Peixe na Semana Santa: questões ambientais e éticas ignoradas pela sociedade e pela mídia
Na Semana Santa, a celebração da morte e ressurreição de Jesus divide o espaço com o boom do comércio e consumo de carne de peixes. O feriadão em questão, em especial a Sexta-Feira Santa, é a época em que mais se comercializa e se consome esse tipo de carne no ano. As feiras, peixarias e supermercados de todo o Brasil lotam-se com milhões e milhões de peixes e uma multidão os compra para comê-los. A sociedade curte muito e a mídia incentiva, mas, aos olhos da natureza e da ética do respeito à vida animal, tais comportamentos se fazem perigosos e condenáveis.
A imprensa que fomenta a morte dos peixes
A imprensa, alienando a população de todos os problemas éticos e ambientais causados pela pesca, mostra com satisfação a prosperidade temporária dos vendedores de peixe (morto), ignorando e/ou omitindo completamente que é essa mesma fartura que vem causando um dramático declínio na população de grande parte das espécies “pescáveis”, se não todas, em todos os mares e oceanos do planeta.
As notícias sobre queda e extinção local de muitas espécies de peixes multiplicam-se, mas, de forma quase irônica, as relacionadas ao comércio e consumo de “pescado”, sempre acríticas, ganham destaque, muitas vezes nos mesmíssimos jornais, telejornais ou sites, durante o feriado cristão. Notas sobre preço, disponibilidade e demanda e receitas culinárias imperam nos dias anteriores à Sexta-Feira Santa, dia em que a carne vermelha é vedada da mesa dos cristãos – por motivos meramente religiosos, nada relacionados com ética, compaixão ou não-violência.
E os fatos de que os peixes agonizam muito em asfixia depois de retirados da água e poderiam ter suas vidas poupadas e respeitadas graças à existência do vegetarianismo simplesmente inexistem perante o olhar dessa mídia.
Vergonha 3: países não querem preservar tubarões-martelo
Convenção Cites descarta proteção de tubarão martelo em lista
A conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites) rejeitou nesta terça-feira (23) uma proposta para incluir sob proteção o tubarão martelo, depois de ter também recusado a proteção a outras duas espécies marinhas de grande valor comercial: o atum vermelho do Atlântico Leste e o coral vermelho.
A proposta dos Estados Unidos de incluir o tubarão martelo (Sphyrna lemini) no anexo 2 da Cites, que teria permitido regulamentar as exportações, não obteve a maioria necessária de dois terços (75 votos a favor, 45 contrários).
O tubarão martelo está na lista vermelha da UICN (União Mundial para a Conservação da Natureza) como espécie "mundialmente em perigo".
Na bancada da delegação japonesa, contrária à inclusão do tubarão no anexo 2, um representante não conseguiu reprimir os aplausos.
Desde a abertura da conferência em Doha, no dia 13 de março, o Japão se opõe à intervenção da Cites na gestão das pescas comerciais.
Outras três espécies foram propostas para figurar no anexo 2 da Cites, que se pronunciará nesta terça-feira: o tubarão oceânico (Carcharhinus longimanus), o tubarão marracho ou anequim (Lamna nasus) e a mielga (Squalus acanthias).
É a terceira vergonha que a CITES causa ao mundo, em sua recusa de proteger diversas espécies ameaçadas de animais da exploração.
Uma coisa é fato: se o veganismo fosse o pensamento predominante, não precisaríamos de nenhuma CITES para determinar quais animais mereceriam respeito incondicional e quais mereceriam ser explorados e massacrados para fins comerciais.
Eu gostaria muito de saber a justificativa ética tanto da rejeição à proteção integral desses animais como da própria CITES. Os bichos são inferiores aos seres humanos? Sua vida não tem valor? O ser humano é divinamente autorizado a explorá-los e matá-los? Eu gostaria muito de ouvir a resposta.
O mar não está para peixe, e a mídia não está para os animais
Crítica da notícia O mar não está para peixe do JC Online, veiculada parcialmente no post Pesca está exaurindo a fauna marinha também em Pernambuco (e a mídia faz pouco caso). Postada originalmente às 21h18 de hoje.
