forma muito poderosa de propagação de preconceitos são os programas religiosos, em sua maioria neopentecostais. Pastores e bispos, vez ou outra, declaram os ateístas verdadeiros seres malignos, demoníacos. Fundados ora em dogmas bíblicos ora no seu preconceito pessoal ora na intenção de manter os fiéis sob seu controle por impedir que duvidem de sua religião, esses clérigos dirigem impropérios claros aos ateus, o que normalmente lhes faria alvos de processos judiciais se suas ofensas fossem dirigidas a minorias como negros, judeus e asiáticos.
O caso mais recente e comentado de preconceito e incitação à discriminação vindo da TV foi um breve momento do discurso de um pastor que se autointitulava “profeta da nação”, feito em março de 2011 numa rua de cidade não revelada e transmitido por programa evangélico da RedeTV!.
Nos meios de comunicação em massa, há também a divulgação de músicas que incitam o preconceito contra quem não crê em quem convencionam chamar de Deus. Ainda que a intenção original por trás de suas letras seja, na maioria das vezes, apenas exaltar a importância da divindade para quem crê nela, tais canções possuem efeitos colaterais altamente comprometedores, que acabam tratando os ateus e até pessoas de religiões não cristãs como potenciais poços de imoralidade, tristeza e sofrimento.
Para exemplificar como o preconceito se dissemina através da música, cito alguns trechos de canções direta ou indiretamente preconceituosas:
1.
Sem Deus, a segurança recua nas bases avançadas
Sem Deus, vidas morrem assassinadas nas calçadas
Sem Deus, o mundo é dos espertos que vendem praias nos desertos
Sem Deus, Você corre perigo a mercê das garras do inimigo
2.
O Homem sem Deus
Caminha sem rumo e anda sozinho
Vive no mundo sem ter um caminho
Ao sopro do vento ele anda sem luz
O Homem sem Deus
Tem o seu próprio jeito de pensar
Não tem limites e vive a pecar
Não anda nos planos que vem la da cruz
3.
Viver sem Deus no coração é não ter alegria.
É viver sem direção, caminho e melodia.
Não ter amor, só ter agonia.
4.
Quanto tempo mais, você quer levar
Pra tentar provar que és forte sem deus?
Quanto tempo então,devo esperar
Pra tentar provar que se garante só?
E pra que bater no peito?
Sem deus não adianta nem tentar!
Sem deus não vale nada,
Sem deus tudo é um nada,
Money, poder, fama e tudo mais
É nada sem deus
5.
Meu amor, não… Não me queira mal
Amar a Deus sobre tudo para mim é essencial
Vou dizer, não tem que ser assim
Mas se Deus não serve pra você
Você não serve pra mim
Discriminação e violência ao vivo (incluindo na escola)
São muito frequentes os casos de descrentes que sofrem diversas formas de violência de quem não tolera sua não crença nem respeita seu direito à mesma. O tipo mais comum é a dissensão familiar, na qual os pais religiosos fanáticos (ou apenas o pai ou a mãe) investem-se em brigas sérias, muitas vezes violentas, com seus filhos quando desconfiam ou descobrem que deixaram de acreditar em divindades ou quando eles assumem sua descrença. Nada raro é ver pais assim expulsando o filho ateu de casa, mesmo quando este não criou qualquer condição de se emancipar.
A discriminação familiar também pode vir de forma menos radical, mas ainda assim em tom muito reprovatório. Ocorre quando o pai ou a mãe ou ambos dizem ao filho que lamentam, reprovam e/ou repudiam seu ateísmo, fazem sermões repreensivos ou mesmo os castigam ou lhes cortam direitos. Há também casos frequentes em que o parente ou familiar tem o costume de assediar a pessoa, cutucando-a regularmente por não acreditar em um deus e lembrando-a de que “Deus existe”, não importando se o assediador sempre perde nas argumentações sobre existência ou inexistência do seu deus.
Nas escolas, pode vir na forma exclusiva, no ensino religioso ou por bullying. Na primeira, a própria instituição estabelece regras arbitrárias que punem quem não se matricula na disciplina religiosa – o que é ilegal perante a Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – e/ou não acompanha as práticas religiosas regulares da escola, como rezar o Pai Nosso antes do começo da aula ou participar das atividades religiosas anuais do educandário.
Dentro desse ensino religioso, na maioria das vezes ministrado de maneira confessional e proselitista a despeito da lei, é recorrente a pregação do puro preconceito contra ateus. Disse Debora Diniz à revista Istoé, sobre diversos livros didáticos de religião:
“[Em grande parte desses livros h]á equívocos históricos e filosóficos, como a associação de Nietzsche ao nazismo. As pessoas sem Deus são representadas como uma ameaça à própria ideia do humanismo. É muito grave a representação dos ateus. Isso pode gerar desconforto entre as crianças cujas famílias não professem nenhuma religião. Já que, nos livros, elas estão representadas como aquelas que mataram Deus e associadas simbolicamente a coisas terríveis, como o nazismo.”
Já o bullying ateofóbico – algo, a saber, ainda quase não discutido no Brasil – ocorre quando a criança ou o adolescente é hostilizado ou mesmo agredido fisicamente por um ou mais colegas aderentes de uma mesma denominação religiosa.
Variante desse bullying, há também o risco, também pouco visado pelas universidades, de se sofrer violência na rua por ser conhecidamente ateu. É parecido com a violência homofóbica, que mata lésbicas e gays simplesmente por serem homossexuais, por não partilharem da mesma orientação sexual da maioria.
De tão pouco relatados, denunciados e discutidos nos meios de comunicação – inclusive na internet –, pode-se suspeitar que o bullying e a violência de rua dirigidos contra ateus talvez nem existam ainda no Brasil. Mas deve-se denunciar a possibilidade de virem a acontecer no futuro, a qualquer momento. Portanto, este artigo antecipa o alerta para esses crimes, se já não escancara uma realidade presente.
