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	<title>Arauto da Consciência &#187; Aprisionamento de Animais</title>
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	<description>Divulgando uma nova visão de mundo, em prol de um novo mundo</description>
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		<title>&#8220;Fazendinhas&#8221; de shopping: o que estão ensinando aos nossos pequenos?</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 09:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-5727 aligncenter" title="toneis de leite" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/toneis-de-leite-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></p>
<p style="text-align: justify;">Alguns shoppings brasileiros, diante da realidade ultraurbana das crianças das grandes cidades, muitas das quais crescem acreditando que carne, leite e ovos são fabricados do nada no supermercado, tomaram a iniciativa de montar “fazendinhas” em parte de seu interior, no intuito de diverti-las, “ensiná-las” de onde vem os produtos de origem animal da mesa onívora brasileira e pô-las em contato com o mundo rural – ainda que de forma bem limitada.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesses pedaços de ruralidade incrustados nas urbes, estão expostos os mais diversos animais das fazendas de verdade: bovinos, porcos, coelhos, galinhas, perus, cavalos (ou pôneis)... Pode-se andar de charrete, montar equinos, participar de pescaria, e até levar animais típicos do campo para casa. Parece muito bom e saudável mostrar à meninada acostumada com a selva de concreto um pouco da vida da fazenda...</p>
<p style="text-align: justify;">Eu disse “parece”. Porque, na ótica da ética animal, não o é nem um pouco. Em vez de apreciação, reservo a essas “fazendinhas” de shopping uma indagação preocupada: o que estão ensinando aos nossos pequenos?</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que estão lhes naturalizando o que há de pior na relação entre seres humanos e bichos: o regime de escravidão que norteia a pecuária, as fazendas de criação de animais, a mercantilização da vida. Aprende-se, com ou sem “educadores” presentes, que os animais rurais existem para nos servir, seja como comida, seja como meio de transporte, seja como bichinhos de estimação – mesmo sendo criados em pequenas gaiolas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas instalações temporárias são na verdade um complexo de exploração animal, em três sentidos: propriamente exploram os animais, trazidos de fazendas de verdade para os shoppings, obrigados a cavalgar com crianças no lombo ou na charrete e expostos a todo o barulho estressante do local; engaiolam e comercializam diversos deles e, o mais preocupante, promovem a antipedagogia ética, pautada no utilitarismo servil, induzindo as crianças a crerem que cada espécie daqueles bichos de fato “servem”, vivos ou mortos, para determinados fins – e que isso é natural, é normal, é assim que a vida funciona e deve funcionar.</p>
<p style="text-align: justify;">Visitei recentemente uma dessas “fazendinhas”, em um shopping movimentado de uma cidade metropolitana nordestina que não revelo aqui – pode ter sido em Natal, em Salvador, em Fortaleza, em Campina Grande, em qualquer uma grande cidade do Nordeste, ou até no Recife mesmo. Abaixo descrevo minha experiência nesse tipo de lugar. Nota importante: fui justamente para observar tudo e poder descrever aqui a realidade vislumbrada, não foi por outro motivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5714"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dentro da "fazendinha”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fui com um colega nativo da cidade para esse shopping, cujo nome não revelo por motivos óbvios. Paguei a entrada de R$3 para poder ter acesso à minicidade rural, montada e decorada ao estilo de cidade pequena de interior, numa área reservada do estacionamento. Tristemente terminei financiando esse sistema, mas, como foi isso que possibilitou a existência deste artigo, fico com a consciência tranquila. Fui lá para investigar e descrever o cenário, não para alienar uma criança em minha companhia ou muito menos para me divertir.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira “atração” que vi lá foi uma piscina, parecida com aquelas de mil litros, com dezenas de peixes pequeninos e um aglomerado de crianças tentando pescá-los com varas com redes na ponta. Presume-se que quem pescasse os bichinhos podia levá-los para casa. Uma “muvuca” de garotos assustava os animais presos na pequena piscina, tanto por sua presença barulhenta como pela agitação provocada na água pelas varas.</p>
<p style="text-align: justify;">E quem conseguisse capturar seu peixe, ou levava num saco plástico transparente ou podia comprar um aquário. Logo defronte à piscina da pescaria, diversos aquários estavam à venda. Alguns tinham tamanho ridiculamente pequeno – pouco mais de 1000 centímetros cúbicos (10 centímetros de aresta) –, enquanto outros eram um pouco maiores, mas ainda minúsculos. É naqueles paralelepípedos pequeninos que os peixes capturados ou comprados pelas crianças passarão o resto de suas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">E, ao lado dos aquários vazios, estavam à venda diversos peixes, ditos ornamentais, de diversas aparências, algumas consideradas curiosas. Vidas à venda, que podiam ser trocadas por dinheiro, para servirem como objetos de decoração dos apartamentos daquela criançada urbana. Presos nas pequenas gaiolas de vidro que serviam de vitrine, passariam a viver toda a sua vida nos já citados aquários minúsculos. Em situação pior do que criminosos que vivem em prisão perpétua em celas de poucos metros quadrados, mas que ainda podem sair temporariamente delas para as refeições e banhos de sol, os peixes viverão até a morte circulando por poucos centímetros cúbicos de água, privados de liberdade.</p>
<div id="attachment_5716" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquarios-minusculos.jpg"><img class="size-medium wp-image-5716" title="aquarios minusculos" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquarios-minusculos-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Aquários minúsculos à venda. Peixes serão aprisionados neles e aí viverão até morrer.</p></div>
<div id="attachment_5717" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquario-minusculo-com-peixe-dentro.jpg"><img class="size-medium wp-image-5717" title="aquario minusculo com peixe dentro" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquario-minusculo-com-peixe-dentro-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Uma vida inteira de prisão em poucos centímetros cúbicos de água está reservada a esse peixinho.</p></div>
<div id="attachment_5715" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquarios-de-peixes-a-venda1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5715" title="aquarios de peixes a venda" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquarios-de-peixes-a-venda1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">As crianças terminam naturalizando a crença de que peixes ornamentais podem ser trocados por dinheiro e que o lugar deles é no aquário, não na Natureza.</p></div>
<div id="attachment_5718" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquario.jpg"><img class="size-medium wp-image-5718" title="aquario" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquario-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Esses peixes estão à venda, e seu destino é serem presos em outros aquários.</p></div>
<div id="attachment_5719" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/pescaria-na-piscina.jpg"><img class="size-medium wp-image-5719" title="pescaria na piscina" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/pescaria-na-piscina-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">A pescaria torna a vida dos peixinhos presos na piscina um inferno. Aqueles que forem pescados, presumo, serão condenados a uma vida inteira de prisão num aquário.</p></div>
<div id="attachment_5720" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/peixe-levado-pra-casa.jpg"><img class="size-medium wp-image-5720" title="peixe levado pra casa" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/peixe-levado-pra-casa-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Os peixes levados para casa serão aprisionados em aquários, muitos deles ridiculamente pequenos. E servirão de objetos de decoração.</p></div>
<p style="text-align: justify;">A parada seguinte foram as cercas dos animais rurais cujas carne e leite, até então, como dito no começo deste texto, muitas crianças acreditavam ser fabricadas nos supermercados. Novilhos bovinos, bodes e cabras, porquinhos e aves. Muito embora não demonstrassem vividamente desconforto com o ambiente muito barulhento da “fazendinha”, é notável que aquele não era o ambiente onde desejariam estar – um lugar sem céu, limitado por uma cerca pequenina que provê pouquíssima liberdade de movimento e rodeado de seres humanos barulhentos e muito potencialmente perturbadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Os animais estavam em exposição. Tal como objetos – artefatos num museu ou carros num showroom. Seres humanos têm uma queda por conhecer o exótico e o distante, e isso inclui uma vontade forte de capturar animais em seu habitat e expô-los aprisionados, em zoológicos e nas “fazendinhas” de shopping. A vontade do animal de viver em liberdade, sem a perturbação do barulho humano e em comunhão com sua terra natal, não é nada perante quem os vê como curiosa peça de exibição e pensa “Para que ir até o habitat do bicho se podem muito bem trazê-los de lá? É muito mais fácil para mim”. E se fossem seres humanos os “objetos” em exibição? Seria um escândalo moral, tanto que nenhum pecuarista tem coragem de abrir exposições de pessoas vivas. Mas, como são “apenas animais”, vale tudo nesse sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Exibidos como coisas curiosas, os animais terminam invocando o “ensino” sobre a sua “função”. Não era necessária a presença de “educadores”. Bastava que os pais das crianças apontassem, por exemplo: “Olha, filho/a, esses são novilhos. Quando crescerem, irão para um matadouro e vão virar carne comestível. É do corpo deles que vem a carne do hambúrguer que você come todos os dias, e a do churrasco da família.” As crianças assim “aprendem” que bois e vacas, porcos, bodes e cabras e galinhas servem para “fornecer” comida, não tendo sua vida qualquer fim fora esse, nem sentido se não forem vistos como “matéria-prima” para os seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O “crachá” identificador na orelha dos novilhos denunciam: os animais estão catalogados na propriedade do fazendeiro que os trouxe ao shopping. Ou melhor, <em>são</em> propriedade, <em>pertencem</em> ao pecuarista com quem a administração do shopping tem contrato firmado para trazer os bichos. E isso é exibido na maior naturalidade. Pais aceitam, filhos “aprendem” que é normal <em>possuir</em> animais como parte de uma propriedade.</p>
<div id="attachment_5721" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/novilhos.jpg"><img class="size-medium wp-image-5721" title="novilhos" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/novilhos-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Novilhos em exibição. Confinados numa cerquinha, atraíram a curiosidade das crianças.</p></div>
<div id="attachment_5722" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/novilho-com-selo-identificador.jpg"><img class="size-medium wp-image-5722" title="novilho com selo identificador" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/novilho-com-selo-identificador-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">O “crachá” da orelha escancara: o animal está contabilizado como propriedade do fazendeiro que o levou ao shopping.</p></div>
<div id="attachment_5723" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/bodes.jpg"><img class="size-medium wp-image-5723" title="bodes" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/bodes-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Bodes também expostos como artefatos</p></div>
<div id="attachment_5724" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/porquinhos.jpg"><img class="size-medium wp-image-5724" title="porquinhos" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/porquinhos-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Pequenos porcos, tentando manter sossego num ambiente barulhento.</p></div>
<div id="attachment_5725" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/jaula-de-aves-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-5725" title="jaula de aves 2" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/jaula-de-aves-2-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Aves numa jaula: expor animais em lugares que lhes são estranhos requer aprisionamento, para que não fujam.</p></div>
<div id="attachment_5727" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/toneis-de-leite.jpg"><img class="size-medium wp-image-5727" title="toneis de leite" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/toneis-de-leite-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Tonéis de leite como decoração. Explorar animais retirando-lhes a vida ou o leite é a rotina da fazenda, naturalizada na mentalidade dos frequentadores da “fazendinha”.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Numa salinha de atividades infantis, destacava-se um tapete de couro cru. Nem chegou a ser cortado para tomar uma forma geométrica. As crianças são induzidas, de forma indireta, a encarar com naturalidade os produtos oriundos da morte pecuarista. Não lhes passa pela cabeça as imagens do matadouro cheio de sangue ou da morte do boi, que foram indispensáveis para aquele couro estar forrando o chão. Para elas, aquele “tecido” é tão inocente quanto um tapete de banheiro.</p>
<div id="attachment_5728" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/tapete-de-couro.jpg"><img class="size-medium wp-image-5728" title="tapete de couro" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/tapete-de-couro-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">O tapete de couro abaixo dos móveis de decoração infantil é visto como tão inocente quanto um tecido de algodão.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Depois de tirar o olho do couro, o que foi visto em seguida foi uma gaiola com vários coelhinhos e porquinhos-da-índia dentro. Estavam à venda. Assim como os peixes destinados ao aquário, o destino dos animais vendidos seria a prisão perpétua numa gaiola – não cheguei a ver se havia gaiolas à venda lá, presumo que as que eu vi foram compradas em outros lugares.</p>
<p style="text-align: justify;">O cenário para aqueles animais era de prisão e de relativa perturbação (ainda que alguns deles se mantivessem calmos) perante o barulho do ambiente. Aguardavam para ser trocados por dinheiro, tal como uma mercadoria qualquer. Sua vida, para as crianças, valia 15 reais. Esse era o preço para se decretar propriedade sobre um coelhinho ou porquinho-da-índia.</p>
<p style="text-align: justify;">E uma propriedade carcerária, para piorar a coisa. Lembro que, depois de ter saído da “fazendinha”, encontrei uma garotinha com um coelho relativamente grande dentro de uma gaiola. Ela me revelou que o bicho seria realmente criado por toda a vida dentro da pequena jaula. Enfim, aqueles eram animais triplamente abusados: tratados como mercadorias e como propriedade e tendo negada sua liberdade – seja pelo seu vendedor, seja pela garotada que os comprou.</p>
<div id="attachment_5729" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/coelhos-e-preas-a-venda.jpg"><img class="size-medium wp-image-5729" title="coelhos e preas a venda" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/coelhos-e-preas-a-venda-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Vidas custando 15 reais. O regime da “fazendinha” é de tratar animais como mercadoria e propriedade.</p></div>
<div id="attachment_5730" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/gaiola-de-coelhos-e-preas-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5730" title="gaiola de coelhos e preas 1" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/gaiola-de-coelhos-e-preas-1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Coelhos e porquinhos-da-índia presos, esperando ser transferidos para outras prisões – as gaiolas das crianças.</p></div>
