Arauto da Consciência

FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Links)

Postado em 28/07/2010 à/s 8:30

Aqui os links das quatro partes do artigo FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais:

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4

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Pode a ciência que se utiliza de animais ser considerada ética? (por Sérgio Greif)

Postado em 27/07/2010 à/s 23:38

O biólogo Sérgio Greif contribuiu para a reação da categoria defensora dos direitos animais à campanha do governo e de organizações científicas de "conscientização" em prol da experimentação animal com esse simples e bem explicativo artigo.

Pode a ciência que se utiliza de animais ser considerada ética?
por Sérgio Greif, biólogo

Em sua tentativa de tornar a experimentação animal algo mais aceitável pelo público os defensores da vivissecção frequentemente recorrem a argumentos de ordem ética. Informam, por meio de sua propaganda, o quanto a ciência dos animais de laboratórios evoluiu nos últimos tempos, a ponto dos laboratórios de hoje em nada lembrarem as câmaras de tortura de outrora, que tanto proporcionaram em termos de material fotográfico para as campanhas anti-vivissecção.

A alegação, em verdade uma agressão à inteligência do público, quer fazer as pessoas crerem que os ratos de laboratório levam, atualmente, vida de reis. Cientistas graduados precisam usar de subterfúgios para convencer o público de que aquilo que eles fazem não é errado. E os argumentos são os mais pobres possíveis “Ratos de laboratório recebem ração balanceada e água limpa à vontade. É muito mais do que ratos em vida livre recebem; Ratos de laboratório vivem vidas confortáveis, em ambientes limpos, forrados com serragem e em condições de temperatura controlada.” Há ainda o argumento emotivo pseudo-racional “Se não forem usados animais serão usados o que? Você preferiria que se utilizassem crianças?”

A verdade é que a experimentação animal não é nem pode ser uma ciência com ética. Primeiramente porque, embora a experimentação animal seja praticada no contexto acadêmico, ela não pode ser defendida em termos científicos. Em segundo lugar, não há nenhuma racionalidade em argumentar que, porque animais experimentais são melhor tratados hoje do que eram 10, 20, 30 anos atrás, hoje eles recebem tratamento ético.

Diferente da ética envolvendo a experimentação com seres humanos, animais vivos jamais se oferecem para participar de experimentos. Animais não podem se candidatar a participar de experimentos, eles não podem ser informados em relação aos riscos envolvidos nem podem desistir de participar da pesquisa a qualquer tempo. Pelo contrário, sua participação é forçada e invariavelmente resulta em prejuízos para o animal, senão durante os procedimentos, ao fim, com sua morte.

Em uma comparação com seres humanos, animais de laboratório são tão vitimas quanto o foram as vitimas dos experimentos nazistas, ou das pesquisas sobre sífilis envolvendo negros americanos, ou qualquer outro experimento que utilizou seres humanos sem considerar seus interesses individuais.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 4 e final)

Postado em 26/07/2010 à/s 9:00

Mensagem na porta de um laboratório no CCS/UFPE. Foto tirada por mim em 2009.

Esta parte é o final do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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10. Que doenças evoluíram seu tratamento, em razão das pesquisas?
São várias, podemos citar duas: o câncer e a fibrose cística. No caso do câncer, por exemplo, pode ser realizado atualmente a terapia gênica, onde são retiradas células do tumor, inserido um gene que reage contra o câncer e reinjetado as células no paciente. Desse modo, as células geneticamente modificadas irão “ensinar” ao sistema imunológico do paciente a reconhecer as peculiaridades de suas células cancerígenas e destruir o tumor. Atualmente, esse tipo de pesquisa vem alcançado avanços significativos em ratos e camundongos e, certamente, poderão salvar várias vidas, inclusive as dos seres humanos.
No tratamento da fibrose cística, foi desenvolvido um modelo animal que reproduz a doença humana. Essa tecnologia permitiu que novos testes fossem realizados no combate a essa terrível doença genética, que acomete principalmente o pulmão de crianças em todo o mundo. Contra essa doença, está sendo realizada também a “terapia gênica”, onde as pesquisas com animais são extremamente relevantes.
Devemos lembrar também dos coqueteis anti-aids, um conjunto de medicamentos que já salvou e ajuda a prolongar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Nessa resposta, revela-se que a experimentação animal, cujos autores dizem prezar pela “responsabilidade, ética e respeito aos animais”, causou sofrimento crônico em animais que foram submetidos ao mais diversos tipos de câncer e à fibrose cística, descrito pelos próprios autores do FAQ como uma “terrível doença genética”.