Ateísmo como fator para o suicídio político
O preconceito antiateu em que grande parte da sociedade se mergulha tem consequências também políticas. Hoje em dia um político declarar-se ateu é decretar o encerramento de sua própria carreira política, visto que não conseguirá mais se eleger para nada.
Pesquisa da Veja e CNT/Sensus de 2007 dizia que apenas 13% dos brasileiros votariam num ateu. Em 2010, um levantamento da Fundação Perseu Abramo revelou números menos ruins, mas ainda muito negativos contra os descrentes: somente 20% dos brasileiros disseram que poderiam votar, sem impedimentos, num ateu, enquanto 77% dificilmente ou jamais confiariam seu voto a um descrente.
Ou seja, ateísmo é visto por uma preocupante maioria como algo que tornaria os políticos potenciais crápulas. Não lhes é apenas a ausência de crença em divindades: é-lhes um atestado de perversão moral, que impede o ser humano de ser bom, ético e generoso e, portanto, inabilita qualquer pessoa para assumir um mandato político.
Quando até o Estado dito laico exclui os ateus
Muitas vezes o discurso do Estado brasileiro de respeito às crenças acaba excluindo os ateístas. Diversas declarações partem do pressuposto de uma opção religiosa, não citando quem não optou por nenhuma religião ou divindade. São poucas aquelas que citam quem não professa uma crença religiosa ou quem não crê em nenhuma deidade.
O exemplo recente de maior destaque é o (inativado) Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que, apesar de pregar a laicidade e o respeito a todas as crenças, marginaliza a ausência de crença, trazendo apenas referências genéricas a “pessoas sem religião” – entre as quais se incluem milhões de irreligiosos que acreditam em uma divindade suprarreligiosa, muitas vezes pós-cristã –, conforme denuncia Marcelo Druyan:
O decreto do presidente Lula comete o erro primário de confundir Estado Laico com Estado Ecumênico. Substitua-se a palavra “laicidade” do título pela palavra “ecumenismo” e todas as alíneas milagrosamente ganham sentido.
Não há uma só menção à não crença ou aos não crentes! Todo o conteúdo do item parte do pressuposto de uma opção religiosa.
Outro caso, menos notório mas bastante emblemático, foi a sessão especial do Senado de 19 de novembro de 2010, dedicada à solidariedade dos parlamentares a vítimas de preconceito e discriminação, mas que excluiu os ateus em termos de representatividade – representantes de religiões estiveram presentes, mas nenhum delegado das pessoas sem religião.
Nem as outras minorias se solidarizam com os ateus
A maioria das minorias costumam receber a franca solidariedade de militantes de outros grupos minoritários e de ONGs defensoras dos direitos humanos. Já os ateus, nem isso. São raros aqueles militantes LGBT, negros, feministas, de religiões minoritárias (como as afro-brasileiras) etc. que declaram apoio explícito à minoria ateísta. E frequentemente flagramos eventos pró-tolerância que excluem ou minimizam o ateísmo e a irreligião.
Mesmo entidades importantes de luta contra a intolerância religiosa partem do pressuposto de ter uma religião, reduzindo o ateísmo, ou mesmo a irreligião a lato senso, à marginalidade. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, por exemplo, tem como lema Liberdade religiosa: eu tenho fé! (negrito meu) – o que moralmente exclui pessoas desprovidas de fé religiosa, descrentes em divindades.
A mesma entidade, além disso, não conta com entidades de ateus em seus quadros e clipou no passado uma reportagem bastante tendenciosa da conservadora revista Veja jogando fé e descrença uma contra a outra – com o sugestivo título Como a fé resiste à descrença. Esses detalhes não impedem ateus de participarem de suas passeatas, mas eles acabam reduzidos a personagens secundários da luta contra a intolerância religiosa.
Um outro fato que evidencia o isolamento ateísta dentro do próprio universo de minorias e de defensores dos direitos humanos é que, no caso do virulento preconceito manifestado por José Luiz Datena na TV em 27 de julho de 2010, nenhuma ONG de direitos humanos nem de qualquer outra minoria se solidarizou com os descrentes na ocasião.
Mais uma estatística sobre ateofobia no Brasil
Uma outra pesquisa da Perseu Abramo, de 2008, mostra que os ateus são mais discriminados e odiados do que qualquer outra categoria, mais até do que consumidores de drogas pesadas. 17% da população sentem repulsa e ódio pelos ateístas e 25% são antipáticos contra eles, num total de 42% de aversão. Isso enquanto os usuários de drogas recebem a antipatia de 24% e a repulsa de iguais 17% da sociedade.
Quando os próprios ateus “aceitam” ser preconceituados e discriminados
Por incrível que pareça, uma parte mais que significativa, senão a maioria, dos ateus são indiferentes ao preconceito e à discriminação que sua própria categoria sofre. Não tomam para si quando religiosos intolerantes declaram ódio, nojo e outros sentimentos repulsivos à generalidade dos descrentes no Twitter, quando cantores gospel declaram a imoralidade e depressão de uma vida “sem Deus” – e inspiram muitas vezes os fãs a adotar ou reforçar essa crença preconceituosa – ou quando celebridades ou pessoas públicas condenam o ateísmo ou os ateus.
Pelo que se pode observar em fóruns de discussão ateístas e em blogs que abordam o ateísmo, muitos irrelevam as ofensas e discriminações vindas dos ateofóbicos porque estes não falariam a mesma “linguagem” dos ateus, visto que creem e agem muito mais pela emoção fanática do que pela razão ponderada, ao contrário dos descrentes. Outro motivo pensado é que esses intolerantes já são “queimados” perante a sociedade secular por nutrirem uma série de outros preconceitos, como a homofobia e a intolerância religiosa, e desprezarem a ciência quando esta questiona os mitos bíblicos.
