Arauto da Consciência

No 7 de setembro, uma crítica ácida ao serviço militar brasileiro

Postado em 07/09/2010 à/s 19:07

Como "comemoração" do Dia da Independência e oposição aos desfiles militaristas que aconteceram pelo Brasil hoje, trago um texto que é um petardo contra o serviço militar, cuja obrigatoriedade e legislação interna são resquícios vivíssimos da ditadura mesmo 25 anos depois da redemocratização.

O texto abaixo é ácido e pode parecer agressivo, postura que não condiz com o meu padrão de blogagem, mas é uma das únicas críticas existentes na blogosfera brasileira ao sistema militar nacional e, por que não, à existência de forças militares em sua essência.

E é uma pena que o blog de onde retirei o texto abaixo esteja abandonado. Se estivesse ativo, seria hoje talvez o melhor blog antimilitarista brasileiro.

Abominação Escravizatória Oficializada
por "Doppelganger Macabro", no blog LIberté, Egalité, Fraternité

De todas as formas de opressão exercidas pelos Estados, o recrutamento compulsório para as corjas armadas, eufemisticamente chamado “serviço militar obrigatório”, é de longe a pior.

A começar, porque configura uma forma muito mal disfarçada de escravidão.

"Por definição, trabalho escravo é todo aquele exercido contra a vontade do trabalhador, ou por remuneração imposta, não negociável. Serviço militar obrigatório, serviço civil obrigatório e também trabalho compulsório como mesário em eleições configuram pura e simplesmente trabalho escravo, inconstitucional e imoral. Assim, NO BRASIL, O TRABALHO ESCRAVO É OFICIALIZADO". (Pedro Corbett)

Não bastasse isso, há que se considerar a absurda ilegitimidade de um Estado se considerar no direito de exigir que um cidadão não apenas se disponha a matar, mas também a morrer, pelo Estado!

Ora, o Estado existe para atender aos interesses do cidadão, e não o contrário! Considerando que é o cidadão quem sustenta os militares, pagando impostos, ainda querem que esse cidadão trabalhe para eles (e a preço vil)? Ou seja, querem que se pague para trabalhar? Querem que eu faça o serviço para o qual eu já pago alguém para (não) fazer?

Desculpe. Sou bobo, mas não TANTO!

E existe a grande questão ética: tem o Estado o “direito” de exigir que alguém mate por ele? O soldado desconhece aqueles a quem mata; foram declarados “inimigos” pelo Estado, mas como seriam inimigos do soldado, se nem sequer se conhecem? Guerras são abjetas, e o aspecto mais abjeto é que os interessados na guerra, os governantes, não guerreiam, mas, em seus confortáveis e protegidos gabinetes, ordenam que escravos do Estado sacrifiquem suas vidas e as de outros.

Como antimilitarista convicto, eu poderia enumerar muitas razões para que o Brasil (e os demais países) abolissem de vez os seus corpos de assassinos oficiais, eufemisticamente denominados exércitos. Afinal, sem exércitos não haveria guerras, pois, evidentemente, os integrantes das elites governamentais não se prestariam a fazer o trabalho sujo, arriscando as próprias peles...
Mas não é esse o objeto deste ensaio, e não pretendo desviá-lo.

Estabeleçamos, então, que já está provado (em campo de batalha), que os exércitos profissionais, bem treinados e equipados, são (muito) mais eficientes do que aqueles formados por recrutas. Alguém ainda acredita que fazer um menino dar uma dúzia de tiros em um alvo imóvel, e nunca mais pegar numa arma, vai torná-lo um soldado? Pois é isso que se faz no desserviço militar “obrigatório” brasileiro...

Não há, portanto, razão alguma para a manutenção dessa ESCRAVIDÃO mal-disfarçada, a não ser a perpetuação das sinecuras dos militares de carreira.

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Formandas

Postado em 06/09/2010 à/s 9:10

Estavam Fernando e Roberto, dois amigos, passando pelo corredor onde estavam as placas de formandas e formandos de Psicologia. Ficaram curiosos e começaram a procurar por possíveis conhecid@s.

Na placa da formatura de 2000.2, Fernando viu e comentou:

- Hehehehehe, vê que gozado. Aqui diz: FORMANDAS. Mas tem um cara no meio. Que owned pro cara!