<div id="attachment_5731" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/coelho-em-gaiola-fora-da-fazendinha.jpg"><img class="size-medium wp-image-5731" title="coelho em gaiola (fora da fazendinha)" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/coelho-em-gaiola-fora-da-fazendinha-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Uma criança criará esse coelhinho dentro da gaiola. O animalzinho está condenado a ser prisioneiro até morrer. Provavelmente nunca conhecerá a liberdade, se não terminar doado para algum parente com casa dotada de espaço livre.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Depois de acompanhar a perturbação barulhenta, o aprisionamento, a mercantilização e o tratamento como propriedade, vi a exploração em sua forma mais evidente. Pôneis puxavam charretes ou eram montados por crianças – dentro de cercados tão pequenos que duvido que tenha valido a pena para alguma criança andar poucos metros conduzida pelos bichos – o que, ao meu ver, deve dar um gosto de quero-mais para os pequenos, que insistirão para ir a algum hotel-fazenda num futuro próximo. Para as crianças, fica a impressão de que cavalos, controláveis como são, são mistos de animais e coisas, algo como carros vivos sem roda.</p>
<p style="text-align: justify;">Os pôneis puxadores de charretes estavam revestidos de muitos adereços usados como controle animal: cabresto, viseira, cordas e mais cordas, tantos equipamentos que transformam esses animais em veículos. Nem pareciam seres vivos, de tanta parafernália que visava o controle de seus movimentos. E o pior: a crina deles estava pintada de rosa. Os cavalinhos montados, por sua vez, não estavam pintados, mas a situação de exploração era a mesma: diversos adereços de controle de movimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os animais de ambas as situações estavam fadados a trabalhar, conduzindo crianças num pequeno cercado, por grande parte do tempo em que o shopping estivesse aberto – presumo que havia revezamento de trabalho entre os pôneis, para o caso de um deles cansar. Uma rotina de escravidão.</p>
<div id="attachment_5732" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/ponei-de-charrete-pintado-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5732" title="ponei de charrete pintado 1" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/ponei-de-charrete-pintado-1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Pônei de crina pintada, obrigado a puxar charrete até cansar.</p></div>
<div id="attachment_5733" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/poneis-montados-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5733" title="poneis montados 1" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/poneis-montados-1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Pônei obrigado a conduzir crianças em seu lombo até cansar. A exploração animal é naturalizada no cenário da “fazendinha”.</p></div>
<p style="text-align: justify;">A última “atração” que fotografei foi o touro mecânico. Felizmente não era um animal de verdade, torturado com um sedém em sua virilha, mas o brinquedo acaba induzindo a meninada a gostar de rodeio, a acreditar que montar touros “bravos” é muito divertido e inspirador. Acostumando as crianças aos touros mecânicos da vida, é questão de tempo para que elas passem a simpatizar com esse pseudoesporte, hoje cada vez mais repudiado – e os animais e seus defensores ganhem mais adversários.</p>
<div id="attachment_5734" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/touro-mecanico-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5734" title="touro mecanico 1" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/touro-mecanico-1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">O touro mecânico acostuma as crianças a gostarem de rodeios. E isso é péssimo tanto para os animais como para seus defensores.</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Que raios estão ensinando às crianças?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso não tem apenas o aspecto de diversão, mas também um caráter pedagógico. Ou melhor, segundo a visão da ética animal, <em>antipedagógico</em>. Mesmo não havendo educadores à disposição na “fazendinha” que observei, existe a transmissão de ensinamentos, por parte dos pais ou montado por autoconstrução lógica e digerido pela própria criança. São transmitidos à garotada as crenças e valores prevalentes na pecuária os quais fundamentam moral e culturalmente toda a exploração animal existente no meio rural – desde o uso como meio de transporte até a transformação dos bichos, pelo abate, em carne, passando pelo entretenimento por passeios e pelo rodeio.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprende-se lá que os animais rurais não são fins em si mesmos, mas sim meios para fins estritamente humanos – em outras palavras, que eles sempre nascem para servir para algo e a alguém. Eles não nascem simplesmente para viver na natureza, sendo ou não perseguido por predadores, mas para fornecer carne, leite ou ovos; servir de transporte sendo montado ou puxando veículos de tração – seja atendendo a necessidades da ruralidade, seja provendo entretenimento para quem busca uma cavalgada ou um passeio de charrete no campo para esquecer os problemas –; prover diversão sendo explorado em rodeios; e ser um servo afetivo das pessoas – animal de falsa estimação, cuja “vida útil” como “pet” acaba num churrasco de feriadão ou numa reunião de família; entre outras utilidades.</p>
<p style="text-align: justify;">E isso é naturalizado no ambiente ruraloide montado no shopping: o pai aponta para o filho a “fazendinha” antes de irem embora e diz em conclusão sobre todas as formas presentes de “utilizar” animais: “Filho, os animais nascem para isso mesmo, para nos servir. E eles servem muito bem, para as mais variadas coisas.” E o filho, carente de discernimento ético por ser ainda muito pequeno, aceita e assimila esse dogma, talvez para toda a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, a juventude inocente e ingênua das crianças da primeira infância forma um filão muito apto para ser convencido de que explorar animais no mundo rural é válido, aceitável e justo. É de se pensar que os pecuaristas usam as “fazendinhas” de shopping para “ensinar” à meninada que o animais têm utilidade, não valor intrínseco, e assim angariar futuros compradores de alimentos de origem animal, apreciadores de rodeios e vaquejadas, pessoas sedentas por diversão no lombo de um cavalo, enfim, clientes que lhes darão muito dinheiro e farão o “crime” (entre aspas por ainda não ser reconhecido legalmente como tal) da exploração animal compensar.</p>
<p style="text-align: justify;">Dinheiro, para falar a verdade, é o que mostra como os animais ali não são respeitados em sua essência de seres sencientes demandantes de direitos: a entrada paga permite pelo menos ver os animais em exposição, como se estes fossem objetos exóticos de um museu – como dito mais acima, pôr pessoas em exibição seria um absurdo moral mesmo para quem expõe bichos, diga-se de passagem –; há bichos à venda, a preços variados, para serem tratados como objetos de decoração ou como animais de falsa estimação, todos destinados a uma prisão perpétua em gaiolas ou aquários – tratados como mercadorias que, segundo a mentalidade especista, não se importam em ser trocadas por dinheiro para serem transferidas de prisão; paga-se para andar de cavalo, em charrete ou montando, dando à exploração de pôneis e cavalos um caráter muito lucrativo.</p>
<p style="text-align: justify;">As crianças vão participando disso tudo e aceitando tacitamente todo o sistema. Guardam como se fosse um ensinamento importante: coelhos servem como animais de “estimação” a serem criados em gaiolas; peixes, como objetos de decoração; bois e vacas, para fornecer carne, leite, couro etc. ou ser montados ou derrubados por peões “valentes” em rodeios e vaquejadas; porcos e bodes e cabras, idem; galinhas e frangos, para distribuir respectivamente ovos e carne; cavalos, para transportar pessoas... Não faria sentido que nenhum deles vivesse se não tivesse uma utilidade para os seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, assimila-se que é normal que animais sejam mortos para virar carne e couro – além de mais uma miríade de produtos de origem animal – em indústrias frigoríficas; ou que tenham seu corpo violado para fornecer leite e ovos. E é assim mesmo que tudo funciona e deve funcionar: animais como servos, dispostos a dar a vida pelos interesses dos seus senhores; humanos como seus proprietários (sic). E as crianças vão crescendo, abraçando essas crenças como verdades.</p>
<p style="text-align: justify;">E, ainda por cima, acostumam-se com a falsa imagem – o “rancho do velho McDonald” citado por Tom Regan – de que os bichos vivem em roças tradicionais, são tratados como “da família”, seu leite é ordenhado por um contente vaqueiro, seus ovos são colhidos no galinheiro por uma senhora que vive de bem com a vida e tais animais são mortos com “carinho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso contando com o fato de que nada ali na “fazendinha” fazia a mínima alusão aos latifúndios do agronegócio; às granjas industriais que prendem galinhas em pequenas gaiolas e “produzem” frangos aos milhares; às cada vez mais utilizadas fazendas-fábrica; ao confinamento de porcos dentro de pequenas baias individuais em grandes instalações agroindustriais; à alimentação da maioria dos animais com hormônios, drogas e grãos transgênicos; ao precário, atordoante e anti-higiênico transporte de “carga viva”; muito menos aos matadouros industriais movidos a facão e sangue ou àqueles clandestinos onde ainda se mata a golpes de marreta ou machado – abatedouros cuja aterrorizante imagem mental facilmente faria uma criança parar de comer carne por muito tempo, se não para sempre. A imagem rural desenhada ali era matuta, bucólica e tranquila, exceto pela multidão humana e pelo barulho que a mesma produzia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Conclusão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Concebidas como parques de diversão rural e, em última análise, como merchandising pecuarista, as “fazendinhas” de shopping como a que eu observei são um atentado ao bom senso e à ética não-antropocêntrica. Promovem um inestimável desserviço às crianças, ao lhes naturalizar o utilitarismo servil a que os animais são submetidos nas fazendas e passar a falsa imagem do ruralismo tradicional roceiro, cada vez mais raro numa realidade em que o extremamente predatório agronegócio, cada vez mais industrializado, dita as regras na ruralidade brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos formando crianças acostumadas em ver animais sendo tratados como mercadorias, aprisionados em gaiolas, aquários e cercas, explorados vivos e mortos para os mais diversos fins. A garotada cresce aceitando como natural e normal que a vida não-humana seja banalizada, mercantilizada, comparada à não-vida, tratada sem o mínimo respeito e dignidade, e participando desse sistema que escraviza seres tão sencientes quanto os humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se as “fazendinhas” expusessem pessoas, seja como “aberrações” físicas ou como trabalhadores escravos, seriam hoje vistas como o mais abjeto dos absurdos. Mas quem está em jogo são “apenas” outros animais, e por isso a sociedade abraça a iniciativa de trazer o mundo rural para perto dos habitantes do urbano, e leva suas crianças para ver animais explorados e aprisionados e até para comprar alguns deles, que viverão confinados em gaiolas nos apartamentos e longe da vastidão e do ar puro do campo.</p>
<p style="text-align: justify;">É esse mundo que queremos, onde exploração e escravidão são a melhor diversão do momento para crianças?</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Links)</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 11:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: center;">Aqui os links das quatro partes do artigo <em>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais</em>:</p>
<p style="text-align: center;"><strong><big><big><a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-1.html" target="_blank">Parte 1</a> - <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-2.html" target="_blank">Parte 2</a> - <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-3.html" target="_blank">Parte 3</a> - <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-4-final.html" target="_blank">Parte 4</a></big></big></strong></p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 4 e final)</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 12:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_5642" class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/biotério-6.jpg"><img class="size-full wp-image-5642" title="biotério 6" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/biotério-6.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Mensagem na porta de um laboratório no CCS/UFPE. Foto tirada por mim em 2009.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Esta parte é o final do artigo que visa comentar <a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/saibamais" target="_blank"><strong>o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”</strong></a>, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>10. Que doenças evoluíram seu tratamento, em razão das pesquisas?<br />
São várias, podemos citar duas: o câncer e a fibrose cística. No caso do câncer, por exemplo, pode ser realizado atualmente a terapia gênica, onde são retiradas células do tumor, inserido um gene que reage contra o câncer e reinjetado as células no paciente. Desse modo, as células geneticamente modificadas irão “ensinar” ao sistema imunológico do paciente a reconhecer as peculiaridades de suas células cancerígenas e destruir o tumor. Atualmente, esse tipo de pesquisa vem alcançado avanços significativos em ratos e camundongos e, certamente, poderão salvar várias vidas, inclusive as dos seres humanos.<br />
No tratamento da fibrose cística, foi desenvolvido um modelo animal que reproduz a doença humana. Essa tecnologia permitiu que novos testes fossem realizados no combate a essa terrível doença genética, que acomete principalmente o pulmão de crianças em todo o mundo. Contra essa doença, está sendo realizada também a “terapia gênica”, onde as pesquisas com animais são extremamente relevantes.<br />
Devemos lembrar também dos coqueteis anti-aids, um conjunto de medicamentos que já salvou e ajuda a prolongar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Nessa resposta, revela-se que a experimentação animal, cujos autores dizem prezar pela “responsabilidade, ética e respeito aos animais”, causou sofrimento crônico em animais que foram submetidos ao mais diversos tipos de câncer e à fibrose cística, descrito pelos próprios autores do FAQ como uma “terrível doença genética”.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a fibrose cística é terrível como dizem esses cientistas, imaginemos como seria estar na pele dos animais que foram induzidos a nascer com essa doença e passaram toda a sua vida sofrendo com ela. Essa questão 10 mostra como falta o mínimo de senso de alteridade e empatia interespecíficas nas pessoas que exploram animais em suas experiências e defendem a continuidade desse tipo de método de pesquisa. É uma demonstração de que esses indivíduos são incapazes de se pôr imaginariamente na pele dos animais que exploram.</p>
<p style="text-align: justify;">É isso que os idealizadores da campanha de “conscientização” vivisseccionista querem? Que “terríveis doenças” continuem sendo induzidas em animais não-humanos para que seres humanos sejam salvos – e não possam optar por viver sem depender de remédios resultantes desse tipo de violência?</p>
<p style="text-align: justify;">***<span id="more-5629"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>11. Como a pesquisa com animais ajuda os próprios animais?<br />
As pesquisas com vacinas também beneficiaram a saúde dos animais ao aprimorarem tratamentos como os da raiva, do tétano, da leucemia animal e daquelas contra parasitas. Além disso, os estudos comportamentais melhoram a qualidade no trato com os próprios animais. Vale lembrar que alguns animais foram salvos da extinção, graças a várias pesquisas científicas realizadas, muitas delas, utilizando embriões de camundongos.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Essa resposta é uma demonstração clara do especismo seletivo dos cientistas interessados na vivissecção. Torturam-se uns animais não-humanos, alheios de qualquer compaixão, para salvar outros, que por sua vez recebem muito carinho e afeto por parte de seus tutores.</p>
