Arauto da Consciência

“Fazendinhas” de shopping: o que estão ensinando aos nossos pequenos?

Postado em 29/07/2010 à/s 6:00

Alguns shoppings brasileiros, diante da realidade ultraurbana das crianças das grandes cidades, muitas das quais crescem acreditando que carne, leite e ovos são fabricados do nada no supermercado, tomaram a iniciativa de montar “fazendinhas” em parte de seu interior, no intuito de diverti-las, “ensiná-las” de onde vem os produtos de origem animal da mesa onívora brasileira e pô-las em contato com o mundo rural – ainda que de forma bem limitada.

Nesses pedaços de ruralidade incrustados nas urbes, estão expostos os mais diversos animais das fazendas de verdade: bovinos, porcos, coelhos, galinhas, perus, cavalos (ou pôneis)... Pode-se andar de charrete, montar equinos, participar de pescaria, e até levar animais típicos do campo para casa. Parece muito bom e saudável mostrar à meninada acostumada com a selva de concreto um pouco da vida da fazenda...

Eu disse “parece”. Porque, na ótica da ética animal, não o é nem um pouco. Em vez de apreciação, reservo a essas “fazendinhas” de shopping uma indagação preocupada: o que estão ensinando aos nossos pequenos?

A verdade é que estão lhes naturalizando o que há de pior na relação entre seres humanos e bichos: o regime de escravidão que norteia a pecuária, as fazendas de criação de animais, a mercantilização da vida. Aprende-se, com ou sem “educadores” presentes, que os animais rurais existem para nos servir, seja como comida, seja como meio de transporte, seja como bichinhos de estimação – mesmo sendo criados em pequenas gaiolas.

Essas instalações temporárias são na verdade um complexo de exploração animal, em três sentidos: propriamente exploram os animais, trazidos de fazendas de verdade para os shoppings, obrigados a cavalgar com crianças no lombo ou na charrete e expostos a todo o barulho estressante do local; engaiolam e comercializam diversos deles e, o mais preocupante, promovem a antipedagogia ética, pautada no utilitarismo servil, induzindo as crianças a crerem que cada espécie daqueles bichos de fato “servem”, vivos ou mortos, para determinados fins – e que isso é natural, é normal, é assim que a vida funciona e deve funcionar.

Visitei recentemente uma dessas “fazendinhas”, em um shopping movimentado de uma cidade metropolitana nordestina que não revelo aqui – pode ter sido em Natal, em Salvador, em Fortaleza, em Campina Grande, em qualquer uma grande cidade do Nordeste, ou até no Recife mesmo. Abaixo descrevo minha experiência nesse tipo de lugar. Nota importante: fui justamente para observar tudo e poder descrever aqui a realidade vislumbrada, não foi por outro motivo.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Links)

Postado em 28/07/2010 à/s 8:30

Aqui os links das quatro partes do artigo FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais:

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 4 e final)

Postado em 26/07/2010 à/s 9:00

Mensagem na porta de um laboratório no CCS/UFPE. Foto tirada por mim em 2009.

Esta parte é o final do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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10. Que doenças evoluíram seu tratamento, em razão das pesquisas?
São várias, podemos citar duas: o câncer e a fibrose cística. No caso do câncer, por exemplo, pode ser realizado atualmente a terapia gênica, onde são retiradas células do tumor, inserido um gene que reage contra o câncer e reinjetado as células no paciente. Desse modo, as células geneticamente modificadas irão “ensinar” ao sistema imunológico do paciente a reconhecer as peculiaridades de suas células cancerígenas e destruir o tumor. Atualmente, esse tipo de pesquisa vem alcançado avanços significativos em ratos e camundongos e, certamente, poderão salvar várias vidas, inclusive as dos seres humanos.
No tratamento da fibrose cística, foi desenvolvido um modelo animal que reproduz a doença humana. Essa tecnologia permitiu que novos testes fossem realizados no combate a essa terrível doença genética, que acomete principalmente o pulmão de crianças em todo o mundo. Contra essa doença, está sendo realizada também a “terapia gênica”, onde as pesquisas com animais são extremamente relevantes.
Devemos lembrar também dos coqueteis anti-aids, um conjunto de medicamentos que já salvou e ajuda a prolongar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Nessa resposta, revela-se que a experimentação animal, cujos autores dizem prezar pela “responsabilidade, ética e respeito aos animais”, causou sofrimento crônico em animais que foram submetidos ao mais diversos tipos de câncer e à fibrose cística, descrito pelos próprios autores do FAQ como uma “terrível doença genética”.