Roberto pensou calado uns quatro segundos e respondeu:

- Vê pelo outro lado, Fernando. Fora dessa placa, as mulheres são ownadas em todo lugar, todos os dias, aqui no Brasil.

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A bancada ruralista deve ser expulsa de Brasília

Postado em 05/09/2010 à/s 17:27

Post originalmente publicado às 21:59 de 26/03/2010. Será "upado" sempre que eu achar necessário reiterar a necessidade de expulsar pelo voto a bancada ruralista do poder ou diminuí-la significativamente.

Uma vez declarei que tinha medo de Marina Silva por comportamentos dúbios de um passado então recente relativos a suas crenças religiosas. Depois de vê-la esclarecê-los, o medo acabou e passei a confiar nela como a melhor candidata à presidência de 2010. Entretanto, um outro temor faz-se forte: o de que a bancada ruralista do Congresso realmente cresça, talvez o dobro, e agigante seu já terrível poder político, tal como prometeu.

Quem participa de movimentos sociais e ambientalistas, mora em comunidades tradicionais, defende os animais, milita pela reforma agrária, é ameaçado por jagunços de grandes latifundiários, entre tantos outros tipos de pessoas, não só entende esse medo como também o manifesta. E dessa vez, ao contrário do caso de Marina, não há nada que aplaque a nossa apreensão diante dos possíveis êxito e expansão dessa bancada que definitivamente não visa o melhor para o Brasil, fora o nosso próprio voto.

Uma das parcelas mais conservadoras do Congresso e representante política dos latifundiários do agronegócio, sua vitória ameaçará muitas causas de bem comum pelas quais se luta há décadas: reforma agrária, ambientalismo, direitos animais, paz no campo, ética trabalhista (combate à exploração semiescrava no meio rural), justiça social...

***

Para amplificar este alerta à população, me vejo na necessidade de descrever os quatro mais significativos problemas que a vitória planejada dos ruralistas piorará (a ordem dos problemas não é um ranking de importância): o meio ambiente, a exploração animal, a reforma agrária e conflitos de campo e a exploração trabalhista.

a) Prejuízos ambientais: A referida bancada não dá a mínima para os problemas ambientais pelos quais o Brasil e o mundo passam – muito pelo contrário, sempre lutou para piorá-los ainda mais. Hoje já lutam para abrandar o Código Florestal, aumentar o desmatamento legalizado da Amazônia e reduzir praticamente à impotência uma das legislações ambientais federais mais fortes do planeta.

Com sua expansão, correremos alto risco de ver o avanço da preocupação ambiental dentro do governo estagnar, leis ambientais novas – aquelas que contrariarem os escusos interesses do agronegócio – serem barradas e as existentes serem atrofiadas ou encolhidas e num futuro próximo a Amazônia, o Cerrado e outros biomas serem confinados aos livros de geografia e biologia do passado e a fauna que lhes pertencem, aos zoológicos e criadouros autorizados.

Acrescentem-se nesse aspecto também os assassinatos de ambientalistas. Chico Mendes, Dorothy Stang e diversas outras personalidades menos conhecidas não me deixam mentir. Os latifundiários passam por cima de ecossistemas, comunidades tradicionais e povoados indígenas mesmo que isso implique também matar quem luta ativamente em oposição a tal atitude.

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Protesto na Expointer/RS, um exemplo a ser seguido por todo o Brasil

Postado em 03/09/2010 à/s 19:00

Reproduzo aqui o post da Vanguarda Abolicionista:

Vanguarda Abolicionista e apoiadores protestam contra a Expointer

Fotos: RSantini
expointer

por Marcio de Almeida Bueno, jornalista

Neste domingo, dia 29 de agosto de 2010, mais uma vez dezenas de ativistas estiveram realizando protesto em frente à Expointer, a maior feira agropecuária do Brasil, e uma das maiores do mundo. Das 10h às 16h, a Vanguarda Abolicionista esteve realizando panfletagem junto às bilheterias do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio - região metropolitana de Porto Alegre, com participação dos grupos ComPaTa, de Passo Fundo, e Projeto ProAnimal, de São Leopoldo.

explorinter

Dentro do parque, animais confinados, engaiolados, puxados pelo nariz ou esperando a hora de morrer, exposições dos campeões das ‘raças’, e a final do Freio de Ouro, tradicional rodeio gaúcho. No portão principal, banners e faixas foram erguidos, denunciando a situação de escravidão, exploração e morte a que os animais são submetidos, a despeito da idéia de ‘bem tratados’. Com uma maioria de veganos e alguns vegetarianos, os cerca de 30 ativistas apresentavam ao público a opção de uma vida que prescinde de carne, leite, ovos, couro, etc, nem de diversão às custas do sofrimento animal, como rodeio e laço.