<p style="text-align: justify;">É muito provável que as cobaias que contraíram hidrofobia, tétano, leucemia e infecções por parasitas sofreram muito antes de receber os medicamentos certos para serem curados – detalhe: mesmo depois de curados, podem ter sido mortos mesmo assim para avaliação, tal como a questão nº2 deixa evidente que acontece de praxe. E também é certo que as muitas experiências anteriores com tratamentos fracassados dessas doenças, baseadas na tentativa-e-erro, impuseram sofrimento intenso e mortes dolorosas aos  bichos explorados. Sem falar nos estudos comportamentais que “melhoram a qualidade no trato com os próprios animais”: é possível imaginarmos pesquisas que induzem os animais a sentimentos e comportamentos negativos e destrutivos, como tristeza, estresse, raiva e agressividade.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>12. Como a pesquisa com animais ajuda os humanos e outros animais?<br />
As pesquisas possibilitaram o desenvolvimento de vários tratamentos e procedimentos de prevenção, tais como vacinas contra gripe H1N1, poliomielite, a caxumba, o sarampo, a difteria, a rubéola e a hepatite; além de tratamentos onde destacamos as transfusões de sangue, hemodiálise, transplantes e cirurgias. Graças às pesquisas do brasileiro Sergio Ferreira, foi descoberto um dos mais utilizados e potentes anti-hipertensivos: o Captopril. Além disso, a morfina utilizada na dramática dor de pacientes com câncer terminal também foi testada em animais.<br />
Várias das pesquisas com animais foram importantes no desenvolvimento de medicamentos para tratamento das mais diversas doenças, tais como hipertensão, diabetes, aids. Até mesmo os anestésicos, analgésicos e antibióticos precisaram do estudo em animais para que pudessem ser desenvolvidos e beneficiar a vida de todos os animais, inclusive seres humanos. Não podemos esquecer que o aprimoramento de cirurgias e dos transplantes de órgãos e dos estudos com células-tronco que salvam milhares de vidas todos os anos são procedimentos que hoje são seguros graças aos estudos realizados previamente em animais.<br />
Tudo isso certamente melhorou a qualidade de vida não só dos seres humanos, mas de diversos animais.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Minhas objeções às questões 10 e 11 já comentam em grande parte esta questão. Mas alguns trechos desta  chamam uma atenção especial:</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro: “[...] a morfina utilizada na dramática [sic] dor de pacientes com câncer terminal também foi testada em animais.” Deduz-se: animais não-humanos tiveram que sofrer dores igualmente dramáticas em estado de câncer terminal.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo: “Até mesmo os anestésicos, analgésicos e antibióticos precisaram do estudo em animais para que pudessem ser desenvolvidos e beneficiar a vida de todos os animais, inclusive seres humanos.” Ou seja, animais tiveram que sentir muita dor para que pudessem ser beneficiados por anestésicos e analgésicos. Sem falar nos antibióticos, que foram injetados nos bichos ou ingeridos por eles apenas depois que determinadas doenças infecciosas, devidamente propagadas no organismo das cobaias, lhes causaram estragos relevantes e consequente sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Repito: é essa ciência recheada de crueldade que os idealizadores da campanha querem que continue existindo permanentemente, e que nós apoiemos?</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>13. Por que são utilizados animais em pesquisas científicas?<br />
Os cientistas utilizam animais nas pesquisas científicas com o objetivo de entender melhor os problemas de saúde que afetam os animais, inclusive os seres humanos. Além disso, as pesquisas utilizando animais permitem que novos tratamentos médicos sejam mais seguros. Algumas doenças envolvem processos bastante complexos e, devido a essa complexidade, precisam ser estudados em organismo vivo.<br />
Os animais, principalmente os mamíferos tais como ratos, camundongos e coelhos são biologicamente semelhantes aos seres humanos em vários aspectos biológicos. Eles são suscetíveis a muitas das mesmas doenças que acometem o homem </em>[sic]<em>. O fato de terem ciclos de vida curtos, comparados ao do homem</em> [sic]<em>, facilita o estudo dos fenômenos fisiológicos do nascimento ao envelhecimento e até mesmo durante várias gerações.<br />
Além disso, durante um estudo científico é possível controlar o ambiente que influencia o animal (alimentação, temperatura, iluminação etc), o que é difícil de ser realizado com seres humanos.?Por esse motivo, os animais são fundamentais em pesquisas para desenvolver medicamentos, vacinas e procedimentos médicos (tais como cirurgias, transplantes etc). Se os resultados dos estudos em animais se mostram eficazes, então alguns poucos voluntários humanos são convidados a participar de um ensaio clínico inicial para tratar da segurança do procedimento (chamada fase I de teste).<br />
Os estudos em animais são feitos previamente para assegurar o benefício do tratamento de uma doença ou procedimento e verificar se essa nova tecnologia não leva risco à vida. Com isso, os testes que causariam riscos aos seres humanos e a outros animais são amenizados. Vale lembrar que para se desenvolver a vacina anti-rábica, por exemplo, foram utilizados de quatro a seis mil cães, mas depois foram salvos mais de trinta milhões.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro parágrafo dessa resposta é dotado de uma enorme hipocrisia. Seus elaboradores fingem que não são especistas, que não priorizam a espécie humana, que pensam com a mesma dedicação em outras espécies animais, mesmo naquelas que, não sendo de estimação, não recebem o afeto de tutores (“...que afetam os animais, inclusive os seres humanos.”).</p>
<p style="text-align: justify;">Parece que pensam no melhor para os camundongos tanto quanto pensam no bem dos humanos, mas uma pesquisa simples mostra que não é bem assim. Numa pesquisa no Scielo, site que disponibiliza muitos periódicos e artigos científicos, encontrei apenas 63 artigos com as palavras “camundongos” e “veterinária” (ou “veterinário”), menos de 10% entre 642 trabalhos que tiveram referências a “camundongos”  – e o pior, nem todas as pesquisas que continham a palavra “veterinária(o)” eram de fato pesquisas a serem aplicadas subsequentemente em pacientes animais domésticos. É evidente que a prioridade de se explorar animais na pesquisa científica são de fato os seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo primeiro parágrafo, com seu apelo à “necessidade” de se usar animais nas pesquisas, nos remete à mesma argumentação usada na questão nº4: a incapacidade dos cientistas (dos favoráveis à vivissecção, deixo claro) de desenvolver métodos de pesquisa alternativos completos o bastante para dispensar as cobaias.</p>
<p style="text-align: justify;">No segundo e terceiro parágrafos, dois argumentos se fazem presentes: as semelhanças biológicas das cobaias com o organismo humano, já comentadas abaixo da questão nº9, e aquela que parece ser a única justificativa dos interessados na vivissecção para não explorarem seres humanos: o ciclo de vida curto dos animais não-humanos de pequeno porte e a facilidade de lidar com o ambiente (artificial e prisional, que fique claro) onde os mesmos vivem.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse segundo é visto como o bastante para aplacar a indignação de quem quem perguntar “por que vocês não fazem pesquisa com seres humanos, já que dizem tratar outros animais tão bem?”. Essa pergunta pode até ter sido parcialmente aplacada tecnicamente, mas não o bastante. Ainda dá para questionar: por que os cientistas que dizem tratar as cobaias com “ética e e dignidade” não fazem nem mesmo pesquisas de curta ou média duração com seres humanos sem terem usado outros animais antes?</p>
<p style="text-align: justify;">Sem falar que não responde eticamente à indagação de não se explorar cobaias humanas. Hoje seria perfeitamente possível criar em laboratório seres humanos transgênicos capazes de crescer em ritmo muito mais acelerado do que pessoas comuns e livres. Só não o fazem, é evidente, por motivos éticos, que hoje só dizem respeito aos direitos humanos e negam aos seres não-humanos a mesma dignidade de serem respeitados da mesma forma.</p>
<p style="text-align: justify;">O parágrafo final volta a pecar pela fragilidade da argumentação. Primeiro diz que “Os estudos em animais são feitos previamente para assegurar o benefício do tratamento de uma doença ou procedimento e verificar se essa nova tecnologia não leva risco à vida. Com isso, os testes que causariam riscos aos seres humanos e a outros animais são amenizados.”, o que é uma confissão clara de que a vida das cobaias é posta em risco total, já que as técnicas são usadas nelas, mesmo sob totais insegurança e incerteza, antes de serem aplicadas em seres humanos ou animais de estimação. Confessa-se que não há a menor preocupação com a vida das cobaias que reagem mal ao tratamento sob teste.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo, parte para o desprezo total aos animais enquanto indivíduos interessados em sua própria vida e  integridade quando diz que “vale lembrar que para se desenvolver a vacina anti-rábica, por exemplo, foram utilizados de quatro a seis mil cães, mas depois foram salvos mais de trinta milhões”. Ignora-se totalmente o fato de que o interesse de viver livre e não sofrer não é um fenômeno social, condicionado à coletividade de animais socializados entre sua população, mas sim a capacidade psicológica que cada animal, tomado individualmente, possui.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale parafrasear <a href="http://www.ecodebate.com.br/2010/07/05/pode-a-ciencia-que-se-utiliza-de-animais-ser-considerada-etica-artigo-de-sergio-greif/" target="_blank"><strong>o biólogo Sérgio Greif</strong></a>: “não nos interessa que poucos precisaram ser sacrificados para o benefício de muitos, pois a utilização de cobaias involuntárias contraria direitos individuais.”</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">O FAQ da campanha pró-vivissecção tem conteúdo bastante para enganar pessoas mais incautas e leigas em direitos animais e assim formar uma opinião pública alienada do conhecimento da verdadeira essência cruel da experimentação animal. Mas, como o argumento falacioso e frágil tem perna curta, assim como a mentira, uma campanha-antídoto de esclarecimento por parte dos defensores dos direitos animais poderá, sem muito trabalho argumentativo, desbancar tudo o que os interessados na perpetuação da vivissecção tentam passar para a população.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao leitor que ainda não conhece o bastante o que são os verdadeiros direitos animais, concluo o artigo dizendo: há muita acomodação na comunidade científica. A maioria dos cientistas da área biomédica, não tendo recebido uma educação bioética decente – não-antropocêntrica, que respeitasse os direitos animais e transcendesse o mero “bem-estar” – ao longo da vida, não está interessada em mudar o atual cenário de dependência crônica da ciência biomédica por cobaias.</p>
<p style="text-align: justify;">Há também acusações sérias, por parte de vários defensores do fim da exploração animal, de que há um complô de interesses econômicos entre pesquisadores e empresas que abastecem laboratórios e biotérios com equipamentos para a pesquisa com cobaias. Mas é fato que essas denúncias só serão investigadas quando os direitos animais começarem a ser reconhecidos legalmente e respeitados pelos governos no Brasil – daqui a várias décadas, deduza-se, não sem um histórico precedente de forte mobilização por parte dos defensores dos animais.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, insisto que o brasileiro não se deixe enganar pela campanha conjunta do governo federal (Ministério da Ciência e Tecnologia) e de diversas organizações científicas para tentar convencer a população de que explorar e matar animais para fins científicos é “válido” e “aceitável”. Procure compreender os direitos animais, busque conhecimento sobre o assunto. Ao mesmo tempo em que vai saber por que a campanha dos órgãos citados não passa de uma tentativa de alienar a sociedade em prol da perpetuação da exploração animal na ciência, você irá melhorar muito sua própria relação com os animais.</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 3)</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 12:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 250px"><img title="vivisseccao 3" src="http://www.natalneuro.org.br/sobre_iinn/images/021.jpg" alt="" width="240" height="180" /><p class="wp-caption-text">Gaiolas de camundongos transgênicos, segundo o site de origem (natalneuro.org.br)</p></div>
<p style="text-align: justify;">Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar <a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/saibamais" target="_blank"><strong>o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”</strong></a>, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>7. De onde vêm os animais utilizados em experimentos?<br />
Todos são produzidos </em>[sic]<em> e criados em biotérios (ambiente de criação de animais destinados exclusivamente para pesquisa). Os pesquisadores podem comprar </em>[sic]<em> os animais, desde que tenham projetos aceitos por Comissões de Ética, criados nesses biotérios licenciados ou criá-los em biotérios próprios.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Se considerar que os interessados pela vivissecção estão praticamente em pé de guerra contra a defesa dos direitos animais, na “batalha” de argumentos eles perdem feio. Nesta questão eles deixam claro que tratam os animais como coisas, como objetos industrializados que podem ser produzidos numa fábrica (biotério), tal como um microscópio ou um computador, e vendidos como mercadorias para o primeiro cientista disposto a explorá-los de forma violenta numa experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se, nessa atitude, de alhear os animais não-humanos de sua dignidade como seres sencientes,  dotados do interesse de viver bem e livres, nascidos como fins em si mesmos – em vez de como meios para fins de outrem. E transformá-los em objetos passíveis de ser fabricados, comercializados e usados, tal como qualquer produto industrializado cuja existência é condicionada a interesses humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso ser feito com pessoas – transformar em produtos industrializados comerciáveis e usáveis por exploração violenta – seria considerado a pior e mais diabólica das agressões aos direitos humanos, mas, como quem é coisificado e explorado são “apenas animais”, isso é livre, é permitido pela lei, é incentivado pelos governos, tal como a campanha de “conscientização” deixa escancarado.</p>
<p style="text-align: justify;">Está visível a violência moral promovida, mesmo sem perceber, por quem deseja a perpetuação da experimentação animal.</p>
<p style="text-align: justify;">***<span id="more-5627"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>8. Quais são os animais mais usados em experimentação animal?<br />
De acordo com o Departamento de Agricultura norte-americano, 90% dos animais usados são roedores, em sua maioria ratos e camundongos. De acordo com o mesmo Departamento, entre 1968 e 1986 o número de animais utilizados diminui em 40% em razão dos métodos alternativos e do refinamento dos experimentos com animais.<br />
Esses animais são utilizados para desenvolver drogas usadas no tratamento de doenças como hipertensão, diabetes, vários tipos de câncer, bem como lesões na medula espinhal, entre outros. Camundongos, em sua maioria, agora estão sendo utilizados para determinar a função de genes, o que é importante para entendimento de doenças genéticas, por exemplo.<br />
Outros mamíferos, como cães, gatos e primatas (macacos, por exemplo) contabilizam, em todo o mundo, menos de 1% de todos os animais utilizados em pesquisas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Nessa parte é explorado de forma quase subliminar o apelo à compaixão da sociedade por determinadas espécies. Fala-se que cães, gatos, primatas e outros mamíferos são menos de 1% dos animais explorados em pesquisas, logo a ciência vivisseccionista respeitaria os animais que as pessoas mais estimam.</p>