Se a fibrose cística é terrível como dizem esses cientistas, imaginemos como seria estar na pele dos animais que foram induzidos a nascer com essa doença e passaram toda a sua vida sofrendo com ela. Essa questão 10 mostra como falta o mínimo de senso de alteridade e empatia interespecíficas nas pessoas que exploram animais em suas experiências e defendem a continuidade desse tipo de método de pesquisa. É uma demonstração de que esses indivíduos são incapazes de se pôr imaginariamente na pele dos animais que exploram.

É isso que os idealizadores da campanha de “conscientização” vivisseccionista querem? Que “terríveis doenças” continuem sendo induzidas em animais não-humanos para que seres humanos sejam salvos – e não possam optar por viver sem depender de remédios resultantes desse tipo de violência?

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 3)

Postado em 25/07/2010 à/s 9:00

Gaiolas de camundongos transgênicos, segundo o site de origem (natalneuro.org.br)

Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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7. De onde vêm os animais utilizados em experimentos?
Todos são produzidos
[sic] e criados em biotérios (ambiente de criação de animais destinados exclusivamente para pesquisa). Os pesquisadores podem comprar [sic] os animais, desde que tenham projetos aceitos por Comissões de Ética, criados nesses biotérios licenciados ou criá-los em biotérios próprios.

Se considerar que os interessados pela vivissecção estão praticamente em pé de guerra contra a defesa dos direitos animais, na “batalha” de argumentos eles perdem feio. Nesta questão eles deixam claro que tratam os animais como coisas, como objetos industrializados que podem ser produzidos numa fábrica (biotério), tal como um microscópio ou um computador, e vendidos como mercadorias para o primeiro cientista disposto a explorá-los de forma violenta numa experiência.

Trata-se, nessa atitude, de alhear os animais não-humanos de sua dignidade como seres sencientes,  dotados do interesse de viver bem e livres, nascidos como fins em si mesmos – em vez de como meios para fins de outrem. E transformá-los em objetos passíveis de ser fabricados, comercializados e usados, tal como qualquer produto industrializado cuja existência é condicionada a interesses humanos.

Isso ser feito com pessoas – transformar em produtos industrializados comerciáveis e usáveis por exploração violenta – seria considerado a pior e mais diabólica das agressões aos direitos humanos, mas, como quem é coisificado e explorado são “apenas animais”, isso é livre, é permitido pela lei, é incentivado pelos governos, tal como a campanha de “conscientização” deixa escancarado.

Está visível a violência moral promovida, mesmo sem perceber, por quem deseja a perpetuação da experimentação animal.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 2)

Postado em 24/07/2010 à/s 9:00

Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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4. Quais as alternativas ao uso de animais em pesquisa científica e por que os animais não podem ser inteiramente substituídos por modelos alternativos?
Para os cientistas, ainda não existem hoje métodos que substituam inteiramente o uso de animais nas pesquisas na área biológica. Em algum momento das pesquisas, os testes com animais são necessários. ?Em alguns procedimentos, os pesquisadores podem usar culturas de células e tecidos bem como modelos computacionais. Porém, tais métodos, não substituem totalmente o uso de animais. Há pesquisas na área da fisiologia, comportamento, biomedicina e da nutrição que exigem o organismo vivo para segurança da pesquisa que está sendo realizada.
Os modelos alternativos têm por objetivo reduzir o número de animais utilizados e isso é um grande avanço. São métodos eficientes para serem usados na fase inicial da pesquisa. O teste final, no entanto, tem de ser feito em animais, pois os efeitos de um novo procedimento, medicamento ou vacina podem ser completamente diferentes e até arriscados quando testados em um organismo completo vivo. Mesmo a tecnologia mais sofisticada não pode imitar as interações complexas entre as células, tecidos e órgãos que ocorrem nos seres humanos e animais. Os cientistas precisam entender essas interações antes de introduzir um novo tratamento ou uma substância em animais, sejam eles humanos ou não.
Às vezes, os estudos dos seres vivos mais simples, tais como bactérias, leveduras, vermes e moscas de fruta podem fornecer uma boa visão nos processos biológicos. Estudos com estes seres têm fornecido conhecimentos específicos sobre como alguns genes funcionam, por exemplo. Estas informações podem ser muito úteis, uma vez que muitos genes similares também estão presentes nos seres humanos e em outros mamíferos.
Mas os órgãos de nosso corpo e dos nossos sistemas biológicos interagem de forma sofisticada. Esses processos não podem ser plenamente compreendidos em organismos simples, em moléculas isoladas ou células e, em algum momento deverão ser testados em mamíferos.
É por isso que é importante estudar os processos em animais e isso também incluem os testes em seres humanos.?Devido às muitas e variadas interações entre os órgãos do corpo humano e sistemas, não só doenças, mas também novos medicamentos, vacinas e técnicas cirúrgicas devem ser estudados em animais para garantir sua segurança e eficácia.
Alguns cientistas não consideram, no entanto, a cultura de células de tecido como um método alternativo, mas um possesso de refinamento da pesquisa, evitando que um número desnecessário de animais seja utilizado. Mesmo as pesquisas com células exigem o uso de animais para a produção e extração dessas células.

