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A via crucis de Nathan Blanc em seu esforço para não ser obrigado pela lei sionista de Israel a servir às forças armadas daquele país vem chamando a atenção do mundo sobre o direito humano à liberdade de consciência ético-política. Ele vem sendo condenado à prisão militar seguidamente por recusar servir ao mesmo exército que vem oprimindo e matando o povo palestino. Recentemente ele recusou pela oitava vez obediência ao corpo militar sionista de Israel, por consciência.

Afirma o Terra:

De acordo com Blanc, o alistamento no Exército contradiz seus valores morais, já que a situação politica na região “não é democrática”. ”Na nossa região existem dois povos, o israelense e o palestino, mas só nós temos um Estado e um Exército, e nosso Exército serve para subjugar o outro povo”, disse Blanc ao Terra poucos minutos depois de ser condenado a 14 dias na prisão militar, após ter reiterado sua recusa de prestar serviço militar.

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Autoria mantida em sigilo para preservar o autor da crítica

Como tendência de reação à cada vez mais comum posição dos paulistanos contra a Polícia Militar de São Paulo, reconhecida como a polícia militar estadual mais fascista, violenta e abusiva do Brasil, estão aparecendo contra-argumentos de defesa à instituição, como “A quem você vai recorrer então se for roubad@/sequestrad@/agredid@/estuprad@?”. A imagem acima é um exemplo de argumento defensor da polícia, ou ao menos da necessidade dela num contexto em que a sociedade ainda não aprendeu a viver eticamente sem precisar de uma polícia para mantê-la disciplinada.

A figura em questão, porém, cai em duas falácias: a falsa dicotomia e a falácia do espantalho.

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Neste 7 de setembro eu não comemorei nada. A independência política do Brasil não me significa muita coisa. Por ela deixamos de ser dominados por um Estado opressor mas caímos no domínio de outro que oprime tanto quanto. Nem “orgulho da pátria”, nem nenhuma outra forma de adoração a ela, fazem sentido nessa questão.

Não reconheço independência alguma. No máximo, o que vejo foi que o Estado brasileiro se desligou enquanto colônia do Estado português em 7 de setembro de 1822, embora continuasse sendo governado por um representante da nobreza lusitana e seus sucessores. Mas o que adianta isso, se a dominação opressora de um e a dependência de outro(s) são as mesmas, tendo sido inclusive herdadas muitas práticas antidemocráticas e valores desigualitários e mantida a ideologia de poder pelo poder, que a “democracia” liberal republicana passou longe de combater?

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Vem circulando no Facebook um fac-símile de um artigo recente, do último dia 28, que denuncia como o militarismo policial no Brasil necessariamente induz à violência de Estado que vemos nas comunidades humildes e contra protestos pacíficos nas ruas.

O artigo original está aqui, e o fac-símile está abaixo (clique na imagem se tiver dificuldades de ler no tamanho disposto abaixo):

A saber: antimilitarismo não é só oposição às forças armadas, mas também à cultura de violência e guerra em que elas se calcam para agir.

A imagem acima me fez relembrar do problema da incitação da violência e das emoções violentas no futebol. Da militarização emocional daquele que um dia já foi um esporte de família.

A figura em questão não fala para irmos ao estádio brigar com as torcidas adversárias, mas acaba incitando, mesmo sutilmente, sentimentos violentos, de época de guerra, entre os torcedores. Não sentimentos baseados numa rivalidade transformada em inimizade, mas sim na militarização da forma como vemos culturalmente o futebol.

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A imagem abaixo eu extraí do Facebook, mostra o absurdo de policiais serem parte do povo mas serem obrigados, mediante o controle remoto da disciplina e das ordens “superiores”, a reprimir seus próprios irmãos de sociedade.

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A imagem abaixo, obtida do Facebook, complementa meus artigos antimilitaristas, no que tange a abordar o forçamento do abandono da racionalidade e da humanidade pelos recrutas e demais militares.

Anarquistas, peço enfaticamente que opinem por aqui.

Mostrou a Folha.com hoje: os países-membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendaram a extinção da Polícia Militar, a famosa e famigerada PM, no Brasil.

As acusações foram diversas, sendo as principais a de que membros da PM vêm sendo identificados como integrantes de esquadrões da morte e a de que execuções extrajudiciais vêm sujando o nome da entidade.

Eu colocaria mais. A PM tem “Militar” no nome e segue princípios militares não só para o bem, mas também para o mal. Obediência cega e inquestionada, que leva os soldados a agirem como máquinas bestiais “feitas” para bater em pessoas que só querem o bem da sociedade, e passado sujo pela sua cumplicidade ativa com as Forças Armadas durante a ditadura de 1964-85 são apenas dois dos aspectos que fazem a PM ser cada vez mais famigerada.