<p style="text-align: justify;">Se foi para contra-atacar os defensores dos direitos animais, erraram novamente, uma vez que esqueceram que estes defendem, além do fim da exploração animal pela ciência, também o fim do “respeito” seletivo a determinadas espécies animais em detrimento de outras – por exemplo, amar cães e gatos mas ignorar o sofrimento de camundongos, bois/vacas, porcos e peixes causado por humanos –, o chamado especismo seletivo, que é a discriminação de espécies animais por parte do ser humano pela atribuição de patamares morais desiguais de acordo com a espécie.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>9. Os animais são bons modelos para os humanos ou há particularidades que fazem com que outras espécies não possam fornecer informações confiáveis sobre o organismo humano?<br />
Os cientistas afirmam que há mais semelhanças que diferenças entre as espécies animais. Na verdade, todos os mamíferos têm os mesmos órgãos (coração, pulmões, rins, fígado etc). Esses órgãos executam as mesmas funções e são coordenados da mesma maneira tanto nos humanos quanto em outros animais. Estas semelhanças superam outras diferenças que são menores. Porém, até mesmo as pequenas diferenças podem fornecer informações úteis.<br />
Um camundongo possui até 90% da sua informação genética similar a dos seres humanos. Diferentes espécies animais compartilham não só códigos genéticos semelhantes, mas esses genes são estruturados de formas similares nos cromossomos, o que é um ponto importante para as pesquisas básicas com animais, pois falam a favor da semelhança com o funcionamento da fisiologia do ser humano. Na maioria dos casos, os animais desenvolvem e transmitem uma série de doenças encontradas em humanos, como câncer, asma, diabetes, doenças coronárias, hepatite, rubéola, tuberculose, malária entre outras. Essas doenças, além de se desenvolverem de forma semelhante entre os animais humanos ou não, podem ser estudadas e tratadas de forma semelhante. Isso facilita o desenvolvimento de novos medicamentos e procedimentos que possam curar doenças.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Como resposta, trago como citação um trecho do <a href="http://www.scribd.com/doc/17531210/Vivisseccao" target="_blank"><strong>resumo feito pela defensora animal Gabriela Toledo, da ONG Projeto Esperança Animal, sobre experimentação com cobaias</strong></a>:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um dos grandes erros da vivissecção é usar o animal como modelo humano. A experimentação animal parte do conceito errôneo de que espécies diferentes reagem de maneira idêntica ou similar a determinadas drogas e/ou substâncias. Apesar das diferenças gritantes entre cada indivíduo - respostas aos estímulos; os hábitos; o organismo; sexos; raças; formas de locomoção; raciocínio; estrutura celular, esquelética e muscular; as doenças e as reações fisiológicas, as respostas aos medicamentos são totalmente diferentes entre as espécies. - na vivissecção as diferenças são praticamente ignoradas.<br />
As diferenças existem até mesmo entre espécies próximas, como é o caso do rato e do camundongo. Um exemplo bem ilustrativo foi um estudo de 1989 para determinar a carcinogenicidade de fluorido: Aproximadamente 520 ratos e 520 camundongos receberam doses diárias do mineral fluorido por 2 anos. Nenhum dos camundongos foi afetado pelo fluorido, mas os ratos apresentaram problemas de saúde incluindo câncer na boca e nos olhos. Resumindo, experiências iguais realizadas simultaneamente nas duas espécies garantiram resultados totalmente diferentes.<br />
Muitas enfermidades que afetam seres humanos não afetam animais, por exemplo, os principais tipos de câncer que afetam humanos são muito diferentes daqueles que acometem os ratos. O tipo de tuberculose que afeta as pessoas é muito diferente do que é produzido artificialmente em animais.<br />
É comprovado que estudos envolvendo animais gera atraso na evolução científica, além de ser um grande desperdício de dinheiro e de vida animal.<br />
A vivissecção, em geral, conduz o pesquisador ao erro, uma vez que os resultados obtidos em experimentos com animais são totalmente diferentes dos resultados obtidos em humanos.<br />
[...]<br />
Lembrando que, geralmente, as “cobaias” são geneticamente modificadas a fim de tentar conseguir um quadro semelhante ao organismo humano. Doenças são artificialmente induzidas o que, por si só, já compromete os resultados das pesquisas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">A resposta dos elaboradores do FAQ também acaba confessando que a pesquisa com cobaias causa sofrimento nos animais, pois os infecta com as doenças mais variadas e dolorosas, e que esse é um fundamento seu – consideram necessário reproduzir as doenças nos animais não-humanos (as quais, fique claro, segundo os próprios vivisseccionistas, se desenvolvem de forma semelhante entre os animais humanos e não-humanos), para que a cura às mesmas sejam testadas de modo a dar certo nos seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Continue lendo a próxima parte deste artigo, para perceber como são frágeis os argumentos de quem é interessado na perpetuação do uso de animais em pesquisas.</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 2)</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 12:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar <a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/saibamais" target="_blank"><strong>o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”</strong></a>, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>4. Quais as alternativas ao uso de animais em pesquisa científica e por que os animais não podem ser inteiramente substituídos por modelos alternativos?<br />
Para os cientistas, ainda não existem hoje métodos que substituam inteiramente o uso de animais nas pesquisas na área biológica. Em algum momento das pesquisas, os testes com animais são necessários. ?Em alguns procedimentos, os pesquisadores podem usar culturas de células e tecidos bem como modelos computacionais. Porém, tais métodos, não substituem totalmente o uso de animais. Há pesquisas na área da fisiologia, comportamento, biomedicina e da nutrição que exigem o organismo vivo para segurança da pesquisa que está sendo realizada.<br />
Os modelos alternativos têm por objetivo reduzir o número de animais utilizados e isso é um grande avanço. São métodos eficientes para serem usados na fase inicial da pesquisa. O teste final, no entanto, tem de ser feito em animais, pois os efeitos de um novo procedimento, medicamento ou vacina podem ser completamente diferentes e até arriscados quando testados em um organismo completo vivo. Mesmo a tecnologia mais sofisticada não pode imitar as interações complexas entre as células, tecidos e órgãos que ocorrem nos seres humanos e animais. Os cientistas precisam entender essas interações antes de introduzir um novo tratamento ou uma substância em animais, sejam eles humanos ou não.<br />
Às vezes, os estudos dos seres vivos mais simples, tais como bactérias, leveduras, vermes e moscas de fruta podem fornecer uma boa visão nos processos biológicos. Estudos com estes seres têm fornecido conhecimentos específicos sobre como alguns genes funcionam, por exemplo. Estas informações podem ser muito úteis, uma vez que muitos genes similares também estão presentes nos seres humanos e em outros mamíferos.<br />
Mas os órgãos de nosso corpo e dos nossos sistemas biológicos interagem de forma sofisticada. Esses processos não podem ser plenamente compreendidos em organismos simples, em moléculas isoladas ou células e, em algum momento deverão ser testados em mamíferos.<br />
É por isso que é importante estudar os processos em animais e isso também incluem os testes em seres humanos.?Devido às muitas e variadas interações entre os órgãos do corpo humano e sistemas, não só doenças, mas também novos medicamentos, vacinas e técnicas cirúrgicas devem ser estudados em animais para garantir sua segurança e eficácia.<br />
Alguns cientistas não consideram, no entanto, a cultura de células de tecido como um método alternativo, mas um possesso de refinamento da pesquisa, evitando que um número desnecessário de animais seja utilizado. Mesmo as pesquisas com células exigem o uso de animais para a produção e extração dessas células.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Bota-se areia em todas as alternativas de pesquisa citadas, ignora-se o fato de que muitas descobertas da medicina – a exemplo da penicilina, da aspirina e de cirurgias diversas – não precisaram de cobaias. Faz-se isso na tentativa de superestimar a dependência da ciência biomédica das pesquisas com cobaias. E em momento nenhum fala-se de qualquer perspectiva de se substituir os animais nas pesquisas no futuro, mesmo daqui a décadas.<span id="more-5623"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A extensa resposta dessa quarta questão foi um atestado de pequenez nos mais diversos sentidos:<br />
- acomodação e limitação a uma metodologia antiquada, praticamente bicentenária, de pesquisa biomédica<br />
- incapacidade de se livrar de um paradigma secular de pesquisa científica<br />
- ignorância sobre o poder da tecnologia e da engenharia, com destaque à informática de ponta, de inovar e revolucionar técnicas de pesquisa científica<br />
- acima de tudo, falta de interesse de se buscar novos métodos</p>
<p style="text-align: justify;">Se os químicos e físicos estadunidenses e europeus que viveram nos últimos 200 anos pensassem como esses cientistas brasileiros “pensam”, muitas das tecnologias existentes, como o computador e o telefone celular, não existiriam nem em ficções científicas hoje em dia, e ainda se acreditaria que o Sol é composto de fogo de combustão, dado o perpetuamente limitado acervo de tecnologias que estariam disponíveis para estudos de Ciências da Natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">E é esse pensamento estagnado – e acusado de interesses escusos por quem vê nessa acomodação uma aliança econômica a favorecer as indústrias laboratoriais que ganham dinheiro vendendo equipamentos ligados à vivissecção – que limita até mesmo que as alternativas sejam desenvolvidas, de modo que os defensores dos direitos dos animais possam mostrar ao mundo que uma metodologia de pesquisa biomédica sem torturar animais é ou será possível.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>5. Quais são as leis que regulam a experimentação animal no Brasil?<br />
A lei 11.794 de 08/10/2008 também conhecida como “Lei Arouca” regulamenta a prática com animais utilizados para propósito de ensino e pesquisa, restringindo a utilização desses animais somente nos estabelecimentos de ensino superior bem como nos de educação profissional técnica de nível médio da área biomédica. Essa Lei exige que esses estabelecimentos tenham Comissões de Ética e que possam gerenciar, avaliar e autorizar todos os protocolos de pesquisas envolvendo animais. Além disso, as Comissões de Ética devem proteger [sic] os animais utilizados em pesquisa e averiguar se as condições em que eles se encontram são as mais adequadas.<br />
A lei na integra se encontra em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11794.htm</em></p>
<p style="text-align: justify;">A parte que vale comentar é o trecho “as Comissões de Ética devem proteger [sic] os animais utilizados em pesquisa”. A verdade é que não existe proteção nenhuma por parte das comissões de “ética”, fora o vazio discurso do “bem-estar animal” e a censura de uma ou outra experiência de crueldade extrema. E, como pôde ser percebido aqui mesmo neste artigo, falar de condições dignas e respeitosas para esses animais é risível.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>6. Os animais de laboratório sofrem maus-tratos?<br />
Não, pois os Códigos de Ética impedem os maus-tratos e punem os pesquisadores que não tratarem os animais de acordo com a legislação vigente em seus países. Além disso, se os animais forem expostos a situações que lhes causem estresse ou sofrimento, não oferecerão resultados confiáveis para a pesquisa. Sendo assim, os animais são tratados e acomodados de modo a não sofrer influências do meio exterior (nos biotérios, temperatura, umidade e ciclo de luz são controlados). Além disso, analgésicos e anestésicos são utilizados quando os animais são submetidos a procedimentos que possam causar dor. Esses procedimentos podem ser comparados ao que acontece com os seres humanos quando são submetidos a cirurgias, por exemplo.<br />
O uso de animais em pesquisas é controlado pelas Comissões de Ética que, na forma da lei, aprovam e supervisionam os protocolos. No Brasil existe, desde 2008, uma Lei (11.794 de 08/10/2008) que regulamenta toda a experimentação com animais, protegendo-os contra maus-tratos.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o auge do risível e da falácia no FAQ vivisseccionista. Todas as suas frases contradizem a realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, faço minhas as palavras de Fernanda Franco, jornalista da Agência de Notícias de Direitos Animais, em mensagem dirigida a mim por e-mail: “Forçar um ser a fazer o que não é de sua vontade ou natureza, e que vai contra o seu bem próprio, já contém os maus-tratos. Exploração sem maus-tratos é um absurdo, é como chuva sem água: impossível, indissociável – toda exploração contém maus-tratos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo, tenta-se esconder uma realidade quase óbvia da experimentação animal: muitas pesquisas requerem de fato o sofrimento dos animais, seja por lhes induzir ao câncer, seja por lhes injetar veneno, seja por inserir em seu sistema circulatório alguma droga cujos efeitos colaterais precisam ser controlados, seja por diversos outros motivos.</p>
<p style="text-align: justify;">Há aquelas também, pelo menos constando em literatura científica internacional muito recente, que explicitamente requereram situações de estresse, como foi o caso recentemente divulgado de <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,estresse-ajuda-ratos-a-lutar-contra-o-cancer-diz-estudo,578418,0.htm" target="_blank"><strong>uma experiência na qual se concluiu que o estresse pode ajudar na retração de quadros de câncer</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Terceiro, há casos em que a injeção de analgésicos e anestésicos pode interferir negativamente na pesquisa, uma vez que podem acontecer no organismo do animal reações químicas adversas dos atenuantes de dor com a droga a ser testada, podendo, por exemplo, agravar tumores, anular o efeito de uma outra droga ou, em casos mais raros, causar imprevisível reação alérgica em determinados indivíduos, dependendo das peculiaridades do organismo de um ou outro animal.</p>
<p style="text-align: justify;">Quarto, a comparação com a cirurgia humana não faz sentido, porque a vivissecção muitas vezes promove experiências baseadas em tentativa-e-erro, podendo ou não elas falhar e causar trágicas consequências, o que não acontece com as já prontas, consolidadas e bem desenvolvidas operações em seres humanos, cuja chance de falhar é muitíssimo menor que experiências vivisseccionais cujos efeitos ainda estão para ser descobertos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quinto, a Lei Arouca tem todo um condicionamento bem-estarista, mas é incapaz de alhear a experimentação animal de sua essência metódica, que é aprisionar, explorar, causar sofrimento e matar seres sencientes. É uma lei que não agrada nem a maioria das ONGs voltadas ao bem-estar animal.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">A próxima parte deste artigo terá mais perguntas e respostas a serem comentadas, de modo a desmascarar a argumentação de quem está interessado na continuidade da experimentação animal científica no Brasil.</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 1)</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 12:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Posts em Destaque*]]></category>
		<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
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<p style="text-align: justify;">A campanha do governo para “conscientizar” a população sobre a alegada importância de se promover a pesquisa com cobaias está aí. Não há apenas os comerciais televisivos, mas também um site (<strong><a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/" target="_blank">www.eticanapesquisa.org.br</a></strong>) feito exclusivamente para “esclarecer” os fundamentos do uso de animais em pesquisas. Nesse site, há depoimentos, vídeos e <a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/saibamais" target="_blank"><strong>um FAQ (frequently asked questions – perguntas frequentes) sobre o tema</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, o próprio FAQ mostra como são frágeis e incoerentes os argumentos dos vivisseccionistas (cientistas que realizam a vivissecção, a pesquisa com cobaias vivas) perante a verdadeira ética dos direitos animais. É fácil derrubá-los, bastando comentar as respostas dadas às perguntas listadas pelos criadores do site.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, e nas próximas partes deste artigo, comento a resposta dada a cada pergunta, desmontando a argumentação usada por quem está interessado em continuar explorando e matando animais em laboratórios.</p>
