Arauto da Consciência
5mar/100

Vegetarianos/as não têm vez nos hotéis e pousadas daqui

Mais especificamente no Recife e em Porto de Galinhas. A não ser que se contentem com uma salada meia-boca ou frutas (de apenas alguns hotéis).

A pergunta que fiz foi:

Olá. Tenho amigos vegetarianos que querem vir para Recife e Porto e preciso saber se o hotel oferece para vegetarianos refeições sem nenhum alimento de origem animal (como carne, laticínios e alimentos contendo leite e ovos entre os ingredientes), e qual a variedade disponível. Aguardo vossa resposta.

Vejam uma lista de respostas que recebi numa breve pesquisa sobre refeições vegetarianas em hotéis e pousadas pernambucanos:

Bom dia,
Não temos alimentação variada pra vegetarianos.
A disposição

***************************************************

Infelizmente não.

Atenciosamente,...

***************************************************

Bom dia Senhor

Infelizmente não temos esta especialidade em nosso cardápio.

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4mar/100

Os novos movimentos da Terra-média

Escrito em outubro de 2009

Aqui na Terra-média
Estamos na Quarta Era
Já fazem séculos que Sauron deu no pé
Já faz um tempo que não ouço mais falar de grandes guerras
Entre homens ocidentais e orcs mais homens do sul e do leste.
Estamos vivenciando uma novidade:
Movimentos sociais, políticos e ambientais na Terra-média!

A luta por direitos e por igualdade
Tomou o lugar da luta contra o mal que vinha de Mordor
Apareceram nas últimas décadas uns movimentos interessantes
Deles, dez são mais conhecidos na terra.
Abaixo vou dizer um por um.

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3mar/100

A violência urbana e a perda do direito de trocar por bem o celular

Artigo escrito em junho de 2009

Uma curiosidade inquietante da vida urbana no Brasil é que é muito difícil que uma pessoa aposente seu velho número ou aparelho de celular por vontade própria. Não é tanto pela existência da portabilidade e do desbloqueio, os quais tornaram uma linha independente do celular que a incorpora, mas sim por algo muito indesejável: a violência dos assaltos.

“O celular! Bora, passa o celular!” Essa frase, gritada por um bandido armado com revólver, faca, canivete ou vidro quebrado disposto a matar por nada, tornou-se tão frequente hoje em dia que passou a ser a maior razão para o fim de um número móvel e a inutilização do dispositivo que o mantinha. A verdade é que a probabilidade de uma pessoa perder um telefone por violência tornou-se muito alta, bem maior que a de decidir trocar de número por uma razão pacífica e aproximando-se até da de trocar de aparelho por substituição livre.

A violência que devora celulares “popularizou” uma desconfortante situação, descrita a seguir.

Uma pessoa quer matar as saudades de um(a) conhecido(a) ou parente com quem há muito não tem contato. Procura o número dele(a) numas gavetas e encontra: é um celular que o outro indivíduo tinha naquela época, três anos atrás. Liga para ele(a) e, para sua surpresa, ouve a mensagem que indica que o telefone não funciona mais, não está recebendo chamadas. Liga para alguém próximo do(a) colega e a pessoa do outro lado da linha diz a verdade: aquele celular dele(a) foi roubado. Mais um aparelho somou-se às tão altas estatísticas dos assaltos.

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3mar/100

Poesia: Não vou

Escrita em dezembro de 2008

Não vou deixar para lá que fui roubado e que posso sê-lo de novo a qualquer dia.

Não vou esquecer que minha integridade física já foi ameaçada porque faltou segurança pública competente.

Não vou considerar isso normal.

Não vou atender quando alguém me disser “deixa isso pra lá”.

Não vou banalizar os assaltos e os assassinatos.

Não vou passar a pensar que ser assaltado, ameaçado, mirado por uma arma de fogo ou branca, é comum, normal e aceitável.

Não vou fazer brincadeira com algo sério como a ameaça que sofri de ser esfaqueado ou baleado caso não desse meu celular.

Não vou aceitar ser oficiosamente proibido de usar, numa democracia, num país livre, uma ferramenta de exercício de cidadania como um celular que tira fotos dos mais diversos problemas a que somos submetidos.

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1mar/100

Ambientalismo e Direitos Animais: uma simbiose fraternal

Artigo escrito em junho de 2009

Presenciamos anualmente muitas ações de organismos ambientalistas estatais (IBAMA, Ministério do Meio Ambiente, secretarias estaduais ambientais etc.) e não-governamentais (Greenpeace, WWF, Sea Shepherd etc.) direcionadas ao combate de crimes ambientais que envolvem opressão de animais não-humanos. Tais atuações vêm comprovando e apontando uma verdade essencial que se aproxima cada vez mais do óbvio dia após dia: ambientalismo e Direitos Animais são movimentos irmãos, possuem uma associação perfeita e inquebrantável, e tentar vê-los ou praticá-los de forma separada será uma encaração sempre incompleta e limitada.

Essa associação é muito rica e, mais que uma relação de causa e efeito entre a exploração animal e crimes ambientais, é uma constatação lógica e uma visão ecológica bem mais abrangente e completa. As duas causas completam-se entre si de tal modo que ações de um lado que deem menor importância ao outro serão apenas enxugamento de gelo.

O primeiro ponto principal que torna ambientalismo e Direitos Animais inseparáveis surge na convergência de ambos em zelar pela fauna. O primeiro vê os animais como parte essencial da biosfera ao lado da flora, dos micro-organismos e dos elementos abióticos e o segundo defende que sua integração à natureza como seres livres e íntegros lhes é um direito inalienável, juntando-se numa proteção excelentemente justificada.

O ambientalismo, quando livre das limitações impostas por visões naturalistas e antropocêntricas, inclui todo o Reino Animal em sua esfera de proteção, passando a abranger também os animais domésticos e os humanos, tendo nesse ponto um importantíssimo respaldo dos Direitos Animais e até fundindo-se com este.

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27fev/101

Assine, pelos animais do Recife

O abaixo-assinado que anuncio aqui visa demonstrar o apoio da população recifense (e a solidariedade de pessoas de outras cidades) aos dois projetos de lei a favor dos animais propostos pelo vereador Daniel Coelho (do Partido Verde).