A reportagem O mar não está para peixe do JC Online, um dos portais mais importantes de Pernambuco, tentou alertar a população do estado para a queda das populações de peixes no litoral pernambucano. O problema mundial da decadência da vida marinha nectônica, causado majoritariamente pela pesca em grande escala, a qual por sua vez alimenta um rico mercado de carne branca – a saber, infelizmente incentivado de forma irresponsável pela mídia e por grande parte dos nutricionistas –, também atinge o Nordeste, pelo que foi mostrado.
Entretanto, o portal falhou miseravelmente em prover consciência ambiental – se é que essa foi uma de suas intenções – e ignorou totalmente o debate sobre direitos animais que está acontecendo em todo o planeta, preferindo se restringir a induzir os leitores ao compadecimento pela situação dos pescadores. A vida dos animais marinhos e a importância ambiental dos mesmos nada valem para a reportagem em questão, ao contrário dos interesses daqueles cuja profissão não existiria sem mortes em massa.
Há na reportagem um forte e indiscutível viés favorável ao setor pesqueiro, em detrimento da ecologia e dos direitos animais. Ela protege os pescadores artesanais e chega praticamente ao ponto de sacralizá-los perante a sociedade quando cita a integrante da ONG Conselho Pastoral dos Pescadores, que afirma que “o pescador é um excluído. A sociedade tem uma dívida social com esses profissionais”.
O foco da abordagem de forma nenhuma é a crise ambiental-faunística do litoral pernambucano, mas o declínio do “estoque” – palavra do jargão pesqueiro para populações locais de peixes, crustáceos e moluscos, as quais são reduzidas a um mero estoque alimentício à disposição do ser humano – e a consequente dificuldade econômica dos pescadores. Parece que o único fim da existência desses animais é ser o prato dos humanos e nada mais, nunca viver sua vida ou compor o ecossistema marinho local.
Na sanha de passar a mão na cabeça de um setor que mata bilhões de animais por ano – quase sempre infligindo muito sofrimento – e está ameaçando de extinção grande parte das espécies “comerciais” de peixes, moluscos e crustáceos de todo o planeta, rebaixa-se e desfavorece-se a necessidade ética e ambiental de se preservar os peixes ao diminuir-se o peso da responsabilidade da pesca na decadência das populações marinhas pernambucanas. A parte escrita da publicação se restringe a apontar a poluição e destruição dos mangues como fator diminuidor da fauna marinha, estando o problema da pesca em grande escala restrito ao vídeo da explicação da professora da UFPE – e ainda reduzido a fator secundário por ela.
Pesca está exaurindo a fauna marinha também em Pernambuco (e a mídia faz pouco caso)
A pesca está acabando com a fauna marinha nectônica (que se locomove na água, diferente dos plânctons e dos bentos) também no litoral pernambucano. Uma reportagem do JC Online mostra isso, e eu trago as partes mais importantes dessa reportagem (ela é muito comprida):
Há dez anos, a gente saía para o mar e trazia 500 quilos de peixe, hoje é um sofrimento para conseguir pegar 50 quilos.” Com essa frase o pescador Jorge Guimarães, 39 anos, resume a situação da atividade da pesca artesanal em Pernambuco. Ele exerce há anos 25 o ofício que aprendeu com o pai, Augusto Guimarães, 62, e que lhe rendeu pele queimada pelo sol, mãos calejadas e um característico cheiro de mar.
(...)
A reclamação dos pescadores é uma realidade confirmada pela professora Maria Elisabeth de Araújo, que coordena o Grupo de Ictiologia Marinha Tropical do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e há 10 anos estuda a redução na população de peixes pelos 187 quilômetros de extensão do litoral pernambucano.
(...)
Responsável pela maior parcela da produção pesqueira do Estado, a pesca artesanal é caracterizada pela mão de obra familiar e embarcação de pequeno porte (em média oito metros de comprimento). Segundo os próprios pescadores, a atividade está em decadência em Pernambuco. “Antes, há umas três décadas, o povo vinha de outros Estados, como Rio Grande do Norte e Alagoas, para pescar aqui. Hoje a gente está fazendo o contrário”, conta o presidente da Colônia Z1, Augusto Guimarães, conhecido como seu Neno, que assumiu o cargo em julho do ano passado.