<p style="text-align: justify;">****</p>
<p style="text-align: justify;"><em>1. O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações que beneficiarão o próprio homem </em>[sic]<em>? E como ficam os direitos dos animais?<br />
Deve ficar claro que uso de animais em pesquisas não só beneficia o ser humano, mas também outros animais. Quase todos os grandes avanços na área da saúde durante o século XX utilizaram animais em suas pesquisas.<br />
Sobre o que se convencionou chamar de “direito animal”, entendemos que é obrigação da sociedade assegurar o bem-estar animal através de Leis claras que regulamentem a prática. Sem essa segurança respaldada na Lei, os animais estarão desprotegidos. O Brasil está fazendo sua parte e, desde 2008, tem uma Lei que regulamente a utilização de animais para propósito científico e didático em todo Território Nacional. Aos que infringirem a Lei, punições estão asseguradas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, a pergunta “O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações...?” não foi respondida. Preferiu-se enrolar o “questionador” recorrendo aos alegados benefícios científicos rendidos pela vivissecção ao ser humano e, através da medicina veterinária, aos animais domésticos. Hoje ainda é preferido, mesmo recorrendo-se à hipocrisia, omitir a multicentenária visão antropocêntrica e utilitarista dada pela comunidade científica à vida animal – de que a humanidade é moralmente a espécie superior e, por isso, pode determinar que certos animais não-humanos nasçam para servir perpetuamente aos interesses humanos e não tenham valor algum fora essa utilidade servil.<span id="more-5620"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, o conceito de direitos animais foi distorcido e espertamente confundido com o ainda incipiente Direito Animal, que geralmente pode ser compreendido como a seção do Direito reservada aos animais não-humanos enquanto sujeitos de direito. E, aproveitando-se que hoje o foco maior do Direito Animal é o bem-estar dos animais, o combate a atos de crueldade explícita – sendo questões ligadas aos direitos animais propriamente ditos ainda secundárias na atual abordagem legal –, uma nova enrolação foi promovida, dessa vez em torno da suposta obediência aos teóricos critérios de bem-estar estabelecidos na Lei Arouca.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada relacionado aos direitos dos animais à vida, à liberdade e a não ser propriedade de outrem é abordado – também pudera, considerando que a vivissecção lhes nega frontalmente esses direitos e os vivisseccionistas ainda não conseguem pensar em qualquer justificativa ética para essa negação. Em outras palavras, a pergunta “E como ficam os direitos dos animais?” também não é verdadeiramente respondida, preferindo-se enrolar o leitor com a falsa preocupação dos cientistas com o bem-estar de seus prisioneiros.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>2. Todos os animais envolvidos invariavelmente devem ser eutanasiados ao fim do processo de pesquisa?<br />
A maioria dos animais, depois de atingido o objetivo principal da pesquisa, são sacrificados. Em muitos deles, a análise de seus tecidos é fundamental para compreensão dos resultados das pesquisas que estão sendo realizadas. Esses animais são sacrificados de acordo com as regras humanitárias de eutanásia das Comissões de Ética, seguindo procedimentos regulamentados em normas internacionais. Esses procedimentos consistem em abreviar a vida do ser estudado sem dor ou sofrimento.?Além disso, a legislação brasileira, bem como as legislações de vários outros países, não permite que um animal seja reutilizado depois de atingido o propósito inicial da pesquisa.</em></p>
<p style="text-align: justify;">É sabido que nem todos os animais explorados em pesquisas são anestesiados, considerando que nem todas as experiências requerem o assassinato dos mesmos. Tanto que o Artigo 14, parágrafo 2º, diz que “excepcionalmente [sic], quando os animais utilizados em experiências ou demonstrações não forem submetidos a eutanásia, poderão sair do biotério após a intervenção, ouvida a respectiva CEUA quanto aos critérios vigentes de segurança, desde que destinados a pessoas idôneas ou entidades protetoras de animais devidamente legalizadas, que por eles queiram responsabilizar-se”. Ou seja, os animais “de laboratórios” não são invariavelmente executados. Isso bastaria para responder à pergunta.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, interessantemente, o respondedor da pergunta dá um tiro de fuzil no pé, com toda essa exaltação ao assassinato dos animais usados em experiências. Indiretamente ele fala que matá-los é parte essencial das pesquisas de vivissecção. Fala em seguida dos critérios “humanitários” de “eutanásia” desses bichos, mas isso é menos do que insuficiente para desbancar a argumentação dos defensores dos direitos animais.</p>
<p style="text-align: justify;">O que está em jogo na luta pelos direitos animais, ignoram ou desconhecem os formuladores do FAQ, não é se os animais são mortos de forma “digna", mas simplesmente se é direito nosso matá-los. E o que vemos na resposta à pergunta nº2 é que os cientistas arrogam para si esse “direito”, negando para isso o direito dos bichos à vida.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>3. Em que momento uma pesquisa se torna segura para ser realizada em humanos? E como é feita essa transição?<br />
Após o momento em que os testes com animais apresentam resultados seguros, eles serão realizados em um grupo pequeno de pacientes humanos (fase I) para somente em seguida serem realizado em um grupo expressivo de pacientes voluntários (fases II e III).</em></p>
<p style="text-align: justify;">Isso é uma confissão de que, em certo momento, os testes são inseguros demais para serem reproduzidos em seres humanos. Ou seja, são incertos e falhos demais e poderiam causar sofrimento e até morte nas pessoas que participassem da experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso quer dizer uma coisa: que há sim sofrimento nas pesquisas de vivissecção, sofrimento que foge ao controle da Lei Arouca. É quando as cobaias sofrem, por exemplo, com graves efeitos colaterais dos princípios ativos testados. É de se imaginar a agonia de um camundongo quando tem injetada em seu corpo uma droga cujos efeitos adversos ainda eram desconhecidos. Mesmo que seja eutanasiado pelo cientista uma hora depois de ter ingerido o medicamento em teste, ele sofreu, de qualquer jeito. E ainda foi morto precocemente depois de tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Considerando que, segundo os cientistas, o corpo do camundongo tem muitas semelhanças fisiológicas com o corpo humano, o que é inseguro para um é inseguro para outro de acordo com a própria lógica deles. Por que então pesquisas inseguras são realizadas em animais então, mesmo sabendo-se que estes poderão sofrer até a morte com os efeitos de tais experiências? Isso mostra como a argumentação bem-estarista dos formuladores da campanha é frágil, incoerente e muito contraditória.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Para deixar este artigo mais confortável de se ler, eu o dividi em partes. As próximas partes trarão mais perguntas e respostas desse FAQ que serão comentadas e desmascaradas, pelo bem dos animais não-humanos.</p>
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		<title>Abusos éticos na ciência</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 19:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Assassinato e Matança de Animais]]></category>
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		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
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		<category><![CDATA[Estupidez e Irracionalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Maus Tratos e Crueldade]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia Julho 2010]]></category>
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		<category><![CDATA[Tortura]]></category>
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		<description><![CDATA[Maioria dos cientistas já testemunhou abuso ético A maioria dos cientistas já testemunhou ou se envolveu em casos de infração científica como falsificação de dados ou plágio. É isso que revela um estudo inédito conduzido pelo Simmons College, dos Estados Unidos. De um total de 2.599 cientistas americanos e canadenses com pesquisas financiadas pelos Institutos [...]


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<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/770762-maioria-dos-cientistas-ja-testemunhou-abuso-etico.shtml" target="_blank"><strong><em>Maioria dos cientistas já testemunhou abuso ético</em></strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A maioria dos cientistas já testemunhou ou se envolveu em casos de infração científica como falsificação de dados ou plágio. É isso que revela um estudo inédito conduzido pelo Simmons College, dos Estados Unidos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>De um total de 2.599 cientistas americanos e canadenses com pesquisas financiadas pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), 84% disseram já ter presenciado ou participado de infrações científicas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Dentre os cientistas que participaram direta ou indiretamente de um trabalho com dados fraudulentos, 63% disseram ter tentado intervir para evitar o abuso.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>As informações, coletadas por meio de um questionário enviado por e-mail aos cientistas, respondido anonimamente, estão na edição desta quinta-feira (22) da revista "Nature". </em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Se fôssemos estender esse conceito de ética científica à exploração de seres sencientes, a porcentagem de cientistas da área de biomedicina a terem presenciado ou praticado abusos éticos seria 100%.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem diz "tratar com respeito e dignidade" os animais "de laboratório" mas de fato promove torturas <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/frase-da-semana-18-2407.html" target="_blank"><strong>mengelianas</strong></a> uma pior que a outra, violar a ética é fichinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem contar que o próprio ato de usar os animais em laboratório é <em>per se</em> uma violação ética.</p>
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		<title>Polvo Paul: zoológicos tratam animais como moedas de troca mútua para atrair vi$itantes</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 01:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprisionamento de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comercialização e Mercantilização de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão Animal]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia Julho 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Opressão]]></category>
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		<category><![CDATA[Posts e Atos de Conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Tradições Cruéis e Viciosas]]></category>
		<category><![CDATA[Zoológicos]]></category>
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		<description><![CDATA[Zoológico da Espanha quer adotar polvo vidente Copa 2010 Um dos grandes destaques da Copa do Mundo da África do Sul devido aos acertos de suas "previsões", incluindo a vitória da Espanha sobre a Holanda (1 a 0) na final, o polvo Paul poderá, em breve, se mudar para Madri. A direção do Zoo Aquarium, [...]


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</ol>]]></description>
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			</a>
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<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/esporte/766846-zoologico-da-espanha-quer-adotar-polvo-vidente.shtml" target="_blank"><strong><em>Zoológico da Espanha quer adotar polvo vidente</em></strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Copa 2010 Um dos grandes destaques da Copa do Mundo da África do Sul devido aos acertos de suas "previsões", incluindo a vitória da Espanha sobre a Holanda (1 a 0) na final, o polvo Paul poderá, em breve, se mudar para Madri.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A direção do Zoo Aquarium, localizado na capital espanhola, não está poupando esforços para convencer o Sea Life de Oberhausen, atual casa de Paul na Alemanha, a deixar o "polvo vidente" passar seus últimos meses de vida mais próximo dos espanhóis.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um porta-voz do aquário madrilenho afirmou nesta quarta-feira que os diretores do local estão dispostos a "cumprir tudo o que o Sea Life pedir" para que Paul se mude "o mais rápido possível".</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por isso, <strong>proporam</strong></em> <span style="color: #696969;">[sic]</span><em><strong> a troca do polvo por qualquer outro animal do zoológico espanhol. Uma quantia financeira, se preciso for, não está descartada.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Se Paul for mesmo transferido a Madri, os responsáveis pelo zoológico garantiram que ele receberá "toda a atenção" e o "carinho" dos espanhóis.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Isso não tem a ver com o bem-estar, muitíssimo menos com os direitos, do polvo que foi explorado durante toda a copa para divertir seres humanos. Tem a ver com atração de vi$itante$, de arrecadação. E só pensam minimamente no bem-estar do animal para não pegar mal para o zoológico de Madri.</p>
<p style="text-align: justify;">A praxe dos zoológicos é basicamente a exposição de animais exóticos, destituídos de liberdade, a um público que deseja vê-los a todo custo, mesmo fora de seu habitat natural. O argumento da educação ambiental é apenas uma roupagem "ética" moderna para justificar que os zoológicos continuem ganhando dinheiro pela exposição de bichos aprisionados -- a EA não estava entre os propósitos originais desses recintos, que não se incomoda(va)m em capturar e comprar animais sequestrados de seus habitats.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente a população madrilenha que visitará Paul não está nem aí para isso. Tudo o que querem é olhar por uns instantes para o "polvo vidente". Não pensam que ele poderia estar livre no oceano, em vez de aprisionado e exposto ao estresse de ser um objeto de curiosidade. Tudo o que pensam é que ele "é o vidente" e deve ser reverenciado, mesmo que sua real natureza nada tenha a ver com isso.</p>
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		<title>Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 47)</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/07/mais-uma-perversao-de-cientistas-torturadores-parte-47.html</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 19:49:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropocentrismo]]></category>
		<category><![CDATA[Aprisionamento de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Barbárie]]></category>
		<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão Animal]]></category>
		<category><![CDATA[Especismo e Arrogância Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Estupidez e Irracionalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Maus Tratos e Crueldade]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia Julho 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Opressão]]></category>
		<category><![CDATA[Palavra do Autor]]></category>
		<category><![CDATA[Pérolas]]></category>
		<category><![CDATA[Tortura]]></category>
		<category><![CDATA[Tradições Cruéis e Viciosas]]></category>
		<category><![CDATA[Vivissecção e Testes em Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ética e Moral]]></category>

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		<description><![CDATA[O cachorro é considerado o "melhor amigo do ser humano". Já o ser humano é o pior inimigo do camundongo albino. A maioria dos posts da sequência "Mais uma perversão de cientistas torturadores" não me deixa mentir, e este novamente expõe uma barbárie feita em nome da ciência contra essa espécie. Estresse ajuda ratos a [...]