Pensando na máxima “O que vem de baixo não me atinge”, essa parcela grande, senão majoritária, de ateus trata com indiferença as vociferações discriminatórias vindas das igrejas e dos seus frequentadores. Ignoram, porém, que a ateofobia desimpedida e impune vinda de uma coletividade nada desprezível pode estar guardando consequências nefastas inesperadas para o futuro dos ateístas brasileiros.
Não se sabe até que ponto a ateofobia de hoje em dia pode avançar, se ela tende a permanecer estável ou a aumentar a níveis que inspirarão alertas vermelhos, se é apenas arranque de carro velho ou uma ameaça de verdade. Além disso, ateus hoje não possuem menos direitos que pessoas de outras religiões no Brasil, visto que a Constituição Federal prevê liberdade de crença, nela incluída a não crença, e separação entre religião e Estado. Por isso a indiferença de tantos ateus perante as ofensas preconceituosas e discriminações atiradas pelos religiosos intolerantes.
Sobre esse comportamento de apatia, vale dedicar algumas críticas que devem ser levadas em consideração:
Nessa tradição de ignorar o cenário brasileiro de ateofobia, pensa-se apenas no imediato, na irrelevância de uma injúria religiosa dirigida por um fundamentalista contra um ateu, ou na mentalidade defeituosa, fanática e distorcida de uma banda gospel que afirma que os descrentes são depressivos e incapazes de uma relação companheira com os cristãos.
Ignora-se, por outro lado, o alto risco de um conjunto enorme de declarações preconceituosas, que abrange desde (milhares de) tweets semianônimos até discursos de apresentadores e políticos na televisão, associado à omissão do Estado e de ONGs defensoras dos direitos humanos, provocar ações violentas mais enérgicas a longo prazo, como agressões físicas e até assassinatos de descrentes.
Esquece-se que milhares de outros ateus, em função de sua descrença, são vítimas de rompimento familiar, expulsos de suas casas; perdem amizades antigas; são atingidos por discriminações, hostilizações e caras-feias que lhes abaixam a estima. Sofrem literalmente com a intolerância de outrem.
Irreleva-se também que milhares ou mesmo milhões de ateus no Brasil evitam “sair do armário” justamente por causa do cenário hostil que existe no país. Têm que mentir sobre suas (des)crenças aos familiares, fingir estarem orando e também ir forçadamente à igreja de seus pais ou avós. Mesmo aqueles já assumidos se veem sem garantia nenhuma de que jamais serão perguntados sobre se creem em Deus ou não – podendo o “não” ser a palavra-chave para o recebimento de hostilidade, segregação e até agressão.
Sub-releva-se também o fato de estarem em franca expansão, em todo o Brasil, as igrejas de moralidade doutrinária duvidosa, cujos pastores pregam a pura intolerância contra descrenças e outras crenças. Multiplicam-se as igrejas que impõem a uma fração cada vez maior da população brasileira as ideias de que “apenas” o evangelismo lhes garante paz de espírito e comunhão com o bem e que não acreditar em Deus é cair numa vida de desgraça, amoralidade, maldade e tristeza e é um passaporte para o inferno.
Os indiferentes comportam-se como se pudessem escolher integralmente com quem se relacionar, de quem ser colega. Como se os religiosos intolerantes não vivessem em sociedade e pudessem ser deliberadamente descartados do convívio dos que pensam contrariamente a eles. Como se fosse nula a possibilidade de terem que recorrer, um dia, a religiosos potencialmente preconceituosos e mentir sobre sua (falta de) crença, sob pena de eles lhe negarem, por exemplo, a venda de um par de sapatos ou um serviço de reforma da casa e, como “brinde”, ainda o ofenderem.
E, mais emblemático, despreza-se algo essencial: que a ateofobia que atinge a categoria ateísta é absolutamente similar ao racismo, à xenofobia e à intolerância religiosa. Difere-se deles apenas em dois aspectos: a diferença das características que “provocam” a discriminação e o fato de que, enquanto os três últimos são punidos com retaliação massiva vinda da sociedade e processo judicial – ou mesmo cadeia –, a ateofobia geralmente é impune e não desperta reação solidária quase nenhuma da população.
Assim sendo, vale aos ateus indiferentes refletir sobre sua visão acerca do preconceito ateofóbico, desse câncer social que hoje parece pequeno mas reserva para o futuro consequências incógnitas mas especulavelmente sombrias. Entre desprezar um problema que não lhes causa danos relevantes no presente e prevenir uma onda futura de violência contra descrentes, vale pensar qual das duas ações é a mais coerente e necessária.
A incipiente mobilização contra o preconceito e a discriminação antiateísta
Apesar de a ateofobia ser tão antiga quanto a própria História das Religiões e ser presente no Brasil praticamente desde quando o primeiro ateu assumido e socialmente conhecido aqui veio, a luta contra essa intolerância vem de muito poucos anos atrás. A grosso modo, pode-se considerar na prática que o começo da militância pelo respeito ao direito de ser ateu coincide com a criação, em 2008, da ATEA – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, presidida por Daniel Sottomaior.
Sottomaior é, aliás, o mais conhecido e dedicado militante antiateofobia no Brasil atualmente, empenhando-se em denunciar manifestações de preconceito na mídia – vide seu blog Ateus Atentos e o newsletter Dignidade sem Divindade – e no Twitter – através do perfil @ateus_atentos. Inspirados pelas denúncias dele, diversos outros ateus, ainda que de forma não suficientemente coletiva nem tampouco numerosa, aderiram à luta, tomando parte nos protestos contra artigos e declarações preconceituosos publicados na internet e nos meios de comunicação tradicionais.
