Assine, pelos animais do Recife
O abaixo-assinado que anuncio aqui visa demonstrar o apoio da população recifense (e a solidariedade de pessoas de outras cidades) aos dois projetos de lei a favor dos animais propostos pelo vereador Daniel Coelho (do Partido Verde).
O primeiro é o PL número 31 (não sei de que ano), que institui o Programa para Redução Gradativa do Número de Veículos de Tração Animal, o qual pretende diminuir gradualmente a exploração de cavalos, mulas e jumentos como tração de carroças, além de dar melhores condições de trabalho para catadores que hoje, sem outra opção, exploram esses animais. Como qualquer pessoa minimamente instruída sabe, animais explorados como tração de carroças são submetidos a chibatadas frequentes, obrigados a puxar a carroça de sol a sol, mesmo que a carga desta supere sua força, e até são ocasionalmente agredidos por maus tutores. Esses animais estão sujeitos a desmaiar ou mesmo falecer por estafa, fraqueza, exposição excessiva ao calor ou doenças variadas.
O segundo PL, de número 66 (novamente não sei o ano), dispõe sobre o controle reprodutivo de animais "de rua" (lembre-se: cães e gatos habitam as ruas porque foram abandonados por maus/más tutoræs) e veda a matança indiscriminada dos mesmos. Ao que entendi (embora isso não conste na página do abaixo-assinado), animais sadios não poderão mais ser assassinados, e apenas bichos doentes portadores de enfermidades graves e infectocontagiosas poderão ser eutanasiados dentro de 90 dias. Provavelmente será implantada uma política de castração e vacinação e será combatida a violência dos maus tratos que hoje são praxe no Centro de Vigilância Ambiental do Recife.
Pela solidariedade, pelo bem dos animais do Recife, assine a petição abaixo:
Obs.: este abaixo-assinado não tem fins de apoio eleitoral ao vereador Daniel Coelho ou ao PV.
É festa de rodeio! (Parte 3)
Essa foi notícia que deu o que falar durante aqueles dias do Inferno de Barretos de 2009.
Boi é visto como máquina nos rodeios e "aditivos" aos animais causam polêmica
As carretas chegam e desembarcam as "máquinas". Socos e choques ajudam a manobrá-las para os boxes... quer dizer: os currais do lado de fora da arena. Isso acontece quatro horas antes de eles começarem a apresentação de oito segundos de salto e rodopios tentando ejetar seu piloto.
Antes da performance, é amarrado um sedém em sua virilha. E é essa tira de lã de cordeiro que gera a maior polêmica do rodeio. Os organizadores falam que o utensílio dá apenas cócegas no bovino para que ele salte em círculos. Para os defensores dos animais, o sedém machuca e é o "aditivo" para tantos saltos na arena. Como boi não dá depoimento, a indústria do peão de boiadeiro segue movimentando milhões (o cálculo oficial fica em R$ 200 milhões).
Um dos que mais faturam nesse nicho são os tropeiros, denominação para os donos das manadas. Paulo Emílio é um deles. Tem 200 touros e quatro carretas para transportá-los. Em sua fazenda, os bovinos contam com exercícios de hidroginástica em um açude que devem atravessar para perder barriga, além de uma pista de areia para fortalecerem as patas.
Analisando e refutando as leis nacionais dos rodeios
Artigo escrito em outubro de 2007
Muitos peões, organizadores de rodeio e mesmo amantes dos rodeios, perante os protestos das associações de defesa animal, costumam argumentar que as leis nacionais dos rodeios existem para legalizar a atividade, distanciando-a da possibilidade de ser considerada crime, minimizar o sofrimento infligido aos animais e coibir maus tratos nessas atividades. Essas leis são a 10.220/01, que regulamenta a atividade de peão de rodeio, e a 10.519/02, que trata de cuidados sanitários e outras providências para os rodeios.
Eles não esperavam, no entanto, que aparecesse alguém para refutar essa lei e seus fundamentos utilizando de análise minuciosa dos artigos, parágrafos e incisos. Como não encontrei nenhum site de proteção animal analisando essas leis, este artigo conseguiu ser uma investida pioneira contra as argumentações dos amantes de rodeios e dos seus profissionais.
