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Encontrar conteúdo antimilitarista em português é bem difícil, mas felizmente há pessoas que, como eu, também repudiam a práxis – e também a existência – das organizações militares (Forças Armadas e polícias militares). É o caso de Leandro Cruz, colunista do Jornal do Povo e autor do blog Viagem no Tempo.

Leandro escreve muito daquilo que eu adoraria escrever – e até poderia escrever algum dia, mas ele já me poupou desse trabalho. Abaixo estão o trecho inicial do primeiro artigo (é uma trilogia de textos) e o link dos três artigos da trilogia.

Militar com menos de 30 em 2012 (parte 1)
por Leandro Cruz

Militar com menos de 30. Não leve a mal nada que eu venha a dizer. Não pode ser desacato à autoridade, pois não falo à autoridade, mas às pessoas. Não me dirijo às fardas, mas às mulheres e homens por baixo das fardas. A pessoas de carne vermelha e ossos quebráveis, que nascem igualmente nus e invariavelmente não podem fugir do destino final comum a todos os homens. Não é dirigida à “classe militar”. É dirigida ao nossos irmãos, humanos, que trabalham para instituições militares (polícias e Forças Armadas). Mas é às pessoas, não ao trabalho delas. Não me peça pra falar com o tenente ou o chefe do tenente. É com você mesmo. Mesmo que você diga: “Eu só cumpro ordens”, eu não quero falar com quem dá as ordens, mas é com você mesmo. Você, militar nascido em 1982 ou depois. Você, barbeado e de cabelo curto. Ou você, mulher de coque e boné. Não é com seu cabelo, nem com sua arma, nem com uma testa franzida. Não é com sua farda.

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Me chamou a atenção, nesta notícia sobre a semana do Exército (13-19/04/12), este trecho:

Para os jovens, uma das principais atividades é a abertura de quartéis. Alunos de escolas públicas e particulares podem participar da experiência de ser “Soldado por um dia”. Até sexta (13), estudantes praticam um pouco da vivência militar através de esportes como rapel, escalada, pistas de obstáculos e de orientação – onde aprendem a utilizar a bússola em uma espécie de caça-ao-tesouro atrás de bandeiras. De acordo com o setor de Comunicação Social do Comando Militar do Nordeste, o contato de estudantes com quartéis não acontece apenas na semana do exército e as escolas interessadas podem entrar em contato para agendar esse tipo de atividades. “Isso é importante para que os jovens tenham contato desde cedo com as Forças Armadas”[, disse o referido setor de comunicação].

Vale fazer um comentário sobre esse trecho das atividades previstas para essa semana militarista, ainda que eu corra o risco de incorrer em reducionismo por abordar apenas uma parte da programação prevista. Nessa atividade de “vivência militar” como “soldado por um dia”, dá-se a impressão às crianças e adolescentes de que ser recruta é algo muito divertido, uma aventura bacana que se gostaria de repetir – tal como uma trilha na mata com amigos. Aliena-se a garotada do fato de que a realidade no quartel não tem nada a ver com diversão e prazer. Quem adora brincar de soldado não imagina que o soldado de verdade é uma máquina numerada sob controle de “superiores” – que, por sua vez, são marionetes dos interesses do Estado -, não um jovem curtindo as melhores aventuras de sua vida.

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Uma notícia comovente marcou a semana passada entre israelenses e iranianos: pessoas das duas nacionalidades trocaram mensagens de paz e simpatia mútua, mostrando que não querem nenhuma guerra e rejeitam as hostilidades que vêm crescendo entre os Estados de Israel (compadreado pelos EUA) e Irã. Por outro lado, as máquinas militares de cada Estado se esquentam, com soldados coagidos pela disciplina robótica imposta e pelo medo de punições severíssimas.

É evidente nesse e em tantos outros casos que as vontades do Estado e de sua máquina armada são distintas dos povos governados – isso quando a mídia que apadrinha o primeiro não manipula o suficiente a opinião pública para fazê-la artificialmente apoiar a “opção” do conflito armado. A população diz não à guerra, à ação assassina das forças armadas, mas estas não querem nem saber. Afinal, democracia – seja ela em sua versão faz-de-conta baseada em eleições, partidos e representatividade, seja aquela em que o poder realmente é do povo – e corpo militar excluem-se mutuamente.

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Opressão interna em corpos militares também é regra nas PMs, não apenas nas forças armadas. Como é de praxe em instituições do tipo, recusar ordens por motivos éticos é motivo de punições severas, incluindo prisão ou expulsão.

Foi o caso dos resistentes policiais da Companhia Bravo, do BOPE (PMERJ), que eticamente se recusaram a invadir o quartel-general da PM do Rio e reprimir o movimento grevista, o qual, por sua vez, reivindicava principalmente reajuste salarial. Acabaram punidos com o afastamento permanente e a perda da farda preta e da gratificação de R$1500.

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Ontem Lola Aronovich, do Escreva Lola Escreva, escreveu um post muito bom sobre o serviço militar obrigatório e como ele vitima os homens que ainda hoje são obrigados a se alistar. Ela acrescentou uma informação que ainda faltava aqui no Consciencia.blog.br, a de que poucos são os que realmente são recrutados e aquartelados, mesmo entre aqueles que querem servir (como servos mesmo) às forças armadas. E acrescenta que os machistas usam a questão do serviço militar como uma desculpa para tentar atacar @s feministas.