O primeiro é o PL número 31 (não sei de que ano), que institui o Programa para Redução Gradativa do Número de Veículos de Tração Animal, o qual pretende diminuir gradualmente a exploração de cavalos, mulas e jumentos como tração de carroças, além de dar melhores condições de trabalho para catadores que hoje, sem outra opção, exploram esses animais. Como qualquer pessoa minimamente instruída sabe, animais explorados como tração de carroças são submetidos a chibatadas frequentes, obrigados a puxar a carroça de sol a sol, mesmo que a carga desta supere sua força, e até são ocasionalmente agredidos por maus tutores. Esses animais estão sujeitos a desmaiar ou mesmo falecer por estafa, fraqueza, exposição excessiva ao calor ou doenças variadas.

O segundo PL, de número 66 (novamente não sei o ano), dispõe sobre o controle reprodutivo de animais "de rua" (lembre-se: cães e gatos habitam as ruas porque foram abandonados por maus/más tutoræs) e veda a matança indiscriminada dos mesmos. Ao que entendi (embora isso não conste na página do abaixo-assinado), animais sadios não poderão mais ser assassinados, e apenas bichos doentes portadores de enfermidades graves e infectocontagiosas poderão ser eutanasiados dentro de 90 dias. Provavelmente será implantada uma política de castração e vacinação e será combatida a violência dos maus tratos que hoje são praxe no Centro de Vigilância Ambiental do Recife.

Pela solidariedade, pelo bem dos animais do Recife, assine a petição abaixo:

Petição de apoio aos projetos de lei 31 e 66, com objetivos de proteção dos animais "de tração" e "de rua" do Recife

Obs.: este abaixo-assinado não tem fins de apoio eleitoral ao vereador Daniel Coelho ou ao PV.

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26fev/100

Conformado com a mira

Artigo escrito em setembro de 2008, depois do sequestro e assassinato de Eloá Pimentel

O Brasil praticamente parou por causa da tragédia do seqüestro em Santo André, do mesmo jeito que no caso do ônibus 174 oito anos atrás. Mas infelizmente sei que mais uma vez a comoção generalizada novamente vai se reduzir à resignação e ao conformismo, como sempre. É um comportamento indesejavelmente freqüente no país esse ato de sentir pena e indignação temporárias e depois esquecer tudo como se nada tivesse acontecido.

É algo que, pode ter toda a certeza, nos põe como inferiores à população de diversos outros países nos quesitos cidadania, preocupação social e também respeito ao próximo e além do mais é uma das grandes causas de a criminalidade ter se consolidado tão solidamente por aqui.

Não gostaria de fazer comparação entre nações, mas me vejo obrigado a fazê-lo, e digo que é de causar vergonha do povo a que pertenço quando vejo na internet protestos no Canadá, na Argentina, na Finlândia e em outros cantos do mundo eclodindo quando mesmo casos isolados de atentado à vida e à segurança dos cidadãos acontecem.

Nesses países, basta que um episódio de violência (como a última chacina em escola na Finlândia) estampe os jornais ou as estatísticas de segurança pública apenas ameacem crescer (como em Buenos Aires em 2002) que o povo vai às ruas assegurar que a polícia não perca seu poder coercivo e o governo não amoleça nas políticas de bem-estar social. Ao seu modo, ora com cartazes e gritos ora com panelaços, o povo mostra que não se conforma quando sua liberdade e bem-estar são ameaçados e faz valer seu poder como senhor supremo de seu país.

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26fev/100

A história não é só do homem

Mulheres que nos ensinaram que a história não é só "o homem". Em sentido horário: Margaret Mead, Teodora de Constantinopla, Rainha Nzinga de Ndongo e Matamba (conhecida como Ana de Sousa Nzinga) e Betty Williams.

Artigo escrito em março de 2009. Escrito em dedicação às mulheres, em especial à minha mãe e às Erickas, colegas da antiga turma de Gestão Ambiental.

Ouvimos e lemos muito sobre a formação do homem, a ação do homem, as mais variadas questões relativas ao homem. Cita-se muito “o homem” na literatura e nos discursos. Enquanto para a maioria das pessoas falar do homem é normal, algumas pessoas notam de forma evidente um viés machista nessas expressões. O homem, ser humano macho, é (im)posto como o Homo sapiens padrão e nossa sociedade acostumou-se em assim considerar.

Muito embora a mulher seja coautora da história humana ao lado do homem, e não apenas uma colaboradora coadjuvante, seu papel torna-se ou parece tornar-se inconscientemente minimizado quando se enfatiza a palavra “homem” nos livros e nas falas daqueles que nos ensinam, mesmo que não seja essa a intenção de quem escreve, discursa e ensina. É visível que essa assinalação de uma humanidade de essência masculina reflete o machismo das sociedades ocidentais, ou ao menos das lusófonas.

Muito embora as sociedades patriarcais tenham, ao longo dos milênios, inibido severamente a capacidade e potencial das mulheres de construir os valores e estruturas sociais de seus povos, preferindo um caminho de dominação machista, com normas e valores que as trata(va)m como pessoas inferiores, à alternativa da construção sociocultural igualitária, é mais misoginia do que uma reconstituição fiel da realidade histórica humana atribuir à mulher um papel menor, “fora do padrão”, na história do ser humano a ponto de apenas “o homem” merecer ser citado.

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25fev/101

Alienação na sala de espera

Artigo escrito em julho de 2009

Quem frequenta lugares que demandam uma espera, como salões de beleza e consultórios médicos particulares, sabe as opções de distração que existem para a pessoa aguardar atendimento. Seja em salas confortáveis, seja dentro do único cômodo do recinto, é mais que esperado que encontremos a nosso dispor um televisor, sintonizado quase sempre nas emissoras mais populares ou num DVD tolo, e um punhado de revistas, geralmente de fofocas, novelas e carros e menos comumente de notícias voltadas para as classes média e alta.

Considerando a inutilidade (in)formativa das revistas não-jornalísticas geralmente disponíveis nesses lugares e a manipulação a que o jornalismo da TV aberta e das revistas mais comuns lá nos submetem, é de se refletir: salas de espera são recantos onde se reforçam a alienação e a estagnação intelectual. Não é por culpa das pessoas que não têm alternativas melhores, mas sim justamente dessa falta de opções quanto ao que ler e ver, da falta de costume cultural de se dispor ali de meios realmente construtivos de informação e provisão de conhecimento.