Se a fibrose cística é terrível como dizem esses cientistas, imaginemos como seria estar na pele dos animais que foram induzidos a nascer com essa doença e passaram toda a sua vida sofrendo com ela. Essa questão 10 mostra como falta o mínimo de senso de alteridade e empatia interespecíficas nas pessoas que exploram animais em suas experiências e defendem a continuidade desse tipo de método de pesquisa. É uma demonstração de que esses indivíduos são incapazes de se pôr imaginariamente na pele dos animais que exploram.

É isso que os idealizadores da campanha de “conscientização” vivisseccionista querem? Que “terríveis doenças” continuem sendo induzidas em animais não-humanos para que seres humanos sejam salvos – e não possam optar por viver sem depender de remédios resultantes desse tipo de violência?

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 3)

Postado em 25/07/2010 à/s 9:00

Gaiolas de camundongos transgênicos, segundo o site de origem (natalneuro.org.br)

Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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7. De onde vêm os animais utilizados em experimentos?
Todos são produzidos
[sic] e criados em biotérios (ambiente de criação de animais destinados exclusivamente para pesquisa). Os pesquisadores podem comprar [sic] os animais, desde que tenham projetos aceitos por Comissões de Ética, criados nesses biotérios licenciados ou criá-los em biotérios próprios.

Se considerar que os interessados pela vivissecção estão praticamente em pé de guerra contra a defesa dos direitos animais, na “batalha” de argumentos eles perdem feio. Nesta questão eles deixam claro que tratam os animais como coisas, como objetos industrializados que podem ser produzidos numa fábrica (biotério), tal como um microscópio ou um computador, e vendidos como mercadorias para o primeiro cientista disposto a explorá-los de forma violenta numa experiência.

Trata-se, nessa atitude, de alhear os animais não-humanos de sua dignidade como seres sencientes,  dotados do interesse de viver bem e livres, nascidos como fins em si mesmos – em vez de como meios para fins de outrem. E transformá-los em objetos passíveis de ser fabricados, comercializados e usados, tal como qualquer produto industrializado cuja existência é condicionada a interesses humanos.

Isso ser feito com pessoas – transformar em produtos industrializados comerciáveis e usáveis por exploração violenta – seria considerado a pior e mais diabólica das agressões aos direitos humanos, mas, como quem é coisificado e explorado são “apenas animais”, isso é livre, é permitido pela lei, é incentivado pelos governos, tal como a campanha de “conscientização” deixa escancarado.

Está visível a violência moral promovida, mesmo sem perceber, por quem deseja a perpetuação da experimentação animal.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 2)