Aquele que, pelo que tudo indica, foi o primeiro caso de mobilização em massa de ateístas contra a intolerância contra si se deu a partir da noite de 27 de julho de 2010, durante o longo discurso discriminatório e cheio de ódio proferido pelo apresentador do Brasil Urgente da TV Band, José Luiz Datena. No Twitter, nos blogs pertencentes a ateus, no YouTube e em outros lugares da web 2.0, uma grande quantidade de descrentes depuseram sua revolta com a vociferação odienta de Datena. Também foram feitas inúmeras denúncias ao Ministério Público para que o apresentador e a Band fossem penalizados por intolerância religiosa.
Ficou claro ali que a ateofobia, até então quase sempre desimpedida pelos próprios ateus, estava tomando contornos preocupantes, avançando a um ponto perigoso. Um formador de opinião, assistido e apreciado por milhões de brasileiros, estava induzindo sua audiência a acreditar que a “falta de Deus no coração” dos bandidos seria a causa dos crimes hediondos e das altas estatísticas de criminalidade no Brasil. Era patente o perigo de seu discurso, tanto diretamente como depois de reforçado pelas igrejas, incitar em pouco tempo uma onda de pregações à força, repressão social e violência generalizadas contra ateístas em todo o país.
É provável que essa escalada de ateofobia não tenha acontecido graças à reação dos discriminados ateus, que se fizeram respeitar na internet, com discursos sobre a tolerância religiosa e a questão de a ética não depender de religião – pelo fato de haver ateus bons e ateus ruins tanto como religiosos bons e religiosos maus. Aliás, se houve algum aumento momentâneo na violência familiar e urbana contra descrentes, não se sabe, porque não há estatísticas policiais sobre as implicações violentas da ateofobia no país.
Hoje em dia a intolerância ateofóbica continua grassando na internet e fora dela, e Sottomaior não tem tido a solidariedade da massa ateísta brasileira, havendo no máximo poucas dezenas de mensagens de protesto dirigidas a cada ofensor ou aos veículos de comunicação que publicam as suas declarações ofensivas e alguns poucos blogs repercutindo os acontecimentos de discriminação denunciados pelo Ateus Atentos.
É como se um ato ateofóbico precisasse adquirir grandes e ameaçadoras proporções para enfim se tornar algo passível de denúncia judicial e protestos.
Considerações finais
Na luta das minorias por direitos no Brasil, as mulheres e os negros estão avançados, embora tenham ainda um caminho árduo e comprido rumo à igualdade de tratamento e à compensação das injustiças históricas a que foram submetidos. Já os LGBT estão mais atrás, mas já vêm conquistando vitórias notáveis e o respeito da sociedade secular, tendo ainda, porém, que enfrentar a homofobia da grande maioria dos cristãos e de suas igrejas e o reacionarismo, influenciado pelas raízes cristãs de nossa cultura, de quem ainda acredita que homossexualidade ou mudança de sexo são “escolhas” “pervertidas” em sua essência.
Os ateus, por sua vez, são a última minoria no Brasil, os que estão em maior desvantagem no que tange à garantia do respeito aos seus direitos – ainda que já possuam tantos direitos quanto os cristãos perante a lei – e à dignidade de sua pessoa. Os crimes de preconceito e discriminação dirigidos contra eles são hoje muito frequentes na internet, na mídia, nas igrejas, nas escolas e até nos lares, e mais de 99% deles passam totalmente impunes – não sendo sequer objeto de denúncia às autoridades por parte dos próprios ofendidos.
Para agravar a situação, uma enorme parcela dessa categoria, senão a maioria, é apática e indiferente à discriminação que a população descrente em geral sofre no país. Embora considerem irrelevantes as injúrias e declarações de ódio vindas de fanáticos religiosos, esquecem que milhares de ateístas sofrem na pele as injustiças impostas por uma sociedade cuja maioria não os respeita – como rompimento familiar e discriminação na escola – e ignoram as muito prováveis consequências em grande escala desse cenário não tratado de ateofobia reservadas para o futuro.
Portanto, faz-se mais que necessária a mobilização, à maneira dos próprios ateus, em busca do respeito e do reconhecimento social generalizados que ainda não têm. Seja estabelecendo ONGs como a ATEA, seja lutando individualmente, seja agregando os ateístas de sua cidade em torno da suma causa do combate à discriminação, faz-se essencial que se pare de ignorar o cenário de hostilidade e segregação que a categoria como um todo e centenas de milhares de indivíduos a ela pertencentes sofrem direta ou indiretamente.
Só com luta é que o respeito aos ateus será enfim uma norma geral obedecida generalizadamente pela sociedade – atualmente é uma regra que apenas uma parcela minoritária da população acata de fato. Se somos minorias ainda mais preconceituadas e discriminadas do que mulheres, negros e LGBT e estas três categorias estão lutando muito para terem sua dignidade integralmente reconhecida e as injustiças do passado compensadas – e conseguindo aos poucos -, o que nos impede, afinal de contas, de fazer o mesmo que eles?
48 respostas a Ateofobia, uma intolerância tão gritante mas tão pouco notada
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[...] ateus a se (re)unirem em mais grupos de modo a cobrar o respeito aos seus direitos e lutar contra o preconceito ateofóbico que grassa no [...]
Sonho Meu : o dia em que as pessoas não acreditarem mais em Papai Noel ( exceto as criancinhas), em Fadas e Duendes ( exceto a escrota da Xuxa), em Filho que nasce em mãe virgem, sem copula, sem inseminação, coisa de louco (exceto os loucos e imbecis), em cópias mal feitas do silvio santos que vendem ilusões por dez por cento do seu salario em canais televisivos (exceto os burros, em que matando ou morrendo por alah vc vai viver no paraiso (exceto os suicidas), em cópias bem feitas do bossal Datena, esbravejando em TVs e Radios toda uma gama de idiotices e se valendo de um livro escrito por judeus e seus descendentes ha milhares de anos e sem nexo algum (exceto os malafaias da vida)……meu sonho….