Expointer 2010

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Propaganda militarista de um governo democrático

Postado em 31/08/2010 à/s 7:00

Encontrei o vídeo abaixo numa comunidade antimilitarista do Orkut:

Daí eu pergunto: que sentido faz homenagear guerras, eventos baseados na agressão de um dos lados e na matança? Que orgulho dá em se lembrar de um evento como esse, onde milhares de pessoas foram mortas de forma mais que violenta?

Lembremo-nos que exércitos só existem porque exércitos existem. Se um dos lados não investisse no militarismo, na agressão e opressão de outros povos pelas armas, o outro não precisaria investir em forças armadas defensivas.

Penso que a guerra defensiva é nada mais que um mal necessário. Não deveria ser motivo de orgulho relembrar derramamentos de sangue como a Batalha Naval do Riachuelo. E o pior, fala-se muito que a Guerra do Paraguai foi causada em parte pelo imperialismo brasileiro do século 19.

Além do mais, soa muito irônico um governo democrático homenagear uma instituição - o corpo militar - antidemocrática por excelência.

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Tráfico de animais silvestres: a cultura da propriedade animal só podia dar nisso mesmo (Parte 8)

Postado em 30/08/2010 à/s 12:26

Aves silvestres são apreendidas em feiras livres do Estado

Cerca de 170 aves silvestres foram apreendidas nesse domingo em feiras livres do Estado. A operação foi realizada por policiais militares da Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma).

Os pássaros estavam sendo comercializados nas feiras livres de Tiúma e Peixinhos, no Grande Recife, além do município de Carpina, Zona da Mata pernambucana.

Entre as espécies apreendidas tinham azução, cravinas, papa capins, sabiás e sanhaçus. Ninguém foi detido na ação e os animais foram entregues ao Ibama, no Recife.

Um detalhe é essencial, mas passa muito longe da abordagem da mídia: o tráfico de aves silvestres só existe porque há pessoas que compram, que tratam animais como mercadorias e os aprisionam.

Esse tipo de crime não será erradicado apenas com operações policiais e apreensões dos bichos, mas com uma mudança generalizada de consciência: deixar de se olhar os animais não-humanos como coisas passíveis de valoração e comercialização que não se importam em ser tratados como objetos de decoração.

E digo mais: essa mudança de consciência também deverá orientar à população de que a liberdade é um desejo e direito dos animais.

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Tirinhas sobre animais “de abate”

Postado em 28/08/2010 à/s 11:41

Achei essas tirinhas hoje, e satirizam com inteligência o ato de matar animais para produção de carne.

tirinhas abate

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Reportagem de um ano atrás: touros tratados como máquinas nos rodeios

Postado em 27/08/2010 à/s 8:30

A reportagem abaixo foi publicada há exatamente um ano no UOL Notícias, e não perdeu nem um pouco de sua atualidade.

Foi uma das únicas vozes de protesto contra o Inferno de Barretos no ano passado, e, neste cenário de "tolerância" das entidades de defesa animal em relação ao evento, lembrá-la é uma das poucas investidas de conscientização que vêm sendo feitas para a população nessa época de rodeio em Barretos.

Boi é visto como máquina nos rodeios e "aditivos" aos animais causam polêmica

As carretas chegam e desembarcam as "máquinas". Socos e choques ajudam a manobrá-las para os boxes... quer dizer: os currais do lado de fora da arena. Isso acontece quatro horas antes de eles começarem a apresentação de oito segundos de salto e rodopios tentando ejetar seu piloto.

Antes da performance, é amarrado um sedém em sua virilha. E é essa tira de lã de cordeiro que gera a maior polêmica do rodeio. Os organizadores falam que o utensílio dá apenas cócegas no bovino para que ele salte em círculos. Para os defensores dos animais, o sedém machuca e é o "aditivo" para tantos saltos na arena. Como boi não dá depoimento, a indústria do peão de boiadeiro segue movimentando milhões (o cálculo oficial fica em R$ 200 milhões).