Vale a pena ler cada linha do texto de Lola. O título dá a primeira impressão de que ela faria pouco caso da questão do serviço militar para homens, mas não é isso o que o corpo do texto nos mostra. Abaixo o trecho inicial do artigo.

 

Pobres homens obrigados a servir o Exército
por Lola Aronovich

Querido leitor homem, você prestou o exército? Na sua classe social, que provavelmente é classe média, muitos amigos seus foram obrigados a se alistar? Pergunto porque o “fator Forças Armadas”, digamos assim, é uma das principais críticas que não apenas mascus, mas machistas de todos os naipes fazem às feministas. Nós feministas não lutamos para que mulheres também sejam obrigadas a servir ao exército! Queremos manter esse enorme privilégio de que só os homens são enviados pras guerras. Ahn, que guerra, cara pálida?

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A BBC Brasil mostrou hoje uma impressionante reportagem sobre dois ex-militares, um britânico e o outro argentino, que outrora – na Guerra das Malvinas – quase assumiram os papéis respectivos de assassino e vítima e hoje são amigos. Vale a pena ler cada linha do texto – exceto a parte em que celebram sua amizade com um churrasco.

Essa reportagem é mais uma amostra do quão absurdo é o código militar, de matar pessoas não por qualquer sentimento negativo (o que não quer dizer, porém, que matar pessoas por sentimento negativo não seja absurdo), mas sim por ordens autoritárias, apenas porque cometeram os “crimes” de nascer em outro país e ser controlados por “superiores” cujos interesses envolvem, uni ou bilateralmente, o mais puro desprezo à vida humana.

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Resolvi trazer a vocês leitoræs a retrospectiva do Consciencia.blog.br, com os fatos mais destacáveis de cada mês que foi descrito aqui ou aconteceu dentro do próprio blog.

 

Janeiro

- Protestos contra o aumento das passagens sacodem o centro do Recife (fotos de um dos protestos). Mas, com brigas internas e sectarismo dentro do movimento de oposição ao aumento, as manifestações não deram certo e perderam a força. Destaque para a forma manipulatória com que o Diario de Pernambuco tratou nossas manifestações.

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Forças armadas não exploram apenas seres humanos para o ofício de oprimir e matar. Exploram também outros animais, que, ao contrário dos humanos, já nascem militares, submissos ao interesse de ajudar em guerras muitas vezes de agressão.

O corpo militar os faz nascer com o único fim de serem seus escravos, mais escravos do que os próprios soldados. Numericamente são poucos – atualmente são 2700 sob controle do exército estadunidense -, mas nem por isso sofrem menos por isso. Uma porção deles – cerca de 5% – desenvolveram estresse pós-traumático depois de serem criminosamente expostos a explosões, tiroteios e outros fenômenos violentos típicos das guerras, que só existem ainda por causa do militarismo sedento de dominação empreendido por países como os EUA.

Todos os detalhes dessa forma de exploração animal que poucos conhecem podem ser conhecidos aqui, em reportagem do IG/Último Segundo.

É nessas horas que vemos que as libertações animais humana e não humana são bem mais interrelacionadas do que se pensa no senso comum.

Os oficiais das Forças Armadas são péssimos para ensinar. Tudo o que eles ensinam aos soldados, em todo o tempo em que estes ficam atados ao quartel, são quatro míseras letras do alfabeto:

O, B, D, C.

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Eis uma frase que, se relida no Certificado de Dispensa de Incorporação (CDI) de cada homem brasileiro, atormentaria no fundo da “alma” milhões de dispensados do serviço militar, mesmo hoje sendo improvável uma guerra a ameaçar o território brasileiro. Ela significa algo extremamente relevante: em caso de guerra, o Estado brasileiro irá confiscar nossa liberdade e se apropriar de nós, nos obrigando a pegar em armas, obedecer ordens aéticas como máquinas controladas, matar pessoas e correr altíssimo risco de sermos assassinados, mesmo que sejamos inimigos figadais da guerra e da violência e não tenhamos qualquer domínio no uso de armas e destreza física.

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Postado originalmente em 10/09/2010. Repostado em virtude do Dia da Independência, dia de desfiles militares em todo o Brasil

Quando penso nos desfiles militares de 7 de setembro, não sinto nenhum orgulho. Pelo contrário, me lembro de como não simpatizo nem um pouco com a existência das forças armadas. Os fundamentos históricos e regimentais da existência de corpos militares são algo cuja extinção faria um bem inestimável à humanidade, que passaria a viver muitíssimo mais próxima da paz perpétua.

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Postado originalmente em 07/09/2010

Como “comemoração” do Dia do Soldado, trago um texto que é um petardo contra o serviço militar, cuja obrigatoriedade e legislação interna são resquícios vivíssimos da ditadura mesmo 26 anos depois da redemocratização.

O texto abaixo é ácido e pode parecer agressivo, postura que não condiz com o meu padrão de blogagem, mas é uma das únicas críticas existentes na blogosfera brasileira ao sistema militar nacional e, por que não, à existência de forças militares em sua essência.

E é uma pena que o blog de onde retirei o texto abaixo esteja abandonado. Se estivesse ativo, seria hoje talvez o melhor blog antimilitarista brasileiro.

Abominação Escravizatória Oficializada
por “Doppelganger Macabro”, no blog LIberté, Egalité, Fraternité

De todas as formas de opressão exercidas pelos Estados, o recrutamento compulsório para as corjas armadas, eufemisticamente chamado “serviço militar obrigatório”, é de longe a pior.

A começar, porque configura uma forma muito mal disfarçada de escravidão.

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