As pessoas abençoadas pelo hábito de ler livros e levá-los consigo para qualquer cantinho de aguardo são as únicas protegidas do adormecimento cerebral que essas revistas e canais televisivos de última categoria promovem – ou nem isso, quando a sala é pequena e o volume da TV está alto, interferindo na leitura do bom livro. Já as demais, coitadas, estão condenadas a viver por talvez horas numa prisão abstrata, uma cela minúscula e tortuosa onde só existem revistas como Caras, Contigo, Minha Novela, Tititi, Quatro Rodas e Veja e uma TV transmitindo Globo, Record, SBT ou um DVD musical meia-boca.

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24fev/100

Carta para quem está desistindo do Brasil e querendo ir embora

Artigo escrito em julho de 2009

Esta mensagem é para você que, algum dia num passado recente ou mais distante, já falou que queria se mudar “porque o Brasil não tem mais jeito” ou algo muito parecido. É para você que, ou cotidianamente ou numa hora de desespero, tem ou teve esse desejo sedutor de encontrar paz e justiça social em uma nação do chamado Primeiro Mundo por ter se cansado de viver num país que não lhe oferece condições de viver tranquilamente.

É para todos(as) que, por verem tanta insegurança, corrupção, caos urbano, miséria, educação pública ruim e tantos outros problemas nunca resolvidos, expressam verbalmente que não aguentam mais morar no Brasil e desejariam muito ir para um país melhor que os(as) acolhesse dignamente.

Você que diz desejar sumir deste país precário e desesperançoso tem razões para pensar assim que podem ser compreendidas. Mas tem certeza de que é o melhor a se fazer? A quem você estaria ajudando se algum dia realmente emigrasse de vez por esse motivo?

Pergunto também: o que deveria acontecer para você voltar atrás da “decisão” de se mudar? Ok, a resposta mais provável é “que o Brasil se tornasse um país minimamente decente em termos de lugar para se viver e justiça social”. Mas como você espera que isso aconteça, se as duas entidades que deveriam se encarregar de torná-lo melhor não trabalham como deveriam?

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23fev/106

Reflexão sobre a campanha #GoVegetarian no Twitter

O último 20 de fevereiro foi um dia em que o Twitter foi palco de uma bonita militância conscientizadora. Nesse dia, como previamente combinado entre internautas vegetarianos, o termo #GoVegetarian foi incluído entre os “trending topics” (lista de palavras mais utilizadas no Twitter) brasileiros daquele site e permaneceu com esse status por 16 horas seguidas. A consciência vegetariana mostrou que pode fazer muito barulho de agora em diante no Brasil – pelo menos na internet brasileira.

Posso dizer que foi a primeira atuação da militância vegetariana brasileira com envergadura nacional bem-sucedida. Parafraseando Lula, “nunca antes na história deste país” as ideias que fundamentam o vegetarianismo foram expostas de forma tão aberta e pública. Pela primeira vez uma grande população, estimada no mínimo em centenas de milhares, foi exposta pelas mais que diversas mensagens de conscientização que a tag #GoVegetarian acompanhava.

Estas foram bastante diversas: frases de efeito, citações de vegetarianos famosos, links para páginas de sites veg(etari)anos e respostas aos contra-argumentos dos onívoros foram os mais frequentes tipos de mensagens que puderam ser distribuídas, vindas de vegetarianos.

Era manifesto o desejo não de fazer a população brasileira do Twitter adotar o vegetarianismo imediatamente tal como um cristão prega para que o interlocutor se converta sem reflexão racional, mas de convidar as pessoas à reflexão sobre os males que a alimentação onívora traz ao mundo – animais, meio ambiente, saúde humana e questões sociais.

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23fev/100

Os interesses do mal (e a questão em aberto de como derrotá-los)

Artigo escrito em junho de 2009

Quem nunca ouviu falar dos “interesses de gente poderosa” que há por trás de cada uma da maioria das desgraças de origem humana? Expostos em notícias, artigos, debates e conversas como a causa de grande parte dos problemas de ordem socioambiental e animal, sua existência é inquestionável e, como são sempre nocivos ao extremo, debater formas de enfrentá-los é muito necessário apesar de difícil.

Para quase qualquer problema que for abordado numa argumentação, eles aparecerão: há “poderosos interesses políticos e econômicos” na perpetuação da miséria nos sertões do Brasil, na destruição desimpedida de ecossistemas, na manutenção de uma cultura de tortura de animais para fins de entretenimento ou científicos, no não-questionamento da ilegalidade da maconha,  nas guerras que sustentam o mercado de armas, na inépcia dos mais diversos órgãos governamentais de fiscalização, no controle psicossocial promovido por igrejas e mesquitas, na manutenção da alienação sociopolítica do povo, na implantação (ou continuidade) de um controle policial na internet, na não-reforma das instituições governamentais, na precariedade da educação... Interesses que sempre levam para um mundo pior.

Eles possuem um poder de duplo sentido: enchem e/ou murcham a consciência das pessoas – podendo ser ou não as mesmas. Ora podem indignar ora paralisar todos que deles ouvem falar. Tanto levantam vozes de exortação à luta como rebaixam cidadãos efervescentes à sensação de impotência. Atraem gritos de “Basta!” e lamentos de “Não podemos fazer nada!”.

Isso acontece pelo fato de serem simultaneamente tão malignos e tão poderosos. A maldade do fato de existirem humanos interessados em que, por exemplo, tantas pessoas continuem miseráveis, famintas e mergulhadas em sofrimento indigna qualquer um que tome conhecimento da existência de tais seres. Por outro lado, quando se constata que estes possuem um vasto poder político e econômico, muitos dos indignados já desistem de lutar contra a situação adversa, alegando “impotência”, “falta de poder” e até medo.

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20fev/102

Pequeno explicativo sobre o veganismo

Está circulando na internet (extraí de http://tweetphoto.com/11415975). Me parece uma camiseta estampada. Seja lá o que for, é um bom resumo sobre o que o veganismo é.

Tradução abaixo de "VEGAN":

- Alimente @s famint@s.
- Salve os povos indígenas.
- Manifeste-se pelos direitos trabalhistas.

- Seja gentil com os animais.
- Pare as fazendas-fábrica.
- Salve 100 animais todos os anos.

- Acabe com o desmatamento por pastagem.
- Salve um acre (4047m²) de árvores
- Acabe com a pastagem em terras públicas.