Um dos que mais faturam nesse nicho são os tropeiros, denominação para os donos das manadas. Paulo Emílio é um deles. Tem 200 touros e quatro carretas para transportá-los. Em sua fazenda, os bovinos contam com exercícios de hidroginástica em um açude que devem atravessar para perder barriga, além de uma pista de areia para fortalecerem as patas.

Ele projetou sua empresa junto com a fama de seu touro Bandido, que até virou ator-personagem na novela "América", da TV Globo. Morto no início do ano, Bandido foi enterrado, com direito a cerimônia, na área do parque onde se ergueu uma estátua dele. O mítico boi, que um único homem conseguiu montar, deixou quatro clones, 70 filhos e 3.000 doses de sêmem como herdeiros.

Certa feita, ele derrubou o rival e do chão o lançou seis metros para cima, deixando o peão no estaleiro um ano. Muitos boiadeiros passaram a recusar a montaria em Bandido quando era sorteado como rival, aceitando a derrota por W.O. simplesmente. Estes são alguns feitos contados na biografia lançada na abertura da festa de Barretos: "Bandido, Touro com Alma".

"Como ele não existiu nenhum. Espero que 90% dos 70 filhos dele puxem o pai. Em dois anos, vários estarão competindo", conta Paulo Emílio, cuja companhia monta rodeios completos, com som, luz, telões, bretes e animais, além de comandar a festa de São José do Rio Preto.

Ele "faz bois", misturando a raça Nelore, mais agressiva, com raças europeias, que são mais troncudas. O resultado é o nervosismo indiano com a musculatura europeia. Ele diz que não há doping em seu time, que ele chama de "Real Madrid da boiada".

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Enchentes e deslizamentos de terra no Grande Recife têm como causa desmatamentos e aterros do passado

Postado em 16/08/2010 à/s 16:30

Isso o professor Ricardo Braga, da UFPE, explica de forma esclarecedora. De fato as raízes ecocancerosas de cidades como o Recife têm tudo a ver com a realidade atual de enchentes na planície e deslizamentos de terra nos morros.

Foco ambiental: alagamentos e inundações
por prof. Ricardo Braga

Se olharmos o mapa de relevo, veremos que Recife, Olinda e Jaboatão possuem uma planície costeira muito baixa, quase ao nível do mar, rodeada de morros de 60 a 100 metros de altura, em semi-círculo. Podemos dizer que essas cidades formam um grande anfiteatro, onde os morros são as arquibancadas, a planície é o palco, e céu e mar compõem o cenário.

Originalmente as matas cobriam os morros e garantiam a infiltração das águas de chuva, retendo-as para liberar devagarzinho, atenuando as enxurradas e, em conseqüência, o pico das enchentes. Na planície, mesmo assim os riachos enchiam, mas podiam se espalhar em seu leito natural expandido, que eram as várzeas. Depois dezenas de riachos drenavam facilmente águas para os rios Beberibe, Capibaribe, Tejipió e Jaboatão.

Hoje, quando chove forte, casas que ocuparam o morro desmatado, escorregam pela barreira levando sonhos de seus moradores. Outras, na planície, são inundadas de maneira implacável pelas águas apressadas. Que destino caótico de nossa gente, particularmente a de menor renda!

Mas é a história da ocupação dos espaços quem determinou o caos. A cidade impermeabilizou o solo com as edificações e pavimentações, fazendo com que a vazão do escoamento das águas se multiplicasse por até seis vezes quando chove; a erosão dos morros traz junto com as enxurradas a lama de barro e areia; os riachos passaram a ser canais, considerados pela população como local de despejo de esgoto e lixo, dificultando dramaticamente a passagem da água; a carência de áreas de habitação levou à ocupação das margens dos cursos d´água, não deixando alternativa para as águas apressadas, se não recuperar a sua várzea à força.

Resultado: alagamentos, pela dificuldade de drenagem nos lugares onde a chuva cai; e inundações, pelo transbordamento de riachos e canais.Mesmo que todas as causas sejam explicáveis, não é fácil mudar o cenário, que se repete a cada ano. Vê-se que o esforço das prefeituras em limpar os canais e coletar regularmente o lixo é indispensável, mas insuficiente.