Bota-se areia em todas as alternativas de pesquisa citadas, ignora-se o fato de que muitas descobertas da medicina – a exemplo da penicilina, da aspirina e de cirurgias diversas – não precisaram de cobaias. Faz-se isso na tentativa de superestimar a dependência da ciência biomédica das pesquisas com cobaias. E em momento nenhum fala-se de qualquer perspectiva de se substituir os animais nas pesquisas no futuro, mesmo daqui a décadas.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 1)

Postado em 23/07/2010 à/s 9:00

A campanha do governo para “conscientizar” a população sobre a alegada importância de se promover a pesquisa com cobaias está aí. Não há apenas os comerciais televisivos, mas também um site (www.eticanapesquisa.org.br) feito exclusivamente para “esclarecer” os fundamentos do uso de animais em pesquisas. Nesse site, há depoimentos, vídeos e um FAQ (frequently asked questions – perguntas frequentes) sobre o tema.

No entanto, o próprio FAQ mostra como são frágeis e incoerentes os argumentos dos vivisseccionistas (cientistas que realizam a vivissecção, a pesquisa com cobaias vivas) perante a verdadeira ética dos direitos animais. É fácil derrubá-los, bastando comentar as respostas dadas às perguntas listadas pelos criadores do site.

Abaixo, e nas próximas partes deste artigo, comento a resposta dada a cada pergunta, desmontando a argumentação usada por quem está interessado em continuar explorando e matando animais em laboratórios.

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1. O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações que beneficiarão o próprio homem [sic]? E como ficam os direitos dos animais?
Deve ficar claro que uso de animais em pesquisas não só beneficia o ser humano, mas também outros animais. Quase todos os grandes avanços na área da saúde durante o século XX utilizaram animais em suas pesquisas.
Sobre o que se convencionou chamar de “direito animal”, entendemos que é obrigação da sociedade assegurar o bem-estar animal através de Leis claras que regulamentem a prática. Sem essa segurança respaldada na Lei, os animais estarão desprotegidos. O Brasil está fazendo sua parte e, desde 2008, tem uma Lei que regulamente a utilização de animais para propósito científico e didático em todo Território Nacional. Aos que infringirem a Lei, punições estão asseguradas.

Em primeiro lugar, a pergunta “O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações...?” não foi respondida. Preferiu-se enrolar o “questionador” recorrendo aos alegados benefícios científicos rendidos pela vivissecção ao ser humano e, através da medicina veterinária, aos animais domésticos. Hoje ainda é preferido, mesmo recorrendo-se à hipocrisia, omitir a multicentenária visão antropocêntrica e utilitarista dada pela comunidade científica à vida animal – de que a humanidade é moralmente a espécie superior e, por isso, pode determinar que certos animais não-humanos nasçam para servir perpetuamente aos interesses humanos e não tenham valor algum fora essa utilidade servil.

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Qual o verdadeiro interesse da ciência vivisseccionista? Salvar vidas humanas ou alimentar um mercado?

Postado em 09/07/2010 à/s 21:51

Essa pergunta é respondida pela bióloga Sônia Felipe, em um artigo que recomendo para todo mundo que tenha assistido ao comercial da famigerada campanha do governo federal e de organizações cientificas em prol da exploração de animais em pesquisas biomédicas.