Abaixo estão as duas leis federais dos rodeios dissecadas e a análise refutatória das mesmas. Elas estão dispostas na ordem original, sem nenhuma alteração na ordenação dos artigos, parágrafos e incisos. Nenhum artigo, parágrafo ou inciso foi omitido. Cada trecho das leis está entre aspas e suas refutações estão logo abaixo dele.
A evangelização traz a salvação moral?
Artigo escrito em janeiro de 2009
Esse é um fenômeno quase tão antigo quanto a primeira igreja evangélica e não é exclusivo do Brasil, mas percebi que hoje seus motivos estão fortes como há muito não estavam e tornou-se inevitável uma análise da situação ser feita. Trata-se da recorrência de muitas pessoas, de qualquer classe sócio-econômica, ao cristianismo pentecostal para se refugiar das falhas graves de moralidade que os provedores de cultura de massas vêm cometendo.
Quem ainda não conheceu um evangélico que demonstre manifestamente a rejeição às imoralidades mundanas contemporâneas? É de se notar, no entanto, por quem tem sobriedade intelectual, senso crítico e conhecimento suficiente de abusos religiosos, que, por mais que se espere no cristianismo e na igreja um Eldorado da retidão moral e dos chamados bons costumes, ele não o é e muitas vezes exerce um papel totalmente inverso, o de provedor de outras imoralidades e vícios.
Não é à toa que muitos ex-cristãos que hoje não têm mais religião concluem que, ao contrário do que o crescente número de evangélicos espera em seu novo padrão de comportamento, “aceitar Jesus” não é nem nunca foi garantia de se alcançar uma vida de salvação moral.
“Onde está essa tal decadência moral de que tanto falam?”, é necessário perguntar para querer compreender o ponto de vista cristão. Além daquelas tradicionais afirmações de que “as pessoas estão caindo cada vez mais facilmente na promiscuidade”, “não há mais respeito mútuo como antigamente(?)”, “os valores de hoje estão levando muitos às drogas, ao álcool, à autodestruição”, “o amor ao próximo está sendo desvalorizado” e outras que apontam, com ou sem razão, com ou sem vieses preconceituosos, a tendências de relaxamento do que chamam de “moral e bons costumes”, realmente são apontáveis diversos pontos em que os instrumentos que provêm cultura para as massas e influenciam decisivamente os seus hábitos estão atentando de fato contra a moralidade e agredindo diversos valores éticos sociais nos dias de hoje.
Dez frases que nunca direi
Obs.: a ordem não quer dizer nada.
1. Velha, me dá dinheiro pra comprar um galeto ali na esquina?
2. O homem [predicado qualquer, não relacionado a gênero, sobre biologia, filosofia ou ciências humanas].
3. Ainda vou comprar aquele Nike Shox made in China fuderoso.
4. [no telefone] Vou fazer um churrasco aqui na frente de casa nesse domingo, com carne de todo tipo, pra todos os gostos, e você está convidada.
5. É isso mesmo, eu deixei de ser vegetariano, desisti.
6. Tô chateado porque me esqueceram de convidar pra Vaquejada de Carpina.
7. [Algum/a colega vegetarian@], você deveria pensar nas crianças que estão passando fome no centro da cidade em vez de estar discutindo sobre animais irracionais.
8. Anuncio logo: vou querer de presente os últimos CDs de Jennifer Lopez e Amy Winehouse.
9. Esse cachorro tem dono [sic]?
10. Em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém.
“Crueldade contra animais nas seções de curiosidades” no Observatório da Imprensa
O artigo Crueldade contra animais nas seções de curiosidades: jornalismo antiético está no Observatório da Imprensa:
Jornalismo antiético - Crueldade contra animais nas seções de curiosidades
Entre, leia e comente (se desejar, lá e aqui)! E ajude a pressionar a mídia online para que pare de tratar o sofrimento e exploração de animais como algo "bizarro" ou "curioso".
Eles próprios assumem: o rodeio incomoda os animais!