Engraçado e irônico é ver o Ivaldo, que deve ser ateu e ter concordado com o texto acima, descarregar toda sua fúria e ódio contras os religiosos, fazendo justamente o que condena nos outros, chamando quem acredita na Bíblia e dá o dízimo, de louco, imbecil e burro. Cadê o respeito que você tanto quer? Assim já começou errado, se igual a quem tanto você condena e quer se diferenciar. Pense nisso.
Sou atéia , mas concordo com vc ele foi infeliz no comentário!!! Boa noite !!!
nada vi de errado no texto do ivanaldo ele apenas espressou o que sente somos ateu mas nao inbecil se eles podem expor do jeito que querem porque nos nao podemos a grande diferença eque nos sabemosque estsmos certo
O comentário a seguir segue uma linha simples de raciocínio baseado em hipótese:
1. Se vocês ateus estiverem certos que não existe Deus e ao fim da vida nada mais acontece, qual a diferença entre Eu (que creio) e você? Nenhuma, pois será o fim de tudo, ponto final. Não importará o que eu ou você tenhamos feito em vida.
2. Digamos agora que Eu (cristão, evangélico, protestante) esteja certo, que Deus realmente existe e que irá julgar a todos conforme a sua palavra. Qual o seu e o meu destino? O meu será ao lado de Deus e espero que você tenha a oportunidade de rever seus conceitos e também se converter para estar comigo lá no céu, onde é seu lugar. Não quero que você se perca.
Essa reflexão é para uma analise simples e objetiva. Creio em Deus e sei o que vivo. Deixo uma pergunta: É possível provar a existência do AMOR?
O meu maior sentimento pelos ateus não é de pena, nem de raiva, é de AMOR, muito AMOR.
Ezequias, aposta de Pascal não funciona. Não existem apenas duas possibilidades, mas sim centenas. Uma por cada religião.
Por exemplo: se o panteão helênico realmente existir, o destino seu e meu será o Cócitos, lugar do submundo onde aqueles que desafiam os deuses são jogados após a morte.
Se os deuses incas existem e punem quem não crê neles, o destino seu e meu não será nada bom, considerando a punição que eles darão.
E assim em diante. Eu poderia dar centenas de exemplos que mostram que a dicotomia da Aposta de Pascal é falsa.
Sobre o amor, é inválido comparar um sentimento que praticamente todos os seres humanos sentem e que se manifesta com origem biológica com uma divindade em que apenas crê quem foi doutrinado de modo a crer nela e se “sente” sob influência cultural.
Também sinto amor por todos os seres. O fato de eu ser atéia não me faz melhor nem pior que ninguém e seguindo sua linha de raciocínio: Se Deus existe e permitiu que eu não acreditasse nele é pq ele já sabe o meu fim…
” A mente que se abre a uma nove idéia, jamais torna ao tamanho original” Portanto não posso voltar atrás e contrariar minha própria filosofia. Vou morrer assim !!!
Devemos respeitar a nós a todas as espécies existente no planeta… Isso é amor ! Boa noite !!
Sheila disse:
5 de março de 2012 às 0:09
Também sinto amor por todos os seres. O fato de eu ser atéia não me faz melhor nem pior que ninguém e seguindo sua linha de raciocínio: Se Deus existe e permitiu que eu não acreditasse nele é pq ele já sabe o meu fim…
” A mente que se abre a uma nove idéia, jamais torna ao tamanho original” Portanto não posso voltar atrás e contrariar minha própria filosofia. Vou morrer assim !!!
Devemos respeitar a nós a todas as espécies existente no planeta… Isso é amor ! Boa noite !!
Orgulho de sermos ateus!!!
Mas esquecendo essa coisa que não exite, que tal você me ajudar na procura de uma companheira? Depois de algumas mulheres teístas (cristãs, obviamente) pelas quais me interessei sem nem mesmo perguntar sobre suas crenças, me surpreendi ao ouvir as palavras discriminatórias saindo de suas bocas sujas. Resumindo, só se casam com homens cristãos. Idiotice. Bom, eu agora quero saber de um amor só se a mulher for atéia, porque não dá para abrir diálogo com crentes de mentes tão estreitas. Ateu casa com mulheres inteligente, não apenas com atéias. As teístas são discriminadoras. Bom, não quero saber de teísta, não por discriminação, é porque eu quero uma mulher com inteligência a cima da média e ao mesmo tempo que aceite e tenha orgulho de estar com um ateu feliz e de bom humor. Abraços.
robson_benevolente@yahoo.com.br
robson_benevolente@hotmail.com
Já ouviram falar na falácia da falsa dicotomia? Então, essa pessoa ignorante que acha que todo amor vem de um ser que não existe, descrito num livro que não passa de uma série de mitos acabou de usar em vocês: http://pt.wikipedia.org/wiki/Falsa_dicotomia
(a quem administra o blog por favor apagar o outro comentário pois escrevi em um local errado e uma dica, as cores branco e esse creme são muito parecidas e confundem caso necessite responder um comentário, abs)
É, eu conheço essa falácia como poucos. Muito usada tanto na religião como na justificação da alimentação carnista.
a grande diferença e voçe ama os ateus eu ateu amo a humanidade afinal nos somos real
1-seguindo o fio porque estudar,trabalhar etc 2-Sr porque tudo levava a crer que…
Excelente artigo. Uma verdadeira revisão exaustiva do assunto. Parabéns.
Valeu Eli =)
Sei exatamente o que eu disse e onde quero chegar.
E sobre o amor, que é comumente confundido com outros sentimentos diariamente pela maioria das pessoas. É um sentimento incapaz de ser provado a sua real existência.
A mensagem foi passada, isso que é importante.
Acredito num tempo onde todas as respostas serão dadas.
Grande abraço!
Amor é sentimento universal, existe e transcende qualquer religião. Já Deus é uma divindade da religião cristã, alguém que apenas quem crê “sente”.