Por parte da população, é preciso uma tomada de consciência de que cada um contribui para o caos quando corta e ocupa a barreira em lugares de risco de desmoronamento, espalha lixo como se o espaço fosse de ninguém, obstrui a microdrenagem com a construção de casas, muros e passagens de pedestres, e ocupa as margens dos riachos e canais, não deixando espaço sequer para a sua limpeza.Por parte do poder público, parece ser necessária uma postura mais determinada e menos paliativa, exigindo a elaboração do Plano Diretor Metropolitano de Drenagem Urbana, integrando os municípios na mesma estratégia de solução. Esta, por sua vez, implica em medidas estruturais inovadoras, como reservatórios de amortecimento de cheias em algumas descidas de morros. Ao mesmo tempo, são fundamentais medidas de educação, que possibilitem o reconhecimento pela sociedade que vive nas áreas afetadas, da importância da atitude preventiva, antes que o afogamento seja inevitável.

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[Pernambuco] Votar 40?

Postado em 16/08/2010 à/s 15:34

É Eduardo, É 40. É mais um quadriênio com destruição implacável do ambiente natural. É nada de sustentabilidade.

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Se “homem” significa “ser humano”, então por que ninguém diz “homem do sexo feminino”?

Postado em 16/08/2010 à/s 1:06

Desde o ano passado eu me posiciono contra o uso unissex da palavra homem, como sinônimo de "ser humano" ou "humanidade". Percebi de ontem para hoje uma curiosidade bastante sórdida e contraditória sobre essa forma de usar o termo.

Ainda são raras as pessoas que, como eu, evitam falar/escrever "o homem" no sentido de ser humano genérico. A gigante maioria diz com toda naturalidade: "Ué, homem significa ser humano também".

Pergunto a essa maioria então o seguinte: por que ninguém fala "o homem do sexo feminino", supondo-se que homem seja um termo neutro? Se podemos chamar qualquer pessoa por homem dada sua "neutralidade" (vide "os homens", usado até hoje na literatura), que mal há em dizer que há homens do sexo feminino, que a mulher é o homem fêmea? Por que não se fala, por exemplo, que metade dos homens têm a capacidade de engravidar e dar à luz?

Percebo que ninguém pensa assim, ninguém tenta realmente incluir as mulheres na abrangência conceitual do termo homem, mesmo quando ele é referente a abranger "todos os sexos".

Uma demonstração desse uso é quando procuro no Google por "homem do sexo feminino" (com aspas). Os resultados somam nada mais que 28 ocorrências, sendo a maioria referente a mulheres de comportamento masculinizado, homens gays e/ou afeminados ou questionamentos de quando alguém fala despercebidamente o pleonasmo do "homem do sexo masculino". Uma das ocorrências diz respeito à gramática androcêntrica que temos no português. Nenhuma delas chamava com naturalidade a mulher de homem do sexo feminino. Duas delas são daqui do Arauto e uma é referente ao artigo da Wikipédia Uso da palavra homem.

Convido você leitor/a a refletir sobre isso. Perceberá isso como uma evidência de que, no fundo, não há nenhuma neutralidade de gênero verdadeira no uso da palavra homem.

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Sete hipóteses usadas por onívoros para questionar o vegetarianismo

Postado em 13/08/2010 à/s 19:07

Abaixo um ótimo artigo do amigo e irmão de consciência Samory Pereira Santos, editor do blog Opinião Vegana. Ele responde a sete perguntas frequentemente soltadas por onívor@s (e, em alguns casos, até por alguns vegetarian@s incomplet@s) que tentam tornar contraditório o vegetarianismo e eticamente isento o onivorismo.

Sete hipóteses absurdas comuns
por Samory Pereira Santos

Todo vegano, ou mesmo protovegetariano, já ouviu alguma delas. Elas são as hipóteses absurdas, figuras retóricas que os creófilos usam normalmente de forma recorrente. Em geral, elas necessitam de algum entendimento equivocado sobre direitos animais aliado, muitas vezes, a uma desonestidade intelectual marcante. É uma expressão, de fato, do duplipensar onívoro, falado por Robson Fernando.

Então, salvas para as Hipóteses Absurdas:

1. E as plantas?

A rainha de todas as hipóteses absurdas, e as plantas? é a objeção mais comum aos direitos animais. Todo vegetariano já foi indagado sobre isso. Se não foi, ele não existe ou o é muito recentemente. Muita gente já a rebateu, mas sempre é bom falar sobre essa questão óbvia. O pensamento, em geral, parte da premissa de que toda vida é moralmente relevante, e que mortes são erradas. Portanto, para que sejamos éticos, temos de ser “respiratorianos”. Caso o contrário, matar animais não-humanos sencientes é moralmente correto ou indiferente.