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		</div>
<p style="text-align: justify;">O cachorro é considerado o "melhor amigo do ser humano". Já o ser humano é o pior inimigo do camundongo albino. A maioria dos posts da sequência "Mais uma perversão de cientistas torturadores" não me deixa mentir, e este novamente expõe uma barbárie feita em nome da ciência contra essa espécie.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,estresse-ajuda-ratos-a-lutar-contra-o-cancer-diz-estudo,578418,0.htm" target="_blank"><strong>Estresse ajuda ratos a lutar contra o câncer, diz estudo</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um pouco de estresse pode fazer bem para o corpo, ajudando a afastar o câncer, informam cientistas. <span style="color: #b22222;">Experimentos com camundongos mostram que <strong>os animais submetidos a situações estressantes, até mesmo a combates com outros camundongos</strong></span>, conseguiram se sair melhor <span style="color: #b22222;">contra o <strong>câncer</strong> do que camundongos deixados em paz</span>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os pesquisadores dizem que as descobertas, apresentadas na revista especializada Cell </em><span style="color: #696969;">[Tendo aceitado publicar uma pesquisa de tamanha crueldade como essa, começo a crer que o nome foi inspirado na maldade daquele vilão de Dragon Ball Z, chamado Cell.]</span><em>, apontam para um possível tratamento neurológico para o câncer.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>"O modo de vida, o como vivemos</em> <span style="color: #888888;">[Como <strong>nós</strong> vivemos? Ou como <strong>os camundongos</strong>, espécie distinta, vivem? Ah a velha presunção de cientistas de dizer que experiências torturando camundongos darão certo indubitavelmente em seres humanos...]</span><em>, pode muito bem ter um impacto muito maior no prognóstico do câncer do que vinha sendo reconhecido", disse o professor de neurociência Matthew During.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #b22222;"><em>A equipe de During <strong>injetou melanoma em camundongos, um tipo de câncer de pele, e deixou os tumores crescerem</strong>. Alguns dos animais foram postos numa grande <strong>gaiola</strong>, com muitos brinquedos, espaço e muito mais camundongos que o normal</em><span style="color: #696969;">[, para lhes provocar o estresse]</span>.<em><br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #8b0000;"><em>Outros ficaram em gaiolas comuns de laboratório.<span id="more-5522"></span></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Depois de três semanas, os tumores haviam encolhido quase pela metade nos animais deixados na gaiola "estimulante" </em><span style="color: #696969;">["estimulante" = eufemismo vergonhoso de <strong>estressante</strong>, <strong>angustiante</strong>]</span><em>,  e em 77% depois de sete semanas. Sem tratamento algum, a doença desapareceu em 17% desses camundongos. <span style="color: #8b0000;">Nos animais deixados nas gaiolas comuns, <strong>o câncer continuou a crescer normalmente</strong> </span></em><span style="color: #696969;">[Até morrerem, certamente.]</span><em><span style="color: #8b0000;">.<br />
</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>During acredita que algo mais do que simples estimulação agiu sobre os animais da gaiola coletiva. <span style="color: #8b0000;">Os camundongos de lá também ficaram um tanto estressados.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #8b0000;"><em>"Você vê em alguns deles marcas de mordida e de briga", disse ele. "Não foi tudo amistoso".</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Embora o senso comum indique que o estresse não é uma coisa saudável, a resposta do corpo a situações estressantes é complexa, e hormônios liberados por causa do estresse podem ter efeitos positivos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Para mostrar que os benefícios não vinham do exercício físico, os camundongos isolados receberam rodas de corrida. Eles correram até três vezes mais que os da gaiola coletiva, mas sem benefícios contra o câncer.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Experimentos mostraram que os camundongos do ambiente estressado estavam produzindo mais de uma substância do cérebro chamada fator neurotrófico derivado do cérebro. Esses composto reduz a produção de leptina, um hormônio ligado ao apetite e também associado ao melanoma e ao câncer de mama e de próstata.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Embora <strong>a leptina e o próprio melanoma tenham comportamentos diferentes em seres humanos e em camundongos</strong>, os pesquisadores <strong>acreditam</strong> que os resultados podem ajudar a revelar mecanismos ligados à doença também nas pessoas. </em><span style="color: #696969;">[Daí para dizer que a relação estresse X câncer <strong>realmente acontece</strong> em seres humanos, é uma distância mais que relevante, não acham?]</span><em><br />
</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Duas torturas em uma, não é fantástico? A tortura de ter um câncer crescendo mais a tortura do estresse, que, de tão intenso, provocou agressividade e violência entre os animais. Ou melhor, digo, pior: três torturas: houve também a situação de prisão, de privação de liberdade, que é uma tortura para qualquer ser senciente que tenha um sistema nervoso minimamente complexo.</p>
<p style="text-align: justify;">Se esse teste tivesse sido feito em um aglomerado de pessoas, que tivessem vivido aprisionadas durante toda a vida, com  injeção de células cancerígenas e provocação de estresse a ponto de causar violência entre <small>@</small>s prisioneir<small>@</small>s, seria denunciado ao mundo como uma monstruosidade, uma aberração criminosa só comparável aos campos de concentração nazistas, uma afronta mais que óbvia aos direitos humanos. Mas, como são "apenas" animais, "apenas" camundongos, a tortura é livre, e os Frankensteins realizadores de tal perversidade não correm risco nenhum de enfrentar processos ou ser presos por crueldade contra animais.</p>
<p style="text-align: justify;">Parabéns a essa equipe de gente dotada de insensibilidade e maldade. Em nome da ciência, promoveu-se mais uma vez uma épica crueldade, uma múltipla tortura.</p>
<p style="text-align: justify;">Não invoco mais a ALF (Animal Liberation Front) na sequência de experiências de tortura contra animais "de laboratório", mas no fundo dá aquele desejo de que uma ação direta de libertação desses animais e destruição das gaiolas tivesse impedido essa experiência criminosa de acontecer e poupado os animais de tanto sofrimento.</p>
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		<title>Qual o verdadeiro interesse da ciência vivisseccionista? Salvar vidas humanas ou alimentar um mercado?</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 00:51:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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			</a>
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<p style="text-align: justify;">Essa pergunta é respondida pela bióloga Sônia Felipe, em um artigo que recomendo para todo mundo que tenha assistido <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/responsabilidade-etica-respeito-de-mentira.html" target="_blank"><strong>ao comercial da famigerada campanha do governo federal e de organizações cientificas em prol da exploração de animais em pesquisas biomédicas</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Divulgar o artigo abaixo fará a diferença na investida d@s defensoræs dos direitos animais para reparar os danos da desinformação propagada pela campanha.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.pensataanimal.net/artigos/38-soniatfelipe/166-vivisseccao-um-negocio-indispensavel-aos-qinteressesq-da-cienciaq" target="_blank"><strong>Vivissecção: um negócio indispensável aos "interesses" da ciência"?</strong></a><br />
por Sônia T. Felipe, publicado em 2007 no site Pensata Animal</p>
<p style="text-align: justify;">Cientistas e pesquisadores que investigam as doenças que afligem humanos são treinados em centros de pesquisa na prática criminosa da vivissecção, proibida pela Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, quando há métodos substitutivos. Em muitos casos, a vivissecção é o único método no qual a inteligência científica recebe treinamento. Nos últimos quarenta anos, a pesquisa biomédica centrou esforços em experimentos com "modelos" obtidos às custas do sofrimento e morte de animais não-humanos, usados para espelhar as doenças produzidas num ambiente físico e mental humano. Entre essas estão o câncer, os acidentes vasculares, a hipertensão, a hipercolesterolemia, o diabetes, a esclerose múltipla, as degenerações neurológicas conhecidas por mal de Parkinson e mal de Alzheimer, a "depressão" e outras formas de sofrimento psíquico. Ratos, camundongos, cães, símios, cavalos, porcos e aves são comercializados no mercado vivisseccionista.</p>
<p style="text-align: justify;">Só para dar um exemplo: calcula-se que sejam 2,6 milhões de humanos sofrendo de esclerose múltipla ao redor do planeta. Os medicamentos obtidos a partir da vivissecção de roedores fracassaram. Cientistas reconheceram que a causa da doença é "ambiental", contribuindo para ela diferentes genes, não apenas um. Os medicamentos disponíveis hoje, de origem microbiana, não resultaram da vivissecção, e sim da codificação da estrutura físico-química deles (Greek &amp; Greek, Specious Science).</p>
<p style="text-align: justify;">Não sendo aquelas doenças de origem genética nem hereditária, qual seria o propósito científico em se insistir na arquitetura do modelo animal para buscar a cura delas?<span id="more-5518"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Talvez se possa saber a resposta, olhando para os interesses financeiros (reais "benefícios humanos"?), em jogo na base, em volta e por detrás da atividade vivisseccionista acadêmica e dos negócios que ela encobre. Consultando-se a tabela de preços das empresas que fornecem camundongos geneticamente modificados para pesquisas vivisseccionistas, por exemplo, começamos a ter uma idéia do que se esconde por detrás do argumento do "benefício humano", que os vivisseccionistas defensores da legalização desta prática anti-ética usam como escudo para protegerem-se das críticas abolicionistas.</p>
<p style="text-align: justify;">A pesquisa com animais vivos "beneficia interesses humanos": o preço de um camundongo geneticamente modificado, para citar apenas uma espécie usada na vivissecção, pode variar de U$ 100,00 a U$ 15.000,00 dólares a unidade. Os utensílios para o devido manejo de um animal desses não são oferecidos por preços camaradas. Um aparelho para matar, de forma "humanitária", animais usados na pesquisa, desativando-lhes as enzimas cerebrais, custa algo em torno de U$ 70.000,00 a unidade. Aparelhos para conter ratos, cães, gatos e macacos podem custar entre U$ 4.500,00 a U$ 8.500,00 a unidade. Os "produtores" de animais também são parte desta cadeia que forma a "dependência da ciência em relação à vivisseccção", sem a qual ela não pode sobreviver hoje, e à qual a vida e a saúde humana estão algemadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1999, relatam Greek &amp; Greek, a venda de camundongos nos Estados Unidos alcançou 200 milhões de dólares. A de outros animais chegou a 140 milhões de dólares. Mas os "benefícios humanos" aos quais os vivisseccionistas se referem em sua defesa pública da regulamentação da vivissecção no Brasil não se restringem apenas ao que os empresários produtores de animais e fabricantes de aparelhos para contê-los nos biotérios e laboratórios faturam. Também os editores das revistas, jornais e livros são parte desta comunidade humana "beneficiada" pela vivissecção. E, finalmente, o benefício humano mais espetacular está no faturamento da indústria química e farmacêutica, uma cadeia de negócios ao qual estão atreladas todas as farmácias ao redor do planeta e todas as pessoas que compram medicamentos alopáticos na esperança de cura ou alívio de seus males, e alimentos processados, cujos componentes levaram os animais a sofrerem o Draize Test e o LD 50.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, quando os vivisseccionistas publicam artigos defendendo a legalização de sua prática antiética, a de matar animais para inventar modelos que possam espelhar doenças humanas, mesmo sabendo que cada organismo tem sua própria realidade ambiental e não existe um meio que possa curar uma mesma doença em todos os indivíduos, pois cada um a desenvolve de modo peculiar, os "benefícios contábeis" e os "benefícios acadêmicos" acumulados em todos os elos dessa cadeia vivisseccionista são escondidos do leitor. Ninguém publica, no Brasil, um relato minucioso do montante destinado pelas agências financiadoras à pesquisa vivisseccionista. Por isso, não temos conhecimento dos custos do fracasso vivisseccionista (AIDS, câncer, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, diabetes, colesterolemia, doenças ambientais, muito mais do que genéticas).</p>
<p style="text-align: justify;">A pesquisa com animais levou a indústria farmacêutica ao apogeu nos últimos vinte anos. Não casualmente, nestes últimos vinte anos, multiplicaram-se as mortes por insuficiência circulatória, hipertensão, diabetes, câncer, síndromes neurológicas degenerativas, cirrose hepática e infecções. O componente ambiental dos males humanos não pode ser espelhado em organismo de ratos e camundongos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, vivisseccionistas insistem em defender a lei que legalizará sua prática, dando a entender ao público leigo que a vivissecção é a "saída" para a cura dos males humanos. Seus artigos "científicos" não produzem efeito, nem sobre seus pares vivisseccionistas. Como poderiam produzir efeitos sobre a saúde humana? 80% dos artigos publicados em revista especializada são citados no máximo uma vez em outros veículos, e 50% dos artigos vivisseccionistas jamais são citados, seja na mesma, seja em outras revistas (Greek &amp;Greek).</p>
<p style="text-align: justify;">Os milhões de animais mortos para que tais artigos sejam publicados e para que seus autores os contabilizem em sua produtividade acadêmica tiveram suas vidas destruídas para nenhum outro "benefício humano", a não ser dar a seus autores o título de mestre e doutor, ou a concessão de bolsas de produtividade.</p>
<p style="text-align: justify;">São esses os reais "benefícios humanos" da prática vivisseccionista, dos quais ninguém pode abrir mão?</p>
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		<title>Responsabilidade, ética e respeito&#8230; de mentira</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 22:36:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Posts em Destaque*]]></category>
		<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
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<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><a href="http://www.ufmg.br/boletim/bol1623/img/capa.jpg"><img title="vivisseccao" src="http://www.ufmg.br/boletim/bol1623/img/capa.jpg" alt="" width="480" height="327" /></a><p class="wp-caption-text">Essas mãos afagam o ratinho, mas estão prontas para torturá-lo a qualquer momento. O governo federal e a comunidade científica querem que essa realidade continue, por isso vêm empreendendo uma campanha para desinformar a população sobre a verdadeira natureza da experimentação animal. Imagem: site da UFMG</p></div>