- Diga à divisão de "serviços de vida selvagem" da USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)...
- ...para parar de matar a vida selvagem em prol...
- ...dos lucros das corporações latifundiárias.

- Pare as guerras por recursos.
- Ajude a acabar com a dominação pelas corporações.
- Viva sua consciência.

- Salve nossos oceanos.
- Pare o poluidor número 1 das águas.
- Apoie um planeta sustentável.

- Pense no que há fora de si.
- Viva com compaixão.
- Pare a violência.

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20fev/1011

#GoVegetarian é um sucesso no Twitter

Hoje é o dia do "estouro da boiada" da tag #GoVegetarian no Twitter. No momento está em terceiro lugar entre os trending topics locais do Brasil.

Ao contrário de cybermanifestações em massa como o fracassado "#forasarney", não se trata apenas de multiplicar a expressão "#GoVegetarian", mas de levar a conscientização junto a ela. Frases de esclarecimento e links estão sendo divulgados ao lado de #GoVegetarian, e estão tendo uma enorme visibilidade.

O engraçado é que boa parte das reproduções da tag está sendo feita por onívor@s reacionári@s. Reagindo contra a revelação d@s vegetarian@s brasileir@s a público, acabam ajudando a divulgar a consciência vegetariana por reproduzir a tag, mostrar que são incapazes de argumentos sérios a fundamentar a alimentação onívora -- 99% das reações onívoras são trollagens, declarações de que "vão comer carne", pseudoargumentos cansados de guerra como o apelo às crianças com fome e as velhas piadinhas do tipo "plantas são amigas, não comida"  -- e assim favorecem muito nossa causa. Como eu comentei, em muitas de suas reações, @s onívor@s esquecem que também comem vegetais!

Parabéns aos/às vegetarian@s do Brasil nesse esforço bem-sucedido de divulgar o vegetarianismo à população online brasileira! Pelo visto, é a primeira ação vegetariana ativista de envergadura nacional bem-sucedida. É daí para melhor.

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19fev/101

O analfabetismo político no Brasil

Artigo escrito em fevereiro de 2009

Já dizia Bertold Brecht*, em seu poema que criticou tão pesadamente aqueles que dizem ter orgulho de se alienar de conversas sobre política, que essa mesma gente é quem origina o mal social. Notamos sua razão quando olhamos para dentro do Brasil, cujo povo, em sua maioria, tem horror a falar sobre o que acontece em Brasília, exceto falar o popular “dogma” de que “político é tudo ladrão”.

Os hábitos políticos do brasileiro médio, notavelmente, restringem-se a repetir a citada “verdade” e, estritamente em épocas eleitorais, a debater quem é o menos pior candidato. É notável a quase generalizada aversão a se falar do que acontece em Brasília.

Não se fala nas mesas de bar e vizinhanças sobre a votação dos projetos de lei, sobre as manobras limpas ou sujas nas relações de poder, sobre as estratégias políticas, sobre como os parlamentares e chefes do Poder Executivo deveriam proceder em relação a estratégias políticas.

Queira o povo ou não, esse assunto é extremamente importante e ignorá-lo é um delito contra a integridade do país onde vivem, é rejeitar a democracia. Reiterando o que Brecht disse, é desse comportamento que vêm “a prostituta, o menor abandonado e (...) o político vigarista”. Deixar a política de lado, além de ser um não da pessoa à democracia, permite que os tais vigaristas ajam livremente sem a oposição do povo e impede que os políticos mais honrados e que mantêm os laços com seus eleitores – sim, eles existem, queira você ou não – tenham em mãos um maior variedade de estratégias de manobrar sua influência política e conseguir apoio a suas leis.

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19fev/100

Poesia: Involução não é opção

Poesia escrita em março de 2009

Não adianta.
De nada adianta me pedirem para voltar a ser o que eu era antigamente
Onívoro, consumidor de refrigerante, religioso e conformado com a realidade
Garanto que isso não acontece por mais que me insistam

Não vou ser feliz tentando ser tudo aquilo de novo
Ser o contrário do que sou hoje
Pelo contrário, eu preferiria morrer a me degenerar
Sofrer tentando involuir por causa da argumentação tronxa
De quem tenta me convencer com emoção
De que estou errado

Digo isso porque sinto como é ser ocasionalmente pressionado
Por quem não entende esta consciência
Por quem acha que ser o que sou hoje
[é tolice, frescura e não adianta nada para o mundo

Já me sugeriram, em sessões de “aconselhamentos” passionais e tolos
Com argumentações sem argumentos
Que eu deixasse de ser vegano e amante de sucos
Que eu abandonasse a vontade de interferir
[nas injustiças que os antiéticos poderosos promovem contra nós
Que eu voltasse a crer num deus pessoal
[forjado por minhas necessidades psicológicas
Que eu voltasse a acreditar na mitologia de Jesus como se fosse fato real

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17fev/100

Ciclo vicioso do mal na sociedade brasileira

Clique no diagrama para vê-lo em tamanho completo.

Este é o ciclo vicioso do mal na sociedade brasileira, o qual eu observei ao longo da vida. A corrupção entranhada na própria população (vide "jeitinho", subornos a guardas de trânsito, furtos de papel higiênico ou canetas em instituições públicas etc.), a mídia, a deficiente educação e a política interrelacionam-se de tal forma que fica bastante difícil pensar como determinados males do país podem ser remediados.

É uma questão muito complicada:
- Se quisermos mexer nos valores do povo, teremos que começar pela educação, que hoje está precária e o governo não se interessa em reformar.
- Se quisermos intervir na atenção estatal dada à educação, os políticos não vão querer fazer nada a favor desse desejo.
- Se quisermos mudar o quadro político, tem que ser com a ajuda das massas e da mídia, mas ambas não ajudarão -- a mídia é parcialmente possuída pela desmandada classe política, não está afim de mudar nada, bem pelo contrário, e o próprio povo cultiva a desonestidade e a não-cidadania que são colhidas em forma de corrupção e descompromisso nos poderes executivo e legislativo federal, estadual e municipal.
- Se quisermos forçar a mídia a se ajeitar e instruir a população em vez de emburrecê-la e conformá-la, os políticos que parcialmente as controlam não vão deixar nosso plano dar certo.

Gostarei muito de ver esse ciclo, num futuro mais próximo possível, sendo debatido.