De acordo com Elisabeth de Araújo, essa mudança de local de trabalho está diretamente ligada à diminuição de peixes nas águas pernambucanas. Segundo a estudiosa, peixes como cioba, dentão e cavala se tornaram raros e caros nos supermercados e mercados públicos. “Por causa da redução de algumas espécies passamos a consumir peixes menores, menos saborosos e com mais espinhas, como é o caso do saramunete”, revela.
Para Euclides Dourado, analista ambiental do Departamento de Recursos Pesqueiros do Ibama, um dos principais motivos para a escassez de peixes é a degradação das áreas de mata ciliar, do qual o mangue faz parte. Os manguezais são considerados verdadeiros berçários para dezenas de espécies aquáticas.
Sobre essa questão, Elisabeth de Araújo ressalta que os manguezais são responsáveis pelo esfriamento da temperatura, e consequentemente, das águas. O aquecimento dos mares e a poluição também são reclamações dos pescadores. “O mangue é o ar-condicionado do Recife”, compara a pesquisadora.
Foi omitido no trecho acima que outra poderosíssima razão para a decadência da população de peixes no mar pernambucano é a pesca em larga escala. Isso é explicado pela professora da UFPE Elisabeth de Araújo:
Vergonha: países não querem preservar atuns
Convenção Cites rejeita suspender comercialização de atum vermelho
A conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites) rejeitou nesta quinta-feira (18), em Doha, a proposta de Mônaco, que suspenderia o comércio de atum vermelho no leste do Atlântico e no Mediterrâneo.
O principado de Mônaco havia proposto inscrever a espécie, de alto valor comercial, no Anexo 1 da Cites para proibir sua negociação internacional e proteger sua população, vítima da pesca abusiva.
O Japão, principal consumidor da espécie Thunnus thynnus, conhecida como atum azul ou vermelho, se opunha à medida, e recebeu amplo apoio de países em desenvolvimento.A proposta foi rechaçada por 68 votos. Vinte participantes votaram a favor e 30 se abstiveram.
Uma proposta europeia, que previa uma futura inscrição do atum azul no Anexo 1, também foi rejeitada por 72 votos a 43 e 24 abstenções.
Um capítulo da triste novela da decadência dos peixes do mundo a inspirar vergonha e indignação. O dinheiro (pesca é lucrativa, lembre-se), o paladar e a falsa necessidade de carne branca prevaleceram sobre os direitos dos animais marinhos e a necessidade de se preservar os atuns. A cúpula política da humanidade não quer a preservação dessas espécies, quer continuar matando mais e mais animais em prol dos altos lucros da indústria pesqueira -- francamente incentivada por grande parte d@s nutricionistas --, mesmo que essas espécies estejam em risco iminente de extinção.
Se carne humana fosse um prato apreciado por uma espécie "superior", a humanidade estaria implorando por misericórdia e clemência para não ser exterminada e extinta. Mas, como são "nada mais" que animais, como são bichos que não podem se defender das imensas redes de arrasto da pesca comercial nem implorar por um pingo de piedade depois de sequestrados de seu habitat, o ser humano extermina implacavelmente sua espécie.
Agora os atuns-vermelhos estão completamente desprotegidos, a caminho do triste fim de sua espécie, graças à fome humana por carne e dinheiro.
"Para os animais, todos os homens(sic) são nazistas." Isaac Bashevis Singer
Pesca, zoogenocídio também nos rios
Pesca predatória consome Rio Jauaperi na bacia amazônica
RIO JAUAPERI, AMAZÔNIA - Franciel, 6 anos, nasceu e cresceu na floresta amazônica, à beira de um rio. Mas nunca viu um pirarucu. O maior peixe da Amazônia, ele só conhece pelas figurinhas de colorir no livro da escola. "Um dia ele veio me perguntar se o pirarucu de verdade era assim mesmo, igual ao do papel", assustou-se o pai, Francisco Pareide de Lima, artesão e pescador do Rio Jauaperi.