Divulgar o artigo abaixo fará a diferença na investida d@s defensoræs dos direitos animais para reparar os danos da desinformação propagada pela campanha.

Vivissecção: um negócio indispensável aos "interesses" da ciência"?
por Sônia T. Felipe, publicado em 2007 no site Pensata Animal

Cientistas e pesquisadores que investigam as doenças que afligem humanos são treinados em centros de pesquisa na prática criminosa da vivissecção, proibida pela Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, quando há métodos substitutivos. Em muitos casos, a vivissecção é o único método no qual a inteligência científica recebe treinamento. Nos últimos quarenta anos, a pesquisa biomédica centrou esforços em experimentos com "modelos" obtidos às custas do sofrimento e morte de animais não-humanos, usados para espelhar as doenças produzidas num ambiente físico e mental humano. Entre essas estão o câncer, os acidentes vasculares, a hipertensão, a hipercolesterolemia, o diabetes, a esclerose múltipla, as degenerações neurológicas conhecidas por mal de Parkinson e mal de Alzheimer, a "depressão" e outras formas de sofrimento psíquico. Ratos, camundongos, cães, símios, cavalos, porcos e aves são comercializados no mercado vivisseccionista.

Só para dar um exemplo: calcula-se que sejam 2,6 milhões de humanos sofrendo de esclerose múltipla ao redor do planeta. Os medicamentos obtidos a partir da vivissecção de roedores fracassaram. Cientistas reconheceram que a causa da doença é "ambiental", contribuindo para ela diferentes genes, não apenas um. Os medicamentos disponíveis hoje, de origem microbiana, não resultaram da vivissecção, e sim da codificação da estrutura físico-química deles (Greek & Greek, Specious Science).

Não sendo aquelas doenças de origem genética nem hereditária, qual seria o propósito científico em se insistir na arquitetura do modelo animal para buscar a cura delas?

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Veganos, esses chatos…

Postado em 30/06/2010 à/s 20:47

Muitas pessoas que não simpatizam com o veganismo e o acham uma “afronta à natureza” dizem que nós veganos somos chatos e pentelhos. Segundo elas, protestar contra a exploração animal é uma chatice comparável a uma onda de spam.

Não é necessário pregar o veg(etari)anismo como um religioso fundamentalista prega suas crenças como verdades absolutas – atitude que é injustamente generalizada pelo senso comum de muitos onívoros e enfaticamente condenada pelos veganos mais sensatos. Basta apenas que defendamos os animais, condenando em público as crueldades de quem, por exemplo, tortura e mata animais para comê-los. Só por isso somos chatos de galocha.

Em um vídeo brasileiro em que uma atriz, com uma naturalidade sádica, contava como torturou animais até a morte para comê-los em sua experiência como escoteira, um onívoro, diante de dezenas de protestos e repúdios contra a atitude da atriz, do entrevistador e do público que, de forma também sádica, gargalhava e aplaudia o depoimento, comentou: “hahahhaha esses vegans? são tão ou mais chatos que os crentes!”

A esse comentário, eu faço questão de responder: sim, somos chatos.

Somos tão chatos quanto os militantes negros antirracismo dos Estados Unidos das décadas de 1950 e 60. Aqueles indivíduos eram tão chatos que não deixavam os brancos de sua época humilharem os compatriotas afrodescendentes em paz! Que coisa insuportável deve ser uma pessoa ter questionado seu direito de agredir e segregar o próximo, não poder esculachar um indivíduo na rua por ser de cor diferente sem que venham sujeitos indignados lhe cobrando ética, respeito e vergonha na cara. Que chatos!

Somos tão chatos quanto Mahatma Gandhi e seus seguidores. Os ingleses não podiam mais impor sua dominação na Índia, arrogar soberania sobre um mosaico cultural milenar, torturar e matar nativos insubordinados, com sossego. Devia ser muita chatice os militares britânicos serem impedidos de continuar mantendo seu monopólio econômico, seu domínio firmado na base da violência neocolonialista, por causa daqueles pacifistas tolos que não tinham o que fazer e ficavam com suas pregações inúteis de resistência pacífica e desobediência civil. Não-violência? Pacifismo? Independência? Soberania? Que bando de insuportáveis! Pareciam os crentes pregadores de hoje de tão inconvenientes!