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17fev/102

Assine, contra a Lei das Religiões

O projeto de lei 160/2009, que institui a Lei das Religiões, promete tornar as coisas muito mais fáceis para pastores corruptos e para religios@s interessad@s em calar as críticas a suas igrejas e crenças.

Transcrevo o que a página do abaixo-assinado fala para você ter ideia do que estou falando:

Vimos por meio desta protestar contra o Projeto de Lei 160/2009 (Lei das Religiões), por acreditarmos que este fere diversos princípios constitucionais, entre eles a laicidade estatal e a proibição de distinções ou preferências entre brasileiros, além da isonomia. Nossos principais motivos para pedir a rejeição do projeto são os que seguem:

  • O Art. 7 º, que prevê reserva de áreas no Plano Diretor dos Municípios, para que templos sejam erguidos. Consideramos que isso afronta o Art. 19, I, da Constituição, que veda a subvenção estatal de cultos religiosos ou igrejas. Subvencionar culto é concorrer de qualquer forma para que se exerça a atividade religiosa, e acreditamos que não há dúvidas de que reservar áreas do Município, portanto bens públicos, para que locais de culto sejam construídos, constitui subvenção inconstitucional de culto religioso.
    Consideramos também que o dispositivo implica em profundas complicações práticas, pelo extenso número de áreas a ser reservadas para contemplar todas as religiões presentes em um Município (principalmente quando se considera que algumas denominações evangélicas necessitariam de locais próprios, por apresentarem grandes divergências entre si). Seria necessário estabelecer se o tamanho ou número de áreas seria igual para todos, ou proporcional ao número de fiéis na cidade, além do risco de gerar o entendimento de que as áreas reservadas para aquele templo seriam as únicas que eles estariam autorizados a ocupar.
  • O Art. 6 º, §1º, tem uma redação extremamente confusa, quando diz que '"nenhum edifício, dependência ou objeto afeto aos cultos religiosos, observando a função social da propriedade e a legislação própria, pode ser demolido,ocupado, penhorado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e entidades públicas a outro fim, salvo por utilidade pública ou por interesse social, na forma da lei.''
    Analisando-se só a primeira parte, é um artigo redundante. Isso porque, ' 'observada a fun ção social da propriedade e a legislação vigente ' ' , nenhum bem pode ser alienado, penhorado, etc, sem a concordância de seu proprietário. Já o vocábulo salvo na segunda parte pode dar a entender que as únicas hip óteses que autorizam a alienação, penhora, etc, são a utilidade pública e o interesse social.
    Interpretado dessa forma, ele é inconstitucional, pois fere o princípio da isonomia e a proibição de criar distinções ou preferencias entre brasileiros...pois impossibilitaria intervenções estatais na propriedade como a penhora em execução fiscal, e poderia eventualmente (embora consideremos improvável) gerar discussão em relação à desapropriação, já que persiste a distinção doutrinária entre utilidade pública e necessidade pública, uma hip ótese que não está expressamente mencionada no artigo. Em suma, o artigo é mal escrito, confuso, na melhor das hipóteses é desnecessário e na melhor delas é inconstitucional.
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13fev/100

A falta de oposição à vaquejada no Nordeste

Artigo escrito em julho de 2009

Algo notável na região Nordeste é a falta de oposição significante às vaquejadas por parte de forças defensoras dos animais. Ao contrário dos rodeios do Sul-Sudeste, que estão enfrentando cada vez mais protestos e atos judiciais adversos e vêm tendo sua crueldade crescentemente escancarada em vídeos de denúncia na internet, o pseudoesporte nordestino não vem recebendo atualmente contra si nenhuma dessas investidas.

Hoje três grandes motivos, que merecem ser explicados melhor, desencorajam ou inviabilizam qualquer investida minimamente importante contra tal atividade: a fraqueza da militância defensora animal no Nordeste, a carência ou inexistência de campanhas de conscientização contra crueldade contra animais na região e o temor que o apadrinhamento político e econômico desses eventos desperta em quem pensa em iniciar uma luta regional pelo bem dos bois e cavalos usados nessas ocasiões. Juntas, essas causas intimidam quem queria atuar pelo fim da vaquejada e pela prevalência do respeito aos bichos.

O primeiro motivo pode ser facilmente constatado pelo fato de que atualmente não há na região nenhuma ONG ativista nacionalmente conhecida de defesa animal e veg(etari)anismo. Entidades de proteção animal aqui existem, mas possuem apenas atuação local ou no máximo restrito à vizinhança intermunicipal.

Com essa ausência, não é de surpreender que no momento não haja nenhum movimento disseminado de denúncia da crueldade das vaquejadas. Mesmo campanhas regionais de conscientização da população em prol do tratamento ético e respeitoso de bichos escasseiam na região, para não dizer que estão em ausência – pelo menos em Pernambuco não há quase nada direcionado nesse sentido. Procure-se vídeos sobre a maldade dos rodeios e será encontrada uma quantidade razoável. Decida-se vasculhar a internet por vídeos direcionados a denunciar a vaquejada como atividade cruel e exploradora e nada ou quase nada será encontrado!

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11fev/100

Problemas tratados com gozação e festejo, um vício social

Caminhadas pela paz parecem mais eventos musicais que visam o entretenimento do que manifestações sérias contra algo.

Artigo escrito em dezembro de 2009

Sabem as piadas que fazem com corruptos e com favelas? E as “caminhadas pela paz” que contam com trios elétricos? Elas mostram um costume viciado e nada positivo do povo brasileiro: gozar dos problemas com humor debochado e festividade.

Enquanto vemos nos noticiários cidadã(o)s em outros países fazendo protestos revoltados nas ruas contra, por exemplo, reformas antipopulares e eleições fraudulentas, aqui flagelos como a violência e a corrupção, enquanto nunca são alvos de mobilização massiva, recebem frequentemente um tratamento popular que em nada transparece seriedade e luta.

Quem nunca participou de alguma roda de conversa em que se “tirou onda” com o assunto da violência ou o problema das favelas? Quem ainda não se deparou com algo do tipo “Funk do Mensalão” ou “Funk do Sarney”? Quem nunca viu alguém rir de algum escândalo de corrupção? E as piadas de corrupto? E os programas humorísticos da TV que toda semana nos mostram sátiras banais de tudo que nos impede de ter um país justo e harmonioso?

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11fev/100

Caminhada para lugar nenhum

Mais uma caminhada inútil.