<p style="text-align: justify;">Desde algumas semanas atrás o Ministério da Ciência e Tecnologia e diversas organizações científicas brasileiras, como o CNPq e a SBPC, vêm promovendo uma campanha de lavagem cerebral na população, no esforço de “conscientizar” a sociedade no que tange à “importância” do uso (eufemismo de exploração) de animais em pesquisas de laboratório – a chamada vivissecção. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=R8w5T0KWNPE" target="_blank"><strong>Vem sendo veiculado na TV um comercial de 30 segundos com esse intuito.</strong></a> Tal atitude adversa aos interesses dos animais – especialmente os de viver e ser livres – precisa ser desmascarada pelos defensores animais brasileiros, e é isso que este artigo busca fazer, ao analisar criticamente a mensagem veiculada na propaganda televisiva dessa campanha.</p>
<p style="text-align: justify;">O comercial em questão mostra, andando numa estrada, pessoas representando quem foi, por exemplo, curado de câncer, beneficiado com vacinas ou avanços científicos da cirurgia e gratificado com maior expectativa de vida. Durante a caminhada dos figurantes, fala-se sobre a estrada da vida pela qual toda pessoa caminha e sobre como os avanços biomédicos atribuídos à experimentação animal permitiram muita gente continuar andando sobre ela.</p>
<p style="text-align: justify;">A fala continua falando aquilo que todo defensor dos direitos animais sabe que é mentira: que os animais “de laboratório” são tratados “com ética e dignidade” e que esse tratamento “ético” hoje é lei – em referência à muito criticada Lei Arouca, lei bem-estarista sancionada em 2008. E aparece o lema “Pesquisa científica brasileira hoje: responsabilidade, ética e respeito aos animais”.<span id="more-5508"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para a população brasileira, culturalmente acostumada com o paradigma de usar os bichos visando interesses humanos, ainda que mediante métodos evidentemente violentos, e com o dogma moral de que os animais não-humanos nasceram para servir à humanidade como escravos, a “conscientização” trazida pela comunidade científica é mais que plausível. Está na cara: se os bichos vivem com o fim de nos servir e a vivissecção vem “salvando muitas vidas” (ainda que às custas da ceifa de milhares de vidas não-humanas), por que parar de fazer experiências com cobaias? Por que ouvir os “<em>vegans</em> chatos e radicais” e mudar aquilo que dá certo?</p>
<p style="text-align: justify;">Para os bichos, no entanto, a propaganda da “ética” vivisseccionista é puro trololó. Eles podem não ter consciência moral de que estão sendo explorados por um sistema de opressão em nome da ciência, tal como os proletários rebelantes da época de Karl Marx eram conscientes de que os seus patrões tycoons se beneficiavam de toda sua exploração e miséria. Mas sentem na pele, literalmente ou não, os horrores promovidos por um sistema cujos gestores dizem prezar pelo “respeito aos animais”. Uma vida infernal, que lhes veda a liberdade e, com frequência acima do excepcional, lhes traz sofrimento e morte precoce.</p>
<p style="text-align: justify;">Li oito artigos científicos brasileiros escritos em português, disponibilizados na <a href="http://www.scielo.br/" target="_blank"><strong>SciELO Brasil</strong></a>, cuja metodologia era a experimentação animal – seis em camundongos e dois em cães, todos publicados em 2009 ou 2010, depois da sanção da Lei Arouca. E em todos pude ver fatos que contrariam qualquer senso de dignidade e torna vazio o discurso da pseudoconscientização que vem sendo promovida.</p>
<p style="text-align: justify;">Em todas as pesquisas, os animais passaram toda a sua vida, exceto nos momentos de realização das experiências, aprisionados em gaiolas, sem o mínimo direito de saber o que é a liberdade e a natureza. Os cães, presos em gaiolas ou canis individuais, não tinham tutores que lhes dessem carinho, afeto e bons tratos, mas sim carcereiros.</p>
<p style="text-align: justify;">a) Pesquisa em camundongos 1<br />
Os camundongos foram obrigados a andar sem parar durante 45 minutos, todos os dias, durante oito semanas, provavelmente experimentando exaustão corporal. Terminaram executados em guilhotina.</p>
<p style="text-align: justify;">b) Pesquisa em camundongos 2<br />
Vários animais, depois de obrigados a realizar esforços físicos exaustivos, sofreram intolerância a esforço físico, taquicardia e até insuficiência cardíaca.</p>
<p style="text-align: justify;">c) Pesquisa em camundongos 3<br />
Os animais receberam injeção de veneno de serpentes amazônicas em uma das patas esquerdas. Diversos animais sofreram inflamação local, causando provavelmente dificuldades para os animais andarem.</p>
<p style="text-align: justify;">d) Pesquisa em camundongos 4<br />
Foi um teste de toxicidade: diversos camundongos foram envenenados com extrato de cravo-da-índia, com doses progressivas, no famigerado teste DL50, e vários deles morreram – deduz-se que os sobreviventes passaram por intenso sofrimento. Foi a experiência mais cruel da amostra de artigos que obtive, na qual testes seguintes ao DL50 tiveram consequências como “piloereção, edema de focinho, proptose, contorções abdominais, baixas excreções urinárias, e fecais com muco, redução da freqüência respiratória, distensão abdominal e agressividade, além de mortalidade acima de 80% dos grupos.”</p>
<p style="text-align: justify;">e) Pesquisa em camundongos 5<br />
A experiência consistia no desmame de filhotes de camundongos. As mães viveram engaioladas por toda a vida e os filhotes de várias delas lhes foram roubados pelos cientistas aos 14 dias de vida, provavelmente causando sofrimento emocional intenso nas mães separadas de sua prole. Os filhotes foram mortos pelos cientistas, depois de anestesiados, ao 63º dia de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">f) Pesquisa em camudongos 6<br />
Os animais foram induzidos a contrair câncer de esôfago com a substância carcinogênica dietilnitrosamina; a cada 30 dias, números variados de animais eram mortos em câmara de gás carbônico. Todos os animais da pesquisa foram executados.</p>
<p style="text-align: justify;">g) Pesquisa em cães 1<br />
Os cães tiveram a alimentação cortada nas doze horas anteriores a uma anestesia. Tiveram variadas drogas injetadas em seu organismo durante a cirurgia. Foi uma experiência extremamente invasiva, com abertura da pele para exposição de vasos sanguíneos e introdução de sondas e catéteres nesses vasos e até no cérebro.</p>
<p style="text-align: justify;">Na fase de recuperação, um cão de uma das amostras teve vômito, enquanto os animais da outra amostra “apresentaram contrações musculares tônico-clônicas de grande amplitude durante a recuperação, além de vômitos, que foram contidos com a administração de diazepam e metroclopramida, respectivamente. Cinco animais necessitaram de segunda dose de diazepam. Houve um caso de óbito neste grupo, que ocorreu após o período experimental.”</p>
<p style="text-align: justify;">h) Pesquisa em cães 2<br />
Os bichos tiveram corte de alimentação e de água por doze horas antes da cirurgia experimental. Era sabido que alguns animais poderiam passar por grande sofrimento, uma vez que o segundo maior nível de disfunção neurológica previa “dor à palpação epaxial, paraplegia, incontinência urinária e presença de dor profunda”. Passaram por duas cirurgias, recebendo na primeira uma significativa variedade de substâncias medicamentosas. Um dos cães “apresentou alterações neurológicas na marcha e deficiências neurológicas durante o período de avaliação, provavelmente pela manipulação cirúrgica”.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Estes artigos, que, repito, foram publicados depois da sanção da Lei Arouca, nos fazem refletir: cadê a “ética e dignidade” nisso tudo? Há alguma dignidade em manter animais aprisionados durante toda a vida, em lhes forçar experiências invasivas e tortuosas, das quais poderão ou não sair vivos? Que espécie de respeito  existe em experimentos que implicam o assassinato dos animais abusados?</p>
<p style="text-align: justify;">Lanço um argumento que deixa muitas pessoas fulas da vida, mas que ainda assim profiro para desafiar sua concepção especista de ética e respeito: se a campanha fala tanto que a comunidade científica trata os animais não-humanos com “responsabilidade, ética e respeito”, então nada impede que comece a fazer experimentos em seres humanos, mesmo involuntários. Não serão tratados de forma digna, ética, responsável e respeitosa? Então por que não estender essa experiência a pessoas?</p>
<p style="text-align: justify;">Isso nos leva à conclusão de que a pretensa “ética e dignidade” que a campanha alega existir na vivisseção brasileira é um engodo, lançado com a mensagem codificada de que as organizações científicas brasileiras não estão interessadas em aceitar sequer debater sobre as objeções éticas à metodologia de cobaia lançadas pelos defensores dos direitos animais, quanto mais procurar modificar seus meios de pesquisa desenvolvendo métodos alternativos que não requeiram explorar nenhum ser senciente.</p>
<p style="text-align: justify;">No momento em que publico este texto na mídia alternativa, o governo (Min. Ciência e Tecnologia) e organizações como a SBPC e o CNPq estão levando adiante sua ofensiva que visa alienar e desinformar os brasileiros sobre a real natureza da experimentação animal. Em vez de respeito aos seres que sentem e sofrem, propagam a continuidade do sistema de exploração e tortura de seres não-humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso as entidades de defesa dos direitos animais precisam, mais do que nunca, começar uma contracampanha para promover a verdadeira conscientização, para que o Brasil passe a desejar libertar os animais das gaiolas dos laboratórios em vez de pensar que depende do aprisionamento e sofrimento deles para viver.</p>
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		<title>Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 45: rinha de camundongos)</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 23:24:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprisionamento de Animais]]></category>
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		<description><![CDATA[Ganhar brigas em local familiar aumenta vontade de brigar Camundongos que vencem lutas em locais em que estão familiarizados aumentam sua agressividade e sua habilidade de vencer novas brigas. E esse comportamento está associado a mudanças no funcionamento de um hormônio masculino no cérebro. Matthew Fuxjager e colegas, da Universidade de Wisconsin, em Madison (EUA), [...]


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			</a>
		</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/762201-ganhar-brigas-em-local-familiar-aumenta-vontade-de-brigar.shtml" target="_blank"><strong><em>Ganhar brigas em local familiar aumenta vontade de brigar</em></strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #8b0000;">Camundongos</span> que vencem <span style="color: #8b0000;">lutas</span> em locais em que estão familiarizados <span style="color: #8b0000;">aumentam sua agressividade</span> e sua habilidade de vencer <span style="color: #8b0000;">novas brigas</span>. E esse comportamento está associado a mudanças no funcionamento de um hormônio masculino no cérebro.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Matthew Fuxjager e colegas, da Universidade de Wisconsin, em Madison (EUA), investigaram em cérebros de camundongos o efeito de vencer brigas em locais bastante conhecidos ou pouco conhecidos.<br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A equipe colocou um grupo de <span style="color: #8b0000;">camundongos</span> em <span style="color: #8b0000;">gaiolas</span> conhecidas (casa) e o outro em <span style="color: #8b0000;">gaiolas</span> pouco conhecidas (fora de casa). As vitórias eram garantidas porque os rivais eram menores. Após três vitórias consecutivas, os cérebros dos vencedores dos dois grupos foram analisados. </em><span style="color: #696969;">[Essa análise pode ter implicado o assassinato dos animais, ou não. Vivisseccionistas costumam matar os animais que torturaram para analisar seus corpos.]</span><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Camundongos que venceram em casa ou fora de casa tiveram um aumento na expressão de receptores do hormônio masculino androgênio numa região do cérebro que influencia agressão, explicando o <span style="color: #8b0000;">aumento na agressividade</span>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Mais importante, vitórias em casa aumentaram a sensibilidade a androgênio em regiões que modulam motivação e recompensa. Os camundongos do grupo que lutou em casa também venceram mais lutas subsequentes comparados com camundongos que lutaram apenas fora de casa.<span id="more-5476"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A experiência de ter vencido causa mudanças neuronais que aumentam a agressão e a vontade de lutar, afirmam os autores. O estudo foi publicado no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences".</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Depois de inúmeras formas e violência (envenenamento, indução ao consumo de drogas, eletrocução, indução ao estresse...), a violência da vez é induzir animais à briga. Camundongos incitados pelos Frankensteins se agridem, machucam uns aos outros, saindo feridos, sentindo dores físicas e psicológicas significativas, com o corpo escoriado, talvez sangrando. Tanto como numa rinha de galos ou de cães, cuja promoção é crime no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Rinhas com o fim de entretenimento são crimes punidos com todo o rigor legal e policial. Já rinhas com o fim de pesquisa científica são legalizadas e livremente praticadas, mesmo que a violência seja a mesma, de intensidade semelhante.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta notícia nos mostra de forma mais óbvia do que em outras experiências de tortura: <strong>vivissecção é violência</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">P.S: a partir de hoje, não vou repetir mais o bordão <strong>ALF, socorrro!!!</strong>. Eu pessoalmente apoio a prática da libertação animal literal que promovem, mas não me incumbo aqui no blog de convencer <small>@</small>s leitoræs a apoiarem também métodos cuja moralidade é muito questionada (não por mim) e não ajudam muito a conscientizar a população, como a destruição de laboratórios.</p>
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		<title>Quando a exploração animal se casa com o crime ambiental</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 12:20:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Animais Silvestres]]></category>
		<category><![CDATA[Animais Tratados como Propriedade]]></category>
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		<category><![CDATA[Assassinato e Matança de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Barbárie]]></category>
		<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comercialização e Mercantilização de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ecocâncer]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão Animal]]></category>
		<category><![CDATA[Estupidez e Irracionalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia Junho 2010]]></category>
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		<category><![CDATA[Palavra do Autor]]></category>
		<category><![CDATA[Posts e Atos de Conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Tradições Cruéis e Viciosas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética e Moral]]></category>

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		<description><![CDATA[Contrabando ameaça os peixes da Amazônia A Polícia Federal (PF) está se deparando com um novo tipo de crime na Amazônia. Além da biopirataria e do narcotráfico - principais delitos nas fronteiras - a PF vem combatendo o contrabando de peixes brasileiros para a Colômbia e o Peru. O destino final são os Estados Unidos [...]


