Galera daqui do Recife, teremos um evento pró-vegetarianismo com minha participação próxima terça. O Cultura Veg, realizado todos os meses na Livraria Cultura do Recife Antigo, vai ter sua edição de maio sobre a exploração humana na produção de carne. E acreditem, é uma exploração muito forte, que torna a carne, aquela mesma refrigerada e embalada em supermercados ou exposta às moscas em feiras e açougues, um dos piores alimentos existentes em termos de superexploração de mão-de-obra.
Falarei sobre o problema junto com a veterinária Nara Corrêa, e eu e ela mostraremos como as explorações animais humana e não humana são essencialmente interligadas.
Se você tem Facebook, confirme aqui sua presença e conheça mais esse lado sombrio da produção desse cruel alimento de origem animal. Vai acontecer próxima terça, às 19h.
Conheça o novo blog de veganismo, o Veganagente

Essa semana foi inaugurado o mais novo blog vegano do Brasil, o Veganagente. Ele substitui o Vegetariano da Depressão na compilação de pérolas carnistas comentadas, textos e reportagens idem respondidos e dicas para o dia-a-dia dos veg(etari)anos.
A proposta do novo blog é fazer o veganismo chegar às massas, às populações mais humildes, mostrando-lhes que é possível ser vegano sem ter um poder aquisitivo elevado e também juntando os Direitos Animais com as lutas sociais das classes populares. Não é à toa que uma das interpretações para o nome “Veganagente” seja “Vegana gente”, um blog para todas as gentes.
Falando em interpretações, você pode pensar também em “Vegan a gente”, por ser o blog de tod@s nós, ao qual os leitoræs podem contribuir com notícias, artigos, depoimentos, receitas e avisos de eventos, e em “Vegan agente” por ser o blog daqueles que agem em prol da libertação animal humana e não humana.
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Segundo o que David Attenborough diz sobre populações humanas de alta fecundidade, esse inseto vale mais do que a vida de um bebê humano pobre.
Caiu no meu mural no Facebook uma matéria do Vírgula, datada de janeiro passado, com um naturalista britânico, David Attenborough, em que ele dá uma aula de como não ser um bom ambientalista.
Num show lamentável de misantropia, elitismo e higienismo, ele considera a espécie humana “uma praga sobre a Terra” e acredita que o controle populacional focado nas populações de maior índice de fecundidade – que habitam, perceba-se, os países mais pobres do mundo – é “a solução” para a crise ambiental.
Do alto do seu classismo, ele culpa, mesmo sem mencioná-los diretamente, os próprios pobres pela miséria em que vivem e considera-os não uma parcela humana afligida pelos problemas ambientais, mas sim o próprio “problema ambiental”. Cita o exemplo da Etiópia, onde há em desenvolvimento programas paliativos de combate à fome, e afirma que lá a própria Natureza vem fazendo o “controle populacional” que a humanidade “deveria” promover, porque “eles não conseguem se manter e não é desumano dizê-lo em voz alta”.
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A imagem acima mostra uma grande contradição de parte da esquerda socialista contemporânea: usar o capitalismo como parâmetro para elogiar governos que, se respeitassem sua ideologia partidária original, seriam ou teriam sido esquerdo-socialistas. Uma fanpage socialista do Facebook cujo nome preferi omitir fez essa escorregada acima, divulgando um gráfico do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 1960 até 2009 para provar tanto que o governo FHC foi medíocre como que o duplo mandato de Lula foi uma maravilha para o país – comportando-se assim como uma “esquerda conservadora”.
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Alguns leitoræs entenderam muito mal meu apelo para que os protestos atualmente direcionados contra o sacerdote do ódio Marco Feliciano também sejam apontados contra o “Motosserra de Ouro” Blairo Maggi. Acreditaram que eu tentei diversionar a onda antifundamentalista que vem mirando o pastor-deputado e desviar o foco dele, lhe permitindo agir impunemente pela medievalização das leis brasileiras, “exclusivamente” para o senador ruralista.
Acreditaram, percebi eu, que eu tomei partido pelo lado reacionário que quer medievalizar o Brasil junto com Feliciano e os demais teocratas, ou simplesmente consentir e permitir essa retrogadação, com o pretexto de que “há causas mais importantes”.
Pergunto então:
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Assine a petição contra Blairo Maggi na Comissão de Meio Ambiente