Artigo escrito em novembro de 2008. O evento anunciado repete-se todos os anos.

Vem aí em Recife – próximo dia 30 – mais uma caminhada para lugar nenhum. É assim que considero as tais “caminhadas pela paz”, algo muitas vezes considerado pelas pessoas comuns desesperadas como a “única” ou “melhor” oportunidade de reivindicar o direito à paz civil plena e à segurança pública consolidada. A experiência coletiva da realidade mostrou que a única função desses eventos é extravasar emoções, tendo elas efeito zero nas estatísticas de segurança e na sensação de perigo (ou de sua ausência).

No próximo domingo (30/11) será a nona edição da caminhada municipal. Em nove edições, a primeira em 2000, tudo o que vimos foi o crescimento generalizado da violência urbana na cidade. Considerando dados de fevereiro de 2007, que absolutamente nada na prática mostra ter mudado para melhor, sete caminhadas (2000-2006) apoiadas pela Prefeitura do Recife, sem contar várias outras organizadas por outros grupos, em nadíssima adiantaram para tornar a cidade mais segura, tanto que nessa época Recife estava figurado como a capital mais violenta do Brasil.

Questiono diante disso para que servem essas andanças. Pelo menos o senso comum diz que é para “dar um basta à violência”. A realidade comprova que não são para mostrar soluções, o que seria a melhor função possível para uma manifestação contra a criminalidade, mas sim apenas como um meio de extravasar as emoções das pessoas que se sentem cercadas e intimidadas pela quase livre ação dos bandidos. Ao contrário de como as pessoas mais lúcidas em sua visão social gostariam que fosse, não estão em jogo nessas passeatas de gente vestida de branco proposições, estratégias e abaixo-assinados massivos em prol de melhorias na política de segurança pública, mas sim apenas desabafo, indignação inibida, desejos apaixonados de uma cidade e país utopicamente livres do crime, fé religiosa – crença de que um deus supostamente onipotente irá pelos apelos dos humanos sair de sua inatividade prática e começar a imunizá-los milagrosamente contra a violência urbana – e, se muito, cobranças vagas de mais polícia.

Lembremos um movimento efêmero que tentou marcar a sociedade brasileira, um chamado “Basta! Eu Quero Paz!”. Tentou bombar no país em 2000, com caminhadas branquinhas nas capitais, participação de celebridades, canalização dos desejos de todo o país de menos criminalidade, etc., e tudo o que conseguiu foi o desprezo prático dos governos federal e estaduais e o derradeiro esquecimento por todos, se não considerarmos também o “alívio” ilusório que seus participantes sentiram na época.

Está provado por A mais B que esse tipo de manifestação só funciona se tiver como única função o extravasamento de paixões, esperanças e desejos coletivos normalmente reprimidos pelos marginais. Se a intenção for uma tentar botar as autoridades contra a parede e mostrar projetos e planos concretos de como garantir a segurança nas áreas do município ou do estado, a estratégia atual está completamente errada. Se essas passeatas forem atualizadas para movimentos de protesto firme e de apresentação de propostas policiais e sociais analisadas e assinadas pela população, aí sim começarão a caminhar realmente para algum lugar.

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11fev/100

Más-vindas ao Brasil

Artigo escrito em junho de 2009

Uma triste mania de muitos brasileiros é responder aos relatos de pessoas que sofreram o primeiro assalto em suas vidas, o pior engarrafamento por elas já enfrentado ou a quebra de seu carro numa estrada esburacada com as frases “Seja bem-vindo ao Brasil!” ou “Fulano, Brasil. Brasil, Fulano”. Demonstra como a população, tomada pelo conformismo, enxerga de forma banal um estado de coisas que lhe priva de direitos e até ameaça suas vidas.

Me obrigo a fazer um questionamento, cordial mas muito crítico, dessa atitude. São perguntas que soam como retóricas mas demandam explicações, esclarecimentos, respostas bem-explicadas do povo. Eis minhas perguntas então.

Por que, em vez de “boas-vindas” irônicas, não podemos ter acesso ao prazer de dar saudações sinceras a um país receptivo que trata bem seus habitantes? Por que as únicas boas-vindas que nada escondem da realidade brasileira têm que ser uma ironia, têm que ser “más-vindas” invertidas?

Quando relatei oralmente, em 2008, o primeiro assalto que sofri na vida, acontecido pouco tempo antes, me disseram “bem-vindo ao Brasil”. A essas pessoas, pergunto: bem-vindo aonde? A um país em que ninguém fora pessoas engajadas em turismo pode dar sinceras saudações a quem não sentiu na pele o “custo Brasil” da vida urbana? A um lugar onde os direitos à vida e à segurança corporal e material não são inalienáveis na prática?

Por que, aliás, se dá essas “boas vindas”? Por que temos que ironizar com nossa situação? A resposta mais provável é que esse seria uma ironia carregada de crítica ao estado de coisas do país, mas o dizer parece mais uma demonstração de conformismo e um atestado de que a violência, a miséria e o caos são inerentes à existência – ou à essência – do Brasil e por isso irreversíveis.

Por que "Bem-vindo ao Brasil" tem que ser necessariamente "Bem-vindo à realidade cheia de violência, miséria, descaso e alienação"? É para o Brasil ser assim mesmo, um país violento incapaz de tutelar com dignidade seus habitantes e de dar boas-vindas sinceras a turistas? Se é, por quê? Se não é, por que não se muda a situação?

As respostas mais frequentes dadas à última pergunta acusam a inépcia do governo e a paralisia da maioria das políticas públicas sociais pela corrupção que corrói as verbas a elas destinadas. Mas essa não é uma resposta total. O povo que me desculpe, mas grande parte da culpa está também nele mesmo.

Pergunto: por que você, ó povo, não se empenha? Por que, embora lance mão de tal ironia para criticar a situação de seu país, não pensa em mudá-la? Por que exterioriza apenas críticas e desejos verbalizados, quase nunca ações? Aliás, por que tais críticas não se transformam em protestos?

Há muitas perguntas mais a serem feitas à população sobre o porquê de dizer “Bem-vindo ao Brasil”. Talvez tantas quanto num Novo ENEM. Respostas serão muito bem-vindas, mas a preferência maior, retificando o que falei no segundo parágrafo, é que haja reflexões seguidas de ações. Porque um país que me dá “boas vindas” porque fui assaltado não está demonstrando decência e está sim requerendo conserto. Um conserto que não vai acontecer só com gente dando a pessoas desafortunadas essas “más-vindas” ao Brasil.