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Quando a exploração animal se casa com o crime ambiental

Postado em 26/06/2010 à/s 9:20

Contrabando ameaça os peixes da Amazônia

A Polícia Federal (PF) está se deparando com um novo tipo de crime na Amazônia. Além da biopirataria e do narcotráfico - principais delitos nas fronteiras - a PF vem combatendo o contrabando de peixes brasileiros para a Colômbia e o Peru. O destino final são os Estados Unidos e a Europa, onde chegam como se não fossem de origem brasileira. Além dos peixes comuns, são retirados dos rios amazônicos espécimes considerados ornamentais, como o aruanã, cujo exemplar chega a ser comercializado por R$ 14 no mercado asiático.

As autoridades brasileiras não sabem estimar a quantidade de peixe que deixa o território nacional e segue para o exterior de forma ilegal. Mas as investigações da Polícia Federal indicam que os contrabandistas têm um alvo preferencial. "São as espécies sem escamas, como o surubim e a pirarara, entre outros. Os chamados peixes lisos", afirma o superintendente da PF no Amazonas, delegado Sérgio Fontes. Além disso, os agentes descobriram que os grupos atuam entre o Médio e o Alto Solimões, mais precisamente nas regiões de Tefé e Tabatinga, na fronteira com Letícia, na Colômbia, para onde os peixes são enviados - e de onde são exportados como produto colombiano.

Só em abril deste ano, a polícia impediu, durante a Operação Macaco D'Água, o comércio ilegal de quase cinco mil alevinos de aruanã. Os métodos de captura utilizados pelos criminosos são altamente predatórios. Como os filhotes se protegem na boca do peixe adulto macho, os contrabandistas tentam forçar a expulsão deles jogando explosivos na água, o que provoca a mortandade de diversas outras espécies naquele trecho do rio. Na ação da PF, que teve a presença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foram presas 13 pessoas, inclusive mulheres. [Não que eu defenda que mulheres têm o mesmo "direito" de cometer crimes que os homens, mas por que o jornal tem que dar uma ressalva quando há mulheres envolvidas no crime?]

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Três tambores: exploração animal por trás da mansidão e da fraternidade

Postado em 19/06/2010 à/s 0:42

Cavaleira de três tambores usando açoite. Os cavaleiros juram que o uso desse instrumento não é generalizado e que os animais não são maltratados como nos rodeios e vaquejadas. O artigo abaixo não enfoca mais os maus tratos, mas sim o sistema de exploração animal existente por trás desse "esporte" em que se afirmam a relação fraterna entre cavaleiros e cavalos e a ausência da violência física como regra.

Um artigo meu escrito recentemente, chamado “A crueldade dos "três tambores" do rodeio” (post removido por precaução e reconhecida carência  de embasamento), causou revolta entre os praticantes do dito “esporte”. Os comentários do Arauto da Consciência e, ainda em menor quantidade, da ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais foram bombardeados por competidores e competidoras revoltados por eu ter acusado sua modalidade de cruel e generalizado os maus tratos que ocorrem no manejo de instrumentos como espora e açoites. Assim sendo, resolvi escrever um novo texto para elucidar melhor por que o três tambores tem a mesma oposição minha e dos defensores do abolicionismo animal que rodeios e vaquejadas.

Me disseram que os três tambores proporcionam uma comunhão afetiva entre cavaleiro e cavalo, sendo o primeiro não senhor do último, mas quase um “irmão”. Me falaram também de engajamentos filantrópicos com os lucros do “esporte” e da venda (sic) dos animais, da presença de conselhos de ética, veterinários e outras entidades que assegurariam um tratamento “digno” aos bichos. Fui acusado de escrever sem conhecer a realidade, de emitir um opinião leiga e, logo, irresponsável.

Reconheço que alguns comentários eu realmente tive alguma dificuldade de responder, e percebi que o motivo maior foi ter chegado ao limite da crítica relacionada a bem-estar animal – muito embora o artigo tenha falado, em um parágrafo, do caráter de exploração animal da competição. Foi falho ter exposto mais a crítica pró-bem-estar, facilmente questionável por quem pratica o dito “esporte”, do que a abolicionista, e isso induziu a uma equiparação indevida da modalidade ao rodeio e à vaquejada, pseudoesportes que por sua vez consistem na crueldade quase explícita.