Mesmo com seus eufemismos, alguns sites que dedicam um espaço a esse show de violência, exploração e atrocidade chamado rodeio reconhecem que o a atividade realmente incomoda os animais explorados.
Primeiro, o UOL Notícias, que reservou uma infeliz seção especial ao rodeio no ano passado e fala explicitamente sobre incomodar:
Detalhes importantes da vaquejada
Esses são detalhes que o próprio site Vaquejadas.com divulga. São comprovações de que a atividade envolve agressões que vão além do ato de perseguir e derrubar um boi.
Dois dos acessórios são:
Crueldade contra animais nas seções de curiosidades: jornalismo antiético

Diversos sites insistem em postar notícias gozando do sofrimento animal dentro de suas seções de bizarro. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo.
Muitos portais noticiários online possuem uma seção voltada a notícias inusitadas, consideradas bizarras. Recordes e situações esquisitas são os principais temas desses setores. Nada mal até aí. Acontece que alguns desses sites extrapolam o bom senso e inserem notícias nada engraçadas ou inusitadas: animais em situação angustiante, entretenimentos centrados na exploração animal, episódios de caça ou pesca na maioria dos quais há assassinato de animais, comercialização de bichos “esquisitinhos”. O bizarro perde o sentido de inusitado, curioso e engraçado e toma ares de mau gosto, falta de compaixão e, em última análise, sadismo e estupidez.
É infelizmente comum encontrar esse tipo de notícia pela internet sendo tratado como tão curioso quanto notícias inofensivas. Rinhas de animais em outros países, animais caçados, gatos entalados durante dias em canos ou bueiros, cães perdidos, elefantes “treinados”, entre tantas outras notas recheadas de crueldade, dividem o espaço das seções de notícias bizarras como recordes, corpos esquisitos, prisões de bandidos atrapalhados etc.
Notícias que envolvem animais em apuros geralmente têm seus equivalentes humanos postados em seções policiais, cotidianas, nacionais ou internacionais ou simplesmente não publicados. Não esperemos para ver, ao lado de uma notícia de um cão entalado num cano PVC, uma sobre uma criança presa num tubo largo para esgoto, porque esta última, ao contrário da primeira, nunca será postada em seções de bizarro.
Reflexão sobre o duplipensar moral onívoro
Artigo escrito em dezembro de 2009
Israel, século 8 A.E.C.; Roma, século 1 A.E.C.; Arábia, século 6; Brasil, século 17. Escravos... Sendo de etnia ou nacionalidade dominada, eram tratados como propriedades. Sua existência era praticamente atrelada a seus senhores ou “donos”. Eram obrigados a lhes prover mão-de-obra, recebendo durante a vida apenas alimentação e algumas roupas em troca.
Como eram propriedades, seus senhores se viam livres para lhes causar violências diversas, que variavam de acordo com o país e época: marcação a ferro quente, gritos de ordem, espancamentos no caso de demonstração de rebeldia. A liberdade era palavra proibida. Não viviam mais como fins em si mesmos, por suas necessidades, anseios, prazeres e interesses próprios, mas estritamente para os interesses do senhor que os tinha como propriedade. Eram seres dotados de sentimentos, desejos, anseios e capacidade de sofrer, mas seus “donos” não se importavam com isso.
Qualquer lugar do mundo, século 21. Animais rurais... Sendo de espécie dominada, são tratados como propriedades. Sua existência é. na prática, atrelada a seus senhores ou “donos”. São obrigados a lhes fornecer matéria-prima, recebendo durante a vida apenas alimentação em troca.
Como são propriedades, seus senhores se veem livres para lhes causar violências diversas: marcação a ferro quente, fustigações como ordens, espancamentos no caso de demonstração de rebeldia. A liberdade é palavra proibida, um absurdo aos olhos da espécie dominante. Não vivem como fins em si mesmos, por suas necessidades, anseios, prazeres e interesses próprios, mas estritamente para os interesses do senhor que os tem como propriedade. São seres dotados de sentimentos, desejos, anseios e capacidade de sofrer, mas seus “donos” não se importam com isso.