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5fev/104

Enquete anti-idiocracia no site da Câmara dos Deputados

Desligue a TV e vá ler um bom livro ou um bom blog!

Em tempos de 4548/98, temos um projeto de lei do bem, decente. É o PL 6446/09, de autoria do deputado Nelson Goetten (PR/SC), que visa vetar cenas degradantes e humilhantes nos lixos televisivos chamados reality shows.

Abaixo a justificativa, que considero mais que válida e muito pertinente:

JUSTIFICAÇÃO

O art. 5º da Constituição Federal estabelece que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e que ninguém
será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante (art. 5º, inciso III, CF).

Ademais, o mesmo artigo 5° estabelece que:
(...)
X – São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano  material ou moral decorrente de sua violação;
(...)
XXVIII – São assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades esportivas.

A despeito da existência de tais mecanismos constitucionais de proteção aos direitos individuais, os castigos físicos e o tratamento humilhante, amplamente combatidos nos tratados internacionais e consolidados no ordenamento jurídico das sociedades  democráticas, ganharam uma nova arena de exibição nos tempos modernos, que é mídia eletrônica. Desafio é o codinome que legitima a exposição de indivíduos a situações de risco real de morte e com efetivas conseqüências prejudiciais do ponto de vista da preservação da moralidade e da dignidade humana.

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29jan/100

Não defendemos os animais por amizade

Um texto ótimo extraído do site da União Libertária Animal, sobre o argumento desdenhoso de que defendemos os animais só porque somos seus amig@s. Ao contrário do que se pensa, não é por mera amizade que a defesa é promovida.

Não, não sou amiga dos animais!

LAIR publications - Editors Norma Benney, Gisèle Mauras Tradução autorizada: Anna Cristina Reis

Esse texto foi publicado na revista Le Pigeon Voyageur. O grupo LAIR, que parece não existir mais, se definia como "gays e feministas interessados pelos direitos dos animais". Infelizmente não sabemos quem era o "Collectif Parisien Anti-Vivisection" que declara, ao lado deste artigo: "Queremos falar pelos que não são representados, pelos supliciados. O maior denominador comum para todos é a expressão de uma ética que englobe os mais fracos. A questão não interessa ninguém pois trata-se de um não-poder, de uma não-palavra…"

Estou cansada de escutar as pessoas dizerem – assim que ficam sabendo que sou vegan e anti-vivisseccionista – "Oh! É óbvio que você é amiga dos animais".

Se eu protestasse pelos paquistaneses que são martirizados pelo partido de direita, não imagino que estas mesmas pessoas diriam com a mesma complacência: "Oh! É óbvio que você sempre gostou dos paquistaneses".

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27jan/1013

A versão masculina e metaleira de Jennifer Lopez

Vocalista do Metallica caça animais por “hobby”

Com agenda de três shows a serem apresentados no Brasil nos próximos dias, o grupo de heavy metal Metallica tem decepcionado muitos de seus fãs, que vêm tomando conhecimento de que seu vocalista, James Hetfield, caça animais por “esporte”.

A banda americana, há quase 30 anos no cenário musical do rock, conquistou várias gerações de fãs ao longo de sua carreira. Entretanto, para o vocalista, isso não parece ter grande significado no nível de influência negativa que seu ato possa exercer sobre o público.

Seu histórico de assassinatos é antigo. Em 2001, o vocalista fez uma expedição de duas semanas para caçar ursos na Sibéria. Durante esse período, em que se dedicou integralmente à atrocidade, sequer foi capaz de retornar para passar o aniversário junto de seu filho. O DVD Some Kind of Monster exibe cenas do que o artista categoriza como “hobby”.

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20jan/100

Post de teste

Este post não tem conteúdo, serve apenas para inaugurar as categorias temáticas do blog.

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10jan/100

Resenha: 1984

Aviso: esta resenha contém spoilers sobre o referido livro. Se você já o leu e quer ler a resenha ou ainda não leu o livro mas quer ter uma ideia prévia de como a trama se desenrola, clique em "Continue lendo..." caso este post não esteja sendo exibido numa página individual.

"1984" é um livro diferente da grande maioria das ficções: não tem um herói – embora tenha um protagonista – nem um final feliz. Nem um desfecho compreensível o livro chega a ter – sendo necessário, para muitos, a leitura de um spoiler depois de ter acabado todas as páginas para se saber o que realmente aconteceu com Winston, o protagonista que não consegue ser um herói, no final da história. Portanto, se você só gosta de livros com heróis ou heroínas lutando obstinadamente em favor de um final feliz que de fato aguarda os(as) leitores(as) nas últimas páginas, “1984” não é um livro recomendável.

A obra maior de George Orwell é uma distopia cruelmente pessimista sobre como seria a Inglaterra e o mundo num ano de 1984 dominado por regimes totalitários pancontinentais. A Inglaterra não é mais Inglaterra, e sim a Oceania, um megapaís que abrangeria grande parte das terras emersas do planeta. Está em uma guerra perpétua em que ela e as meganações Eurásia e Lestásia revezam através do conflito o controle parcial da calota polar ártica e de parte da África e da Ásia.

A história de Winston antes de sua prisão pela Polícia do Pensamento – corpo policial que prende todo(a) aquele(a) que ousa pensar diferente do que o Partido manda que se pense – é inspiradora, uma vez que ele é identificável com quem adota uma visão de mundo mais esclarecida que destoe da alienação sociopolítica da sociedade. É a parcela menos pessimista do livro.

Ao contrário do que demonstra a população que trabalha com o Partido, ele mantém pensamentos destoantes do que o governo totalitário prega. Consegue manter-se seguro (apenas aparentemente, visto o que O’Brien, o personagem que se exibe como o maior antagonista, revela nos capítulos da tortura), mantendo discrição em casa e no trabalho – o Ministério da Verdade.

Esse ministério, aliás, é um dos órgãos de um sistema estatal cuja dominação deve ser descrita: é um domínio ultratotalitário em que a população da “Oceania” – especialmente os seis milhões de membros do chamado Partido Externo – é vigiada por aparatos como a Polícia do Pensamento e teletelas, um misto de televisor com câmera que vigia o comportamento das pessoas dentro de suas casas e em locais públicos e transmite propaganda governamental.