Um abaixo-assinado vem sendo divulgado para que Blairo Maggi renuncie ou seja posto para fora da presidência da Comissão de Meio Ambiente do Senado. Ele é um predador designado para cuidar da integridade e vida das presas, um ruralista que já ganhou o Prêmio Motosserra de Ouro do Greenpeace por contribuir com o desmatamento do Mato Grosso – inclusive tendo defendido o desmatamento como meio de “resolver” a crise de alimentos de 2008.
O abaixo-assinado será uma das maneiras de se mostrar que os brasileiros não querem latifundiários, pessoas diretamente interessadas no desmatamento como forma de expandir plantações e pastos, na Comissão de Meio Ambiente. E precisará ser acompanhado por protestos presenciais em todo o Brasil tão logo o foco possa ser centrado na CMA.
Assine já o abaixo-assinado, para a Comissão de Meio Ambiente se livrar de ser presidida por um ruralista.

A imagem acima vem circulando no Facebook, em referência a pessoas preferirem um cão pastor-alemão a pastores “tudofóbicos” como Marco Feliciano. Ela afirma que, entre um e outro, a existência do cachorro é mais digna do que a do pastor intolerante por o primeiro não ser racista nem homofóbico nem intolerante contra outras religiões. A intenção da imagem é ótima, mas eticamente, numa grave contradição, atira nos próprios pés de quem escreveu, por incitar, atráves de uma violência simbólica que passou despercebida na criação da imagem, o preconceito contra cães.
O que é o adjetivo “cachorro” usado no contexto da figura, senão uma coleção de desqualidades – intolerante, corrupto, desonesto, odioso, hipócrita etc.? Fica claro que alguém ser “cachorro” é ser uma pessoa ruim. Pela lógica, indivíduo cachorro = indivíduo intolerante, odioso, idiota etc.; logo, cachorro = intolerante, odioso, idiota etc. A imagem mental do cachorro acaba sendo gravemente depreciada, numa violência simbólica que estimula o preconceito contra cães.
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“Vacina contra bonzinhos”: quando a cultura machista prejudica os próprios homens

A imagem acima nos passa a conclusão de que a cultura machista também prejudica os próprios homens – na verdade os homens que não correspondem ao papel de gênero do “macho bruto e mandão”. Isso porque o costume de se fazer de bonzinho apenas para tentar ter o “direito” de namorar ou transar com a mulher desejada é muito difundido, assim como o repúdio de ser “colocado na friendzone“, e nisso os verdadeiros homens bons acabam postos no mesmo balaio da rejeição junto com os falsos bonzinhos.
Muitos rapazes juram que conseguirão conquistar mulheres sendo aquilo que não são normal e naturalmente – simpáticos, carinhosos e atenciosos para com quem é do outro sexo. Acreditam que “merecem” ter a paixão e/ou o tesão delas simplesmente por serem homens, como se acreditassem num alegado direito natural de namorar uma mulher apenas por ser um homem – o chamado entitlement. Criam com as pretendidas uma amizade interesseira, na incapacidade de serem amigos sinceros de mulheres, em especial com as que eles sabem que não os querem como namorados.
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A pérola acima foi extraída de uma fanpage que se diz pró-ativismo, e é de autoria de pessoas que, se não forem sabotadores infiltrados que de fato pretendem queimar de dentro para fora o movimento abolicionista, acham infantilmente que, xingando as pessoas que praticam experimentos ou aulas explorando animais vivos, vão fazer deste mundo um lugar melhor e tornar mais pessoas conscientes do mal da exploração animal.
Não vem à mente dessas pessoas que elas estão xingando gente que, em muitos casos, nunca teve acesso ao material ético-filosófico dos Direitos Animais e não sabe por que tanto dizemos que os animais precisam ter direitos e ser moralmente respeitados tanto quanto os seres humanos. Em sua imaginação rasa e alheia à realidade, todos os que participam de aulas práticas ou pesquisas envolvendo vivissecção são maléficos e cruéis vilões que lutam em favor das forças do mal, não havendo nenhum que simplesmente precise conhecer o ponto de vista dos Direitos Animais e descobrir por que este faz mais sentido do que o sistema moral antropocêntrico hoje dominante.
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Está no ar a mais nova página estática em resposta a um texto carnista. O artigo respondido é “The Naive Vegetarian” (O vegetariano ingênuo), de autoria de Barry Groves, associado à entidade pró-pecuária Weston A. Price Foundation.
Antes que carnistas brasileiros traduzissem o texto e tentassem usá-lo como arma contra o crescimento do vegetarianismo e do veganismo, pude chegar primeiro e refutá-lo. O texto está em inglês, mas minha refutação foi em português mesmo.
Acesse já a reposta ao texto carnista e previna-se de ficar em xeque diante de carnistas.