Postado em 24/07/2010 à/s 9:00

Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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4. Quais as alternativas ao uso de animais em pesquisa científica e por que os animais não podem ser inteiramente substituídos por modelos alternativos?
Para os cientistas, ainda não existem hoje métodos que substituam inteiramente o uso de animais nas pesquisas na área biológica. Em algum momento das pesquisas, os testes com animais são necessários. ?Em alguns procedimentos, os pesquisadores podem usar culturas de células e tecidos bem como modelos computacionais. Porém, tais métodos, não substituem totalmente o uso de animais. Há pesquisas na área da fisiologia, comportamento, biomedicina e da nutrição que exigem o organismo vivo para segurança da pesquisa que está sendo realizada.
Os modelos alternativos têm por objetivo reduzir o número de animais utilizados e isso é um grande avanço. São métodos eficientes para serem usados na fase inicial da pesquisa. O teste final, no entanto, tem de ser feito em animais, pois os efeitos de um novo procedimento, medicamento ou vacina podem ser completamente diferentes e até arriscados quando testados em um organismo completo vivo. Mesmo a tecnologia mais sofisticada não pode imitar as interações complexas entre as células, tecidos e órgãos que ocorrem nos seres humanos e animais. Os cientistas precisam entender essas interações antes de introduzir um novo tratamento ou uma substância em animais, sejam eles humanos ou não.
Às vezes, os estudos dos seres vivos mais simples, tais como bactérias, leveduras, vermes e moscas de fruta podem fornecer uma boa visão nos processos biológicos. Estudos com estes seres têm fornecido conhecimentos específicos sobre como alguns genes funcionam, por exemplo. Estas informações podem ser muito úteis, uma vez que muitos genes similares também estão presentes nos seres humanos e em outros mamíferos.
Mas os órgãos de nosso corpo e dos nossos sistemas biológicos interagem de forma sofisticada. Esses processos não podem ser plenamente compreendidos em organismos simples, em moléculas isoladas ou células e, em algum momento deverão ser testados em mamíferos.
É por isso que é importante estudar os processos em animais e isso também incluem os testes em seres humanos.?Devido às muitas e variadas interações entre os órgãos do corpo humano e sistemas, não só doenças, mas também novos medicamentos, vacinas e técnicas cirúrgicas devem ser estudados em animais para garantir sua segurança e eficácia.
Alguns cientistas não consideram, no entanto, a cultura de células de tecido como um método alternativo, mas um possesso de refinamento da pesquisa, evitando que um número desnecessário de animais seja utilizado. Mesmo as pesquisas com células exigem o uso de animais para a produção e extração dessas células.

Bota-se areia em todas as alternativas de pesquisa citadas, ignora-se o fato de que muitas descobertas da medicina – a exemplo da penicilina, da aspirina e de cirurgias diversas – não precisaram de cobaias. Faz-se isso na tentativa de superestimar a dependência da ciência biomédica das pesquisas com cobaias. E em momento nenhum fala-se de qualquer perspectiva de se substituir os animais nas pesquisas no futuro, mesmo daqui a décadas.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 1)

Postado em 23/07/2010 à/s 9:00

A campanha do governo para “conscientizar” a população sobre a alegada importância de se promover a pesquisa com cobaias está aí. Não há apenas os comerciais televisivos, mas também um site (www.eticanapesquisa.org.br) feito exclusivamente para “esclarecer” os fundamentos do uso de animais em pesquisas. Nesse site, há depoimentos, vídeos e um FAQ (frequently asked questions – perguntas frequentes) sobre o tema.

No entanto, o próprio FAQ mostra como são frágeis e incoerentes os argumentos dos vivisseccionistas (cientistas que realizam a vivissecção, a pesquisa com cobaias vivas) perante a verdadeira ética dos direitos animais. É fácil derrubá-los, bastando comentar as respostas dadas às perguntas listadas pelos criadores do site.

Abaixo, e nas próximas partes deste artigo, comento a resposta dada a cada pergunta, desmontando a argumentação usada por quem está interessado em continuar explorando e matando animais em laboratórios.

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1. O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações que beneficiarão o próprio homem [sic]? E como ficam os direitos dos animais?
Deve ficar claro que uso de animais em pesquisas não só beneficia o ser humano, mas também outros animais. Quase todos os grandes avanços na área da saúde durante o século XX utilizaram animais em suas pesquisas.
Sobre o que se convencionou chamar de “direito animal”, entendemos que é obrigação da sociedade assegurar o bem-estar animal através de Leis claras que regulamentem a prática. Sem essa segurança respaldada na Lei, os animais estarão desprotegidos. O Brasil está fazendo sua parte e, desde 2008, tem uma Lei que regulamente a utilização de animais para propósito científico e didático em todo Território Nacional. Aos que infringirem a Lei, punições estão asseguradas.

Em primeiro lugar, a pergunta “O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações...?” não foi respondida. Preferiu-se enrolar o “questionador” recorrendo aos alegados benefícios científicos rendidos pela vivissecção ao ser humano e, através da medicina veterinária, aos animais domésticos. Hoje ainda é preferido, mesmo recorrendo-se à hipocrisia, omitir a multicentenária visão antropocêntrica e utilitarista dada pela comunidade científica à vida animal – de que a humanidade é moralmente a espécie superior e, por isso, pode determinar que certos animais não-humanos nasçam para servir perpetuamente aos interesses humanos e não tenham valor algum fora essa utilidade servil.