Conheço pessoas que não acreditam no amor e sabem que nunca o sentiram.
Apenas uma pequena retificação: Deus não é uma divindida apenas da religião cristã, estando presente também em outras religiões monoteístas (Islamismo e Judaísmo) e em outras formas e com outras denominações em religiões de origem afro-descendentes e também em diversas religiões politeístas. Só pra constar.
Fernanda, o deus “Deus” tem outros nomes nessas outras religiões.
Só uma coisa, o “Deus” a que ele se refere é Jeová, o Deus dos Cristãos, em outras doutrinas religiosa,s esse Deus leva outros nomes…
Pelo que me lembro do video, a hebe diz q tem pena dos ateus, e a presidenta diz que deus vai exisitr menos se ninguem acreditar citando guimaraes rosa (nao tenho certeza se o autor é esse) qual o problema de um líder de estado falar sobre a existencia de deus? ofende alguém isso? não me ofendeu, isso aqui é mimimi ateísta.
Pelo contrário. Dilma parafraseou a frase “Deus existe mesmo quando não se acredita nele”.
E isso foi uma resposta consentidora à afirmação preconceituosa onde Hebe diz ter pena de ateus. Ou seja, Dilma Rousserra consentiu e apoiou o preconceito de Hebe – ou pelo menos nada fez pra defender aqueles que ela governa.
Antes de acusar os outros de “mimimi”, reveja de onde você tira suas informações.
Muito bom o artigo. Creio que o ser humano tenha uma tendência a ser parte de uma grupo maior, uma “síndrome de rebanho”, onde alguém tem que lhe dizer o que é certo e o que é errado, para que ele não tenha que decidir nada sozinho.
Quando essa “força superior” que dita as regras é questionada, nada mais justo do que se sentir ameaçado e responder atacando.
É triste ver que o povo brasileiro e, também o povo de todo o mundo, acha tão errado não possuir uma crença, como se a necessidade de acreditar em um Deus fosse uma característica de suma importância para a formação de caráter.
No artigo você fala sobre os ateus que não se importam com o preconceito que sofrem, mas há uma boa razão para se relevar os comentários destas pessoas públicas contra os ateus: todas essas frases batidas do Datena, da Hebe e de pessoas do gênero não passam de “petiscos” para o público, coisas que eles falam para cair nas boas graças do povo que, em sua grande maioria, é ateofóbico.
Esses formadores de opinião, na verdade, não formam opinião alguma, apenas se aproveitam de uma já existente para criarem uma imagem de sábios. O problema é a intolerância do povo brasileiro e a sua ignorância quanto ao ateísmo.
E por último, depois desse comentário longo e prolixo, só gostaria de salientar que eu acredito em Deus, mas sinto ojeriza deste preconceito contra quem não crê, pois é puro reflexo da ignorância e da incapacidade de compreender o próximo que as pessoas apresentam.
Enfim, novamente, um belo artigo. Parabéns.
Obrigado, Rafael, por ter apreciado o texto =)
Abração
Você escreve muito bem, artigo muito bem articulado. Já sofri bastante preconceito por ser ateu, principalmente na infancia. O problema é que não tem como eu sair por ai processando qualquer teista que me maltrata.
Não sonho com o dia em que ninguem mais acreditará em divindades, mas sim com o dia em que poderei falar abertamente, sem medo de repressões, “sou ateu”.
Enfim, otimo texto. Com certeza vou ler mais por aqui.
Obrigado Charles =)
As religiões prende seus crentes pelo medo ,acredito que 70% dos crentes são ateus e não se revelam por medo .”já pensou se deus existir mesmo ,quando eu morrer estou ferrado ” .Assim pensam a maioria dos que acreditam.Quantos católicos comungaram o ano passado? Os evangélicos conduzem suas ovelhas para que elas não pensem e todas as suas ações foram feitas por deus e não por elas próprias mantendo o controle pelo medo.Se procurarmos o inicio das religiões veremos exatamente a mesma tática MEDO. Aterrize com um veiculo voador em um local primitivo e isolado ,vc vira deus.
Engraçado é que por anos e anos vi os ateus satirizarem a religião e Deus, de forma desrespeitosa e ultrajante, e agora vêm se esconder atrás da bandeira do preconceito? Queriam o que? Vocês falam da intolerância contra ateus, mas são tão intolerantes quanto um crente radical. Sou contra qualquer tipo de preconceito e acho que enquanto não houver RESPEITO pela crença ou descrença as diferenças só vão crescer, e ao invés de pensar em algo que nos une (sim, podemos estar unidos mesmo apesar das diferenças), sempre vamos exaltar aquilo que nos afasta. Porque não importa se você é ateu e eu não, o governo tai ferrando a gente com impostos, gente que podemos ajudar continua passando necessidades, a gasolina ta um absurdo… Talvez seja esse um dos pontos que ateus e religiosos possam discutir JUNTOS. E essa discussão infrutífera de provar a existência de Deus ou não, que em muitos casos leva ao preconceito de AMBAS as partes, só nos distrai do ponto comum.
Daniel, peço que não generalize. Eu próprio não tenho esse caráter neoateísta de satirizar e criticar religiões e deuses. Outra coisa é que a maior parte do preconceito contra ateus não é motivado pelo neoateísmo (embora vá sim, aos poucos, começar a crescer o preconceito por reação ao neoateísmo), mas sim porque não cremos no Deus das religiões monoteístas e ateus nessas crenças são vistos como pessoas vazias, fúteis e até malignas (exemplo: http://consciencia.blog.br/2012/03/preconceito-contra-ateus-na-musica-gerson-rufino-o-homem-sem-deus.html) (embora os religiosos tolerantes reneguem essa parte de sua dotrina religiosa).