O três tambores, por ser muito mais próximo do hipismo do que do rodeio, conforme ficou expresso nos diversos comentários e também é visível nos mais diversos vídeos, é de fato um “esporte” com animais no qual a exploração animal é bem menos óbvia do que a tão largamente criticada montaria de touros, por ter muito menos demonstrações explícitas de maus tratos por violência física. Nele não há peões ou vaqueiros sedentos de vencer o “adversário” animal, mas cavaleiros que afirmam competir em irmandade com os cavalos.

Mas isso não quer dizer que eu vim me retratar por completo do artigo passado e dizer que passei a ver o três tambores com bons olhos. Mas sim esclarecer melhor por que, mesmo com esse panorama alegado de bem-estar e fraternidade cavaleiro-cavalo, continuo mostrando que esse tipo de competição não se inclui no que o abolicionismo animal pode considerar ético e aceitável e reivindicando mais ação de entidades de direitos animais contra o uso de bichos para entretenimento seja lá de qual tipo for.

Não é obvio como no rodeio, mas há um sistema de exploração animal desde a arena de corrida até a procriação dos cavalos.

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Notícias que não deveriam ser divulgadas (Parte 2)

Postado em 12/06/2010 à/s 0:34

Saiba o que Um Ovo Por Dia Faz Pela sua Saude (fonte: blog Lulucha)

Coma um ovo por dia para ganhar músculos e perder gordura.

Ele contém albumina; que aumenta a massa magra; e leucina que ajuda a manter.

Quando pensa no consumo de proteínas, pouca gente se lembra dele, mas o ovo é uma alternativa bastante saudável para repor os aminoácidos essenciais ao funcionamento do organismo. As proteínas são de extrema importância para o nosso organismo por sua função construtora e reparadora, além de participarem da formação de hormônios, enzimas e anticorpos.

A variedade de opções no preparo (cozido, mexido ou em omeletes) conta a favor de inclusão do ovo na dieta...

Tem certeza que comer ovos faz bem?

Para os animais não faz nada bem. Vejam por quê, em um vídeo de denúncia, brasileiríssimo, do meu colega irmão de consciência Guiminha.

É por isso que a notícia no topo deste post é mais uma que não deveria ser publicada nem divulgada, por fazer uma apologia ao consumo irresponsável e à consequente perpetuação de um terrível regime de exploração animal, que ninguém desejaria ver replicado num regime semelhante de exploração humana.

Relembro que não divulgo o link da fonte dessas notícias impublicáveis, mas apenas o nome do site ou blog que o publicou, pois não quero ajudar a passar as más mensagens.

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Tutores sem noção pintam seus cães para a Copa

Postado em 09/06/2010 à/s 20:19

Muitas pessoas estão tão fissuradas com a Copa do Mundo que vem vindo que passaram a interferir na natureza de quem não tem absolutamente nada a ver com as emoções futebolísticas humanas: os animais domésticos.

Chegam ao ponto de gastar entre 40 e 60 reais para pintar o pelo de um cão, ser que nada tem a ver com a torcida brasileira -- pelo contrário, muitos cães sofrerão bastante com os fogos de artifício e as gritarias da família torcedora dentro de casa a cada gol. Uma atitude que retrata como os cães muitas vezes são vistos não como animais dotados de instinto e vida própria, mas como brinquedos robóticos, que podem ser pintados e decorados ao bel prazer d@s tutoræs. Um ato especista que se torna mais evidente quando nos perguntamos: será que essas pessoas pintariam também a pele de seus/suas filh@s pequen@s, para deixá-l@s "pront@s para a Copa"?

A atitude de mandar pintarem os pelos de seus cães é absurda não só por inserir involuntariamente na "torcida" quem nada tem que ver com futebol e por transformá-los em ornamentos vivos, mas também pelo efeito orgânico adverso: a tinta libera um aroma que, ao entrar em contato com a pele, confunde temporariamente o faro dos cães, o que gera crise de identidade nos animais, que podem estranhar outros cães da casa: um cão sem a tinta poderá estranhar pelo fato outro cão que foi pintado, além de que o faro do cão pintado ficará temporariamente perturbado.

Notícia baseada em reportagem da Folha.com

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Ministério Público Federal lança campanha contra carne de desmatamento, e Band toma as dores dos ruralistas

Postado em 09/06/2010 à/s 0:44

Acabei de ver um vídeo que consegue ao mesmo tempo ser lamentável e fazer @s vegetarian@s pelos animais babarem.