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Responsabilidade, ética e respeito… de mentira

Postado em 08/07/2010 à/s 19:36

Essas mãos afagam o ratinho, mas estão prontas para torturá-lo a qualquer momento. O governo federal e a comunidade científica querem que essa realidade continue, por isso vêm empreendendo uma campanha para desinformar a população sobre a verdadeira natureza da experimentação animal. Imagem: site da UFMG

Desde algumas semanas atrás o Ministério da Ciência e Tecnologia e diversas organizações científicas brasileiras, como o CNPq e a SBPC, vêm promovendo uma campanha de lavagem cerebral na população, no esforço de “conscientizar” a sociedade no que tange à “importância” do uso (eufemismo de exploração) de animais em pesquisas de laboratório – a chamada vivissecção. Vem sendo veiculado na TV um comercial de 30 segundos com esse intuito. Tal atitude adversa aos interesses dos animais – especialmente os de viver e ser livres – precisa ser desmascarada pelos defensores animais brasileiros, e é isso que este artigo busca fazer, ao analisar criticamente a mensagem veiculada na propaganda televisiva dessa campanha.

O comercial em questão mostra, andando numa estrada, pessoas representando quem foi, por exemplo, curado de câncer, beneficiado com vacinas ou avanços científicos da cirurgia e gratificado com maior expectativa de vida. Durante a caminhada dos figurantes, fala-se sobre a estrada da vida pela qual toda pessoa caminha e sobre como os avanços biomédicos atribuídos à experimentação animal permitiram muita gente continuar andando sobre ela.

A fala continua falando aquilo que todo defensor dos direitos animais sabe que é mentira: que os animais “de laboratório” são tratados “com ética e dignidade” e que esse tratamento “ético” hoje é lei – em referência à muito criticada Lei Arouca, lei bem-estarista sancionada em 2008. E aparece o lema “Pesquisa científica brasileira hoje: responsabilidade, ética e respeito aos animais”.

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Três tambores: exploração animal por trás da mansidão e da fraternidade

Postado em 19/06/2010 à/s 0:42

Cavaleira de três tambores usando açoite. Os cavaleiros juram que o uso desse instrumento não é generalizado e que os animais não são maltratados como nos rodeios e vaquejadas. O artigo abaixo não enfoca mais os maus tratos, mas sim o sistema de exploração animal existente por trás desse "esporte" em que se afirmam a relação fraterna entre cavaleiros e cavalos e a ausência da violência física como regra.

Um artigo meu escrito recentemente, chamado “A crueldade dos "três tambores" do rodeio” (post removido por precaução e reconhecida carência  de embasamento), causou revolta entre os praticantes do dito “esporte”. Os comentários do Arauto da Consciência e, ainda em menor quantidade, da ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais foram bombardeados por competidores e competidoras revoltados por eu ter acusado sua modalidade de cruel e generalizado os maus tratos que ocorrem no manejo de instrumentos como espora e açoites. Assim sendo, resolvi escrever um novo texto para elucidar melhor por que o três tambores tem a mesma oposição minha e dos defensores do abolicionismo animal que rodeios e vaquejadas.

Me disseram que os três tambores proporcionam uma comunhão afetiva entre cavaleiro e cavalo, sendo o primeiro não senhor do último, mas quase um “irmão”. Me falaram também de engajamentos filantrópicos com os lucros do “esporte” e da venda (sic) dos animais, da presença de conselhos de ética, veterinários e outras entidades que assegurariam um tratamento “digno” aos bichos. Fui acusado de escrever sem conhecer a realidade, de emitir um opinião leiga e, logo, irresponsável.

Reconheço que alguns comentários eu realmente tive alguma dificuldade de responder, e percebi que o motivo maior foi ter chegado ao limite da crítica relacionada a bem-estar animal – muito embora o artigo tenha falado, em um parágrafo, do caráter de exploração animal da competição. Foi falho ter exposto mais a crítica pró-bem-estar, facilmente questionável por quem pratica o dito “esporte”, do que a abolicionista, e isso induziu a uma equiparação indevida da modalidade ao rodeio e à vaquejada, pseudoesportes que por sua vez consistem na crueldade quase explícita.