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			</a>
		</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/06/26/brasil5_0.asp" target="_blank"><strong><em>Contrabando ameaça os peixes da Amazônia</em></strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Polícia Federal (PF) está se deparando com um novo tipo de crime na Amazônia. Além da biopirataria e do narcotráfico - principais delitos nas fronteiras - a PF vem combatendo <strong>o contrabando de peixes brasileiros</strong> para a Colômbia e o Peru. O destino final são os Estados Unidos e a Europa, onde chegam como se não fossem de origem brasileira. <span style="color: #8b0000;">Além dos peixes comuns, são retirados dos rios amazônicos espécimes considerados ornamentais, como o aruanã, <strong>cujo exemplar chega a ser comercializado por R$ 14 no mercad<span style="color: #8b0000;">o asiático</span></strong></span><span style="color: #8b0000;">.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>As autoridades brasileiras não sabem estimar a quantidade de peixe que deixa o território nacional e segue para o exterior de forma ilegal. Mas as investigações da Polícia Federal indicam que os contrabandistas têm um alvo preferencial. "São as espécies sem escamas, como o surubim e a pirarara, entre outros. Os chamados peixes lisos", afirma o superintendente da PF no Amazonas, delegado Sérgio Fontes. Além disso, os agentes descobriram que os grupos atuam entre o Médio e o Alto Solimões, mais precisamente nas regiões de Tefé e Tabatinga, na fronteira com Letícia, na Colômbia, para onde os peixes são enviados - e de onde são exportados como <strong>produto</strong> colombiano.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Só em abril deste ano, a polícia impediu, durante a Operação Macaco D'Água, o comércio ilegal de quase cinco mil alevinos de aruanã. <span style="color: #8b0000;">Os métodos de captura utilizados pelos criminosos são altamente predatórios. Como os filhotes se protegem na boca do peixe adulto macho, os contrabandistas tentam forçar a expulsão deles jogando explosivos na água, o que provoca a mortandade de diversas outras espécies naquele trecho do rio.</span> Na ação da PF, que teve a presença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foram presas 13 pessoas, inclusive mulheres. </em><span style="color: #696969;">[Não que eu defenda que mulheres têm o mesmo "direito" de cometer crimes que os homens, mas por que o jornal tem que dar uma ressalva quando há mulheres envolvidas no crime?]</span><em><span id="more-5420"></span></em><em><strong>As espécies ornamentais são altamente valorizadas nos EUA, onde o preço final é algo em torno de R$ 13, a unidade.</strong> Na extremidade dessa cadeia produtiva trabalham os ribeirinhos, que repassam o alevino por não maisque R$ 1. Quando este chega em Letícia ou em Santa Rosa, no Peru, já está custando R$ 2,5. Daí em diante, a cotação é em dólar. O lucro exponencial é o principal estímulo dessa modalidade de tráfico.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No ano passado, o Ibama realizou, nas Ilhas Anavilhanas, no Amazonas, a apreensão de sete mil exemplares, que seriam levados para Manacapuru, também no estado. De lá, os peixes partiriam para a Colômbia e, posteriormente, para a Ásia. <strong>Em alguns países do continente, muitos negociantes mantêm grandes aquários com espécimes ornamentais por pura superstição.</strong> A legislação brasileira, no entanto, proibe a exportação do aruanã - o mais visado pelos criminosos -, que só é encontrado na Amazônia. A preocupação das autoridades brasileiras não é apenas com os peixes ornamentais, mas também com o pescado. Diariamente, navios colombianos deixam os cais de Letícia e de Santa Rosa rumo a outros portos do país, de onde as espécies seguem para o exterior.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Novamente trago o detalhe mais importante de toda essa modalidade de crime: isso só é lucrativo porque há uma demanda, há pessoas que compram peixes para fazerem deles prisioneiros de aquário.</p>
<p style="text-align: justify;">Operações repressivas numa realidade que não vê o tratamento de animais como propriedade como agressão ética são nada mais que enxugamento de gelo. O Ibama sempre, sempre terá animais para apreender e contrabandistas de animais sequestrados para punir enquanto não se começar a tentar mudar a cultura e legislação brasileiras, de modo que se passe a reconhecer e respeitar os direitos animais e o tratamento de animais como propriedade passe a ser visto como crime, punível pela lei.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, eu sei que o crime em questão envolve a exportação dos peixes para outros países. Mas, num país onde os direitos animais são respeitados e a mercantilização da vida senciente seja criminalizada em vez de regulamentada, é muito mais difícil que haja crimes desse tipo, que haja brasileir<small>@</small>s vivendo da mercantilização criminosa de animais, mesmo tendo outros países como fregueses.</p>
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		<title>Zoológicos e as tragédias causadas pela exploração animal</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 03:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Palavra do Autor]]></category>
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		<category><![CDATA[Tradições Cruéis e Viciosas]]></category>
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		</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/bbc/750693-tigres-matam-pai-e-ferem-filho-em-zoologico-chines.shtml" target="_blank"><strong><em>Tigres matam pai e ferem filho em zoológico chinês</em></strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #8b0000;">Um grupo de tigres matou um homem e feriu seu filho em um zoológico</span> na cidade de Xian, região central da China, disse um funcionário do parque nesta segunda-feira.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Segundo afirmou Jiao Congling à agência estatal de notícias da China, Xinhua, os cinco tigres do zoo Qinling atacaram os dois por volta das 13h20 do domingo, hora local (2h20 de sábado em Brasília).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O pai, de 45 anos, estaria levando o filho, de 17, ao parque para comemorar a aprovação dele no exame nacional para ingressar numa universidade.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color: #8b0000;">O homem morreu no local após ser mordido na cabeça e no pescoço.</span> Seu filho ficou apenas levemente ferido.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>"O portão para a área dos tigres estava aberto, então entramos. Mas então os tigres nos atacaram", afirmou o jovem, identificado apenas como Zhang.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Uma investigação preliminar indicou que um funcionário do parque esqueceu de fechar o portão.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O porta-voz do zoológico, porém, afirmou o local estava sinalizado com avisos pedindo aos visitantes para que não entrassem na área dos tigres.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O gerente do zoológico foi preso provisoriamente durante as investigações sobre o incidente.</em></p>
</blockquote>
<p>Se zoológicos não existissem e, ao invés, existissem santuários de conservação da fauna, essa tragédia não teria acontecido. Não esperemos coisa boa de lugares que aprisionam animais e os expõem como se fossem peças de museu.</p>
<p>Fora o aprisionamento, a exploração de animais em zoológicos é sutil demais para que o senso comum lhe tome conhecimento. Precisamos enxergar que, sendo a intenção conservacionista deles apenas muito recente -- e inadequada --, a finalidade maior dos zoológicos é a exposição de animais como objetos exóticos, tendo as jaulas a função de vitrines.</p>
<p>Leia mais sobre como os zoológicos infringem os direitos animais e, depois de refletir, decida pelo boicote definitivo a esse tipo de estabelecimento.</p>
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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Notícias que não deveriam ser divulgadas (Parte 2)</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/06/noticias-nao-deveriam-ser-divulgadas-parte-2.html</link>
		<comments>http://consciencia.blog.br/2010/06/noticias-nao-deveriam-ser-divulgadas-parte-2.html#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 03:34:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Animais Tratados como Propriedade]]></category>
		<category><![CDATA[Aprisionamento de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Assassinato e Matança de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Barbárie]]></category>
		<category><![CDATA[Carne]]></category>
		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Consumo e Consumismo]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão Animal]]></category>
		<category><![CDATA[Leite e Ovos]]></category>
		<category><![CDATA[Maus Tratos e Crueldade]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia Junho 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Opressão]]></category>
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		<category><![CDATA[Posts e Atos de Conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Tortura]]></category>
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		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>
		<category><![CDATA[Ética e Moral]]></category>

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		<description><![CDATA[Saiba o que Um Ovo Por Dia Faz Pela sua Saude (fonte: blog Lulucha) Coma um ovo por dia para ganhar músculos e perder gordura. Ele contém albumina; que aumenta a massa magra; e leucina que ajuda a manter. Quando pensa no consumo de proteínas, pouca gente se lembra dele, mas o ovo é uma [...]


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		</div>
<blockquote><p><em><strong>Saiba o que Um Ovo Por Dia Faz Pela sua Saude</strong></em> (fonte: blog Lulucha)</p>
<p><em>Coma um ovo por dia para ganhar músculos e perder gordura.</em></p>
<p><em>Ele contém albumina; que aumenta a massa magra; e leucina que ajuda a manter.</em></p>
<p><em>Quando pensa no consumo de proteínas, pouca gente se lembra dele, mas o ovo é uma alternativa bastante saudável para repor os aminoácidos essenciais ao funcionamento do organismo. As proteínas são de extrema importância para o nosso organismo por sua função construtora e reparadora, além de participarem da formação de hormônios, enzimas e anticorpos.</em></p>
<p><em>A variedade de opções no preparo (cozido, mexido ou em omeletes) conta a favor de inclusão do ovo na dieta...</em></p></blockquote>
<p>Tem certeza que comer ovos faz bem?</p>
<p style="text-align: justify;">Para os animais não faz nada bem. Vejam por quê, em um vídeo de denúncia, brasileiríssimo, do meu colega irmão de consciência Guiminha.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/o0L6pz2KhIg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/o0L6pz2KhIg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que a notícia no topo deste post é mais uma que <strong>não deveria ser publicada nem divulgada</strong>, por fazer uma apologia ao consumo irresponsável e à consequente perpetuação de um terrível regime de exploração animal, que ninguém desejaria ver replicado num regime semelhante de exploração humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Relembro que não divulgo o link da fonte dessas notícias impublicáveis, mas apenas o nome do site ou blog que o publicou, pois não quero ajudar a passar as más mensagens.</p>
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		<title>Livro infantil faz apologia ao aprisionamento de pássaros</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/05/livro-infantil-faz-apologia-ao-aprisionamento-de-passaros.html</link>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 16:05:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprisionamento de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
		<category><![CDATA[Denúncia do Cidadão]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Livros e Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Posts e Atos de Conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Pérolas]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Outros/as Autores/as]]></category>
		<category><![CDATA[Tradições Cruéis e Viciosas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética e Moral]]></category>

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		<description><![CDATA[Luciene Cardoso, colunista da ANDA, denuncia um livro infantil que faz apologia descarada ao aprisionamento de pássaros, dando a entender que pássaros podem ser felizes mesmo presos e um tratamento de bem-estar pode tornar aceitável o confinamento de aves em gaiolas. Competência literária versus incompetência ética por Luciene Cardoso, na ANDA Desde que comecei a [...]


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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">Luciene Cardoso, <a href="http://www.anda.jor.br/?cat=105" target="_blank"><strong>colunista da ANDA</strong></a>, denuncia um livro infantil que faz apologia descarada ao aprisionamento de pássaros, dando a entender que pássaros podem ser felizes mesmo presos e um tratamento de bem-estar pode tornar aceitável o confinamento de aves em gaiolas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anda.jor.br/?p=52001" target="_blank"><strong>Competência literária versus incompetência ética</strong></a><br />
<em>por Luciene Cardoso, na ANDA</em></p>
<p style="text-align: justify;">Desde que comecei a escrever para esta coluna, muitos livros infantis  vêm cair em minhas mãos. Tenho na medida do possível analisado os  livros para um possível comentário aqui. Dentre esses livros, me deparei  com um que me pareceu especial. O que me chamou a atenção em primeiro  lugar foi a autora. Trata-se de uma das maiores escritoras de livros  infantis que conheço: Tatiana Belinky. Outra coisa que me fez atentar  para ele foi a ilustração da capa: uma menina segurando uma gaiola, com  um lindo passarinho amarelo dentro dela. Logo imaginei tratar-se de uma  crítica às prisões que são impostas aos pobres pássaros privados de seu  maior poder: o de voar.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro é <em>Stanislau</em>, publicado pela editora Ática, indicado,  segundo a editora, para crianças a partir de quatro anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Comecei a ler o livro e meu julgamento inicial foi logo se  desfazendo. Percebi como a genialidade de uma autora é capaz de envolver  uma criança até para embutir nela conceitos errados.  A história começa  apelando para a vontade de toda criança em ter um bichinho de  estimação. A pequena Nica faz aniversário e ganha de sua tia Regina um  lindo canário em uma gaiola. Nem precisa dizer que foi o presente de que  a menina mais gostou. A partir daí Tatiana Belinky vai descrevendo com  muita competência a relação de amizade entre os dois.</p>
<p style="text-align: justify;">A menina trata muito bem seu novo amiguinho, limpa sua gaiola, troca a  água do bebedouro, lhe dá vitamina e alpiste. Stanislau, que foi o nome  escolhido pela menina, agradece todo esse carinho, cantando e se  balançando no poleiro. E assim segue o livro contando como os dois são  felizes juntos. Até que um dia uma vizinha implicante dá uma dura na  menina dizendo que passarinho não é para ficar preso e que ele foi feito  para voar livre. Nesse momento imaginei que o rumo da história mudaria  e, enfim, o bom senso prevaleceria. Afinal uma autora que eu admiro  tanto não poderia me decepcionar. Mas foi exatamente o que aconteceu. A  fala da tal vizinha ficou na cabeça de Nica e ela até pensou que a  mulher poderia ter razão. Foi então que o inesperado aconteceu.<span id="more-4024"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Stanislau, em um momento de distração da tutora, escapa da gaiola e  tenta sair voando. Desesperada, Nica sai atrás do bichinho, mas ele não  consegue voar muito longe e cai no chão. Então a menina que amava seu  amiguinho o recolhe, cuida dele e o coloca novamente na gaiola e chega à  seguinte conclusão, nas palavras do próprio livro, que vou reproduzir  aqui: “A dona Quita pode até estar certa quando diz que é maldade pegar  passarinho e trancar na gaiola. Mas com você é diferente, você nasceu e  se criou na gaiola: não saberia viver fora dela.” E assim termina o  livro com a ilustração do pássaro feliz dentro da gaiola.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam só quantos conceitos errados a respeito dos animais a autora  conseguiu passar em um livrinho de 24 páginas. Primeiro, que se pode dar  um animal de presente para alguém. Segundo, que esse animal pertence a  esse alguém que tem o direito de mantê-lo preso em troca de um bom  tratamento. Depois, que uma jaula grande é melhor do que uma jaula  vazia. E ainda o conceito de “animais de cativeiro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes são, infelizmente, conceitos de bem-estarismo tão comuns hoje  em dia. Usam-se os mesmos conceitos para explicar às crianças os  critérios de criação de gado e outros animais. Ou ainda explicar por que  adoramos os cães e matamos as vacas. Afinal as vacas foram feitas para  ser alimento e os cães, não. Então nos chocamos com o consumo de cães na  China.</p>
<p style="text-align: justify;">O pior de tudo é que a autora sabe conduzir a história e seduzir o  pequeno leitor. E sou capaz de apostar que muitas crianças terminam o  livro convencidas de que não há problema algum em manter um passarinho  na gaiola. É a competência literária <em>versus </em>a incompetência  ética.</p>
<p style="text-align: justify;">Francamente, a publicação desse livro foi um verdadeiro desserviço à  causa animal. Espero, e muito, que ele não seja recomendado e nem  adotado por nenhum professor consciente.</p>
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