10 mandamentos para onívoros/as que convivem com vegetarianos/as
Um texto divertido e muitíssimo esclarecedor de Alison Green, traduzido por Mirian M. Costa e reproduzido pela internet, extraído do site de dr. Eric Slywitch. A quem come carne e insiste nas sabatinas, muitas vezes pouco amistosas, a nós vegetarian@s e às acusações de que o vegetarianismo nos faz mal.
10 Mandamentos para carnívoros que convivem com vegetarianos
Texto de Alison Green retirado da internet, tradução de Mirian M. Costa
Concluí, após cuidadosa análise, que comer carne era incompatível com meus valores, apesar de adorar carne e não gostar muito de verduras. Eu tinha certeza que minhas papilas gustativas iam se rebelar, talvez manter um ou dois brotos de feijão como reféns em minha boca até que eu pagasse o resgate com um hambúrguer ou um pedacinho de bacon.
Felizmente, não aconteceu bem como eu esperava, meu maior problema como vegetariana não foi a comida — que descobri ser deliciosa e tão satisfatória como a carne — mas as atitudes desconcertantes de minha família e dos amigos. Outros vegetarianos fazem as mesmas reclamações: os olhares estranhos, as perguntas tolas, os interrogatórios pouco amistosos. Parece que os vegetarianos —12 milhões só nos Estados Unidos, e aumentando a cada dia — são uma minoria na verdade tristemente mal compreendida.
Assim, eu bolei dez simples mandamentos para os carnívoros usarem em seus contatos com os vegetarianos:
1- Não pense que os vegetarianos são espartanos que se alimentam de cenouras cruas e brotos de feijão. [Nota do Arauto: e da indispensável alface, como @s onívor@s intolerantes adoram insistir em suas piadinhas]
A pergunta que mais ouço é "O que você come?" Esta me deixa desconcertada; o que pode responder uma pessoa que tem uma dieta razoavelmente variada? Eu como espaguete, refogados, humus, cozidos, sorvete de framboesa, minestrone, saladas, burritos de feijão, bolo de gengibre, lentilha, lasanha, espetinhos de tofu, waffles, hambúrgueres vegetarianos, alcachofras, tacos, bagels, arroz com açafrão, musselina de limão, risoto de cogumelos silvestres — o que você come?
2- Aprenda um pouco de biologia.
Eu ainda não sei bem o que fazer com pessoas que são inteligentes sob outros aspectos mas acham que uma galinha não é um animal. Só para constar, vegetarianismo significa não consumir carne vermelha, aves, ou peixe — nada que tenha um rosto. Já perdi a conta das vezes em que garçons sugeriram um prato de frutos do mar como entrada "vegetariana".
3- Principalmente se as pessoas forem vegetarianas por razões éticas, não julgue que elas não se importarão com "só um pouquinho" de carne em sua refeição.
Você aceitaria "só um pouquinho" de seu gato, ou "um bocadinho" do Tio Jim em sua sopa?
Amy, a Louca, apronta mais uma vez
Amy Winehouse é conhecida por promover o showbusiness da estupidez. Não satisfeita em fazer fama com suas músicas, investiu-se em destruir sua própria "alma", acreditando (infelizmente com razão) que muit@s de seus/suas fãs seriam idiotas o suficiente para admirá-la ainda mais por ser, hum... "polêmica". Drogas pesadas, atos de violência e vandalismo, internamentos, comportamentos ridículos... É um exemplo negativo de popstar, uma amostra de como alguém pode terminar à beira da insanidade por não saber lidar com a fama. Eu até lhe reservei umas boas críticas, exibindo-a como exemplo de celebridade a ser boicotada e repudiada, no extenso artigo Os 15 mandamentos do consumidor ético e consciente.
Pois ontem ou hoje ela deu mais uma amostra de que luta para morrer ostentando o título de cantora mais imbecil da história da música pop:
Amy Winehouse embarca para a Jamaica e doa seus gatos para abrigo
Amy Winehouse embarcou para Jamaica, onde deve trabalhar em seu terceiro álbum, mas antes de partir a cantora decidiu se desfazer de seus onze gatinhos de estimação.