Eu pessoalmente não acredito que os ateus vão eliminar as religiões e a espiritualidade metafísica das sociedades modernas. Deverá haver um ponto em que o cristianismo (ainda que menor em fiéis no futuro do que hoje), o islamismo, os paganismos, as religiões orientais etc. e a irreligião coexistirão em respeito mútuo. E é essa realidade futura que pretendo ajudar a construir.
Olá Robson, ufa, que bom encontrar um ateu consciente! Me perdoe pela generalização, mas precisava de um termômetro para ver como são as idéias das pessoas por aqui. É que na maioria das vezes a religião é vista como única, e quando um homem bomba explode em guerra santa, sei lá de onde as pessoas associam o fato com doutrinas bíblicas ou com Jesus. Mas creio que a sua convicção de aumento do preconceito pelo neoateísmo infelizmente está correta. O mesmo acontece com o caso dos gays X evangélicos, uma manobra de massa implantada nas novelas, notícias e até no congresso. Tem a bancada evangélica e a bancada gay, que ao invés de discutirem o melhor para o povo ficam se degladiando. Este não é o evangelho do amor que era pra ser pregado e seguido pelos supostos cristãos. Defeito grave nosso, é verdade e o mesmo acontece com os ateus: quem não crer vai pro inferno! Que bobagem é essa? Os verdadeiros ateus são pessoas cultas, sábias e inteligentes e tem muito “cristão” por ai que deveria aprender uma ou duas coisas com os ateus. Uma coexistência pacífica deve ser procurada sempre, mas estas diferenças só irão crescer e piorar a cada dia. E a corda vai estourar para o lado dos cristãos, que como você falou, serão minoria no futuro.
Quando canto músicas que falam de Deus penso na aplicação da letra para mim e não para julgar os outros, é lamentável pensar que a crença em Deus não serve para os ateus, mas que as músicas cristãs servem para justificar o preconceito. Até porque acho que mesmo a pessoa não acreditando, Deus pode estar com ela, tudo é uma questão de interpretação e não tem como ensinar outra coisa na igreja, a gente vai lá pra falar disso, da importância de Deus nas nossas vidas. Isso não implica em que eu tenha que ter preconceito contra você… Mas já ficou muito longo e não precisamos falar de tudo em um só post não é? Com certeza volto para falarmos mais desse e de outros assuntos.
Abraço.
Agora quero a opinião de vocês: o texto abaixo parece sem nexo? Será que não da pra tirar alguma coisa boa da Bíblia? Analisem, por favor, SEM PRECONCEITO, se puderem…
“Tenha cuidado com o que você pensa, pois sua vida é dirigida por seus pensamentos. Nunca fale mentiras, nem diga palavras perversas. Olhe firme para frente, com toda confiança; não baixe a cabeça, envergohado. Pense bem no que você vai fazer, e todos os seus planos darão certo. Evite o mal e caminhe sempre em frente; não se desvie um só passo do caminho certo”. Provérbios 4:23
Daniel, eu pessoalmente não nego que a Bíblia tem bons ensinamentos entre suas páginas, ainda que também traga maus ensinamentos em outros trechos.
Robson, você pode me citar um trecho em que acha que há um mau ensinamento?
Muitas partes do Velho Testamento, e as declarações de Paulo de Tarso sobre as mulheres. Também é possível considerar a antropogonia de Gênesis como um mau ensinamento, visto que mostra a mulher surgindo já submissa ao homem.
Isto depende da interpretação que se faz, existem muitas possíveis e muitas incorretas. São muitas as passagens a que você se referiu, não é objetivo do post analisar cada uma delas, até me sinto constrangido em ter levantado outro assunto fora do preconceito contra ateus. Mas é o seguinte, quando ler alguma passagem aplique o princípio da hermenêutica: interpretar as palavras à luz de seu contexto histórico (onde e quando foram escritas) e interpretar as partes da Bíblia à luz do todo (um verso dentro do capítulo, este dentro do livro e este com outros livros do cânon). A Bíblia se auto-interpreta. Existem também diferentes estilos literários, alguns textos narram fatos históricos, outros usam figuras de linguagem (como nas parábolas de Jesus), metáforas e metonímias. E lembre-se: a Bíblia não tenta provar a existência de Deus; ela simplesmente afirma que Deus existe e te dá a liberdade de escolher se acredita ou não. E ninguém pode te julgar por isso.
Olha eu querendo ensinar o padre a rezar missa… não tinha visto no teu perfil que você já foi cristão, certamente deve saber destas coisas. Desculpe a gafe.
hehehehehe
Existe preconceito por todos os lados, seja ateu, cristão, negro, gordo, gay, pobre.
Todos nós sofremos algum, e nenhum é pior do que o outro.
Bons dias à todos, bem, o que vejo são inúmeras interpretações sobre a bíblia e pouquíssimo consenso acerca dos temas, isto já denota falha, e cá entre nós: deus não poderia ter falhas! Se an alisarmos o início da religião politeísta, veremos que é mais prático, a nível de controle de massas ter uma única religião, aliás, ter religião já é um controle de massas!Outro ponto que quero levantar é quanto aos profissionais de n setores que mentem em detrimento de dinheiro, o que não condiz com o pensamento religioso, vamos ao exemplo:Um(a) educador(a)(professor(a)) de biologia que seja religioso(a) de quaisquer dogma ou doutrina, que estudou, aprendeu a transmitir os assuntos pertinentes à disciplina, mas, por sua convicção religiosa, ele(a) discorda de algumas afirmações da disciplina, pergunto: Como um profissional destes irá transmitir uma ideia, que ele(a) mesmo não acredita?
