Arauto da Consciência
25fev/102

Uma tragédia que só aconteceu graças à exploração animal

Treinadora morre ao ser atacada por baleia orca

A treinadora Dawn Brancheau, 40 anos, morreu ao ser atacada por uma baleia orca, nesta quarta-feira (24), no SeaWorld de Orlando (EUA). Até o momento, especula-se que ela teria caído no tanque em que fica o animal, onde sofreu o ataque.

Segundo informações de emissoras de TVs americanas, o incidente teria acontecido em frente ao público. Segundo um comunicado da SeaWorld, uma investigação pretende esclarecer a possível causa do ocorrido.

Essa tragédia só aconteceu porque a orca estava ali sendo explorada a fim de entreter as pessoas. Tentam domar os animais para que se tornem "divertidos", muitas vezes sob tortura, mas nunca conseguirão anular os seus instintos.

Sinto muito pela morte da "treinadora", mas a realidade é que a tragédia da exploração animal inevitavelmente resulta em mais tragédias, com consequências destruidoras também para a vida humana.

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9fev/100

Os verdadeiros Strogg somos nós

Imagem muito boa preparada por Fabio Chaves do Vista-se. Valeu, Fabio!

Artigo escrito em novembro de 2008

AVISO: Este artigo pode conter spoilers sobre Quake 2 e 4. Se você não quer saber o que vai enfrentar caso queira jogá-los, leia este artigo só depois que chegar em determinadas partes da ação.

(Strogg: raça de semi-cyborgs alienígenas inimigos dos humanos, nos jogos Quake 2 e Quake 4. Habitam o planeta Stroggos e seus processos de manipulação de prisioneiros terráqueos são de extrema crueldade, incluindo processamento de corpos esquartejados e conversão em cyborgs orgânicos com amputação de pernas e injeção de controles cerebrais. Só conhecendo esses jogos mesmo para ter noção de tudo de que eles são capazes.)

Convido todo aquele que sabe quem são os Strogg (acima um pequeno explicativo) a pensar em como nós nos equiparamos a eles quando o assunto é nossa relação com o restante do Reino Animal. Se ligarmos os pontos corretamente, perceberemos que somos tão cruéis como esses extraterrestres que controlam, mutilam, torturam ou esquartejam seus prisioneiros. Porque, afinal, também controlamos suas vidas, os mutilamos, promovemos tortura e esquartejamos seus corpos depois de tudo. Só não instalamos ainda membros cibernéticos nem bebemos corpos moídos em liquidificador. Por enquanto.

Nosso sistema equivalente ao planeta Stroggos é composto de centros de pesquisa científica mais as fazendas, granjas e matadouros onde condenamos de milhões a bilhões de animais a vidas miseráveis e breves. Abaixo eu faço uma comparação que, em última análise, dá a idéia de que a idealização da raça Strogg e seus feitos diabólicos pode ter sido inspirada no lado brutal e antiético da própria humanidade.

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25jan/101

Tráfico de animais silvestres: a cultura da propriedade animal só podia dar nisso mesmo (Parte 6)

210 aves são apreendidas pelo Cipoma em comércio ilegal no Cordeiro

210 aves, onze delas ameaçadas de extinção, chegaram neste domingo (24), ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Ibama. A apreensão foi fruto de uma ação do Cipoma na Feira de Cordeiro, na Zona Oeste do Recife.

Segundo os analistas ambientais, os animais foram vítimas de maus-tratos. Eles estavam aprisionados em gaiolas pequenas e sem água. A comida estava infectada com fezes dos bichos. Por conta disso, oito aves morreram até a manhã deste domingo.

Policiais do Cipoma ainda não confirmaram a detenção dos envolvidos. Se presos, poderiam pegar até um ano de prisão, além de multas de R$ 500 a R$ 5.000 por animal.

Como afirmei com insistência no Consciência Efervescente, o Ibama só está enxugando gelo. De nada adianta reprimir o mercado de vidas silvestres se nossa cultura os deseja como posses valiosas, como objetos ornamentais preciosos.

Esse tráfico criminoso só vai começar a perder força com uma campanha permanente de educação zooética e ambiental que desencoraje a atitude de comercializar e aprisionar animais de qualquer espécie e com uma reforma jurídica que retire dos animais domésticos* o atributo legal de propriedade privada e lhes dê o atributo de seres tuteláveis, protegidos de mercantilização e dotados do direito à liberdade tutelada.