De acordo com o jornal The Sun, Amy deu dois dos bichanos para a afilhada, Dionne Bromfield, e pediu que um abrigo de animais fosse buscar os outros bichos. [Como se abrigos de animais domésticos já não tivessem problemas o bastante com superlotação e dificuldades de arcar com as enormes despesas.]
Eu acho que, para ela, só falta mesmo matar um bicho ou uma pessoa para o seu showbusiness da estupidez atingir o auge e ela se sentir glorificada.
Está mais que certa a nota da redação que a ANDA reservou a essa nota:
Nota da Redação: Os gatos não deveriam ser assim tão estimados pela cantora. Pois, assim como um filho não se descarta nem se doa para um vizinho, o mesmo se sucede com os animais criados e cuidados por nós: cria-se um elo, e não é uma viagem que vai impedir que continuem conosco. Essa e outras histórias são puro pretexto para justificarem o abandono. Um péssimo exemplo. Quem sofre são os animais.
TV Animal fora do ar: parabéns, SBT, por tamanha estupidez
O SBT parecia ter tomado vergonha na cara e lançado um programa de conteúdo educativo e conscientizador, e melhor, voltado para animais, abordando até um pouquinho de direitos animais (pelo menos constava isso na proposta do programa). Parecia estar começando a reconhecer o (teórico) papel social da televisão de prover informação, educação extraescolar e conscientização, como eu desejava.
Para quem sequer lembrava que o SBT existe, esta é a notícia de quando a emissora lançou esse programa, com uma proposta muito boa:
TV Animal retorna à grade do SBT totalmente reformulado
Um programa com proposta educativa e informativa que leva entretenimento para toda a família, principalmente para os amantes de animais
O "TV Animal" retorna à grade do SBT totalmente reformulado com a apresentação de Beto Marden a partir de 9 de outubro. A atração reúne quadros que proporcionam aos telespectadores conhecimento e curiosidades sobre os hábitos de animais de espécies variadas semanalmente, sempre às sextas-feiras, às 20h15.
Nesta quarta, 30 de setembro, o SBT reuniu jornalistas de diversos veículos de imprensa no Aquário de São Paulo, Zona Sul da cidade, para apresentar a nova atração.
Por que a vaquejada é uma maldade
Artigo escrito em julho de 2009
A vaquejada encanta multidões, mais ainda quando os vaqueiros obtêm vitórias com a proclamação “Valeu o boi!”. A vitória deles é a vibração de quem assiste. Para os vaqueiros e o público, é uma festa só. Mas e para os animais envolvidos nessa atividade? Eles gostam de ser freneticamente esporados ou de ser perseguidos e derrubados? É algo a se pensar sobre a moralidade de um dito esporte que, se vermos mais a fundo, consiste necessariamente em explorar e agredir animais.
Você que gosta de vaquejadas precisa entender o lado dos bois e dos cavalos também. Eles, ao contrário dos humanos que se divertem à beça, não saem nem um pouco beneficiados com a vida que têm. Se pudessem falar, você se surpreenderia com o desgosto deles por terem que viver com o fim de ser explorados e judiados em competições.
Por mais formosos que pareçam quando aparecem nas exposições de animais, eles sentem dor, bastante dor, e até medo durante as vaquejadas.
“Dono” e “posse”, palavras que não combinam com os animais
Artigo escrito em março de 2008
Dois vícios infelizmente ainda comuns entre defensores de animais e legisladores, sem falar da população como um todo, são considerar a tutela e responsabilidade de uma pessoa sobre seu bicho de estimação uma “posse” e chamar humanos que cuidam e tutelam animais domésticos de “donos”. Quem nunca falou ou ouviu expressões como “o dono desse cão...” ou “...em prol da posse responsável de animais”? É esse uso extremamente inadequado e vicioso, senão especista, dessas palavras que todos precisam repensar e abolir da relação entre os humanos e os animais não-humanos.
Há de se responder às perguntas: por que é inadequado dizer que um tutor de bichos de estimação é dono deles? Por que não é bom falar “o dono do bicho”? Por que não falar de posse de animais domésticos?