Lima mesmo, aos 42 anos, não vê um pirarucu faz tempo por ali. Não por causa das águas escuras da Bacia do Rio Negro, mas porque a espécie virou mesmo coisa rara - raríssima - no entorno da comunidade onde vive, chamada Itaquera, a um dia e meio de barco de Manaus.
É o sintoma mais emblemático de um conflito entre pesca artesanal e comercial que há anos ameaça a subsistência dos ribeirinhos e a preservação do meio ambiente na região do Jauaperi e do baixo Rio Branco, na divisa do Amazonas com Roraima. A pesca artesanal é a base da alimentação dos ribeirinhos, que têm no peixe sua principal - e às vezes única - fonte de proteína. Sair em uma canoa com um anzol ou uma zagaia (arpão de três pontas) na mão é como ir à padaria buscar pão para o café da manhã. Faz parte da rotina.
É difícil faltar peixe na Amazônia. Mas a concorrência com os barcos comerciais (chamados geleiros) que arrastam suas redes rio acima vem tornando essa rotina cada vez mais sacrificada para os ribeirinhos. Em 2001, já notando uma diminuição na quantidade de peixe, um grupo de moradores entrou com pedido no Ministério do Meio Ambiente (MMA) para a criação de uma Reserva Extrativista (Resex) no Baixo Rio Branco-Jauaperi, que daria aos comunitários o controle sobre as atividades de pesca e extrativismo na região. O projeto recebeu aval do ministério em 2007 e foi encaminhado à Casa Civil, que agora o devolveu para o MMA (mais informações na pág. A30).
Ação contra a pesca salva e restaura vida nos recifes australianos
Austrália: proibição da pesca recuperou vida marinha em corais
Um estudo divulgado na última segunda-feira indica que a proibição da pesca em 2004 em parte da Grande Barreira de Corais da Austrália possibilitou que a população de algumas espécies de peixes dobrasse. O relatório, divulgado na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences, foi produzido por um grupo de pesquisadores da Austrália.
Em 2004, a pesca foi banida em uma área de 32% da barreira que se estende por 2,6 mil quilômetros e sobre uma área de 344 mil quilômetros quadrados na costa de Queensland, nordeste da Austrália. Hoje, a densidade de peixes nessa zona protegida é o dobro das demais regiões.
Um dos destaques é a truta dos corais (Plectropomus leopardus), cuja população dobrou em apenas dois anos a partir da proibição da exploração desses corais. A população de tubarões também é 100% maior na área protegida em relação ao restante da barreira, diz o estudo.
"Os resultados são realmente impressionantes", disse Laurence McCook, líder do estudo. "Manter uma grande proporção de áreas protegidas é bom para a vida marinha, é bom para os peixes e é bom para as pessoas que dependem dos corais para viver", analisou McCook, referindo-se à indústria pesqueira e ao turismo.
Apesar da recuperação, McCook enfatiza que a Grande Barreira de Corais australiana, a maior cadeia de corais do mundo, ainda está sob grande risco por causa da mudança climática. O aumento da temperatura e da acidez da água do mar prejudica sensivelmente a vida nos corais.
Meus parabéns e obrigado à Austrália por ter suprimido o assassinato em massa de animais, que atende pelo gentil nome de pesca, daquela área. A notícia é mais uma prova de como a pesca é uma atividade altamente destruidora que ameaça a vida de qualquer corpo d'água onde se estabelece. Minha palavra neste parágrafo pode parecer pesada, mas é a dura verdade existente por trás da dita tão saudável carne de peixes.
A vida nas águas da Terra agradecerá muitíssimo se a pesca passar a ser progressivamente proibida em cada vez mais regiões e socialmente desencorajada em nome de uma alimentação ética e ambientalmente amigável.
Terra não aguenta o carnivorismo da humanidade
Obs.: o carnivorismo do título significa "consumo de carne", não a dieta exclusivamente à base de carne de felinos.