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Encontrar conteúdo antimilitarista em português é bem difícil, mas felizmente há pessoas que, como eu, também repudiam a práxis – e também a existência – das organizações militares (Forças Armadas e polícias militares). É o caso de Leandro Cruz, colunista do Jornal do Povo e autor do blog Viagem no Tempo.

Leandro escreve muito daquilo que eu adoraria escrever – e até poderia escrever algum dia, mas ele já me poupou desse trabalho. Abaixo estão o trecho inicial do primeiro artigo (é uma trilogia de textos) e o link dos três artigos da trilogia.

Militar com menos de 30 em 2012 (parte 1)
por Leandro Cruz

Militar com menos de 30. Não leve a mal nada que eu venha a dizer. Não pode ser desacato à autoridade, pois não falo à autoridade, mas às pessoas. Não me dirijo às fardas, mas às mulheres e homens por baixo das fardas. A pessoas de carne vermelha e ossos quebráveis, que nascem igualmente nus e invariavelmente não podem fugir do destino final comum a todos os homens. Não é dirigida à “classe militar”. É dirigida ao nossos irmãos, humanos, que trabalham para instituições militares (polícias e Forças Armadas). Mas é às pessoas, não ao trabalho delas. Não me peça pra falar com o tenente ou o chefe do tenente. É com você mesmo. Mesmo que você diga: “Eu só cumpro ordens”, eu não quero falar com quem dá as ordens, mas é com você mesmo. Você, militar nascido em 1982 ou depois. Você, barbeado e de cabelo curto. Ou você, mulher de coque e boné. Não é com seu cabelo, nem com sua arma, nem com uma testa franzida. Não é com sua farda.

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Me chamou a atenção, nesta notícia sobre a semana do Exército (13-19/04/12), este trecho:

Para os jovens, uma das principais atividades é a abertura de quartéis. Alunos de escolas públicas e particulares podem participar da experiência de ser “Soldado por um dia”. Até sexta (13), estudantes praticam um pouco da vivência militar através de esportes como rapel, escalada, pistas de obstáculos e de orientação – onde aprendem a utilizar a bússola em uma espécie de caça-ao-tesouro atrás de bandeiras. De acordo com o setor de Comunicação Social do Comando Militar do Nordeste, o contato de estudantes com quartéis não acontece apenas na semana do exército e as escolas interessadas podem entrar em contato para agendar esse tipo de atividades. “Isso é importante para que os jovens tenham contato desde cedo com as Forças Armadas”[, disse o referido setor de comunicação].

Vale fazer um comentário sobre esse trecho das atividades previstas para essa semana militarista, ainda que eu corra o risco de incorrer em reducionismo por abordar apenas uma parte da programação prevista. Nessa atividade de “vivência militar” como “soldado por um dia”, dá-se a impressão às crianças e adolescentes de que ser recruta é algo muito divertido, uma aventura bacana que se gostaria de repetir – tal como uma trilha na mata com amigos. Aliena-se a garotada do fato de que a realidade no quartel não tem nada a ver com diversão e prazer. Quem adora brincar de soldado não imagina que o soldado de verdade é uma máquina numerada sob controle de “superiores” – que, por sua vez, são marionetes dos interesses do Estado -, não um jovem curtindo as melhores aventuras de sua vida.

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Uma notícia comovente marcou a semana passada entre israelenses e iranianos: pessoas das duas nacionalidades trocaram mensagens de paz e simpatia mútua, mostrando que não querem nenhuma guerra e rejeitam as hostilidades que vêm crescendo entre os Estados de Israel (compadreado pelos EUA) e Irã. Por outro lado, as máquinas militares de cada Estado se esquentam, com soldados coagidos pela disciplina robótica imposta e pelo medo de punições severíssimas.

É evidente nesse e em tantos outros casos que as vontades do Estado e de sua máquina armada são distintas dos povos governados – isso quando a mídia que apadrinha o primeiro não manipula o suficiente a opinião pública para fazê-la artificialmente apoiar a “opção” do conflito armado. A população diz não à guerra, à ação assassina das forças armadas, mas estas não querem nem saber. Afinal, democracia – seja ela em sua versão faz-de-conta baseada em eleições, partidos e representatividade, seja aquela em que o poder realmente é do povo – e corpo militar excluem-se mutuamente.

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Opressão interna em corpos militares também é regra nas PMs, não apenas nas forças armadas. Como é de praxe em instituições do tipo, recusar ordens por motivos éticos é motivo de punições severas, incluindo prisão ou expulsão.

Foi o caso dos resistentes policiais da Companhia Bravo, do BOPE (PMERJ), que eticamente se recusaram a invadir o quartel-general da PM do Rio e reprimir o movimento grevista, o qual, por sua vez, reivindicava principalmente reajuste salarial. Acabaram punidos com o afastamento permanente e a perda da farda preta e da gratificação de R$1500.

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