A imagem acima vem circulando no Facebook, inclusive em fanpages pró-veganismo, exibindo um protesto contra caça com a plaquinha em forma de seta escrito “Big gun, little dick” (grande arma, pequeno pau/pênis) (a plaquinha também foi usada nessa foto). A manifestação aconteceu em 2009, no estado australiano de Victoria.
Convém ressaltar algo que talvez nem tenha passado pela cabeça dos manifestantes em questão: o apelo ao pênis pequeno é uma forma de opressão sexista contra homens, de lhes impor o papel de gênero de portadores de pênis grandes. Eu posso dizer que é a ramificação masculina do slutshaming – enquanto mulheres são constrangidas através de pejorações contra ter uma vida sexual ativa (daí o uso do nome slut, ou “vadia”), homens recebem o mesmo constrangimento pejorando-se o pouco tamanho de seus pênis.
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Mike Mika é um exemplo de homem. Compadecido com a chateação de sua filhinha de três anos de idade, que não podia jogar como Pauline, a namorada de Mario no game de Donkey Kong (quando DK ainda era o vilão) que jogava no emulador do Nintendo de 8 bits, ele fez um mod (modificação de um jogo) de uma das versões de DK no qual não era mais Mario quem salvava Pauline, no papel de “donzela em apuros”, mas sim ela que salvava o encanador-aventureiro. Certamente sua filhinha ficou muito feliz. E não foi a única a ficar com um sorriso largo no rosto – a comunidade feminista de todo o mundo adorou.
Mika atuou como um notável feminista, ao, inspirado na filha, negar o conformismo perante o velho papel da “donzela em apuros” e invertê-lo, dando à mulher o papel de heroína e tirando dela aquele arquétipo marcado pela passividade, fragilidade e inabilidade. Ressalte-se também que a pequenina filha dele jogava como a princesa Peach (antigamente chamada Toadstool) em Super Mario Bros. 2, o primeiro jogo da franquia Mario em que a princesa também era uma protagonista. Aliás, uma queixa minha sobre a franquia Mario é a pouca variedade de jogos de aventura em que há uma mulher como personagem jogável, em comparação com os tantos jogos em que Mario, com ou sem Luigi, monopoliza o protagonismo e precisa salvar Peach.
Pai e feminista exemplar, Mike Mika mostra como é possível enfrentar o sexismo nos games, subverter os papéis de gênero e incluir as meninas e mulheres no público-alvo dos games mais aclamados. Por sua ousadia igualitária, merece ser felicitado nos comentários do vídeo (em inglês). E seu mod precisa ser baixado (esse download é de um patch que pode ser aplicado a uma versão recente do jogo em rom de Donkey Kong para Nintendo de 8 bits) e jogado.
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