Terra é incapaz de acompanhar ritmo atual de consumo de carnes e pescado
No topo absoluto da cadeia alimentar, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca massiva está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera - o que precisa fazer com que mudemos de hábitos.
Alimentar a humanidade - nove bilhões de indivíduos atpé 2050, segundo as previsões da ONU - exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.
Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), publicado nesta quinta-feira, a produção mundial de carne deverá dobrar para atender à demanda mundial, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.
Um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.
"O problema é como impedir que isso aconteça. Quando a renda aumenta, o consumo de produtos lácteos e bovinos segue o mesmo caminho: não há exemplo em contrário no mundo", destacou Hervé Guyomard, diretor científico em Agricultura do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônima da França (INRA), responsável pelo relatório Agrimonde sobre "os sistemas agrícolas e alimentares mundiais no horizonte de 2050".
Frase da semana (7-13/02)
"Um século atrás havia 100 mil tigres no mundo. Mas desde então, os extermínios em massa e a caça causaram a extinção das subespécies de Bali em 1937, a persa ou o tigre Cáspio na década de 1960, e a de Java, vista pela última vez nos anos 70." Agência EFE, através do Terra Notícias, sobre as principais razões para a ameaça de extinção dos tigres
Só mais uma amostra de como a exploração animal é a maior razão para a ameaça de extinção de tantas espécies da fauna.
Mais amostras disso estão abaixo:
Exploração animal = ameaça de extinção (Parte 3)
Exploração animal = ameaça de extinção (Parte 2)
Exploração animal = ameaça de extinção
Por que a pesca e a aquicultura fazem mal e são dispensáveis
Artigo escrito em agosto de 2009
Muito recomendados como alimentos nutritivos e saudáveis, os frutos-do-mar estão sendo valorizados nestes anos de combate à alimentação nutricionalmente ruim. A tal fonte de saúde e boa vida apregoada por nutricionistas e culinaristas, entretanto, esconde uma realidade muito triste que, uma vez conhecida, enfraquece quem vem recorrendo ao peixe, ao crustáceo e ao molusco como fontes de “boa carne”: o sofrimento e a morte dos animais que são capturados na água e os danos ambientais infligidos, estes quase sempre enormes.
Quem busca o melhor ao comer carnes vindas da água não sabe ainda que a saúde vendida pela indústria de “pescado” tem um custo altíssimo, ou melhor, impagável, que são os bilhões de vidas eliminadas anualmente pela pesca e pela aquicultura, sempre com enorme sofrimento, e os ecossistemas aquáticos e costeiros que vêm sendo destruídos e esvaziados por essas atividades.
A verdade precisa ser revelada para que se perceba que, mesmo que façam bem à saúde, os frutos-do-mar fazem muito mal aos animais e ao meio ambiente. E são substituíveis nutricionalmente.
A morte dos peixes
No caso de pescar com varas, primeiro a mandíbula é perfurada, com o anzol mordido varando a pele do peixe, e em seguida o bicho é içado velozmente, potencializando a dor do gancho. É como uma pessoa ser furada na coxa por um arpão vindo de cima e levantada com toda força de modo que fique pendurada pela lança. Já na pesca por rede de arrasto, um cardume é surpreendido por um obstáculo e põe-se em agitação máxima, no desejo incontrolável e desesperado de resistir ou fugir da predação.
Depois de ser posto no assoalho do barco, no samburá ou em outro lugar que guarde os corpos pescados, o animal começa um sofrimento que vai durar minutos. São longos instantes, que mais parecem uma eternidade, de uma luta pela vida que irá invariavelmente fracassar. Procura-se inutilmente por água que contenha oxigênio diluído. Debate-se longe da água, tanto na tentativa de se locomover para voltar ao seu ambiente aquático como pela agonia de não poder mais respirar.
Depois de geralmente menos de dez minutos de angustiada luta contra a morte, a indesejada das gentes e dos bichos vence. Um fim bastante triste, uma morte cujo sofrimento é comparável ao causado nos mais cruéis matadouros.