Você já imaginou se nós ateus desrespeitássemos o direito individual das pessoas ou abusássemos do direito de por na cadeia todos aqueles que nos agridem verbalmente por sermos ateus? Não se esqueça Sr. Datena, que o seu antropocentrismo egocêntrico que o faz acreditar que os planetas (inclusive a “Globo”) giram em torno de si, não lhe dá o direito de nos ofender via satélite, dizendo que dos males, os ateus são os piores. Agindo assim você não só está referendando o preconceito que é cada vez maior em relação aos ateus, mas também praticando um crime inafiançável como é inafiançável e horrendo o antissemitismo ou qualquer outra forma de discriminação religiosa e consequentemente você está dando razão ao Cardeal Pedro Segura, que no “New York Herald Tribune”, em 5/12/1952 disse que “a liberdade de imprensa é um dos maiores males que ameaçam a sociedade moderna.” Portanto Sr. Datena não use a liberdade de imprensa para oprimir a liberdade de expressão e nem desqualifique os ateus fazendo generalizações indevidas. E não se esqueça seu idólatra, que se você tivesse Deus no coração você não apresentaria um programa que só mostra a desgraça e a violência de um povo quase 100% cristão. E à propósito, perguntar não ofende: essa sua tatuagem no antebraço esquerdo com a palavra “Cristo” foi feita na cadeia? Nós sabemos que em seu camarim na Band existe uma imagem de Jesus e outra de Nossa Senhora Aparecida, mas talvez você não saiba, que Jesus não ensinou a veneração de imagens, até por que a bíblia diz que maldito é o teto da casa que cobre uma imagem de escultura – Êx 20:4. Mas façamos de conta que você também não saiba que o 1º mandamento da lei de Deus também proíbe a idolatria, já que o catecismo não ensina isso. Mas será que você vai poder levar suas imagens para o seu camarim na Record, do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, de um povo protestante que abomina imagens e demagogos católicos? Fragmentos do livro: A involução das espécies. pg 427- Visite https://sites.google.com/site/vizenteoateu/
Você já imaginou se nós ateus desrespeitássemos o direito individual das pessoas ou abusássemos do direito de por na cadeia todos aqueles que nos agridem verbalmente por sermos ateus? Não se esqueça Sr. Datena, que o seu antropocentrismo egocêntrico que o faz acreditar que os planetas (inclusive a “Globo”) giram em torno de si, não lhe dá o direito de nos ofender via satélite, dizendo que dos males, os ateus são os piores. Agindo assim você não só está referendando o preconceito que é cada vez maior em relação aos ateus, mas também praticando um crime inafiançável como é inafiançável e horrendo o antissemitismo ou qualquer outra forma de discriminação religiosa e consequentemente você está dando razão ao Cardeal Pedro Segura, que no “New York Herald Tribune”, em 5/12/1952 disse que “a liberdade de imprensa é um dos maiores males que ameaçam a sociedade moderna.” Portanto Sr. Datena não use a liberdade de imprensa para oprimir a liberdade de expressão e nem desqualifique os ateus fazendo generalizações indevidas. E não se esqueça seu idólatra, que se você tivesse Deus no coração você não apresentaria um programa que só mostra a desgraça e a violência de um povo quase 100% cristão. E à propósito, perguntar não ofende: essa sua tatuagem no antebraço esquerdo com a palavra “Cristo” foi feita na cadeia? Nós sabemos que em seu camarim na Band existe uma imagem de Jesus e outra de Nossa Senhora Aparecida, mas talvez você não saiba, que Jesus não ensinou a veneração de imagens, até por que a bíblia diz que maldito é o teto da casa que cobre uma imagem de escultura – Êx 20:4. Mas façamos de conta que você também não saiba que o 1º mandamento da lei de Deus também proíbe a idolatria, já que o catecismo não ensina isso. Mas será que você vai poder levar suas imagens para o seu camarim na Record, do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, de um povo protestante que abomina imagens e demagogos católicos? Do livro A involucao das especies
Nossa, esse texto deu um panorama completo da coisa. Vi coisas que nem estavam no meu radar. Parabéns pelo texto, Robson!
Vou guardá-lo bem pra minhas incursões e quando precisar entrar em um debate.
Valeu, Thiago =)
Cansei de ser pacífico e tolerante. Se vier me falar de sua crença, vai me ouvir falar da minha descrença.
Pelo visto, o autor do texto, que trata o ateísmo quase como sagrado do começo ao fim, não sabe o que é ateísmo.
Além do psicologismo do começo ao fim do texto: acusa de ódio, varia um argumento aqui e ali, acusa de ódio de novo. Como uma linguagem padrão, um termo invariável, pré-programado. Clichê puro. Essa mesma acusação um crente pode usar contra o ateísmo, e com boas justificativas, e ainda não clichezentas.
Enquanto isto, no mundo, por ódio anticristão, MORREM 100.00 vezes mais pessoas, cristãs, em nome de sua fé, por perseguição. O que ocorreu em países nos quais ateísmo era lei, incentivado abertamente e um dos ingredientes no caminho ao poder absoluto. Se isto não é ateísmo militante, como ocorre hoje em algum país ainda, e em outros de maneiras diferentes, o que é?
Em comparação, se alguns ateus, que no todo são poucos, no Brasil, sofrem algum tipo de revés por meramente mal embasadas opiniões alheias, o que admito que ocorre, já ocorre um burburinho e um “ai, tô dodói; ele me ofendeu”.
Texto ruim e cheio de ai-me-dói. Fora a alegação sobre “ateofobia gritante” sem estudos estatísticos para comprovar que é GRITANTE. Não pode haver ateofobia gritante quando o número de ateus na população é MUITO pequeno. Mas anticristianismo gritante, este existe, o que é fácil provar.
Lembrando: ateus, enquanto pessoas, precisam ser respeitados, mas ateísmo não é sagrado.
Deixa eu ver as falácias… apelo à multidão reverso, falácia do espantalho, non sequitur…
Cadê seus “estudos estatísticos” sobre a alegação de “MORREM 100.00 vezes mais pessoas, cristãs, em nome de sua fé, por perseguição”?