Há uma diversidade de equívocos nesse pensamento: primeiro, poucos veganos pensam que “toda a vida é moralmente relevante”. Algo não é relevante per si, ela é relevante por uma qualidade que a torna valorável. A vida, em si, é moralmente irrelevante. É um fato, um substantivo. Agora, a vida senciente, a vida sapiente, a vida transcedente (se existir) são valoráveis. Veganos senciocêntricos valoram a vida senciente. (O motivo varia, mas em geral está relacionado a faculdade de ter interesses conscientes). Plantas não possuem senciência.

A segunda questão é de que matar é invariavelmente errado. Acabar com a vida de um objeto que é indiferente a ela, isto é, um ser não-senciente, é moralmente indiferente. Isso pois a própria planta não tem interesse em permanecer viva. Já animais possuem.

A partir do esclarecimento dessa ideia, é comum seguir-se com uma outra hipótese absurda.

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Queixa relativamente antiga de preconceito contra ateus

Postado em 11/08/2010 à/s 7:00

Trago um artigo interessante, postado em um blog que está abandonado há quatro anos, sobre o preconceito contra ateus.

Posto-o com a esperança de que (a aversão pronunciada por) Datena tenha de fato acordado a luta ateísta contra a discriminação.

O último dos preconceitos
por Gustavo Lacerda, no "O blog do cético brasileiro", artigo escrito em dezembro de 2006

Nós temos orgulho da tolerância religiosa aqui estabelecida. Em nosso país, católicos, protestantes, judeus, mulçumanos, espíritas, ubamdistas, budistas, todos vivem em paz. Diferentemente de outros países onde a opção religiosa é motivo de segregação social e até guerras, aqui vivemos na mais profunda harmonia. Há uma ressalva a ser feita. A tolerância religiosa é válida, contanto que você professe alguma religião, como sabiamente expôs Leo Vines, criador da Sociedade da Terra Redonda.

Negros, homossexuais, judeus, deficientes, nordestinos, mulheres enfim, cada grupo que outrora foi vítima de preconceito neste país conseguiu se fazer respeitada, ou ao menos tolerada. Hoje em dia, não é aceito socialmente discriminar representantes de qualquer um destes grupos. As pessoas que insistem no preconceito são socialmente mal vistas. Em alguns casos são até processadas e eventualmente condenadas. O último preconceito socialmente aceito é justamente o preconceito com os ateus. Pode-se discriminar, fazer chacotas, mostrar repulsa ou constranger. Sendo contra ateus ninguém vai lhe olhar torto por isso.

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Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 51)

Postado em 09/08/2010 à/s 21:23

Como é de se esperar, mais uma tortura de roedores (ratos ou camundongos).

Cérebro tem 'circuito de backup' para aprender a ter medo

O "centro do medo" no cérebro não precisa estar funcionando para que um animal aprenda a ter medo, dizem pesquisadores da UCLA Research Institute, nos Estados Unidos. De acordo com resultados de um novo estudo realizado em ratos, se a região for danificada, outra área pode tomar as rédeas e permitir que o cérebro continue a registrar o medo vinculando-o às memórias emocionais. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of National Academy of Sciences.

Mas essa região do cérebro vai assumir a função apenas quando a região relacionada com o medo, a amígdala, não estiver funcionando, dizem os pesquisadores. "Quando a amígdala não está funcionando, de repente outra área tem uma espécie de 'estalo' e tenta assumir a função e compensar a perda da amígdala", disse o professor de psicologia e membro do grupo de pesquisas do cérebro da UCLA, Michael Fanselow, em entrevista ao site Live Science.

Este tipo de compensação pode ocorrer também em outras partes do cérebro. Quando uma área crucial perde a sua função, outra pode ser utilizada para compensar isso.

[...]

Memórias emocionais

Nós tendemos a pensar de uma memória como um bloco único - todos os detalhes e emoções são 'guardados' juntos. Mas, na verdade, o cérebro armazena diferentes partes da memória em diferentes locais. A amígdala é responsável pela parte emocional de uma memória. Ela também ativa a resposta do corpo ao perigo.