*Começaria pelos domésticos e infelizmente nem tão cedo alcançaria os domesticados/rurais, porque, se estes últimos fossem beneficiados, a pecuária iria se tornar inviável, e isso os interesses de quem exalta o lucro acima da vida não vai permitir a curto e médio prazo. Para os animais rurais poderem vislumbrar direitos, a militância brasileira pelos direitos animais terá que crescer muito ainda.

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10jan/101

Resenha do documentário Meat the Truth/Uma Verdade Mais Que Inconveniente

O vídeo Meat the Truth – traduzido no Brasil como “Uma verdade mais que inconveniente” –, um misto de documentário e apresentação stand-up, apresentado pela bonita deputada e ativista holandesa Marianne Thieme, foi bem-sucedido ao preencher a enorme lacuna que Al Gore deixou no seu Uma Verdade Inconveniente: a participação mais que relevante da pecuária nas mudanças climáticas que estão castigando o mundo. Vale apontar onde o vídeo acertou e onde errou – erros que, embora poucos, deram séria imperfeição ao vídeo.

Para dar comprovação aos dados mostrados, Marianne citou o estudo da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – que mostravam a pecuária como maior vilã do clima global. Com o devido embasamento, muitos pontos muito interessantes foram abordados com competência, tais como: Como é esse impacto tão grande da pecuária sobre o clima? Tornar-se vegetariano/a, ou deixar de comer carne um ou mais dias por semana, faz alguma diferença? Por que Al Gore convenientemente omitiu a pecuária na sua “verdade inconveniente”? Por que os governos são coniventes com o impacto ambiental dessa atividade?

Os principais pontos que a deputada holandesa mostrou em relação ao impacto ambiental pecuário foram a produção de metano, um gás-estufa muito mais poderoso que o gás carbônico, e o desmatamento de florestas como a Amazônia.

Como todo bom documentário apresentador da alternativa vegetariana de alimentação, mostrou diversos fatores relativos à crueldade nas fazendas-fábrica, principalmente a debicagem de aves e o confinamento intensivo dos animais. Fez também o favor de reexibir o The Meatrix, aquela paródia de Matrix em que os personagens são bichos de espécies exploradas pela indústria de alimentos de origem animal.

Também deu a oportunidade de participação ao PETA e à Humane Society, além de mostrar a história do “Mad Cowboy”, um ex-pecuarista que, depois de décadas na indústria da exploração animal, aprendeu a respeitar os animais e tornou-se vegetariano completo e militante pelos Direitos Animais.

Num dado momento, Marianne imitou propositalmente Al Gore e subiu numa plataforma para mostrar um gráfico que mostrava quanto a indústria da carne ameaça crescer nos próximos 40 anos se o consumo continuar aumentando como hoje.

O vídeo fez muito bem seu papel de completar o que Al Gore havia deixado pendente, mas cometeu falhas significativas:
- Enfocou menos que devia as questões de saúde. Mostrou pouco os males da carne vermelha ao organismo humano e deixou totalmente de mostrar por que o vegetarianismo é sustentável e confiável como alternativa alimentar ao onivorismo, o que deixa quem lhe assistiu com um sentimento de estar entre a cruz da carne e a espada de uma alimentação cuja confiabilidade não foi atestada no documentário;
- O vídeo de Johan Renck, que mostra o ânus de uma vaca expelindo fezes, certamente “convidou” e “convidará” muitas pessoas a fecharem o vídeo e acharem que estavam diante de “mais um filme vegetariano sem noção que não deveria ser levado a sério”. O aspecto nojento desse trecho afasta muitos/as espectadores/as e prejudica a transmissão da mensagem de conscientização vegetariana;
- Pouco mostrou dos efeitos das carnes brancas – de aves e peixes – no meio ambiente. O esvaziamento da fauna oceânica, que possui efeitos ainda pouco conhecidos no clima global, também é uma verdade extremamente inconveniente, mas o filme, num notável vacilo, omitiu. Deixou-se de evitar que a população que assistisse ao vídeo migrasse seus hábitos de consumo para o peixe, algo que também tem severíssimo impacto na natureza.

Faltas do vídeo à parte, a bela deputada fez bonito no esforço da conscientização. Meat the Truth é mais um documentário digno de ser exibido e distribuído para o máximo possível de pessoas, juntando-se aos brasileiros A Carne É Fraca e Não Matarás e ao tão falado Earthlings (Terráqueos). Para uma melhor eficácia na propagação da verdade inconveniente do impacto ambiental pecuário, será muito bom se alguma equipe tomar a iniciativa de dublar o documentário. Será um favor imprescindível para muita gente.

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