Com o título que a Band botou no vídeo (não só a propaganda do MPF, mas ela mais o editorial) é "MPF lança campanha que criminaliza a pecuária brasileira", não há aquelæ defensor/a dos direitos animais que não babe antes de saber do que o vídeo se trata. A ingênua impressão inicial que se passa é que o MPF finalmente aderiu à luta abolicionista para criminalizar a exploração animal pela pecuária. Mas, é claro, não é isso. É apenas uma campanha pelo consumo de carne bovina não vinda de desmatamentos ilegais. Absolutamente nada a ver com direitos animais ou com uma suposta repressão à pecuária bovina dita "sustentável".

Vejam o vídeo veiculado pela Band:

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Notícias que não deveriam ser divulgadas

Postado em 08/06/2010 à/s 20:14

Gordura do leite integral de vaca protege o coração contra infarto (fonte: Folha.com*)

Um tipo de gordura presente no leite de vacas alimentadas com pasto pode diminuir o risco de infartos, segundo pesquisa publicada no "American Journal of Clinical Nutrition".

A versão integral do leite contém uma gordura insaturada chamada ácido linoléico conjugado (CLA, na sigla em inglês) que, além de proteger o coração, ajuda a emagrecer.

Quando temos o real conhecimento do regime exploratório que é a pecuária leiteira e de todas as objeções éticas ao ato dispensável de se usar animais como "fontes" de alimentos, passamos a entender por que esse tipo de notícia não deveria ser divulgado.

Se você ainda não vê tanto mal assim em a pecuária usar vacas, cabras, ovelhas etc. como fontes de leite, pense direitinho: você tomaria leite humano que não fosse de sua própria mãe?

Imagine um sistema agroindustrial que forçasse mulheres a engravidar de 1 em 1 ano (vacas são inseminadas a cada 2 anos em criações mais tradicionais, mas alguns pecuaristas diminuem esse intervalo para 18 meses e desejariam diminuir para apenas 1 ano), tendo seus/suas filh@s bebês roubad@s de si -- ou em casos mais "humanitários", sendo obrigadas a dividir seu leite entre @ bebê e a ordenha, ainda assim perdendo-@s para a indústria da carne depois de algum tempo --, tendo que fornecer leite várias horas por dia.

Imagine também que diversos sistemas desse tipo, partindo para a pecuária intensiva ou semiextensiva, aprisionam essas mulheres em celas, roubam-lhes @s filh@s pequenininh@s e lhes inserem tubos de ordenha mecânica nos seios com os quais terão que viver todo o tempo, tendo essas desafortunadas mulheres que viver prisioneiras, com suas vidas fundamentalmente atreladas ao interesse da indústria -- só vivendo porque a pecuária assim quis, que elas nascessem e vivessem para lhe servir --, até a morte, que viria ainda em idade jovial, quando a agroindústria perdesse o interesse em mantê-las vivas por sua capacidade mamária e uterina ter-se exaurido e as encaminhasse para o abate.

Você tomaria leite humano, vindo dessas condições, por mais maravilhoso para a saúde que fosse segundo os anúncios da mídia?

Se responder que não, estará começando a entender por que digo que a notícia acima não deveria ter sido divulgada.

E o último parágrafo da notícia diz isso:

"Leite integral e laticínios em geral ficaram com uma reputação muito ruim nos últimos anos, por causa da gordura saturada e do colesterol, e agora descobrimos que o CLA pode ser ótimo para a saúde", disse Michelle MacGuire, da American Society for Nutrition, que publicou o estudo. "O leite integral não é o vilão."

Essa reputação ruim não é só em relação à saúde, mas também em relação a toda a exploração animal que descrevi acima (adaptada para uma imaginada pecuária leiteira humana). Infelizmente o leite ainda não vem sendo tão repudiado e abandonado como a carne, visto que a maioria da própria população vegetariana é lacto ou ovolactovegetariana, mas felizmente está crescendo bastante a população que abre os olhos também para as questões éticas do leite e se torna vegetariana completa e vegana.

O leite pode não ser tanto assim um vilão da saúde -- muito embora venham sendo omitidas pela mídia questões de resposta pendente como a suscetibilidade de quem consome leite a problemas como alergias, acúmulo de catarro e constipação intestinal crônica --, mas é, com riqueza de provas, um vilão da ética, uma poderosa causa que estimula a exploração animal -- inclusive muitas pessoas dizem que a exploração leiteira é ainda mais cruel que a exploração pecuária pela carne.