Os trabalhos anteriores realizados por Fanselow e seus colegas mostraram que ratos com amígdalas danificadas podem formar memórias de medo depois de muitas tentativas. No entanto, eles não sabem qual a região do cérebro que assumiu a função.

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Caranguejo gigante Crabzilla é prisioneiro de aquário

Postado em 05/08/2010 à/s 20:35

Batizado de Crabzilla, caranguejo de 4 metros é levado a aquário na Holanda

Nesta terça-feira, o caranguejo Crabzilla foi levado à sua nova casa [sic], no Aquário de Sheveningen, em Haia, na Holanda.

Crabzilla foi capturado no oceano Pacífico, em 2009, tem cerca de 40 anos e mede quatro metros de comprimento, aproximadamente. É o maior caranguejo já exposto ao público europeu.

Não é preciso muito esforço para percebermos que a verdadeira casa de Crabzilla é o Oceano Pacífico, onde ele foi sequestrado para virar uma atração de um aquário que lhe está sendo uma prisão perpétua.

Esse caso é daqueles em que os aquários e zoológicos, longe de representar qualquer papel relevante em termos de educação ambiental verdadeira ou conservação de espécies ameaçadas (leia-se animais que não poderiam ser devolvidos à natureza por deficiências ou problemas irreversíveis), são nada além de cativeiros construídos para ganhar dinheiro sobre a exposição de animais exóticos mantidos presos, privados de liberdade, sequestrados de seu habitat natural. São lugares onde os animais raptados são expostos, muitas vezes sob condições estressantes, a pessoas curiosas, que saem desses estabelecimentos naturalizando a exploração de animais selvagens, achando que é aceitável retirar animais de seus verdadeiros lares para expô-los como objetos de museu - transformar seres livres em escravos de entretenimento, que "existem para servir os seres humanos".

O respeito coletivo aos direitos animais terá que passar pela extinção dos zoológicos e aquários e por sua substituição por santuários de refúgio de animais incapacitados de voltar à natureza. Neles seu valor intrínseco de seres interessados em viver libertos e sem sofrimento seria respeitado, não sendo eles mais tratados como peças de exibição, fontes de lucro.

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Vídeo provoca ateofobia de Datena: a solidariedade de cães e a tranquilidade da Suécia

Postado em 05/08/2010 à/s 9:00

O vídeo abaixo é uma ótima provocação, um tapa-na-cara a quem, como Seu Datena, insiste que a maldade é condicionada à ausência de "Deus no coração".

O próprio Datena mostra, na primeira parte do vídeo, um cachorro tentando acudir um amigo de sua mesma espécie, manifestando esperança de que ele ainda esteja vivo, e sofrendo por não conseguir reanimar o amigo, que já havia falecido. A segunda parte mostra um policial dançando eletropop na Suécia, e a população rindo e se divertindo com a cena - no Brasil a dança dele seria vista com indignação e ele seria denunciado e exonerado ou rebaixado para alguma função burocrática caso fosse pego dançando eletropop em serviço, já que um rápido vacilo pode significar uma pessoa assaltada.

Animais não-humanos, pelo menos até onde se sabe, não cultivam em suas mentes sequer a ideia de deus, de divindade, de ter "um deus no coração". E isso não os impede de manifestar sentimentos e habilidades sociais que muitos seres humanos acham que só existem na espécie humana. E a Suécia, país onde 85% da população não crê em divindades [fonte: Zuckerman, Phil (2007). Martin, Michael T. ed. The Cambridge companion to atheism. Cambridge, England: Cambridge University Press. p. 56. - apud Wikipedia em inglês], tem uma taxa baixíssima de violência urbana, que "mataria de fome" apresentadoræs sensacionalistas que vivem da  existência da alta criminalidade para terem seus programas.

Assistam ao vídeo e contemplem uma comprovação da ignorância* de Datena de 27 de julho passado. (Curioso que ele não citou Deus quando falou do cachorro da cena.)

*Me permito considerar essa "ignorância" como algo objetivo, mais que um juízo de valor meu, já que a ignorância no caso representa tanto o desconhecimento de Datena - mais sua recusa de procurar conhecimento - sobre a (falseabilidade da) relação entre religião e moralidade como seu preconceito contra ateus, considerado uma estupidez.

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