Em primeiro lugar, evoco a semântica denotativa, a que não tem sentido figurado (conotativo). As palavras “dono” e “posse” denotam propriedade. O dono de algo é proprietário desse mesmo algo. Quem tem posse tem propriedade sobre o objeto possuído. Seria ético dizer que temos propriedade sobre nossos bichos de estimação?
Para aumentar a minha objeção sobre o uso dessas palavras sobre a relação humano-bicho, invoco suas definições nos dicionários “Priberam/Texto Editores” e “Aurélio”. Mesmo que você contrarie dizendo que a língua portuguesa é flexível e não se prende às definições contidas em um dicionário, eu mostro-as com o propósito de apontar o sentido original dos vocábulos referidos.
A antiética da cultura do comércio e propriedade de animais
Artigo escrito em janeiro de 2008
Imagine o Mercado de Delos, numa cena corriqueira do século 3 A.C.. Lá, homens, mulheres e até crianças eram “emplacados” com tábuas penduradas no pescoço com origem, qualidades e defeitos descritos e o preço em dracmas. Comerciantes abastados chegavam à ilha da cidade, compravam essas pessoas para lhes servirem de escravos e arrogavam então a si a posse dos humanos comprados.
Imagine você, vindo de uma viagem no tempo, perguntando para um comerciante daqueles quem eram aquelas três crianças nuas no barco dele e se tinham algum parentesco com ele. Então ele diz: “Ah, são uns escravos que comprei agora há pouco. E não sou pai deles, sou dono”. E explica que os garotos comprados eram de sua preferência: morenos, cabelos longos e de olhos verdes, e satisfaziam aos seus desejos de ter crianças bonitas para sua companhia afetiva.
Uma sensação de indignação e compaixão invade você ao ver aquele senhor tratando aquelas crianças como mercadorias, como coisas, como objetos de posse e categorizáveis. Não tolera que ele esteja daquela forma comprando vidas humanas dotadas de afeto e sentimentos num mercado. Num ato de reação humana a atos de desumanidade, você semeia uma conversa argumentativa com o “dono” das crianças na intenção de mostrar que ele está sendo imoral e desumano e fazê-lo libertar aquelas crianças ou adotá-las como filhos de verdade. Seus argumentos falam de as crianças serem humanas iguais a ele, terem sentimentos, pensamentos, desejos, virtudes e direitos naturais à dignidade.
O homem então, depois de dez minutos de conversa, vai embora irritado, levando as crianças, sem assimilar a moral de direitos humanos que você tentou incutir nele. Para ele, os meninos eram seres inferiores e sem direito à dignidade que apenas os humanos de sua “raça” tinham e cujos sentimentos e demonstrações de inteligência serviriam para sua função de escravos de companhia.
A campanha “Não Vire Bicho no Trânsito” e o preconceito contra animais
Está chamando a atenção dos/as motoristas de vários estados nordestinos a campanha da empresa Bandeirantes Mídia Exterior que alerta para a incivilidade no trânsito. Nos outdoors, usam-se imagens dos rostos de pessoas fantasiadas de animais, estereotipam-se-lhes comportamentos mal-educados e passam-se mensagens para condutores/as não sujarem as vias, não atirarem xingamentos e não promoverem brigas de trânsito. Para a maioria das pessoas, são publicidades curiosas, mas, para a ética animal, não são nada engraçadas – são na verdade um assunto sério que merece ser levado a debate.
Reconheço que mesmo eu, até pouco tempo antes de escrever este artigo, via os outdoors dessa iniciativa como propagandas bizarras (no bom sentido), criativas e inocentes, até que uma palestra de Silvana Andrade, diretora da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais), expôs a verdade que revelo abaixo.
Para o senso comum, a campanha é engraçada, uma ideia bem bolada que induz quem dirige a evitar o comportamento bruto característico de certos animais. Mas, pode uma análise crítica perceber, essa suposta estupidez animal é nada mais que um estereótipo negativo que a empresa de mídia publicitária está redivulgando à população.