O três tambores, por ser muito mais próximo do hipismo do que do rodeio, conforme ficou expresso nos diversos comentários e também é visível nos mais diversos vídeos, é de fato um “esporte” com animais no qual a exploração animal é bem menos óbvia do que a tão largamente criticada montaria de touros, por ter muito menos demonstrações explícitas de maus tratos por violência física. Nele não há peões ou vaqueiros sedentos de vencer o “adversário” animal, mas cavaleiros que afirmam competir em irmandade com os cavalos.

Mas isso não quer dizer que eu vim me retratar por completo do artigo passado e dizer que passei a ver o três tambores com bons olhos. Mas sim esclarecer melhor por que, mesmo com esse panorama alegado de bem-estar e fraternidade cavaleiro-cavalo, continuo mostrando que esse tipo de competição não se inclui no que o abolicionismo animal pode considerar ético e aceitável e reivindicando mais ação de entidades de direitos animais contra o uso de bichos para entretenimento seja lá de qual tipo for.

Não é obvio como no rodeio, mas há um sistema de exploração animal desde a arena de corrida até a procriação dos cavalos.

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Defesa animal FAIL: MPC sorteia churrasqueira

Postado em 24/04/2010 à/s 1:36

3º prêmio: 1 churrasqueira George Foreman

Para reverter dinheiro para a proteção de cães e (talvez) gatos, sorteia-se em bingo um utensílio que assa carne de animais explorados e mortos pela pecuária.

Que defesa animal é essa que defende uns bichos (cães e talvez gatos) e incentiva que se matem outros (animais rurais "de corte")?

Quem crer que a intenção é estimular o sojasco (churrasco com pseudocarnes vegetais como soja, glúten e bolinhos de arroz), está sendo ingênu@, porque mesmo entre vegetarian@s pernambucan@s a iniciativa de assar proteína de soja em uma churrasqueira ainda é bem pouco conhecida.

Com a palavra, o MPC.

P.S: É capaz de o jantar beneficente (que Verônica do blog Ciência e Meio Ambiente do JC Online anuncia para o mesmo evento) ter carne em abundância.

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(Pseudo)Direitos animais FAIL

Postado em 12/03/2010 à/s 19:28

A Gazeta do Povo, do Paraná, publicou no ano passado uma notícia que falava muito bem da Segunda Sem Carne, campanha permanente que está se multiplicando pelo mundo:

Um dia sem carne faz diferença

Entretanto, cometeu uma gafe enorme ao escrever algo sem-noção:

Ganhos

Cortar a carne do prato na garante ganhos só para o meio ambiente. Ajuda também a saúde e no combate à fome mundial. Veja:

(...)

Direitos dos animais

- A diminuição do consumo de carne pode contribuir para tornar o abate destes animais menos cruel e mais humanizado, como o que ocorre com a produção de carne orgânica. A maioria dos abatedouros clandestinos matam o gado a pauladas.

(...)

Eu pergunto:
- Desde quando isso é um direito para os animais?
- Desde quando a Segunda Sem Carne se propôs a tornar a morte de animais na pecuária "menos cruel e mais humanizada"?
- De onde a jornalista que redigiu a reportagem tirou que a Segunda Sem Carne vai pressionar a indústria frigorífica a "humanizar" o abate de animais?
- Desde quando as pessoas desejam um abate "humanitário" comendo carne seis dias sim, um dia não?

A jornalista falou uma besteira enorme. Pelo menos até o dia em que publicou essa reportagem, não sabia nada sobre direitos animais. Confundiu a defesa bem-estarista do abate "humanitário" com os direitos animais -- direito à vida, à liberdade, a não ser propriedade, a viver e morrer na natureza, a ser visto e tratado com dignidade e pleno respeito pelos seres humanos -- e nos trouxe tal pérola.

Abate "humanitário": desde quando isso é um direito para os animais? Como diriam os blogs de humor, Direitos animais FAIL!

P.S: E ainda errou o nome e a sigla da Sociedade Vegetariana Brasileira -- SVB (não Sociedade Brasileira Vegetariana -- SBV).

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