O Partido vangloria-se divulgando mentiras em suas propagandas e boletins e mantém o poder pelo controle psicológico dos(as) seus/suas filiados(as) através de estratégias de manipulação de pensamento como o duplipensar – capacidade de acreditar simultaneamente que, por exemplo, o céu é azul e é verde – e o crimedeter – rejeição psicológica imediata a qualquer pensamento subversivo que tente aflorar do cérebro.

A política existente impede até a manifestação dos instintos, emoções e virtudes humanas, como o amor – que deveria ser dedicado exclusivamente ao Grande Irmão, o líder governamental que talvez nem exista –, a libido e a amizade. Tornava as pessoas marionetes indefesas.

Voltando a Winston, ele corajosamente alimenta pensamentos de dúvida sobre o que o Partido faz com um terço da humanidade da ficção. Certo dia, Júlia, uma mulher que ele frequentemente via nos corredores do Ministério da Verdade, consegue que ele fale com ela e arquiteta com ele encontros em lugares diversos, onde os dois formam um casal e descobrem o censurado prazer de amar um ao outro.

Encontram no andar superior de uma antiga igreja, habitada pelo Sr. Charrington, um refúgio livre da vigilância da Polícia do Pensamento. Pelo menos era o que acreditavam.

O’Brien, que finge em suas feições ser outro “camarada” secretamente descontente com o governo totalitário e pertencer à Fraternidade, um grupo rebelde cuja existência é uma crença não comentada entre os membros do Partido Externo, marca de forma codificada um encontro com eles em seu apartamento, onde tem noção da inimizade do casal dirigida à entidade política. Distribui a eles, por intermédio de um estranho, “O Livro”, presumivelmente escrito por Emmanuel Goldstein, o líder da rebelde Fraternidade.

“O Livro” é a parte mais interessante de “1984”. É um momento em que George Orwell ensaia uma ficção sociológica e explica o passado verídico da humanidade e o presente distópico surgido nas revoluções que deram origem às três meganações do planeta. Conta o funcionamento da guerra perpétua que sustenta a economia delas e a estagnação de toda a arte, ciência e outras habilidades intelectuais, entre outros detalhes fundamentais para a compreensão de grande parte da obra.

No dia em que Winston lê para Júlia o livro, a surpresa fatal: a antiga igreja tinha uma teletela e Sr. Charrington era um agente disfarçado da Polícia do Pensamento. A voz metálica da tela anuncia a prisão e guardas de uniforme negro prendem os dois. O casal é violentamente separado e encaminhado para a cadeia do Ministério do Amor. Seu crime era a “crimideia”, o delito de pensar diferente do que o Partido dizia.

Winston vê o terror da prisão onde eram confinados presos políticos e criminosos. Em seguida, O’Brien, revelando-se um capacho leal do Partido e torturador profissional, chega na cela e o encaminha a uma sala onde é espancado brutalmente por cruéis soldados. O protagonista em seguida é submetido a outras torturas dolorosas em outra sala. É forçado a fazer confissões reais e imaginárias.

Nos antepenúltimo capítulo, Winston trava um diálogo com O’Brien, no qual é gritante o contraste entre a fraqueza do protagonista e o poder do antagonista, que podia torturá-lo novamente a qualquer momento. É revelada a verdadeira natureza da dominação totalitária estabelecida: baseia-se no ódio em vez do zelo à população, busca a manutenção do poder acima de qualquer outro objetivo, não intenciona a melhoria da sociedade, almeja esmagar qualquer traço de emoção que não seja devotado ao Partido e ao Grande Irmão. Enfim, realmente quer que a população da Oceania seja um conjunto de marionetes sob rígido controle.

Nos penúltimo capítulo, Winston passa a conhecer o que é a tão terrível Sala 101: um lugar onde as pessoas dão de cara com seus piores pesadelos. Ele se obriga a pedir que “façam isso com Júlia”, para só assim ser livrado da gaiola de ratos que poderiam devorar sua cabeça. O último é uma quebra de coesão em relação ao anterior, uma vez que mostra um Winston de cérebro lavado, enfim submisso ao sistema comandado pelo Partido, sem mais nenhuma emoção para com uma Júlia também lavada. Presume-se que ele deveria ser finalmente morto, mas até o fim da trama ele não o é.

E o mundo viveu triste e condenado para sempre. Um trágico final.

Para quem acaba o livro esperando reações heroicas e ação eletrizante em nome da libertação, o livro decepciona. Quem termina de lê-lo, fecha-o entristecido, por não ter encontrado nada que desse um pingo de esperança para a detenção da crudelíssima ação do Partido, e até assustado e temeroso pelo futuro da humanidade, uma vez que George Orwell dá à obra um aspecto assustadoramente verossímil. Pergunta-se: será que o mundo realmente corre o risco de um futuro tão trágico e terrível?

O consolo é enxergar o contexto histórico em que ele publicou o livro. O ano de publicação era 1949, uma quente época da Guerra Fria, em que Estados Unidos e União Soviética disputavam o domínio econômico do planeta e a hegemonia militar. Não havia muito motivo para otimismo político na época.

Hoje, com exceção da China e seu realíssimo Partido “Comunista” que vem ascendendo no panorama geopolítico mundial e adotando alguns dos fundamentos da ditadura do Grande Irmão, vemos que muito da estrutura que possibilitaria a realização da ameaça distópica foi desmontado com a queda da União Soviética e o enfraquecimento geopolítico dos Estados Unidos.

O livro não deixa mensagens encorajadoras ou esperançosas para quem o lê, não dá uma “moral da história” que inspire as pessoas – e por isso pode ser uma leitura muito frustrante para alguns/mas –, mas consegue despertar a curiosidade de muitos(as) para a política e para o estudo das formas de como ditaduras como a chinesa e as africanas se mantêm no poder. Inspira de forma indireta quem quer elaborar formas de levantar a conscientização política da população antes que se configurem perigos reais de golpe de Estado facilitados pela alienação sociopolítica popular.

A obra de Orwell é mais recomendável para quem já tem um gosto por livros de política, enquanto não o é para quem só gosta de obras com lutas travadas em prol da justiça e finais felizes. Elogio-a por levantar utilíssimos debates políticos, mas critico-o por semear pessimismo e desesperança quanto ao futuro da humanidade.

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