*Justamente por essa sequência de posts ser de notícias que não deveriam ser divulgadas, não vou publicar o link de origem nem a íntegra delas. Caso queira lê-las na íntegra, procure no Google Notícias ou no site cujo nome eu disser como fonte.

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Para Folha, falta de animais para torturar é um dos problemas da medicina fitoterápica brasileira

Postado em 07/06/2010 à/s 20:53

Na notícia abaixo (mostro apenas o trecho inicial), a Folha.com (antiga Folha Online) mostra uma real decepção para a medicina brasileira: não se vem conseguindo alçar o Brasil no hall dos países que aproveitam sua riqueza florística pelo bem da saúde da população:

País deixa de gerar US$ 5 bi por ano com fitoterápicos

O Brasil deixa de gerar cerca de US$ 5 bilhões ao ano por não conseguir transformar sua flora em remédios.

Essa é a diferença entre o valor movimentado pelo tímido mercado brasileiro de fitoterápicos e por mercados como o francês, o japonês e o alemão - países com uma biodiversidade muito menor que a brasileira, mas que tiveram sucesso na transformação de moléculas de plantas em medicamentos.

Até hoje, só um fitoterápico baseado na flora brasileira foi desenvolvido em território nacional. Trata-se do anti-inflamatório Acheflan, concorrente do Cataflam.

A notícia ia muito bem, denunciando como o Brasil vem sendo uma decepção em medicina fitoterápica, até que chegou no 11º parágrafo:

Há problemas anteriores à falta de interesse dos investidores, porém. O país sofre com a falta de biotérios que possam oferecer camundongos de qualidade para testes de medicamentos.

Fala-se disso na mais fria indiferença. Para a Folha, camundongos são apenas instrumentos de trabalho científico, apenas coisas, pequenas máquinas de teste. Não são seres sencientes, mas apenas instrumentos cuja dor -- que @s Frankensteins vivisseccionistas sabem que existe -- nada mais é que uma variável abstrata que nada tem a ver com violência e sofrimento. Tal como instrumentos inanimados quaisquer, têm "qualidade" e podem ser "oferecidos".

Traduzindo para a linguagem dos direitos animais: a medicina brasileira sofre com a falta de campos de concentração que possam oferecer animais prisioneiros em condição perfeita para serem envenenados e torturados em testes de medicamentos.

É nessas horas que vemos como faz tanta falta para os animais não-humanos a voz, a capacidade de verbalização, e como é triste que bichos como camundongos não tenham capacidade qualquer de defesa contra esse tipo de atitude especista e violenta. E, por especista e violenta, me refito tanto à vivissecção em si como à vergonhosa verbalização da Folha.com, que do jeito que trata os camundongos, seres coisificados e tornados inanimados, estes ficam parecendo coisas sem sentimentos, sem capacidade de sofrer, autômatos fabricados.

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Segundo os jornalistas, a morte de búfalos não é tão importante quanto a humana

Postado em 31/05/2010 à/s 0:46

Choque entre carros e manada de búfalos deixa 1 morto no RS

Uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas na madrugada deste domingo, após um acidente entre três carros e uma manada de búfalos no quilômetro 415 da BR-386, no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal 12 búfalos escaparam de uma fazenda que fica às margens da estrada e invadiram a pista. Três carros que passavam pelo local se chocaram contra sete animais.

O veículo mais danificado foi um Gol, com placa de Montenegro, que bateu em quatro búfalos. O passageiro Alexandro Ferreira Pacheco, de 33 anos, morreu na hora.

Já o motorista, Antônio Pedro Ferreira Cavalheiro, de 47, sofreu ferimentos graves e foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro do município. As outras vítimas tiveram lesões leves. Os sete búfalos morreram.

Não foi como da outra vez em que se culpou o lado animal pelo acidente, mas a morte dos búfalos foi minimizada, tanto no título -- só contou a morte humana, não a morte dos outros animais -- como na própria notícia -- a morte dos búfalos só foi falada no finalzinho.

O jornalismo brasileiro precisa aprender a respeitar mais a vida animal não-humana, perceber que sua morte em condições não-naturais não é menos lamentável que a morte humana em tragédias.

E atentemos para o detalhe que os búfalos estavam fugindo da fazenda. Estariam em busca de liberdade? Estariam fugindo de uma vida de maus tratos na fazenda?

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